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29/01/2012

A esperança que brota da maternidade


Caros visitantes virtuais,

O facto de ontem o meu filho mais novo ter celebrado o seu décimo terceiro aniversário e de eu viver cada aniversário dele e do irmão como uma bênção que me lembra a profunda felicidade que me trouxe a maternidade de ambos fez-me pensar na enorme fonte de esperança que constitui a maternidade.
E, permitam-me os leitores do género masculino, mas vou apenas falar na perspectiva da maternidade, pois como mulher que sou, é essa que vivo intensamente. Não querendo de modo nenhum subestimar o papel imprescindível da paternidade não apenas para o nascimento do filho como para a sua criação, educação e amor incondicional ao longo da vida.
Tenho um pai que para mim é o melhor do mundo porque foi sempre um pai muito presente, atento, carinhoso, interessado no meu percurso escolar e profissional, respeitador das minhas opções e que me proporcionou adquirir a autonomia responsável que fui tendo ao crescer. Ainda hoje continua a ser uma presença forte na minha vida com quem falo todos os dias porque os laços que nos unem são muito intensos. Para o meu pai, Adelino, deixo um beijinho com o mais profundo carinho e gratidão por tanto amor.
O pai dos meus filhos é também para eles o melhor do mundo, pelas mesmas merecidas razões que sinto em relação ao meu pai e que eu reconheço também no meu marido, Jorge Paulo, no seu papel de pai.
Tenho, pois, fortes razões para reconhecer e valorizar profundamente a paternidade. Paternidade essa que quanto mais vivida mais enriquecedora é para os pais e para os filhos pois o amor constrói-se com o amor e a atenção de cada dia. Por isso, caro visitante virtual, se é homem e tem filhos, seja pai intensamente e verá que o seu coração e o dos seus filhos brilham, aquecem e fortalecem-se em conjunto num laço único de beleza incomparável.
No entanto, como mulher que sou é de maternidade que vos posso falar na primeira pessoa.

A imagem acima é de um quadro a óleo da Escola Portuguesa, do século XVIII, e representa a Nossa Senhora do Leite. O quadro é belíssimo e invoca os mágicos momentos que sente uma mãe que amamenta os seus filhos. A profunda ligação que nos une, como mãe, ao filho que saciamos ao peito, em que o nosso próprio corpo produz e se torna em alimento para o filho que durante a gravidez acolhemos em nós, com quem comunicámos intensamente enquanto ele habitava o nosso próprio corpo e que, uma vez nascido, acolhemos nos braços, aconchegámos, tranquilizámos e amamentámos, produz momentos mágicos de incomparável intimidade. Para as mães que ainda estão nesta fase, vai um abraço muito especial e os meus votos de que usufuam em pleno a beleza desta etapa tão especial.
O nascimento de um filho é uma felicidade única. O momento em que o corpo de uma mãe se abre para dar passagem ao filho para viver a sua própria vida. Sentir deslizar através de nós o filho que tanto amámos e trouxemos protegido no abrigo do nosso próprio corpo durante todos os meses da gravidez, vê-lo finalmente olhos nos olhos, aquele filho com quem tanto comunicámos no segredo da nossa intimidade de sermos dois seres a viver fisicamente e psicologicamente unidos é uma emoção impossível de descrever.
A partir do momento em que os nossos filhos iniciam as suas vidas são para nós, mães, uma enorme fonte de esperança, pois é toda uma vida que têm pela frente e nós contamos estar presentes para rir com as suas alegrias, mas sabemos que irão ter tristezas que nos farão sofrer mais que as nossas próprias tristezas. No entanto, não é por isso que deixamos de desejar que nasçam, cresçam, se tornem independentes, apesar da angústia da separação que vê-los crescer e autonomizar-se sempre nos cria. A imagem belíssima da escultura "Pietà", de Miguel Ângelo, que é uma peça das melhores obras de arte do mundo representa bem a intensidade da dor de uma mãe que vê sofrer um filho, e no seu grau máximo de dor, de uma mãe que nos seus braços carrega a morte do seu próprio filho.
Tive já momentos de grande dor com um dos meus filhos em risco de vida causado por salmonela, situação que felizmente superou, tenho amigas que têm filhos e filhas a passar por gravíssimos problemas de crescimento e outras que perderam filhos em trágicas doenças ou acidentes. Para eles vai toda a minha solidariedade e profunda ternura. Têm o desafio constante de encontrar a esperança para continuar o seu caminho. A perda de um filho nunca é superada porque uma parte de nós morre com ele, mas a sua memória viva em nós, mantém-nos vivos também, por eles. São de profunda coragem as histórias de vida de mães e de pais que sobrevivem em cada dia à morte dos seus filhos e transformam a própria vida num hino de reconhecimento ao filho que continua com eles no coração.
Às mães que têm filhas e filhos em complicadas situações de crescimento e mesmo de sofrimento diário, físico ou psicológico, deixo um carinho muito especial e votos de coragem para em cada dia continuarem a lutar para ajudar a construir o equilíbrio e a saúde física e psicloógica que os seus filhos necessitam, e estou certa encontrarão, porque estão muito rodeados de amor e empenhamento maternal contínuo. O amor é um bálsamo reconfortante e todo o problema tem uma solução. E eu, como amiga, trago-os com um pensamento e uma ternura muito especial no meu coração, assim como procuro que a minha Fé e amizade possa contribuir com uma energia positiva para que os seus dias difíceis encontrem a tranquilidade de que necessitam e que acredito que encontrarão.
Maria, representada na "Pietà" com o seu filho morto, descido da cruz, é reconhecida pelos Cristãos, onde me insiro, como modelo de mãe pela sua incondicional capacidade de amar e modelo de Fé seguindo com uma espiritualidade forte, mas também discreta o novo mandamento divulgado e praticado pelo seu próprio filho, Jesus Cristo: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Ela encontrou a força no Amor e na Fé e há muitos que nela encontram também a força e serenidade espiritual que reconforta e inspira para prosseguirem os seus caminhos com maior alento.
Para mim, Maria não são os dogmas de que a Igreja Católica ao longo dos séculos revestiu a sua figura maternal. Os dogmas pela sua natureza nunca têm explicação lógica pelo que nunca me ocuparam a mente que preferi dedicar a reflexões que entendi mais proveitosas. Maria, para mim, é uma mulher forte e corajosa num tempo e numa cultura em que as mulheres era suposto serem fracas, é uma mulher que acompanhou o seu filho e compreendeu a sua mensagem mesmo quando o mundo o perseguia e o condenava pelas suas palavras de igualdade e de amor fraterno sem discriminações nem limites, é uma mulher de fé e de espiritualidade intensa de que deu provas ao longo da sua vida, incluindo nos momentos mais dolorosos da perda do seu filho, pois acreditava que na realidade nunca o perderia definitivamente.
Mesmo que o nascimento de um filho traga, e traz inevitavelmente, não apenas alegrias mas também preocupações, receios, angústias e sofrimento, o simples facto de existir traz à vida de uma mãe a mais profunda e comovente alegria. Cada sorriso, cada dente, cada passo, cada abraço, cada palavra que um filho nos dirige é para uma mãe mais valioso que o tesouro mais precioso.
Mas há mães que por razões diversas não têm capacidades física nem psicológicas para assumir uma gravidez e uma maternidade responsável. A essas mães, que mesmo com essas dificuldades não pretendem abdicar de o ser, há instituições que desenvolvem um muito meritório trabalho de apoio à gravidez, nascimento e acompanhamento da maternidade das mulheres que carecem de assistência especial. Uma dessas instituições, ligada à Igreja Católica, é a Casa de Santo António, cujos contactos e informação detalhada sobre o apoio que prestam à maternidade se encontra em: http://www.casasantoantonio.org.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=198&Itemid=188

Felicito esta instituição e ssuas voluntárias que em cada dia ajudam a sorrir tantas mães e crianças que sem essa ajuda preciosa estariam em difíceis condições de vida.


A "Ajuda de Mãe" que acima a imagem representa com os seus contactos, é uma das organizações não governamentais da sociedade civil que se dedica ajudar mães em dificuldades. Felicito esta instituição e as voluntárias e voluntários que se dedicam a apoiar esta importante causa social e humanitária.


O livro que até hoje li que melhor conseguiu abordar a intensidade da maternidade foi o da escritora norte-americana Pearl Buck (foto acima) que em 1938 recebeu o Prémio Nobel da Literatura. Refiro-me ao seu livro "Mãe" que a partir da protagonista, uma mãe chinesa, nos desvenda como aquela mulher vive o seu papel de mãe. Eu que sou mãe fiquei surpreendida e rendida à profundidade daquele retrato de mulher simples e às opções que, por amor aos filhos, foi fazendo ao longo da sua dura vida. Absolutamente tocante e deslumbrante.

Não quero encerrar este post sem o dedicar de modo muito especial à minha mãe, Maria Eugénia. Dedicou às filhas um amor de tal modo incondicional que tudo o que se possa dizer da bondade, compreensão, carinho, compreensão, afecto, ternura, educação, acompanhamento constante, é pouco para descrever o tudo que se deu. Ela é o modelo de mãe para mim, ainda que modelo que sei que nunca alcançarei pois não disponho da mesma capacidade de amor, abdicando em absoluto de si própria pelos filhos, como ela fez. A educação cristã que recebeu, associada a uma cultura em que a condição da mulher não a valorizava em si mesma mas apenas pelo seu papel de esposa e mãe, associada a características pessoais de uma enorme sensibilidade e capacidade de amor fizeram da minha mãe uma mulher única e uma mãe que ainda hoje, embora já não fisicamente, me acompanha sempre porque está viva dentro de mim pelo muito amor que plantou no meu coração e na minha existência de que continua a fazer parte intensamente.
Como mãe, em cada dia entrego-me aos meus filhos o mais e melhor que posso, dedico-lhes atenção e amor que não têm dimensão mensurável, mas não deixo de conservar uma esfera para a minha própria existência como pessoa que sou e que não envolve apenas ser mãe, embora, sem dúvida ser mãe seja o maior papel da minha existência. No entanto, considero que só realizando-me como pessoa posso ser uma boa mãe para os meus filhos. É uma outra concepção de maternidade que felizmente a democracia e o despertar das consciências e sociedades veio trazer para a igualdade de género, de que acredito todos saem a ganhar.
Dedico ainda este post a todas as minhas amigas que são mães.
Um abraço e votos de uma boa semana, caro visitante virtual. E, esta semana tenha presente o muito que significa ou significou para a sua mãe e o que ela significa para si. Certamente encontrará nesse amor muitas razões para sorrir e estar grato ao amor e à vida.

C.C.