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20/03/2017

A esperança que resulta de mentes saudáveis


Caros visitantes virtuais,
 
Escrevo-vos hoje sobre a esperança que resulta de mentes saudáveis, a propósito de um livro que li e recomendo do psiquiatra, professor, investigador e escritor brasileiro Augusto Cury. Trata-se de uma obra muito interessante que nos apresenta uma perspetiva muito rica e humanista de um dos traços fundamentais do ser humano: a inteligência.
Augusto Cury é o criador da teoria da inteligência multifocal que tem a interessante particularidade de integrar os traços genéticos e os traços da inteligência na perspetiva clássica cartesiana e a estes juntar o património de vida do ser humano e dos contextos sociais e existenciais em que se move. Nesta perspetiva, não só todos os seres humanos são inteligentes, como todos os tipos de inteligência são reconhecidos e valorizados e, ainda, a nossa inteligência pode ir sendo autoconstruída por nós próprios com uma educação mental construtiva da personalidade assente nos valores sociais, morais ou éticos em que cada uma acredita e pretende incorporar na sua forma de estar na vida.
O poder ativo e interventivo de cada um na sua própria história dá-nos a  esperança da não condenação a um destino, mas da responsabilidade de sermos nós próprios os responsáveis pela construção do nosso caminho de vida.
Revejo-me muito nesta teoria porque sempre achei, e experienciei ao longo da minha vida, que o ser humano é bem mais rico e criativo do que a própria escola reconhece.
Demasiado presa a padrões rígidos de mera aquisição e reprodução de conhecimentos, tarda em adaptar-se a uma sociedade da era da inovação e da tecnologia em que muitas outras dimensões do percecionar, do saber, do analisar, do concluir e do criar não só devem ser reconhecidas, como sobretudo, valorizadas.
Creio que todos teremos a valorizar se ensinarmos crianças e jovens a responsabilizar-se pela construção das suas personalidades e dos seus percursos de vida, a não temer arriscar  e cometer erros, sem que estes sejam tão graves que possam comprometer o seu bem-estar e  segurança e a dos outros, a aprender com os seus erros, a ter coragem para enfrentar desafios e  a procurar formas criativas e construtivas de lhes dar resposta.
 
 
 
Muitas vezes diante das dúvidas deixamos-nos abater porque fomos habituados ao refúgio dos paradigmas seguros, dos dogmas, das verdades absolutas. Mas, o ser humano é ele próprio desde que nasce resultado de uma misteriosa combinação de células e alguém único e insubstituível que constantemente surpreende os outros e se surpreende a si próprio.  A própria vida é ela própria uma constante fonte de inesperados, uns mais positivos outros menos, mas nunca é um percurso linear e previsível sejam quais forem as circunstâncias económicas, sociais e políticas do contexto em que vivemos. E cada circunstância nos obriga a tomar decisões ou a fazer opções.
O nosso percurso existencial resulta das nossas escolhas, e também a nossa aprendizagem que nos interrogarmos e quisermos aprender com as lições da vida.
Assim sendo, estranho é que não estejamos mais habituados a ver as interrogações e as dúvidas como um processo natural da nossa existência, um processo de crescimento interior e de caminho para a nossa valorização pessoal. Consideramos saudáveis as crianças que se interrogam e que nos interrogam e esquecemos que é assim que crescem e desenvolvem o seu pensamento e a sua personalidade de forma saudável para pensarem por elas próprias.
Claro que não me refiro aqui a uma posição doentiamente cética perante a vida em que se duvida de tudo e de todos, mas de uma posição de saudavelmente nos procurarmos conhecer e nos interrogarmos quanto ao que somos, ao que queremos e ao que podemos fazer para construir o que queremos, só assim podemos ter voz ativa na construção de nós próprios e contribuir para ir construindo a nossa caminhada de acordo com o que somos e aquilo em que acreditamos.
Só num percurso em que nos sintamos bem connosco próprios e com os outros poderemos encontrar serenidade e bem-estar, harmonia e tranquilidade, e genuína alegria e felicidade nas pequenas coisas que compõem o nosso dia.
Curiosamente o autor, que estudou várias personalidades célebres do mundo científico e cultural, identifica Jesus Cristo como uma inteligência multifocal, um homem profundamente conhecedor da natureza humana e social e com uma extraordinária capacidade de empatia com o seu semelhante.
Como nos diz Augusto Cury, o ser humano que não se educa mentalmente poderá ser o maior inimigo de si próprio, deixando-se vencer por angústias, temores, medos e frustrações.
Educarmo-nos mentalmente, para o autor, significa autoajudarmo-nos para nos compreendermos e compreendermos os outros visualizando-nos na sua própria pele, pois só assim os compreenderemos verdadeiramente.
Também nesta perspetiva me revejo. Considero que os sentimentos como o ódio, a raiva, a inveja, o ciúme e o rancor são sentimentos tóxicos que envenenam o ser humano por dentro, fazem mal a si próprio e aos outros. Por outro lado, termos a capacidade de empatizar, de nos colocar no lugar do outro, conduz sempre a caminhos de compreensão e de construção de relações gratificantes. É esse o caminho em que acredito que vale a pena caminhar, um caminho que vale por si próprio como já Gandhi nos transmitiu.


Uma boa caminhada caro visitante virtual,

C.C.
 

14/03/2017

Papa Francisco, uma fonte de esperança




Caros visitantes virtuais,
 
Tendo ontem o Papa Francisco comemorado quatro anos do seu Pontificado fiz questão de dedicar este post a este homem que assume a liderança da igreja católica de uma forma muito humana, simples, humilde e terna. A sua postura, no meu entender, é uma postura de esperança para a humanidade e as suas palavras são inspiradoras e os gestos tocantes.
Elegeu a bondade e a ternura para abrir o seu Pontificado e a sua proximidade de todos quantos tem visitado é tocante, mesmo para aqueles que como eu, o conhecem apenas à distância pelas palavras que transmite e a presença sempre próxima que faz questão de ter onde quer que vá um pouco por todo o mundo.
Uma das suas frases de que gosto muito é:

"Não deixe que ninguém tire a sua esperança".
No entanto, este conforto não é um apelo à passividade, pelo contrário, pois diz ainda:
"A nossa vida é um caminho, quando paramos, não vamos para frente.", para além da humildade da frase abaixo que o torna muito próximo de qualquer outro ser humano, apesar do seu papel de grande poder e de alta relevância na Igreja e no mundo:


 

Este Papa é o primeiro Papa oriundo da América Latina, o primeiro nascido no hemisfério sul (na Argentina, em Buenos Aires, em 17 de dezembro de 1936, e o primeiro da Ordem dos Franciscanos. Bem conhecedor da pobreza, da privação da liberdade e de outros direitos fundamentais do ser humano, o Cardeal Jorge Bergoglio ao ser eleito Papa adotou o nome de Francisco como sinal da linha deste fundador missionário de uma linha espiritual assente na humildade, na simplicidade e na proximidade dos seres humanos uns dos outros como irmãos, mas também do ser humano com os outro seres da natureza como irmãos. A forma simples como faz questão de se vestir, tendo prescindido do luxo e do fausto representativos do poder da igreja trazem, na minha perspetiva um poder ainda maior à sua mensagem, o poder do carisma da sua postura perante a vida e da sua mensagem.
Por estas várias razões vejo o Papa Francisco como um sinal de esperança entre nós. O sinal de que a humanidade há muito necessitava. A sua mensagem de simplicidade e autenticidade do amor, a alegria que é patente no seu rosto e nos seus gestos nos banhos de multidão de que se aproxima contra todas as recomendações da cúria romana e da sua segurança pessoal são o testemunho claro de um homem para quem o valor da vida está em vive-la de forma genuína e em ligação constante com os outros.
Escreve quem o conheceu pessoalmente que é ainda um homem com um grande sentido de amor e dotado de uma alegria contagiante que aliás transparece quando o vemos nas suas visitas a jovens, a crianças, a idosos, a doentes, a presos e a refugiados. Mantém sempre uma atitude de escuta atenta e profundo respeito, mas também uma atitude de conforto, de encorajamento e de esperança, enchendo-lhe o rosto de alegria com as mais simples manifestações de carinho que recebe de homens e mulheres que o esperam aos milhares onde quer que se desloque.
Sobre os jovens tem esta frase belíssima que é como Francisco os vê:


A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo
A sua disponibilidade e carinho para com bébés, crianças, idosos, doentes e presos são comoventes:
 






Li e recomendo o livro "Francisco-De Roma a Jerusalém" de Henrique Cymerman e Jorge Reis-Sá que acompanharam esta visita do Papa e nos descrevem um homem de uma profunda Fé, humanidade, simplicidade e proximidade ao outro, sem ele quem for e esteja onde estiver.




Mas também um homem de grande compaixão pela dor humana, como mostram as suas visitas a doentes profundos, a Auschvitz e a outros locais de desolação e sofrimento, tendo já referido que este ano pretende visitar o Sudão do Sul, país assolado pela guerra:
 

 
Francisco apela aos jovens que não sejam conformistas, fala da importância das mudanças fundamentais na igreja, na política, na sociedade, no mundo e no interior de cada um. A sua mensagem revolucionária constitui um regresso às origens do cristianismo, mais próxima que está esta sua forma de viver e anunciar a fé da que foi assumida pelo próprio Jesus Cristo.
E, apesar desse traço messiânico, a sua postura perante as outras religiões não é de afirmação, mas antes de ponte e abertura ao outro. O seu diálogo com lideres religiosos de outros credos espirituais é um diálogo entre iguais, um diálogo de profundo  respeito e aceitação, também aqui fonte de esperança e de construção da paz.
 
 
Creio que João Bénard da Costa e os seus companheiros do movimento catolicista que antes do 25 de abril se opôs à fechada e esclerosada ortodoxia da Igreja Católica ficariam muito felizes de conhecer este Papa que abriu as portas do Vaticano arejando as suas poeiras interiores e ele próprio referindo o que condena dentro da Igreja que precisa de mudar e que tentará mudar. Aproveito para aqui prestar a minha homenagem a este grande cineasta, escritor e vulto da nossa cultura que entre os preciosos contributos artísticos com que nos enriqueceu, contribuiu também para a mudança das mentalidades na sociedade e na igreja.
 
O livro de João Bénard da Costa, "Nós os vencidos do catolicismo" é uma leitura muito interessante e enriquecedora sobre o percurso da igreja católica em Portugal e o movimento de jovens universitários e pós-universitários que das várias áreas do conhecimento e das artes se revoltam contra uma postura de igreja que consideram não autêntica, fechada e castradora do ser humano e das suas liberdades e direitos fundamentais. Gente de fé que questionou de forma inteligente, corajosa e persistente a igreja do seu tempo incapaz de acompanhar a evolução do ser humano e das sociedades e de fazer uma leitura da mensagem de Cristo e da Bíblia atualizada aos nossos tempos.
No meu entender, o Papa Francisco vem precisamente fazer essa atualização compatibilizando-a com o que de mais genuíno e autêntico existe na mensagem de Cristo: Amor, espiritualidade, esperança, humildade, simplicidade, perdão, misericórdia e alegria. Emblemática é a forma como interpreta nos nossos dias o jejum da quaresma que prepara os cristãos para a Páscoa:
 
 
Destas palavras de generosidade pelos outros, de apelo à compreensão e à harmonia, à fraternidade e à alegria, resulta esperança, pois mais cedo ou mais tarde teremos o que semeámos. mas, como ele próprio refere, nada se constrói sozinho. Sempre a chamada de atenção para a nossa humildade e o reconhecimento da importância do papel dos outros na nossa vida e da nossa vida na dos outros.
Termino esta homenagem aos quatro primeiros anos do pontificado do Papa Francisco com as suas palavras de que gosto mais e que partilho neste blogue que não é meu, é nosso, meu e dos meus caros leitores virtuais:
"Sempre que possível, dê um sorriso a um estranho na rua. Pode ser o único gesto de amor que ele verá no dia."
Para mim, a Fé é esta postura alegre e partilhada que nos faz estar em comunhão e sintonia com os outros, aqueles que conhecemos e os que não conhecemos. E nada pode dar mais esperança que despertar um sorriso.
 
Ouse sorrir, caro visitante virtual. Sorrir a si próprio, sorrir aos outros e sorrir à vida.
Um abraço virtual
C.C.
 

06/03/2017

Ser feliz é fácil... Uma leitura que respira e inspira esperança



Caros visitantes virtuais,
 
Assumo-me como eterna admiradora e apaixonada pela felicidade. Sempre gostei de observar pessoas felizes, de contemplar coisas na natureza que me fazem sentir feliz, de ouvir músicas que me despertam felicidade e de apreciar arte que me inspira felicidade. Porque a felicidade é bela em si mesma e é contagiante. É uma dádiva preciosa de uns para os outros que é bom saborear, por isso não resisti a este livro de Clemente García Novella que encontrei por acaso à venda numa estação dos correios. Curiosamente comprei-o há mais de dois anos porque folheei o índice e achei muito interessante. Coloquei-o na estante porque as  circunstâncias da vida não eram propícias à leitura, atividade de que tanto gosto. Quando pude retomar a leitura, comecei por outras paragens e há dias fui dar com este livro entre os pouquíssimos que compro e ainda não tinha lido. Devorei-o em três dias.
É muito interessante esta viagem ao interior do ser humano, às suas angústias, medos, sonhos, expetativas e ilusões e à forma como as podemos viver e como nos podemos ir construindo interiormente face às inesperadas e nem sempre simpáticas reviravoltas da vida.
Para os orientais  as contrariedades são aceites com serenidade porque vistas como um caminho de mudança tão natural como respirar. Tudo assenta no equilíbrio interior, na harmonia com o todo universal que nos rodeia e na responsabilidade individual de cada um para com cada uma destas duas dimensões. Esta é a filosofia do yoga que pratico e de que gosto muito.
Para nós ocidentais, as contrariedades são a pedra em que tropeçamos e que nos irrita. É o borrão na pintura que não esperávamos acontecer. A segurança e a estabilidade são valores que aprendemos como fundamentais e, quando são abalados, sentimo-nos à deriva, como se não estivéssemos habituados a mudar desde que nascemos. Muito ancorados na parte material, estes valores que respirámos ainda que inconscientemente, se levados ao extremo conduzem o ser humano a viver numa comodidade nem sempre física, psíquica e, para quem como eu acredita, espiritualmente saudável.
Se quisesse escolher uma das muitas citações que o autor faz de inúmeros autores de todas as culturas e épocas que refletiram sobre a felicidade não seria capaz tal é a riqueza cultural e humanista desta preciosa recolha que o autor faz. A felicidade tem sido, como se pode constatar por tal diversidade de citações, uma constante procura do ser humano ao longo de milénios e em todas as latitudes. Esta dimensão universal e intemporal aproxima-nos no que de mais íntimo e identitário temos como seres humanos.
O autor disponibiliza-se para ser contactado sobre o livro através da sua conta no twitter @Clemente Novella e criou uma página de facebook sobre a temática da felicidade disponível em: www.facebook.com/LibroSerFelizEsFacil
Deixo aqui publicamente a minha gratidão ao autor pela dádiva deste fantástico livro que vos convido a ler. Deliciem-se com as reflexões e citações do autor e inspirem-se para respirar felicidade e esperança.
E porque nada melhor para a felicidade que partilhá-la, aqui fica este tributo e o convite a uma leitura que nos faz sorrir por fora, por dentro... e uns para os outros.
 
Um abraço para os meus estimados visitantes virtuais,
C.C.

22/02/2017

A Esperança que resulta da Espiritualidade


Caros visitantes virtuais,
 
Escrevo-vos hoje sobre a esperança que resulta da espiritualidade no seguimento da minha mais recente estada em Fátima no passado fim-de-semana. Para mim Fátima é um local de emoções fortes, mas também de serenidade, de recolhimento e sobretudo de espiritualidade.
Tenha-se ou não Fé, impressiona e toca aquele clima de profundo respeito que se sente quanto se entra no recinto do santuário de Fátima, como em qualquer outro recinto de um santuário ou local religioso, católico ou não, um pouco por todo o mundo. Eu tenho Fé, mas mesmo que não tivesse sentir-me-ia tocada pela espiritualidade que se sente nas pessoas de todas as idades, género, cultura, condição social ou económica que ali se dirigem.
Há mais de trinta anos li um livro que ainda hoje considero um dos melhores livros que li: "O sagrado e o profano" de Mircea Eliade.

 

 
É uma extraordinária análise das dimensões profana e espiritual do ser humano nas várias culturas, desde as ancestrais à contemporânea e que nos faz concluir que, no que diz respeito a estas dimensões, o ser humano não mudou ao longo de milénios, apenas mudam as suas manifestações dessas dimensões.
O que nos faz pensar, tendo Fé ou não, que há no ser humano um apelo que lhe é superior, que o ultrapassa na sua dimensão física de ser limitado e condicionado à mortalidade. Algo que o transcende e o faz comunicar com uma realidade de uma dimensão especial, chama-se-lhe Deus, Alá, Nirvana, poder superior, ou mesmo não se lhe chame nada, mas há uma consciência de algo de universal e intemporal que pela sua grandiosidade nos impressiona, causa respeito, ou no caso de quem tem Fé, que nos causa adesão a uma postura perante a vida de humildade e de sentimento de irmandade com o ser humano, o outro, a quem os cristãos chamam irmão, na sua ligação a um Pai comum.
Há a outra dimensão destes locais espirituais, é estarem rodeados de comércio religioso, alimentado por turismo religioso e que têm ambos uma dimensão de consumo que faz lembrar os vendilhões do templo que, conta a Bíblia, no Novo Testamento, Jesus Cristo expulsou do Templo insurgindo-se contra esta profana vertente tão próxima a um local sagrado. (Para quem não conhece a diferença, e em termos muito simplificados: a Bíblia é um conjunto de livros organizados em duas partes, uma correspondente ao Antigo Testamento - até ao nascimento de Jesus Cristo, e o Novo Testamento - a partir da preparação do nascimento de Cristo e depois do seu nascimento até à sua ressurreição).
Outra dimensão ainda, que me impressiona, e que já me revoltou, é a do cumprimento de promessas de muitos fiéis que de joelhos se arrastam por vezes com profundo sofrimento ao redor da capelinha em honra à Nossa Senhora de Fátima, nome que ali é dado a Maria, mãe de Jesus que um pouco por todo o país e um pouco por todo o mundo é identificada com muitos nomes diferentes resultantes da necessidade do ser humano de a tornar próxima de si, como uma grande Mãe universal.
Mais jovem revoltei-me com o facto de a Igreja não pôr termo a essa dimensão de sofrimento e de não transmitir a mensagem que Deus, o Deus em que acredito, não nos impõe sofrimentos nem os deseja, bem pelo contrário, é um Deus que apela ao respeito pela dignidade humana e o bem estar físico, psíquico e espiritual do ser humano.  Hoje compreendo que a Igreja, leia-se o Vaticano e toda a estrutura hierárquica da Igreja a nível mundial, Portugal incluído, demorou demasiados séculos a libertar os seus fiéis do peso da culpa do pecado, da humilhação do ser humano, do culto das promessas, do culto da penitência no seu pior sentido e, no fundo, no culto do sofrimento. A linguagem hoje felizmente é outra já bem diferente, mas serão ainda necessários muitos anos, ou talvez décadas para que os fiéis se libertem desse peso em que continuam a acreditar que os liberta das suas dores e do seu sofrimento. Há que continuar a lutar por uma evangelização positiva e dignificante, mas ela demorará a fazer os seus efeitos, e eu respeito quem continua a viver nessa dimensão humilhante de que ainda se não libertou e que de algum modo lhe traz alguma esperança nos momentos de maior dor.
Em todo o caso, o que prevalece é que os locais espirituais me inspiram uma profunda serenidade, respeito pelo intemporal, paz interior e uma força interior a que chamo Fé que se traduz numa gratidão à vida, numa comunhão de presença com toda aquela gente que ali se encontra e que não conheço mas com quem partilho algo que nos convoca a estar ali, naquele local que nos é especial.
Para mim, há uma esperança que resulta da espiritualidade, a esperança da dignificação cada vez maior do ser humano, da sua aproximação cada vez maior num amplo plano universal em que somos todos iguais em condição e com uma dimensão que nos transcende e que nos une inclusivamente à própria natureza. Esta minha forma de pensar e de sentir explica a minha predileção muito especial por São Francisco de Assis que de forma belíssima nos fala da irmã-lua e do irmão-lobo e uma das mais bonitas orações para mim é a de autoria dele, "O Cântico das criaturas" que abaixo vos deixo:

 

"Altíssimo, omnipotente, bom Senhor,
a ti o louvor, a glória,
a honra e toda a bênção.
A ti só, Altíssimo, se hão-de prestar
e nenhum homem é digno de te nomear.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
com todas as tuas criaturas,
especialmente o meu senhor irmão Sol,
o qual faz o dia e por ele nos alumias.
E ele é belo e radiante,
com grande esplendor:
de ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
pela irmã Lua e as Estrelas:
no céu as acendeste, claras, e preciosas e belas.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
pelo irmão Vento
e pelo Ar, e Nuvens, e Sereno,
e todo o tempo,
por quem dás às tuas criaturas o sustento.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Água,
que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
pelo irmão Fogo,
pelo qual alumias a noite:
e ele é belo, e jucundo, e robusto e forte.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
pela nossa irmã a mãe Terra,
que nos sustenta e governa,
e produz variados frutos,
com flores coloridas, e verduras.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
por aqueles que perdoam por teu amor
e suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados aqueles
que as suportam em paz,
pois por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
por nossa irmã a Morte corporal,
à qual nenhum homem vivente pode escapar.
Ai daqueles que morrem em pecado mortal!
Bem-aventurados aqueles
que cumpriram a tua santíssima vontade,
porque a segunda morte não lhes fará mal.
Louvai e bendizei a meu Senhor,
e dai-lhe graças
e servi-o com grande humildade."
São Francisco de Assis, "Cântico das Criaturas"

Se nunca visitou um santuário caro visitante virtual, convido-o a fazê-lo, seja em que parte de Portugal ou do mundo se encontre. Mas entre de mente aberta, descalce primeiro os sapatos da desconfiança e da crítica antecipada... e usufrua de serenidade, força e esperança.

C.C.

08/02/2017

A esperança que resulta de um abraço que salvou duas vidas


Caros visitantes virtuais,
 
Escrevo-vos hoje sobre uma maravilha da natureza que constitui uma enorme fonte de alegria e esperança: estes dois bebés gémeos que convivendo no útero materno durante uma gravidez difícil que colocou em risco as respetivas vidas resultou em que ambos se salvassem por se terem abraçado um ao outro.
É uma comovente história que me tocou muito e me fez pensar no quanto o amor e a solidariedade humana nos salva, mas também que são acontecimentos destes que nos ajudam a esquecer as más notícias que temos nas vidas individuais e do que ocorre no mundo que nos entristece e preocupa como as guerras, a violência, o terrorismo e as catástrofes naturais ou causadas pelo homem.
Quando criei este blogue em 2011 foi porque achei que fazia falta escrever sobre esperança e que quanto mais pessoas o fizerem, tanto melhor, para gerar energias positivas de que todos sempre e tanto necessitamos. Eu sou apenas mais uma delas, mas cada pessoa que escreve é única porque o faz na sua própria perspetiva, neste blogue "Sopros de Esperança", de que sou autora, escrevo a esperança que vou vendo nas muitas coisas que acontecem nas nossas vidas e no mundo e faço-o na minha perspetiva. Eu própria fui surpreendida por haver tanto sobre o que escrever, felizmente.
Quando criei o blogue achei que iria ter existência curta, que rapidamente não teria assuntos sobre os quais falar sobre esperança, que o tema rapidamente se esgotaria pois eu não queria cair em lugares-comuns nem em repetições, para feliz surpresa minha, aconteceu exatamente o contrário, descobri muito sobre o que escrever e muitas vezes não escrevo não por falta de temas de esperança e acontecimentos de esperança, mas porque o meu tempo disponível não o permitem.
Foi também outro factor de surpresa e encorajamento para continuar a escrever neste blogue, quando posso, o facto de o número de leitores me surpreender largamente ultrapassando as minhas espectativas, o que significa que muita gente precisa e gosta de ler sobre esperança. À data de hoje quase 35.000 pessoas em todo o mundo leem este blogue porque o tema lhes interessa e lhes diz algo e eu fico muito feliz com isso. Obrigada a todos vós leitores deste blogue pelas vossas visitas aos meus posts.
Quando ao assunto deste post e aos gémeos, Rowan e Blake, que se salvaram por se terem abraçado no útero materno durante a respetiva gestação, terão ouvido falar disso na comunicação social. Nasceram em Inglaterra e a mãe deles, Hayley Lampshire de 27 anos ficou destroçada quando na vigilância da sua gravidez foi informada que os filhos sofriam de uma condição rara que reduzia seriamente as suas hipóteses de sobrevivência se se mexessem. Ora todos nós sabemos que os bebés durante a sua gestação, se mexem muito e que isso, numa gravidez normal e em condições normais é até sinal de saúde e vitalidade dos bebés.
E quem já foi mãe, como foi o meu feliz caso, mãe de dois rapazes que são a fonte de felicidade da minha vida, sentiu os movimentos deles, enérgicos, e comunicou com eles com carícias no ventre em momentos mágicos que nunca mais se esquecem e nos enternece a sua lembrança para o resto da vida. E os que foram pais sabem-no também pelas suas carícias no ventre da mãe dos seus filhos lhes permitirem não apenas senti-los como comunicar com eles, o que acredito para os próprios pais é mágico e inesquecível.
O risco de vida que corriam os gémeos Rowan e Blake devia-se ao facto de ambos partilhares o saco amniótico e a placenta da mãe e, à medida que ia avançando a gravidez, reduziam-se cada vez mais as probabilidades de os dois meninos sobreviverem. Esta situação terrível, em termos técnicos chama-se uma gravidez monocoriónica e monoamniótica, que os condenava cada vez mais  à não sobrevivência à medida que a gravidez ia avançando. O problema de os bebés se mexerem partilhando no mesmo útero o saco amniótico e a placenta, era que poderiam vir a ficar com os respetivos cordões umbilicais entrelaçados e, assim, os seus movimentos cortariam o acesso a oxinénio e comida, o que seria fatal para um ou ambos.
No entanto, o momento mágico aconteceu, os bebés abraçaram-se um ao outro no ventre que partilhavam, parecendo mesmo estar a mão na ecografia que revelou esta maravilha da natureza, e permaneceram quietos, o que é extremamente difícil para bebés ou crianças, como todos sabemos, cuja tendência natural é moverem-se e com muita energia.
A ecografia tranquilizou mais a mãe que foi informada de que esta situação trazia a esperança de os seus filhos poderem sobreviver, ultrapassando assim a difícil condição física e biológica desta gestação.
A mãe, Hayley Lampshire, decidiu a conselho médico fazer uma cesariana às 34 semanas de gestação, para evitar correr mais riscos e os gémeos Rowan e Blake vieram a nascer no passado dia 25 de agosto, cada um deles com pouco mais de 2 Kilos e foram levados para a unidade de cuidados médicos especiais, quando nasceram tinham líquido nos pulmões e dificuldades em respirar sozinhos, mas após ajuda médica dedicada após três semanas de internamento puderam deixar o hospital.
Rowan e Blake têm presentemente quase meio ano de vida e a feliz mãe, aliviada de toda a angústia de uma gravidez em constante risco de perder um ou os dois filhos diz que ela e o pai quando eles forem crescidos lhes contarão o quão especial é a ligação entre eles, cujo abraço lhes salvou a vida.
Esta maravilhosa história, felizmente real, é não apenas belíssima e comovente, como uma grande fonte de esperança que para mim nos inspira a acreditar que, mesmo em situações muito difíceis, se tivermos coragem para lutar e fazer tudo para ultrapassar os problemas, por mais graves que sejam, poderemos vir a conhecer momentos de felicidade únicos. Foi o caso da jovem mãe de 27 anos, cujo amor pelos seus filhos e força interior contribuiu para ajudar a salvá-los prosseguindo com esta gravidez duríssima e com apenas 50% de probabilidades de sobrevivência para um ou os dois dos seus filhos.
Que este feliz e inspirador episódio de vida nos transmita a todos nós, a mim e a cada um de vós, caros leitores virtuais, a coragem e a força, bem como a esperança para acreditar que vale a pena lutar para ultrapassar os obstáculos que vamos encontrando todos ao longo das nossas vidas, por mais difíceis que sejam e mesmo que à partida tudo indique que têm poucas probabilidades de ser vencidos.
 
Um abraço virtual a todas e a todos os que leram este post e obrigada por terem voltado uma vez mais a este nosso blogue "Sopros de Esperança" que dada a dimensão que alcançou em termos de leitores, deixou de ser o meu blogue para passar a ser o nosso blogue, eu como autora e vós como leitores, também nós abraçados neste projeto comum sem cujo abraço este projeto há muito teria sido abandonado.
 
C. C.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 


27/12/2016

From Lisbon of the seven hills a warm hope hugg to my visitors of Blows of Hope





Caro visitante virtual,
Dear internet visitor,

Abro este post de 2016, em despedida do ano, com a melhor frase sobre esperança que li nos últimos anos, a de um grande amigo e poeta, Joaquim Silva Pereira, e que dedico aos quase 26.000 visitantes deste ponto de encontro virtual baseado na esperança e onde se partilha sobre esperança:

"Se a esperança não existisse, já teria sido inventada há muitos milénios!!!"

E porque um pouco por todo o mundo, para espanto meu, me seguem e lêem traduzida nos monitores de tradução automática, hoje escrevo diretamente umas breves linhas em outras línguas que melhor cheguem a ter eles tal como as expresso:

hello dear Russian readers, for you, that have red me by 2016, 1172 times, I share in Russian, English and French the hope words of a  portuguese friend and poethe published this year for the first time and thank you for reading my blogue: Надежда пуфы :

Если надежда не существует, то он был бы изобретен в течение многих тысячелетий !!!
If hope didn't exist already it would be invented milleniuns ago!!!
Si l'éspoir n'existait pas elle aurai été inventé il y a déjá beaucoup de miléniums!!!
(Author: Joaquim Silva Pereira, Portugal, Lisbon, 2016)

Os tempos não são fáceis e têm sido de enormes perdas em todo o mundo, desde causadas por catástrofes naturais a terrorismo ou acidentes aéreos, marítimos e terrestres. Mas não são de hoje apenas, são os que nos doem hoje porque mais perto. Por isso, talvez porque sou de relações internacionais e temos uma grande componente de história universal, estas minhas palavras não são catastrofistas, bem pelo contrário, o ser humano sempre soube lamentar as suas perdas e reerguer-se com coragem e bravura em gestos solidários admiráveis e empreendedores. E também nisso, os nossos tempos não são exeção. Desde os "We are the world" https://www.youtube.com/watch?v=Zi0RpNSELas
 onde cantores e músicos cederam as suas belíssimas vozes a causas solidárias, alguns deles já partidos de entre nós, mas que se eternizaram até gestos recentes de grandes empresários  que num hotel de cinco estrelas de Lisboa acolheram sem-abrigo num jantar inesquecível, à iniciativa Refill também para sem-abrigo, recentemente na Igreja de Fátima e à iniciativa de Natal solidário a sem-abrigo da Comunidade Vida e Paz:  http://www.cvidaepaz.pt/site/o-que-fazemos/festa-de-natal-com-as-pessoas-sem-abrigo/
Gestos estes que se têm multiplicado e replicado por vários pontos do país e do mundo num saudável e belíssimo contágio, mostrando que não apenas as doenças hoje em dia são virais à escala internacional, mas também a generosidade humana.

Temos todos pois, bastas razões para.
We have therefore strong reasons for
Надежда пуфы , Souffles d´Éspoir, Blows of Hope, Hoffnung Puffs, Speranza sbuffi
e mais perto de nós português geograficamente, Alientos de Esperanza, em 2017

Um grande abraço e muito obrigada pelas vossas visitas, da autora deste blogue, Célia Chamiça, para os vários leitores dos vários pontos do país continental e insular
A warm hugg from Celia Chamiça, author of this blogg, for their visitors in USA, more than 6000, Brasil, more than 2400, in Russia, more than 1100, almost 500 in Germany, plus de 300 en France, almost 200 in the United Kingdom, almost 200 in Ucrânia, almost 200 in Ireland and almost 100 in Itlay, to mention the most frequent sem esquecer os meus visitantes em Angola and also my visitors in Switzerland.

Espero continuar a ter o privilégio da vossa visita em 2016 e muito obrigada pelo estímulo que me têm transmitido para continuar em escrever.
I hope to remain having the priviledge of your virtual visits in 2017 and thank you for your estimulating visits to this blogue.

I leave you above with a symbolique expression of my gratitude for you visits from the several countries and continentes, I leave you na image of Lisbon of the seven hills


Até 2017
See you in 2017
C.C.

20/12/2016

Natal é o tempo de esperança por excelência



Caro visitante virtual,
 
Escrevo-lhe hoje sobre o Natal, estamos a poucos dias de celebrar a vida e a esperança, um pouco por todo o mundo.
Aproxima-se o dia de Natal, tempo de azáfama, de corridas para o último presente, de enfeites das casa e das mesas, de celebração em família e em comunidade. Até mesmo quem não é católico se converteu a este tempo de celebração familiar. É um tempo em que as pessoas procuram ser mais tolerantes, menos rigorosas e mais dispostas a pôr de lado o que as incomoda para não perturbar a tranquilidade e aproximação de mais um ou outro elemento da família que se tolera menos bem mas com quem se convive nesta época tão especial para todos que procura-se evitar o conflito.
A minha primeira lição sobre adultos e o Natal tive-a há muitos anos. Era eu uma jovenzinha idealista a tomar café no meu local habitual perto da casa dos meus pais quando vi que uma senhora com idade para ser avó transportava nas mãos uma carta e procurava timidamente obter a ajuda de alguém. Prontifiquei-me a ajudá-la. Pretendia escrever uma carta de Natal para o filho e os netos.
E naquela ainda minha idade dos vinte e poucos anos fui escrevendo a caneta o que os seus lábios ditavam em amor muito sentido. E enquanto ia escrevendo, ia-me espantando com o que escrevia.
Aquela não era uma simples mensagem de Natal.
Era uma carta da natal de uma mãe para o seu filho e para os netos que não via há já largos meses.
As lágrimas escorrendo enquanto me ditava a carta, atribuí-as à saudade e à emoção de naquele tempo de aconchego de famílias não poder ter a sua por perto para abraçar.
Terminei de escrever a carta. Reli-lha e ela disse que era aquilo mesmo, podia fechar a carta. E estendeu-me depois um envelope que andava dobrado na mala pois já por diversas vezes tentara arranjar quem lhe escrevesse a carta, mas tivera vergonha de pedir.
Expliquei-lhe que não tinha que ter vergonha de não saber escrever. Eu que sabia escrever não sabia muitas outras coisas que ela sabia. E ela sorriu.
Ela sorriu ante a minha candura de jovem que apenas aquela razão de vergonha vislumbrava. Para ela era outra a maior razão de vergonha e eu compreendi-a à medida que ia escrevendo no envelope o endereço que me ditava.
A morada do destinatário, o filho de quem ela tinha tantas saudades e por quem tinha tanto amor, os netinhos de que falava com a voz entrecortada e há muitos meses não tinha a alegria de ver crescer moravam na rua abaixo do café... A dois passos dali.
Fechei o envelope e estendi-lho. Agradeceu-me, desejou-me bom Natal e saiu.
Eu fiquei ali sentada. Pensativa. Absorvendo a minha primeira grande lição sobre o Natal dos adultos. Na memória bailava a explicação que me dera, um desentendimento com a nora, coisa pouca para ela, mas imperdoável para a nora, condenara-a aquele exílio.
E eu, na minha modesta candura dos vinte anos só conseguia pensar que não imaginava nada de tão imperdoável capaz de justificar uma tal condenação. Nada sabia de rancores alimentados e ressabiados, de mágoas acumuladas e ressentimentos irredutíveis, ano após ano. E, muito menos imaginava que tão negativos sentimentos pudessem estar ligados ao espaço da família que para mim era um espaço de amor, de compreensão, de afeto, de ternura e de tudo o que há de mais belo na vida. Ainda hoje assim penso, apesar das vicissitudes da vida.
Hoje, já ultrapassado um século de vida, com muitas mais experiências e vivências que à data estava longe de possuir, recordo esse momento no café como se fosse hoje. Lembro-me dele todos os Natais, pergunto-me com o correr do tempo o que terá sido feito da senhora que me procurou para escrever a carta. Terá voltado a ver o filho? Terá voltado a ver os netos? Ou terá sido eterna a sua condenação?
Não faço ideia. Nunca mais a encontrei.
Só sei que ainda hoje a lembro e que ainda hoje não imagino nada de tão imperdoável que justifique impedir uma mãe de ver um filho e uma avó de ver os netos.
Desejo muito que consigamos ser um pouco menos mesquinhos, menos orgulhosos, menos centrados em nós próprios. Essas atitudes não só não nos trazem nada de bom para nós como podem ser profundamente injustas e ferir os outros que também nada ganham com esses nossos sentimentos. E, se erraram, não será a nossa atitude de recusa que os fará entender e melhorar o seu comportamento. Para mim, só o diálogo franco e aberto permite esclarecer mal-entendidos e, se ambas as pessoas a isso estiverem genuinamente dispostas, superá-los e até crescer em conjunto, fortalecer laços.
Que o nosso natal, que o seu Natal, caro visitante virtual, seja um Natal de encontro com quem ama, de compreensão com quem não compreende ou que compreende menos bem, de aceitação da presença do outro no verdadeiro sentido da palavra, da alegria do convívio e da comunhão deste momento familiar por excelência. E, se como eu tem Fé, um momento de renovada Fé e esperança e fortalecimento também dos laços com a comunidade e dos laços espirituais.
Que este Natal possa ser, com a colaboração dedicada de cada um de nós, um Santo Natal. Santo porque dedicado a quem amamos. Santo porque é um espaço de bem e de esperança. Santo, de alegria.
Um Feliz Natal para todos,
 
C.C.
 
 
 
 

10/12/2016

Ao encontro dos nossos idosos... neste Natal e em cada dia


Dedico este post ao meu tio Aníbal que há pouco tempo perdi, e que não era para mim um idoso, era simplesmente o meu tio Aníbal,
À memória da minha mãe, Maria Eugénia, sempre
Ao meu pai, Adelino Chamiça, que nos seus 76 anos não é para mim um idoso, é o meu querido pai,
E neste caso, sobretudo, à minha querida prima Betinha, que tão dedicadamente e com tanto amor e carinho cuidou do meu tio, e pai dela, ao longo da sua fase de idoso, e nos últimos dois anos, já gravemente doente, até ao último dos seus dias entre nós,



Caro visitante virtual,

Escrevo hoje sobre os nossos idosos. Sim, porque os idosos são todos nossos, são primeiro e acima de tudo da sua família e, em segundo lugar da sua comunidade e da sociedade que ao longo de muitos anos ajudaram a construir e para a qual contribuíram. Contribuíram não apenas financeiramente, mas na construção das suas famílias, na educação dos seus filhos, na transmissão dos seus valores e cultura em casa, no trabalho, nas comunidades religiosas ou culturais que integraram ao longo da sua vida. O que hoje somos e temos, a eles se deve, é bom não esquecer.
Mas os tempos que vivemos e a mentalidade que impera na sociedade atual é não apenas desvalorizadora, como ingrata para com os seus idosos, esquece não apenas os seus direitos, mas também a sua dignidade e o seu enorme valor e experiência que não permite que partilhem com a sociedade de que ainda fazem parte, embora já não na fase em que vivem, de forma laboral e económica. Nesse sentido não estamos mais desenvolvidos que as sociedades primitivas ou as comunidades rurais, bem pelo contrário, essas estão bem à frente de nós, pois sempre souberam integrar e valorizar o papel dos seus idosos, da sua vasta experiência e de sabedoria de vida. Eram eles os grandes conselheiros de toda a família e mesmo da sociedade que com eles se aconselhava, os dignificava e valorizava, e eles sentiam-se felizes nesse papel que era justo e belo.
Ainda hoje me recordo bem do meu avozinho Francisco que me lembro de me contar belíssimas histórias e de o ver sempre com um sorriso nos lábios e um brilho feliz no olhar, apesar dos seus mais de oitenta anos, e da minha avó Conceição que viveu feliz no seio da família até aos seus felizes noventa e seis anos. Lembro-me de como os meus pais e tios falavam deles com muito respeito e carinho e de como nós netos os adorávamos e eles sentiam-se bem e felizes nos seus já frágeis e avançados anos.
Hoje fui a um lar visitar uma tia que este dezembro fará noventa e dois anos, um lar onde é fisicamente bem cuidada mas onde falta todo o calor humano de uma família ou de alguém que acarinhe os idosos e os valorize no dia a dia, Já várias vezes lá tinha estado, mas nunca como hoje, que ela está já bem mais frágil, me apercebi do quanto isso pode ser importante para prolongar a vida e manter feliz a vida de um idoso. O brilho dos olhos dela quando me viu chegar com o meu filho e quando lhe pus uma capa quentinha que levei para lhe oferecer e umas flores disseram mais que a sua frágil voz que já se ouve com dificuldade. 
À saída da nossa visita já parecia outra, a voz dela já se ouvia bem melhor, estava mais enérgica e até arriscou dar uns passos apoiada. Voltou a dizer-me o que há já vários anos me diz, que quer morrer ao pé de mim, que não sou sobrinha de sangue, mas sou de coração. Mas desta vez fê-lo de modo diferente, fá-lo sempre só quando ficamos as duas a sós. Desta vez disse que quinze dias antes de morrer ou vinha ela para ao pé de mim ou eu para ao pé dela. E eu, mais uma vez lhe disse que sim. Disse-lhe que sim porque gosto muito dela e disse-lhe que sim porque quero que sinta esse conforto ao partir, poder partir junto de alguém de quem gosta muito e que sabe que a ajudará a partir em serenidade. 
Há poucas semanas perdi um tio de quem gosto muito, o meu tio Aníbal. Estava muito doente, de uma doença terminal, mas pode partir no aconchego carinhoso da família. Este sempre em casa, apesar dos tratamentos que teve que fazer no hospital e de um ou outro internamento, e só nos últimos dias foi novamente hospitalizado e a família, avisada da gravidade terminal da situação, ficou a acompanhá-lo. Eu vi-o pela última vez poucos dias antes de partir. Não fiz ideia de quando partiria, mas pelo baço do seu olhar, a fragilidade do seu corpo e da sua voz, compreendi que estaria para muito breve. Era um homem muito alto e sorridente, um tio que gostava muito das sobrinhas e de brincar com as sobrinhas, tenho essa minha memória de criança muito viva. Era irmão da minha mãe e adoravam-se um ao outro. Para mim, quando ele partiu não foi só ele que partiu e de quem eu tanto gostava, partiu com ele mais um bocadinho da minha mãe, mas quer um quer o outro muito amados e acarinhados pelas respetivas famílias. E é assim que se deve partir. É assim que se tem o direito de partir. 
Há cerca de dois anos ajudei um amigo a partir na minha presença e na da filha. Deixo aqui o nome dele, numa despedida final de que sei que muito gostaria, pois pude fazê-la presencialmente no momento da sua partida. Era o Carlos Joubert Chaves. Tinha um cancro em estado muito avançado e estava hospitalizado já na fase final quando foi descoberta a doença. A última vez que o visitei em casa levei-lhe um bolo que tinha feito e para espanto meu ofereceu-me uma máquina fotográfica vermelha porque como disse na altura já sabendo que se encontrava muito mal, queria oferecer-ma antes de ir para o hospital pois não sabia se dele regressaria, e de facto não regressou. Naquela altura não imaginei o quanto isso pudesse ser verdade. Tinha-se reconciliado com a filha pouco tempo antes e estava muito feliz com isso. E foi a filha, Diana, que sabendo que ele gostaria de partir comigo ao lado como sua grande amiga que o visitava regularmente que me telefonou um dia a dizer que o hospital a tinha avisado que ele duraria poucas horas. E lá nos encontrámos as duas. Nunca hesitei e em o acompanhar nessa sua partida final, embora nunca tivesse passado por uma situação semelhante porque infelizmente a minha mãe faleceu no hospital, durante a noite, de forma súbita e por isso não teve o conforto de carinho nas suas últimas horas, mas teve-o poucas horas antes e sei que para ela foi muito importante e tenho muita pena de não ter podido ficar a segurar na mão dela até ao último minuto como fiz com o Carlos, ver-lhe os últimos sorrisos, na companhia da filha, responder-me com lágrimas de comoção a escorrer pela cara quando lhe perguntei se me reconhecia, vê-lo agitado quando cheguei e serenar à medida que ia ouvindo conversar com ele e relembrando histórias da nossa amizade de amigos comuns. E foi nesta tranquilidade serena, sorrindo debilmente quando eu evocava em tom suave momentos bonitos e até divertidos que esboçava um sorriso leve e a respiração foi acalmando lentamente. A Diana saiu por uns minutos do quarto e foi nesses minutos que se deu a passagem, leve, mas que eu senti e olhei para os vários monitores a que estava ligado e tive a confirmação. O Carlos adormeceu sereno para a eternidade, porque não partiu sozinho, partiu junto de quem queria partir, a pessoa que mais amava, a filha Diana e uma das poucas amizades que a sua turbulenta vida lhe havia permitido, eu própria. No dia a seguir foi o velório, onde já estava muita gente que se quis vir despedir dele, mas ele já tinha partido. Ainda assim sei que ele gostaria que lá estivessem e vários dos amigos que lá estavam eu não conhecia a não ser de nome porque ele me falava deles e eles não me conheciam, mas conheciam de nome por ele lhes falar de mim.
E é assim que eu acredito que se deve envelhecer e partir, acompanhado. Acompanhado por quem nos estima. E isso faz toda a diferença.
Eu acredito que esta nossa sociedade vai voltar a reaprender a dignidade de cuidar dos seus idosos depois de toda uma voragem da centração no trabalho como um bem maior e às vezes quase exclusivo. 
Acredito que todo o percurso de valores sociais tem que voltar a ser reaprendido, acredito que o isolamento a que tantos idosos tem sido condenados e ao que muito se vem falando sobre isso vai abrindo cada vez mais perspetivas sobre o quanto isso é injusto, desumanizante, cruel e empobrecedor do ponto de vista humano e cultural para as sociedades e para as novas gerações. Acredito que as novas gerações venham a ser mais atentas aos seus idosos.
Caro visitante virtual, neste tempo que se aproxima do Natal, não esqueça os seus idosos, se puder leve-os para passar o Natal consigo, no aconchego carinhoso de quem lhes quer bem e para quem não são um estranho, mas sim um ser querido e amado.
E, não apenas no Natal, mas em cada dia, não esqueça o papel que os seus idosos tiveram na sua vida. Eu sei o papel que os meus idosos tiveram na minha vida, enorme, extraordinário e que continuam a ter, já não apenas para mim, que sou filha, agora também para os meus filhos.

Um feliz Natal para si, caro visitante virtual, e volte sempre a este "Sopro de Esperança" que é escrito para si que o lê, seja em que parte do mundo se encontrar.

C.C.


17/11/2016

Mesmo de um tronco seco podem surgir rebentos viçosos


Caros visitantes virtuais,

Escrevo-vos hoje sobre as coisas bonitas que podemos encontrar nas nossas vidas se a elas estivermos atentos e da genuína felicidade, serenidade e plenitude que nelas encontramos se as valorizarmos porque como nos demonstra a natureza, até de um tronco seco podem surgir rebentos viçosos.
Na minha perspetiva o conceito de felicidade pode ser muito redutor se concebermos a felicidade como resultante de sucessos pessoais, profissionais, financeiros ou sociais. Não considero que desses sucessos resulte uma alegria interior que, essa sim, contribui para o bem-estar, serenidade e sentido de plenitude do indivíduo, simplesmente porque esses sucessos, sempre passageiros e superficiais, se cultivados e não colocados em perspetiva, podem originar sentimentos de exacerbação do ego, de auto-satisfação, de autoadulação e de arrogância que em vez de aproximarem os indivíduos dos outros antes os afastam e colocam em falsos pedestais que a vida, a seu tempo, se encarrega de desmoronar. 
A felicidade como a concebo é uma opção de vida; uma postura perante nós próprios, perante os outros, perante o mundo, e para mim que sou crente, também perante um poder superior que identifico como Deus. Uma postura de abertura à imensidão da vida com todas as riquezas e turbulências que ela implica porque o ser humano é rico, mas também complexo. E acredito que essas turbulências não são nem castigos divinos, nem azares do destino.
Muitas vezes temos nós próprios alguma responsabilidade nas turbulências que surgem nas nossas vidas e acho importante estarmos conscientes e atentos para através do autoconhecimento, da honestidade e da humildade atuar nelas de forma positiva procurando identificar os nossos passos em falso, as nossas inseguranças, os nossos medos e os nossos erros. E essa postura permite-nos não nos posicionarmos perante a vida nas suas turbulências nem como vítimas nem como desistentes, mas antes como indivíduos capazes de reconhecer as suas limitações e de ter vontade de as superar para o seu próprio bem-estar e o dos que os rodeiam. As turbulências permitem-nos ainda conhecer mais profunda e genuinamente nós próprios e os outros e, se para elas estivermos despertos e disponíveis a aprender, permitem-nos crescer e amadurecer interiormente.
É certo que há também turbulências completamente alheias à responsabilidade do indivíduo como é o caso das doenças, de situações de guerra ou outras situações de violência, de situações de injustiça social e outras. Mas mesmo nessas situações-limite o ser humano difere na forma como se posiciona perante si próprio e os outros.
Acredito que também nessas situações a postura que temos perante a vida nos faz viver as mesmas de forma muito diferente. Podemos situar-nos como vítimas revoltadas consumindo as nossas energias vitais no sofrimento físico, psicológico e social, e por vezes também inveja dos que vivem em melhores condições, e essa via coloca-nos num pântano infértil de onde é muito difícil sair e onde as energias despendidas nos fazem afastar cada vez mais dos outros e nos podem mesmo fazer afundar cada vez mais na infelicidade e no desespero. Ou, podemos, apesar do sofrimento físico e psicológico, procurar ajuda para o minorar e a pouco e pouco procurar retemperar energias e direccioná-las para algo positivo. E é sempre possível, seja em que situação for, fazer algo de construtivo nas nossas vidas, fazendo do luto um ato de respeito perante a nossa própria dor e dignificando-nos ao transformá-lo em algo positivo para nós próprios e para os outros. 
Eu gosto de descobrir e de me deixar contagiar por pessoas que vou encontrando, ouvindo e lendo que souberam transformar as adversidades em novos projetos de vida valorizadores de si próprios e da sociedade. E, se estivermos atentos, estamos rodeados de pessoas que em qualquer momento da sua vida tiveram que vencer turbulências e o fizeram rompendo as amarras da amargura e seguindo em frente e redescobrindo a alegria de viver em projetos de vida que procuraram reinventar à luz das suas novas realidades. Essas pessoas são fontes de coragem e esperança para quem está atento às suas realidades e a tanto que podemos aprender com as suas experiências corajosas e transformadoras de vida. Para quem, como eu, acredita num poder superior, são ainda fontes de Fé, de Fé em si próprios, na vida e, sobretudo, numa força espiritual que nos transcende, nos inspira e nos fortalece numa dimensão que está para além de nós próprios e com a qual nos sentimos em comunhão se a alimentarmos com reflexão, meditação, oração e dedicação ao nosso próprio bem e ao bem dos outros.
Assim, acredito nessa felicidade que reside em apreciar e valorizar as pessoas e a vida no que têm de genuinamente importante para o interior de cada um de nós. E, essa felicidade é possível mesmo nas turbulências porque não resulta de condições exteriores, antes nasce dentro de nós e da nossa postura perante a vida.
Essa felicidade que nos faz apreciar o que verdadeiramente merece ser valorizado é geradora de alegrias que permanecem, de uma sensação de conforto e serenidade interior, de comunhão com a imensidão e universalidade do ser, e, para quem é crente, que é o meu caso, de sensação de pertença e harmonia com uma plenitude superior.
Deixemos, pois, brotar ramos viçosos mesmo quando o tronco das nossas vidas está seco, procuremos dentro de cada um de nós as energias revitalizadores e descubramos a nossa fonte interior da felicidade. É um percurso pessoal que vale muito a pena porque nos abre à vida, aos outros e a nós próprios de uma forma que nos faz sentir felizes, contribuir para a felicidade dos outros e em harmonia espiritual, para quem procura essa dimensão.
Até ao meu próximo post e obrigada por ter voltado uma vez mais, caro visitante virtual,

C. C. 

28/10/2016

Palavras de esperança


Caro visitante virtual,
 
Começo hoje a falar-vos a partir de um campo de margaridas na imagem acima evocando um Margarida com quem a minha vida se cruzou breves minutos que me fizeram sorrir e pensar que ainda bem que há gente assim, com coração leve e palavras bonitas que trazem um raio de luz às vidas com quem se cruzam ainda que por breves instantes.
Numa banal deslocação de metro, a horas que nos apinhamos ainda meio estremunhados para dar início ao nosso dia, houve uma troca de palavras que me despertou e que me fez sentir feliz por ter o privilégio de testemunhar a presença e a partilha da bondade, da simplicidade e da simpatia genuínas de uma jovem.
No espaço comum um pedinte cego, como muitos outros, interpelando os passageiros que uns fingem ignorar, outros procuram não ver, outros veem mas não reagem, mas não ela, não esta jovem. Esta jovem afasta-se do seu local, vai em direção ao pedinte que sendo cego não a consegue ver, deposita algum dinheiro na ranhura da caixa e pergunta-lhe:
- Como se chama?
Esta simples pergunta deu uma inesperada alegria ao homem, visivelmente estampada no seu rosto enquanto respondeu à interpelação da jovem.
- Então tive muito gosto em o conhecer e desejo-lhe um bom. dia Senhor... _ Continuou a jovem dirigindo-se-lhe pelo nome que ouvira e que eu não  recordo. Depois disse-lhe ainda:
- Eu chamo-me Margarida.
-Margarida! - Repetiu o cego pedinte, mantendo no rosto a luminosidade que sentia pelo bem-estar que lhe geravam as palavras da jovem. - Lindo nome... O nome da minha mãe...
Foram simples e breves palavras, estas trocadas entre a jovem e o cego pedinte, mas trouxeram luz ao dia de ambos que assim começou brilhante para os dois. Trouxeram luz ao meu dia que as testemunhei e me fizeram sorrir e a muitas outras pessoas que, como eu, presenciaram esta cena e se deliciaram e enterneceram com ela.
Gosto de viver assim, do usufruto sereno da beleza simples que brota do interior do ser humano no que tem de melhor: a atenção aos outros que nos rodeia, a simpatia, a solidariedade, a bondade, a simplicidade. 
Gosto de viver assim, dando valor a esta Margarida que se cruzou na minha vida e na do cego pedinte e os transeuntes do metro e quebrou com a sua atenção ao outro a indiferença do momento.
E gosto ainda mais de acreditar que outras Margaridas há por aí, mulheres e homens, de todas as idades, género, cultura, estrato económico e social e nacionalidade, que com a sua forma de ser e estar trazem brilho, alegria e esperança aos que com eles se cruzam e às suas próprias vidas porque quem vive deste modo saboreia a vida e os instantes.
Convido-o a estar atento a estas Margaridas que o rodeiam e a deixar-se tocar pela magia que trazem ao dia, esteja ele a começar, a continuar ou a terminar. Porque é sempre tempo de nos abrirmos ao que é simples e belo, ao que nos faz felizes e nos convida a sorrir por dentro.
Uma boa semana caro visitante virtual e volte a este blogue se ele o faz sorrir e caminhar para a frente com leveza.
Para espanto meu desde que o iniciei em 2011 este blogue já se aproxima dos 20000 visitantes de todo o mundo. Obrigada por estar por aí, entre estes quase 20000 que se vêm a este blogue "Sopros de Esperança" é porque têm algo a ver com a energia contagiante que a esperança constitui nas nossas vidas se estivermos abertos a ela.
 
C.C.