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28/08/2016

A esperança que resulta da renovação de todas as marés da vida


Caros visitantes virtuais,

Há longo tempo sem escrever neste blogue. Força das marés da vida. Tal como as marés, recolhi e agora regressei de novo a este vosso, nosso blogue.
Como em tudo nos marés, também as nossas vidas têm marés. As marés são uma força da natureza que se impõe, queiramos ou não, sejam para nós agradáveis ou não. O tempo, fonte de sabedoria reconhecida por todas as civilizações, religiões e culturas ensinou-me a respeitá-las.
Há marés que nos trazem brilho, energia, juventude, vivacidade e muita alegria. Outras, pelo contrário, trazem-nos melancolia ou mesmo tristeza. Algumas transportam para junto de nós nascimentos, gente nova que conhecemos, novas paragens, novos destinos, outras levam-nos gente querida, arrebatam-nos sonhos, desmancham-nos projetos. Todas, se as aceitarmos como inevitáveis e partes integrantes que são das nossas vidas trazem-nos amadurecimento, aprendizagem, sabedoria para distinguir o que é e o que não é importante na vida, quem está e quem não está sempre ao nosso lado quer choremos ou demos uma boa gargalhada quer estejamos bons conversadores ou estejamos melancólicos ou pensativos.
Por essas razões eu respeito e aceito as marés da vida.
Por essas razões eu estou grata pelas marés da vida, e não apenas pelas belíssimas e coloridas mas também pelas que não consigo ver com cor nem com alegria ou mesmo que vejo com reconhecida tristeza porque acima de tudo todas me provam que estive viva até hoje e estou viva hoje e a vida que tenho com todas as pessoas que me são queridas, as que ainda comigo prevalecem e as que já partiram é uma bênção para mim. Essas pessoas são o meu património existencial único e insubstituível, todas elas, todas, mesmo aquelas que me fizeram tombar lágrimas fizeram de mim o que sou hoje e o que eu sou hoje ninguém mais é senão eu. E o que o meu visitante virtual é hoje ninguém mais é: único, precioso e insubstituível. Mais do que as marés que se nos impõem somos importantes nesta harmonia da natureza, nesta vida que hoje vivemos e que se prolonga desde ontem e ontem e ontem com toda a riqueza do património emocional, psicológico e físico que cada um de nós é.
Somos esculturas vivas da vida. E eu, crente que sou num poder superior a quem chamo Deus, acredito-me escultura viva de um projeto maior de Vida humana para o qual tenho dado o meu modesto mas certamente insubstituível contributo como creio sucede para qualquer ser humano.
Há vários anos as minhas marés têm sido baixas, mesmo vazantes, parecendo nunca mudar e muitas vezes me desalentando com a falta de mudança que eu tanto sentia necessitar. Não mudaram ainda as minhas marés mas mudou a minha maré interior que me ensinou a ver que eu estava precisada sem o saber dessas marés que tanto me custaram aceitar, precisei delas para aprender sobre mim, sobre a vida e sobre todos e tudo o que me rodeia lições que me recusava obstinadamente a aprender de outro modo, a principal delas a da humildade.
Sou agora com essas marés uma pessoa mais rica, mais humilde perante os meus próprios sonhos e projetos de vida. Valeram a pena as marés? Sem dúvida que sim, de que outro modo eu teria os olhos que hoje tenho sobre a vida, sobre mim própria e sobre os meus sonhos e projetos?
Anunciam-se para todos nós em cada dia renovação de marés, que eu saiba sempre respeitá-las e  aprender com  elas e, sobretudo, como hoje, sejam quais forem as marés por estar grata por poder senti-las mais este dia em que o sol para todos nasce igual e se põe com igual beleza repousando sobre o horizonte seja do mar, de uma vasta planície, de um doirado deserto ou de uma majestosa montanha.
Até breve caro visitante virtual e acolha serenamente as suas marés.
C.C.

11/04/2016

Amar o outro é fonte de esperança

(Caravana cigana pintada por Vincent Van Gogh)


Chama-se Irina e é uma cigana búlgara que pede esmola à porta das igrejas. Escondem as suas formas femininas farrapos de andrajos mal cheirosos e os traços do seu rosto estão encobertos por uma falta de higiene que nem imaginamos possível.
Está frio e a pedra gelada da calçada é o seu único assento com que convive com familiaridade. Começo de pé a falar com ela, mas em breve me curvo sentada sobre os meus joelhos rendida ao fascínio do seu destino errante. Passa por nós um carro preto desportivo que ascende a somas que sustentariam e dariam futuros prósperos a todas as crianças de uma caravana, mas a indiferença de quem o conduz é total.
Transeuntes voltam-se curiosos ante a contemplação de duas mulheres diferentes que somos animadas numa conversa que visivelmente nos faz a ambas felizes. Ela, orgulhosa, exibe-me o seu tesouro mais precioso, a fotografia dela com os seus filhos, quatro rapazes, dois entre os 12 e os 10 anos, um mais novinho de cerca de 6 anos e Christine com cerca de dois anos. Conta-me que partiu de Sófia para deixar um marido incapaz de dar futuro aos filhos.
Entregou-se em Espanha em troca de um melhor destino para os filhos. Tudo lhe parece  normal para dar aos seus filhos um melhor do que o seu e certamente, na sua perspetiva, melhor que o que teriam no seu país-Natal. Essa entrega depositou-lhe no colo mais um filho e a certeza de que não era ainda ali o seu lugar. Chegada a Portimão achou que talvez um africano fosse a resposta ao seu anseio protetor e dessa nova entrega nasceu a bela Christine, uma belíssima cigana loira de tez morena e olhos grandes evocando os grandes espaços da pátria de seu pai que nunca conhecerá.
Irina nem se lembra dos nomes dos pais dos seus filhos da diáspora, mas o rosto ilumina-se-lhe num brilho de felicidade quando fala de cada um deles. Aquele amor incondicional é quanto lhe basta para ser feliz e confia à divina providência o sustento para eles em cada dia, por ela passa bem com pouca coisa, ou mesmo nada.
Disse-lhe o meu nome e ela riu. Para mim chamas-te "Bonita", respondeu-me.
Há semanas no lugar onde ondem encontrei Irina estava Andrei, um polaco tímido que em segredo juntava dinheiro para depois de vários anos em Portugal regressar ao seu país de origem. O rosto cobriu-lhe de lágrimas de felicidade ao contar-me que ia regressar aos seus após esse fim-de-semana em que sabia já que recolheria o suficiente que lhe faltava para comprar o seu bilhete só de ida. Deixara a Polónia com a ilusão de um futuro melhor, de onde pudesse mandar dinheiro para a mãe  e os irmãos mais pequenos, mesmo passando a dura provação de passar sem a ternura de os abraçar.
"Não aguento mais", dissera-me. E fazia esta íntima confissão num estado de comoção que nos unia na mesma humana condição. "Parto já segunda-feira, senhora". Adverti-o para que tivesse cuidado para que no abrigo onde ia dormir lhe não roubassem o dinheiro que juntara e os documentos necessários para a viagem porque tal sucedera a um amigo sem-abrigo. Agradeceu-me porque não pensara no assunto. A sua alma límpida não o alertava para que nem sempre o ser humano nos surpreende pelo seu melhor. "Vou dormir em cima de tudo", tranquilizou-me. E repetiu várias vezes esta cautela que era mais para ele que para mim.
"Senhora". Chamou-me já depois de me ter despedido dele e desejado boa sorte para o regresso.
Voltei para trás e Andrei sorria com um brilho nos olhos que me comoveu quando vi que de entre os andrajos retirara uma fotografia. Debrucei-me sobre a fotografia e deixei que me explicasse em detalhe cada espaço dos campos onde regressaria e os seus amados familiares que lá iria encontrar.
Nos dias seguintes sempre que via um avião levantar voo lembrava-me de Andrei e sabia que não nos esqueceríamos um ao outo, porque não se esquecem as pessoas que verdadeiramente nos ouvem e com quem verdadeiramente falamos de coração aberto. Passamos pelas vidas uns dos outros enriquecendo-nos mutuamente.
Para mim, é no amor incondicional que temos pelos filhos, pais e irmãos que radica a fonte da felicidade que nos faz ver que cada dia vale a pena ser vivido em plenitude, usufruindo da alegria de os ter bem, com saúde, mais perto ou mais longe de nós, mas sempre no centro do nosso coração.
E se a esses que nos merecem a nossa entrega incondicional em cada dia juntarmos os nossos amigos, que escolhemos e criamos com profundos laços de afeto que perduram no tempo, a nossa felicidade é ainda maior.
No fim-de-semana passado quando estava sentada de cócoras conversando com Irina, senti-me plenamente feliz pela bênção que Deus me deu de me aproximar de tanta gente desconhecida e de com a minha proximidade genuinamente humana e solidária ter a capacidade para com as minhas palavras de compreensão e o meu sorriso afetuoso fazer brotar, dos seus rostos carpidos pela solidão, a dor, o desespero ou a miséria, os sorrisos mais radiosos que tenho visto.
E quando tanta vez ao longo destes cinquenta anos de vida me tenho interrogado sobre quem sou, durante essa conversa com Irina senti a resposta no interior de mim mesma e aprendi-a de Jesus Cristo, cuja Fé sustenta os meus dias.
Como diz a Bíblia, Cristo quando interrogado pelos apóstolos sobre quem era ele, para poderem esclarecer as multidões que o seguiam respondeu prontamente. "Eu sou Aquele que Sou."
E eu compreendi que sou aquela pessoa que fica feliz por poder amar aqueles que muito ama, pelas grandes e longas amizades que preserva e alimenta e todos os desconhecidos e desconhecidas com quem partilha momentos de tantas vidas que vale a pena escutar e acarinhar. Compreendi que sou essa pessoa que dentro de si tem uma alma que a torna feliz quando está só, a contemplar as belezas interiores, mas também quando só ou acompanhada se delicia com as pequenas e grandes maravilhas da natureza e da cultura.
É bom ter o privilégio de descobrirmos quem somos, vale a pena partir nessa viagem interior à descoberta de si mesmo, caro visitante virtual e verá que quando se encontrar chegará à mesma resposta que eu: Cada um de nós é exatamente aquele que é.
E quando isso nos basta para nos aceitarmos e encontramos a humildade de nos reconhecermos como um grão de areia numa praia maior, mas em que cada um de nós se não estivesse lá, não haveria praia. E quando isso ao mesmo tempo que nos faz sentir essa humildade nos faz sentir a grandiosidade da nossa diferença, porque cada um é apenas igual a si próprio, sendo cada um de nós indispensável e insubstituível, temos o que basta para nos reconhecermos como únicos e nos valorizarmos como tal aos nossos próprios olhos.
Nesta minha conceção de vida, não há lugar à competição, palavra e estímulo tão caros às nossas sociedades contemporâneas. Nenhum de nós é melhor que seja quem for, nem seja quem for é melhor que nós. Desgastar-se na competição é um desperdício e infértil desperdício de energias.
Não olhe mais para o lado para se comparar, caro visitante virtual. Não perca tempo com valores que nada valem. Olhe para si, encontre-se e siga por aí, por onde a sua alma lhe diz que se sente limpo, leve e confortável.
Não tenha pressa, vá usufruindo dos aromas que lhe chegarem às narinas, sejam de mar ou montanhas floridas. Sinta nos dedos a suavidade das pétalas ou as formas da areia do deserto escorrendo por entre os dedos até formar pequenas dunas, ou a frescura das águas de um riacho cujo curso é saltitante entre seixos brancos. Sinta na pele o calor a aquecer-lhe cada célula descoberta do seu corpo ou o frio a avisá-lo que se proteja enquanto vislumbra a neve que em flocos o salpica de branco.
E se nesse suave e doce percurso encontrar seja quem for, só ou em comunidade, ao ar livre ou numa tenda ou edifício de qualquer forma, a entoar cânticos, preces ou louvores a Deus, seja qual for o nome que lhe dado e a língua em que é comunicado, interrompa a sua viagem, junte-se a eles e, sendo crente ou não num poder superior, deixe-se invadir pela espiritualidade e descobrir a força mística que esse momento de encontro com o divino proporciona a quem a ele se abre.
Seja quem é, caro visitante virtual, siga sereno e confiante o seu caminho, sem pressas, entregue unicamente ao amor incondicional e à esperança que dele brota em cada dia.
Um abraço fraterno.
CC

31/03/2016

A esperança que resulta de ter conhecido alguém muito especial


 Post dedicado à memória de Joaninha e, como ela muito gostaria, à memória do seu mano Tiago

Caros visitantes,

Tenho a certeza que cada um de vós que agora me lê alguma vez na sua vida conheceu alguém ou algumas raras pessoas muito especiais. Eu também tive essa felicidade quando conheci a Joaninha, sorridente na foto acima, como sempre a conheci muito amada pelos seus pais Carlos e Filomena Pinto e por isso  muito, muito feliz.
A Joaninha deixou-nos subitamente na quinta-feira de Páscoa e a belíssima e profunda intensa celebração eucarística da sua reunião com Deus realizou-se precisamente no Dia de Páscoa que ocorreu há dias. Foi uma das mais intensas celebrações eucarísticas em que participei e em que mais intensamente senti a intensidade da Fé, e estou muito grata a Deus, ao Padre Rui Valério que presidiu a esta celebração e que nela nos deixou uma mensagem de Fé e de esperança e força do Espírito na nossa Vida que nunca esquecerei, muito grata também ao Carlos e à Mena Pinto, pais da Joaninha, à minha muito querida Joaninha e a todos os padres, acólitos, catequistas, jovens, crianças e todas as muitas pessoas da Paróquia da Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto que participaram com tanto empenho e entrega de presença espiritual e comunhão solidária com a família de Joaninha. Apesar da enorme tristeza do momento de grande dor de não mais podermos ver nem ouvir fisicamente a Joaninha, nem a beijar e abraçar como ela tanto gostava, e nós também, a verdade é que quem muito a amou e ama continua a sentir a forte presença dela, a vê-la, a ouvi-la e a lembrar os muitos momentos em que tivemos o privilégio de partilhar momentos das nossas vidas com ela e que sabem tão bem recordar, por tudo isso, para mim, Joaninha e também o Carlos e a Mena foram naquele dia, como em muitos outros dias para mim uma enorme mensagem de esperança que agora partilho com os meus visitantes virtuais. 
Eu acredito que, pelas mesmas razões, caro visitante virtual, pessoas assim tão especiais que conheceu na sua vida serão para si essa fonte de esperança. Se nunca as tinha visto nessa perspetiva, desperte para ela agora que vale muito a pena porque a vida é um lugar maravilhoso para amar e receber amor em cada dia, entregando-se aos outros e abrindo os braços para receber as dádivas de amor e de beleza que ela tem para nós, sejam os Alpes suíços que eu ontem estava a contemplar, seja o passarinho que eu, agora em Lisboa, estou a ouvir, seja o rosto dos meus filhos crescidos que admiro extasiada como qualquer mãe, e o rosto dos filhos de cada um de vós, mães e pais, que vos faz sentir a mesma intensa alegria e esperança.
A vós, caros visitantes virtuais, que nunca tiveste a alegria de conhecer ninguém tão especial, apresento-vos a Joaninha e deixo-vos com a memória da presença feliz e a mensagem de grande alegria a hino a tudo de belo na vida, para ela, sobretudo o mano dela, os pais dela, a família dela, os amigos dela, mas também, a missa e os seus belíssimos cantos, Jesus e Maria que ela referia a todo o instante, as flores que ela adorava, todas as flores, as guloseimas de que ela tanto gostava, sobretudo bolachinhas e chocolates, pulseiras coloridas (como a que uma vez lhe ofereci e a fez devolver-me um sorriso de tão grande alegria que ainda hoje me faz sorrir), mas sobretudo... as crianças e destas, acima de tudo, os bébés. A Joaninha deliciava-se com a existência de tudo isto e vivia a alegria de tudo isto em cada dia e contagiava-nos com a sua felicidade imensa e sem limites e agora eterna.
Há  maior esperança que esta? Se há ainda bem, porque pelo menos esta que conheço, que vivo e que me faz feliz estou profundamente grata a Deus por ela.
Um grande grande beijinho e obrigada por tudo minha querida e doce Joaninha.
Um grande beijinho Carlos e Mena por nos terem dado a Joaninha e por tudo o que vocês são e pela alegria contagiante do vosso amor e a força contagiante da vossa fé que me faz sentir pequenina e humilde, e por isso necessitada da proteção da imensidão de Deus a quem me confio inteiramente em cada dia e a quem confio os meus filhos e aqueles da minha família e amigos que tanto amo, mas também a quem confio quem nem sequer conheço, a quem confio toda a humanidade, e nela, em cada dia a quem confio os que mais precisam e nos momentos que mais precisam.
Um abraço muito feliz e cheio de esperança para si, caro visitante virtual que acabou de ler veste post e creia que embora não faça ideia de quem é, a sua vida para mim é valiosa e estou grata por ela e por ler as minhas simples e sinceras palavras neste blogue.
CC

11/02/2016

Uma mão entre os cabelos... Amor e fonte de esperança


Caros visitantes virtuais,
 
Escrevo-vos hoje sobre a esperança que resulta do amor entre jovens casais. O que me motivou a escrever este post foi um belíssimo gesto de ternura que tive a felicidade de testemunhar. E este post é dedicado por mim com todo o carinho à Marta e ao Rafael Maslinkiewicz, pais de três deliciosas crianças. Pedi autorização ao jovem casal para escrever sobre eles no meu post, pelo que é com muito gosto que o faço. A foto acima é deles, no dia do feliz enlace.
Estávamos numa celebração eucarística e a Marta e o Rafael estavam com os seus dois filhos numa atitude de atenção constante uns aos outros e das próprias crianças de atenção e troca de mimos entre irmãos, sendo o mais pequenino, ainda de colo o mais traquina. Eu deliciei-me com ele e no momento pensei que era ali que estava toda a fonte da esperança. Concentrada que estava nos meus pensamentos esqueci-me que estava de olhar fixo neles, estando eu sentada atrás e com o pequenito frequentemente virado para trás e um sorriso de felicidade que contagiava.
E foi assim que vi o gesto mais belo de poucos que tenho visto: o Rafael enternecido a olhar para os cabelos da Marta, estender delicadamente a mão e começar a brincar com os caracóis da sua jovem mulher que acariciava o bebé ao colo.
Logo ali decidi que escreveria este post pois acho absolutamente maravilhosa a ternura entre casais e acho que é dessa fonte de amor que se expressa nos pequenos gestos do dia a dia que brota muita da esperança sobretudo para os jovens da nossa sociedade que frequentemente contactam com mensagens que os confundem e distanciam do que é verdadeiramente importante na vida: o Amor, o respeito pelo outro, a singeleza da ternura, a atenção a quem se ama, o gesto de expressão do amor, o nosso olhar sobre o outro aquecendo-lhe a alma e a felicidade de constituir e construir uma família. São momentos como estes da Marta e do Rafael que são mensagens de esperança no amor, no compromisso, na fidelidade, na entrega ao outro, no compromisso sem que ele represente nem um peso nem uma prisão, mas a felicidade da constância e da harmonia.
Esperança também nas famílias de hoje sim, porque hoje, no passado ou no futuro o Amor é, foi e será sempre o Amor, seja qual for a  língua ou forma em que é expresso, sejam quais forem as etnias, nacionalidades, idades, origens sociais ou culturais ou mesmo a fé que professam ou não professam os membros do casal, porque o AMOR é universal.
 
 
Obrigada Marta e Rafael pelo vosso testemunho de vida tão inspirador.
 
Não vos dedico a vós este post, mas à D. Gina, avó da Marta, já não presente entre nós fisicamente mas que bem conheci durante muitos anos e que tanto testemunho deu de Fé, de amor, de entrega à paróquia porque ela o merece e porque sei que onde acredito que está terá ficado ainda mais feliz que eu com este vosso gesto.
Caro visitante virtual, espero tê-lo também feito sorrir enternecido com o gesto da Marta e do Rafael, e com isso talvez lembrado gestos de ternura que recebeu ou deu. Certamente que tal já sucedeu na sua vida e convido-o a que continue a entregar-se a essa ternura em relação a seja quem for que achar que a merece.
Obrigada uma vez mais pela visita a este blogue e votos de muitos e ternos momentos.
 
CC
 

02/01/2016

A GRATIDÃO A ABRIR UM NOVO ANO - FELIZ 2016 PARA TODOS OS LEITORES DESTE BLOGUE


Caros visitantes virtuais,

Pessoalmente encerro um ciclo de três anos de planície na minha vida. Chamo assim este ciclo porque é a primeira vez que vivi um período deste tipo e porque na planície não conseguimos ver mais longe do que o horizonte circunscrito, torna-se difícil encontrar novos objetivos para a vida e sonhar novas paisagens. Não é um período colorido, como felizmente os restantes que tenho tido ao longo da vida, mas mesmo tudo o que é menos positivo na vida tem lados bons, o primeiro é que também esses períodos têm um fim e nós sabemos quando terminaram.
É o caso do meu ciclo de três anos que fechou em 2015. Depois porque esses períodos em que nos fechamos mais e não vemos saídas nem queremos socializar como habitualmente nos fazem navegar na nossa introspecção, aprender mais sobre nós próprios, descobrir arestas que temos que limar para ficarmos ainda mais autênticos e mais próximos dos outros e descobrir também o que em nós merece ser valorizado e, sobretudo, aprendemos a ser humildes, amadurecemos e aprendemos a definir as prioridades da vida em função do que é verdadeiramente importante para sermos genuinamente felizes. Apesar de reconhecer que foi um período difícil, reconheço também que foi importante na minha vida porque a tornou ainda mais genuína e aberta à vida e à esperança.
Assim, saúdo 2016 com muita alegria e esperança, empenhada que estou em mais este troço da vida cujo percurso há muito pouco começou e onde tenciono permanecer com todas as pessoas com quem tive a felicidade de me cruzar ao longo da vida e que de uns ou outros modos permanecem sempre comigo, fisicamente mais próximos ou mais distantes ou até já na eternidade, mas isso não importa porque todos eles estão muito vivos no meu coração onde não há espaço nem distância geográfica ou temporal. Simplesmente estão lá, todos, porque são muito importantes para mim.
No início deste meu novo ciclo, no início do ano que começa faço questão de manifestar a minha gratidão pelas pessoas com que tive a felicidade de me cruzar e que marcaram a minha vida e faço ainda questão de fazer uma homenagem a uma grande mulher que o país e os cidadãos portugueses perderam em 2016 e considero também uma pessoa marcante na minha vida, a Dra Maria Barroso.
Começo por esta homenagem e gratidão como cidadã e como pessoa.
Tinha vinte e oito anos quando conheci a Dra Maria Barroso. Passámos juntas dois dias que constituíram a ocasião de uma conferência em que ela participava como oradora e em que eu participava envolvida na minha vida profissional na Educação e cujo tema, ao tempo, era e continua a ser muito atual: "O valor não remunerado do trabalho das mulheres". A conferência reunia ilustres oradores e oradoras em torno desta polémica temática que incendiou oradores e participantes. Recordo-me que na primeira manhã fiz uma intervenção na linha das minhas convicções que ainda mantenho sobre a matéria e que quando encerraram os trabalhos dessa primeira sessão veio ter comigo uma grande senhora da Educação que eu não conhecia pessoalmente e fiquei a conhecer nessa ocasião e por quem ainda hoje mantenho uma enorme admiração profissional e pessoal, a Professora Doutora Anne Marie Fontaine. Aqui lhe presto a minha genuína homenagem. Reputada professora da Universidade do Porto, esta grande senhora veio ter comigo para me felicitar pela minha intervenção, começámos a conversar e ela convidou-me a ficar na sua mesa de almoço para continuarmos a nossa partilha de ideias.
Ao longo da vida não voltei a conhecer ninguém que tivesse a simplicidade deste gesto, a não ser exatamente no mesmo dia e ocasião, a Dra Maria Barroso, que havia sido oradora durante essa manhã e que, ainda no momento em que as pessoas se encontravam a organizar-se em grupos para o almoço veio ter comigo, me disse também que tinha gostado muito da minha intervenção e que me convidava para a sua mesa de almoço para podermos conversar. Fiquei impressionada com essa grande mulher e conhecida figura pública que convidava uma anónima e muito nova mulher para com ela debater ideias e almoçar. Assim, a Dra Maria Barroso, a Professora Anne Marie Fontaine e eu almoçámos juntas não apenas nesse dia, como no seguinte e depois ela convidou-nos na tarde do segundo dia a ir com ela conhecer o Colégio Moderno que nos apresentou pessoalmente explicando-nos a valiosa história do mesmo. Nunca mais esqueci nem uma nem a outra destas duas mulheres. Com a Professora Anne Marie Fontaine, por voltas engraçadas que a vida dá, acabei por manter laços que ainda hoje permanecem; com a Dra Maria Barroso nunca mais tive qualquer contacto pessoal, mas ficou-me a marcante impressão que me deixou e as conversas que trocámos em que transparecia uma mulher que quem a ouve e com ela tem o privilégio de se cruzar sente que é uma mulher que arrebata multidões, marca gerações e se torna um símbolo nacional, pela sua enorme sabedoria, força de personalidade, retidão de caráter, impressionante humildade e simplicidade e perfil ético exemplar. Claramente uma mulher de valores e de princípios onde as pessoas não são julgadas nem pela idade, nem pela condição económica ou social, mas valorizadas pelo simples facto de serem pessoas e pelas suas ideias e a convicção com as apresentam e debatem. Faço, pois, questão, de aqui deixar registada a minha gratidão por esses dois dias e as conversas tocadas com a Professora Anne Marie Fontaine e a Dra Maria Barroso.
Passo agora à segunda parte do meu post, a da minha gratidão às pessoas que marcaram os meus primeiros cinquenta anos de vida. Quis fazê-lo por ter há um ano completado o meu cinquentenário e por estar em 2016 a entrar num novo ciclo de vida.
As primeiras e mais importantes pessoas que marcaram a minha vida foram desde logo os meus pais Maria Eugénia e Adelino Chamiça que me transmitiram os valores estruturantes de toda a minha vida e o amor incondicional que só os pais e os irmãos sentem por nós, no meu caso, a minha irmã, Aida Chamiça, sem dúvida uma das pessoas mais marcantes da minha vida pelo seu extraordinário companheirismo de sempre, cumplicidade e frontalidade com que sempre me defronta comigo própria, o que é altamente valioso e enriquecedor.
Seguem-se o meu marido, Jorge Paulo, cujo amor e extraordinariamente rica companhia diária de há quase vinte cinco anos, tem marcado a minha vida desde o nosso namoro, desde que por ele me apaixonei em 1990 e que me deu os dois maiores presentes da minha vida, os meus filhos Francisco e João Chamiça Pereira. Também os meus filhos têm sido pessoas profundamente marcantes da minha vida, desde a gravidez que vivi intensa e muitíssimo feliz de cada um deles, como pela incomparável alegria que senti com os seus nascimentos, e ainda com a alegria diária de os ver desabrochar e crescer e, atualmente pelos preciosos companheiros que são de tão interessantes conversas familiares.
Uma enorme gratidão para as minhas amigas e amigos de infância e cujos fortes laços continuam a unir-nos: Ilda Dias, Cecília, Zé Relvas, Cláudia Malhão, Ilda Lopes, Paulina, Tininha e Cristina Pimparel e amigos de adolescência e juventude: Paulo Cunha Alves, Zezinha Rosa, Fernanda Vidal, Rita Evangelista, Elisabete Luís, Leonor, Beta Simões, Ilídio, Paulo Santos, Rui Mota, Sónia Costa, Paula Cristina Saruga, Luís Madruga, Rui Brito, Tininha Ferreira, Hipólito, Zé Inês, João, Luís, Fernando Costa, Zito, Rogério, Paulo Dias, Jorge Santos, Miguel Santos, Eunice, Miguel Ferreira, Tony, Dinho, Sandra, Carlos, Faty Lauriac e Anabela Santos e amigos de há quase trinta anos: Teresa Pedroso, Jorge Leonardo, Madalena Martins, Janine Costa, Filomena Matos, Carmo Gregório, Amélia Godinho, Fernanda Sales, Lourdes Neto e Emília Tavares e ainda sem que os anos contem: João Sérgio Rodrigues, Teresa Brito, Fátima Lico, Hugo Sena, Fernanda Pina, Ana Mateus, Albina Santos Silva, Professora Maria do Céu Roldão, Professor Natércio Afonso, Professor Jorge Pedreira, Vasco Alves, Joaquim Silva Pereira, Dulcinea Gil, Filipe Teixeira, Bruno Lai, José Manuel Batista, António Marçal Grilo, Ana Paula Varela, Artur Galvão Teles, Mário Sanches, Isabel, Judite Nozes, Borges Palma, José Manuel Batista, Mário Pereira, Alexandra Marques e Cristina Saragoça e as muito saudosas Lurdes Costa, Nelas e Júlia Freire.
Quero aqui também lembrar o Euclides Ferreira, meu coordenador de grupo de jovens durante vários anos na Paróquia da Póvoa de Santo Adrião, sempre acompanhado da sua extraordinária mulher, Joana e os meus amigos do grupo de jovens cuja amizade prevalece ainda desde o início dos anos oitenta e com quem partilhei tantas discussões interessantes, gargalhadas, desabafos, saídas à praia, noitadas. A eles estou profundamente grata, ao Euclides pela abertura de mente na fé que me transmitiu e o prazer de descoberta da fé de forma amadurecida que mantenho e aos amigos de grupo de jovens por tantos anos de alegria e saudável convívio recheado de música e grandes e empolgantes conversas sobre tantos temas tão diferentes.
Não quero também deixar de manifestar a minha gratidão aos padres que marcaram a minha fé ao longo dos meus cinquenta anos, por ordem de épocas, o Padre Manuel Peixoto, o Padre Luís Ferreira e o meu atual pároco, o Padre Rui Valério, todos Padres Monfortinos. Pela importância que a fé desde sempre teve na minha vida, eles têm-na enriquecido no plano espiritual porque foi com eles que vivi os momentos mais marcantes da minha vida religiosa, muito em especial o meu casamento e o batismo dos meus dois filhos. Com eles a minha gratidão vai também para as largas dezenas de grupos de jovens que eu tenho coordenado na Paróquia da Póvoa de Santo Adrião e de quem ainda hoje sou grande amiga, bem como todas as pessoas da Paróquia com quem ao longo destes cinquenta anos tenho partilhado a minha vida religiosa laical e por quem nutro um grande carinho quer dos que me conhecem desde os 7 anos quer dos mais recentes.
Manifesto também a minha gratidão aos Padres e Frades Dominicanos: Frei Bento Domingues, que muito admiro pelas suas tão abertas posições religiosas e que não esqueço por há mais de trinta anos, numa conferência sobre matéria religiosa e ética ter defendido uma posição altamente polémica que eu assumi e que deixou horrorizadas a maioria das pessoas que a ouviram e em que o Frei Bento, não me conhecendo de lado nenhum, se levantou da assistência para assumir a defesa das minhas arrojadas ideias sobre a matéria, convicção que ainda hoje partilho. Mais recentemente, o Frei Filipe Rodrigues, que comigo partilhou muito enriquecedores momentos de fé.
A minha enorme gratidão vai também para a melhor professora que tive em todo o ensino básico e secundário a professora e escritora Eduarda Dionísio do Liceu Camões e os professores do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas: Professor Doutor Adriano Moreira, Professor Doutor António de Sousa Lara, Professor Doutor João Mota de Campos e já saudosos Professor Doutor Políbio Valente de Almeida e Professor Silva Cunha e ainda o então ainda jovem mas excelente professor Dr. João Bernardo Weinstein, de quem tive depois o prazer de ser colega nos anos que leccionei nessa instituição que tanto acarinho, de que guardo blíssimas e ricas memórias académicas e pessoais e onde tanto aprendi sobre relações internacionais, geopolítica, ciência política e as várias ciências humanas e sociais. Deixo também uma muito especial gratidão e o meu abraço iscspiano aos muitos colegas, professores e alunos dos meus tempos de aluna e depois de professora no ISCSP.
Na minha entrada na vida profissional quero deixar registada a minha gratidão e profunda admiração e estima pelo já saudoso Dr. João Amado, Diretor do Instituto Superior de Novas Profissões onde leccionei vários anos e a minha estima e amizade por ele e pelos muitos colegas e alunos que tive nessa instituição de ensino superior privado que me enriqueceu o percurso profissional e de vida.
Já à entrada profissional a minha maior gratidão é devida ao Professor Bártolo Paiva Campos com quem ao longo da vida trabalhei cerca de vinte anos na área da educação e que acreditou e confiou nas minhas capacidades e assim me proporcionou desafios profissionais que muito me enriqueceram e que tenho muito presentes, bem como o tanto que com ele aprendi formando-me para ser a profissional que ainda hoje sou e com quem fiquei ligada por uma sólida e grande amizade. Também no plano profissional, a minha gratidão ao Professor Alexandre Ventura é enorme. Também com ele vivi desafios profissionais importantes, um dos quais o maior desafio profissional que tive até hoje e a quem hoje me une uma enorme amizade intemporal apesar do oceano que agora nos separa fisicamente. Fico também muito grata aos muitos colegas e amigos que ainda hoje mantenho da minha passagem de mais de vinte anos de vida profissional na educação, com eles muito aprendi e com quem gostei muito e continuo a gostar muito de conviver quando temos oportunidade.
Mais recentemente gostaria de deixar registada a minha gratidão ao Coronel Paulo Soares, que foi responsável pela minha viragem profissional para a área da segurança, onde desde há quase cinco anos pertenço e que se tornou numa paixão profissional para mim a seguir a que tive mais de vinte anos, a educação, pois acredito veementemente que estas duas áreas são fulcrais para a vida da sociedade portuguesa e bem-estar do nosso país, uma garantindo a formação das nossas crianças e jovens e outra garantindo a estabilidade e segurança das nossas instituições, das pessoas e do nosso país. Com o Coronel Paulo Soares e os vários colegas, militares, polícias e inspetores descobri uma nova forma de vida profissional, mas também com eles tenho aprendido muito e vivido momentos de amizade muito valiosos e de enriquecimento pessoas e profissional.

A concluir a minha gratidão vai para todas as outras pessoas aqui não referidas mas com quem tenho tido a felicidade de me cruzar nos vários grupos onde tenho participado de natureza religiosa, desportiva, cultural ou recreativa, mas também para os muitos cidadãos anónimos com quem me tenho cruzado ao longo da vida e que, sem nos conhecermos, têm travado conversa comigo ou eu com eles e que também eles têm enriquecido muito a minha vida pois para mim, o maior valor da vida e o que mais prezo são as pessoas.

FELIZ ANO NOVO PARA TODAS ESTAS PESSOAS E TAMBÉM PARA SI, CARO VISITANTE VIRTUAL e para todos um grande abraço festivo, de celebração à vida e de ESPERANÇA.

CC

22/11/2015

A esperança que resulta do desprendimento de nós próprios




Caros visitantes virtuais,

Desta vez escrevo-vos sobre desprendimento. Poderia também escrever sobre humildade, sobre autenticidade, sobre veracidade, sobre entrega, sobre libertação, sobre altruísmo ou sobre vários outros caminhos similares que nos conduzem a uma leveza interior que nos torna mais disponíveis para os outros e, sempre mais felizes.
Ontem fui ver o filme "O Estagiário" protagonizado por Robert de Niro e Anne Hathaway, ambos de idades muitos diferentes e excecionais, um já com grande história de sucesso cinematográfico e ela com história recente de já alguns sucessos acumulados. Este filme magistralmente mostra-nos a grande riqueza de termos alguém experiente na vida com toda a aprendizagem e que os muitos anos já passados permitiram fazer, alguém que já não precisa de provar nada aos outros nem a si próprio, alguém que entre os outros fala uma linguagem diferente, a linguagem da senioridade ou poderíamos simplesmente dizer, a linguagem do desprendimento de carreira, de ambições, de reconhecimento ou de sucesso. Alguém que justamente por nada procurar encontrou tudo o que precisava e pelo caminho deu tudo o que os outros precisavam de receber: autenticidade e força para caminhar e lutar por um sonho, pelas suas vidas, pela relação com os outros. 
E que mais importa verdadeiramente senão a relação com os outros? 
De onde nos vem a verdadeira felicidade senão na relação com os outros e no verdadeiro e genuíno encontro com eles?
O filme é fabuloso e recomendo-o vivamente, é uma grande lição de aprendizagem em que reconheci coisas muito bonitas que a idade nos traz e que nos gratificam muito. Uma delas que constitui grande fonte de felicidade é o desprendimento. Essa grande lição vem-nos também dos místicos que por carisma próprio e profunda fé e dedicação total à mesma descobriram esse caminho libertador das ansiedades humanas de perseguição do reconhecimento pessoal e profissional, da admiração humana, do aplauso social. Não, não são loucos, embora muitos assim o considerem, são pessoas que despertaram para valores que descobriram que os tornavam mais leves com esse desprendimento de si próprios, de atitudes egoisticamente auto-centradas e, por isso mesmo, redutoras, conducentes a visões parcelares e limitadas da beleza da vida, fontes de pressão e ansiedades pessoais, e também frequentemente de desilusões e frustrações porque se descobre sempre alguém que consideramos melhor que nós. A futilidade e inutilidade da comparação humana aprende-se com a idade. É a idade que nos ajuda a abrir os olhos para os outros e a descobrir a sua riqueza e beleza tão diversificada que há lugar para todos. E, nessa descoberta da grandiosidade da variedade, diversidade e amplitude de talentos e riquezas humanas abrem-se os olhos da alma e do espírito para admirar O OUTRO, A OUTRA.
Caro visitante virtual, hoje convido-o à aventura de arriscar soltar-se do seu narcisismo que habita em todos nós e nos escraviza e condena à infrutífera comparação com os outros à nossa volta e nos convida à competição e ao aplauso de nós próprios e condenação do outro em amargas conversas connosco próprios e com os outros que só destilam má-língua, fel, incompreensão, injustiça, mentira e desvalorização de quem profere palavras destruidoras em relação ao seu semelhante até descobrirmos que quando destruímos o nosso semelhante estamos primeiro que tudo a destruir-nos a nós próprios.
Onde nos conduz a ambição desmedida, a conquista a todo o preço do sucesso?
Onde nos conduz a exibição da nossa própria imagem seja ela física, cultural, artística ou intelectual de qualquer natureza?
Onde nos conduz a procura do pedestal profissional e das medalhas e méritos que depois apenas se destinam a emoldurar paredes para onde ninguém olha, guardar em gavetas que ninguém abre ou gravar em ficheiros que ninguém lê?
Quanto tempo duram o sucesso, a fama, os aplausos?
A todas estas perguntas já respondi em diferentes fases da minha vida dizendo a mim própria que caminhar e enfrentar desafios nos torna grandes como pessoas e valiosas. No meu caso, nunca me deixei vencer pela ambição do dinheiro, mas sucumbi a muitas outras destas humanas ambições de que, apesar de já me encontrar em fase madura da vida, ainda não me disciplinei a ignorar completamente. Mas já vivi o suficiente para aprender que é no desprendimento, na libertação dessas metas todas elas efémeras que se chega à grandiosidade que é cada um de nós.
Como o descobri?
A partir da fé que desde cedo me ensinou, como Jesus Cristo, ao desprendimento de nós e à entrega ao outro. Mas para eu colocar verdadeiramente em prática essa enorme lição de vida não me bastou conhecer e acreditar  que esta belíssima mensagem que foi toda a vida de Jesus Cristo conduz verdadeiramente à felicidade do ser humanos, mas não apenas na ressurreição, para quem nela acredita, já aqui, em cada dia que aprendemos a viver no caminho da humildade e da simplicidade. Com Jesus Cristo e os ensinamentos bíblicos aprendi o profundo desprendimento dos valores humanos e total entrega à espiritualidade e ao respeito do outro e entrega aos outros, sobretudo dos menos reconhecidos e até sobretudo dos marginalizados do seu tempo, mas precisei de caminhar por mim própria para aprender que este é o único caminho que nos traz verdadeiramente a felicidade, o outro traz abraços efémeros de reconhecimento, aplausos que se calam quando se ergue uma outra voz, olhares que se desviam para outros rostos, amizades que se afastam quando o nosso pedestal é mais pequeno, amores que caem quando chegam as rugas. São simples exemplos de tantos outros da minha e de outras vidas com quem todos contactamos, e diria, e também da sua vida, visitante virtual que não conheço, pois afinal, no fundo de nós, não somos assim tão diferentes uns dos outros, apenas os traços físicos nos dão diferentes fisionomias, mas as nossas almas, nos nossos anseios, os nossos medos e os nossos pequenos prazeres são comuns.
Pois bem, quanto tempo dura o sorriso fresco de uma criança?
Quanto tempo dura a sábia palavra na voz de um ancião?
Quanto temo dura o bater de asas de uma pomba?
Quanto tempo dura a cor de uma flor que nos encanta?
Quanto tempo dura uma música que nos extasia?
Quanto tempo dura a beleza de um quadro que nos fascina?
Quanto tempo dura a emoção que nos causa um poema?
Quanto tempo dura um gesto que nos comove?
Quanto tempo dura um abraço que nos conforta?
Quanto tempo dura uma atitude que nos enternece?
Quanto tempo dura uma oração que nos fortalece?
A resposta a todas essas questões é que, ao contrário do sucesso, dos aplausos, das medalhas, dos méritos e dos prémios, todas as outras coisas que evoquei duram o tempo quisermos, duram o tempo em que o nosso coração e a nossa alma quiserem que dure, pois estão todas lá para nós e a nossa felicidade será tanto maior quanto mais as virmos não apenas com os nossos olhos negros, castanhos, azuis ou verdes, mas com os olhos do espírito.
Eu gosto que essas coisas durem... que durem muito... que durem tempo que não me canso a contar, pois não importa, o que importa é que quando contacto com essas coisas sei e sinto que estou a contactar com a riqueza universal, com a intensidade de comunicação que me enriquece e valoriza se eu deixar. E eu deixo, e eu quero.
Caro visitante virtual, aceite este desafio, faça o esforço que eu prometo acompanhá-lo, não estará sozinho nesta caminhada, eu e tantos outros que conheço e desconheço procuramos o mesmo, descobrir o melhor de nós próprios em cada momento, auto-conhecermo-nos e reconstruirmos-nos após cada queda, Limpar o lixo que há dentro de cada um de nós e nos impede de caminhar e ver à nossa volta com verdadeira honestidade interior, reconhecendo o valor dos outros e do que nos rodeia.
Vamos lá, caminho consigo... boas passadas e até ao meu próximo post, caro visitante virtual. Como dizem os Moçambicanos "Estamos juntos", é assim que se despedem dos amigos, porque na verdade, de um bom e verdadeiro amigo nunca nos despedimos, estamos sempre com ele. É um espírito muito comum aos cristãos na sua relação com Deus, sentimos que estamos sempre com Deus e que Ele está sempre connosco.
Boa caminhada.
CC

24/08/2015

O cancro... com esperança e mesmo humor

 

Caros visitantes virtuais,

Antes de mais as minhas desculpas por ter passado tanto tempo sem escrever no blogue. Não desapareci, simplesmente andei a arrumar a minha casa interior e exterior. Dar essas voltas por dentro e por fora faz bem, renova-nos, revigora-nos e permite-nos novos olhares sobre as mesmas realidades. Aprende-se sempre qualquer coisa, sobretudo a dar novo valor ao que já eramos e já tínhamos mas que com a monotonia da rotina do dia-a-dia e o stress quotidiano às vezes não vemos com o valor e atenção que merecem.

Escrevo hoje sobre o cancro que tem surgido entre muitas amigas, amigos e familiares. Dedico este post à minha querida cunhada e amiga Lina que recentemente tem estado com muita coragem e determinação a vencer essa grande batalha, à minha amiga Fernanda, que trato por Alforrequinha, à minha amiga Xana dos velhos tempos da Faculdade e à minha queridíssima Aniluap, amiga de infância, à minha muito querida Sónia dos velhos tempos da PSA e também à minha amiga Isabel dos velhos tempos da Junqueira e ao Carlos J., o único homem desta minha lista de dedicatórias com toda a amizade e carinho. Para elas com um beijo e um abraço muito apertadinho este post. Elas têm sabido enfrentar com muita força e esperança o cancro e mostrar que ele pode não ser o “bicho-papão” que nos atormenta, mas um desafio a vencer, como tantos outros desafios difíceis na vida.
E que podemos lutar contra ele, mesmo com um ou outro momento de angústia e dor, mas vencendo-o e continuando a caminhar com um sorriso no rosto, mostrando-lhe que somos nós que o dominamos e não o contrário.

Para todas e todos os que tiverem, têm ou venham a ter cancro, e aí também me incluo pois ninguém está fora dessa possibilidade bastando para tal estar vivo, aqui fica um site fantástico sobre esta doença e como vivê-la sem dramatizar, muito pelo contrário, com muito humor:
https://www.facebook.com/CancroComHumor

O cancro pode ser visto, como todas as coisas más que nos acontecem nas vidas de todos, como um período doloroso que é certamente. Mas a dor e a tristeza são também uma parte importante da vida, pois constituem uma grande lição para aprendermos a ser mais conscientes das nossas limitações, físicas e psíquicas e a respeitá-las, não indo para além das nossas forças, o que às vezes nas pressas do quotidiano nos conduz a abusos que prejudicam a nossa qualidade de vida e não nos permitem dar prioridade ao que é mais importante. Esses períodos de sofrimento porque todos passamos, se os vivermos com a sabedoria e serenidade que requerem ajudam-nos a crescer e a valorizar o que verdadeiramente é importante e belo em nós próprios, nos que amamos e nos que estão à nossa volta e nem nos demos ao trabalho de tentar conhecer.
O cancro, como qualquer outra doença ou momento difícil na vida, são duros e incluem sofrimento, não vamos mascarar a realidade e disfarça-la do que não é, enganando-nos ou fugindo dela com inúteis ilusões, mas se o encararmos de frente tal como é, e o agarrarmos com coragem e determinação para o expulsar da nossa vida, aproveitando o momento difícil para deitar fora de nós próprios todo o lixo que fomos acumulando sem nos apercebermos e nos entope, é como se fizéssemos uma desintoxicação interior. Veremos como ela nos sabe bem e faz felizes porque nos deixa limpos, leves e nos ajuda a voar, não mais alto porque não precisamos de competir nem de olhar para o lado para nos comparar, mas de forma mais harmoniosa e mais tranquila, e aí sim, subimos nas alturas dos horizontes mais vastos porque estamos mais leves e planamos como uma gaivota rumo a novas descobertas de nós próprios, dos outros e a redescobrir ou descobrir um novo sentido para a vida. É aí que despertam os nossos sorrisos mais autênticos, mais profundos e mais duradouros. É aí, junto ao arco-íris da vida que encontramos o pote de ouro da felicidade, descoberta em cada pessoa que amámos ou amamos e naquelas que ainda poderemos vir a descobrir e a amar. É também aí que se encontra o amor que nos dedicaram e a que não demos ainda a atenção e o valor que em cada dia

Eu sou uma apaixonada incurável pelas pessoas. Amo muito intensamente os que amo, dou-me intensamente às minhas amigas e aos meus amigos e adoro conhecer pessoas novas porque sinto-me sempre enriquecida com elas.

A semana passada aconteceu-me uma coisa curiosa. Estava numa esplanada de café de bairro a tomar uma bebida fresca e fui abordada por um jovem que travou conversa comigo. A conversa ficou animada, o jovem quis conhecer mais sobre mim e dar-se a conhecer e os amigos e amigas dele que estavam numa outra mesa deixaram-se entusiasmar pela conversa que estávamos a ter, rodaram as cadeiras deles e vieram todos para a minha mesa. Combinámos encontrar-nos regularmente para continuar a nossa conversa sobre a vida e os desafios que ela nos vai colocando. Senti-me muito mais rica por os ter conhecido e senti-me feliz na companhia deles. A juventude deles contagia-me e enriquece-me e em troca partilho com eles a humildade, sabedoria e serenidade que os meus cinquenta anos de vida me trouxeram. Sabe muito bem conversar, abrirmo-nos ao diálogo com os outros. Sentimo-nos bem, fazemos os outros sentirem-se bem e aprendemos todos algo uns com os outros. É fantástica esta troca que nada tem de material, mas que nos oxigena a vida e a enche de alegrias e esperança em cada despertar, seja qual for a nossa condição de vida. Estejamos nós a vencer uma doença e a aprender com ela ou restabelecidos de um momento mau e a renovar forças para continuar a nossa caminhada com mais alento. Ir com os outros de mão dada é sempre mais agradável e mais alegre.

Eu aqui estou consigo, caro visitante virtual, de mão estendida para acolher a sua na minha, juntos, nesta caminhada virtual a construir a esperança em cada dia.

Um abraço virtual,

C.C.

19/04/2015

A esperança que resulta da dança de dois jovens com Trissomia 21


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Caros Visitantes virtuais,

Dário e Marta, dois jovens com Trissomia 21, deram-nos recentemente com a sua belíssima exibição de dança uma grande lição de alegria e esperança. A forma belíssima como dançaram a Rumba tocou-me profundamente e certamente a muitos dos que direta ou indiretamente assistiam ao "Dança com Estrelas" emitido pela TVI.
Foi comovente ver a alegria, a beleza daquela dança. A magia daqueles dois jovens que sem vergonha das limitações impostas pela sua doença, a Trissomia 21, mostraram a todos nós que, independentemente da nossa condição e limitações físicas, podemos sempre ter motivos para lutar pela vida com dignidade, com sonhos e com alegria. Para eles os meus parabéns e votos de continuação de muitas mais danças e alegrias. Parabéns aos Apolo do Porto que os ensinaram a dançar e parabéns à TVI por dar esta oportunidade de realizar sonhos e de os partilhar com o público.
Estes jovens ajudaram a desmistificar a Trissomia 21, o chamado Mongolismo, sempre referido em tom depreciativo ou redutor da condição de menoridade em geral atribuída aos seus portadores.
Nunca partilhei dessa visão, sempre achei que não são as limitações físicas com que nascemos ou que acidentes da vida, ou doenças, nos trazem que condicionam a nossa dignidade, a nossa forma de enfrentar a vida, o nosso valor pessoal, o nosso relacionamento com os outros nem a nossa alegria. É o que vai na nossa mente que nos limita ou não a ser felizes e a partilhar a nossa felicidade com os outros, a ter ou não esperança e alegria de viver.
Quantas pessoas não conhecemos sem nenhuma doença, limitação física, social e económica que as permitam viver felizes, mas que contudo não encontram razões para sorrir, se enterram numa existência para a qual não encontram sentido?
É com jovens como estes que aprendemos grandes lições de esperança, mas temos que estar despertos para isso, não podemos estar fechados na nossa concha ou no nosso orgulho que nos isolam dos outros e nos condenam cada vez mais à solidão e à infelicidade.
Dedico este post ao Dário e à Marta, por terem com a sua belíssima dança, com a sua coragem para dançar em público e ter concorrido a este programa de grandes audiências, por terem mostrado como se pode ser feliz e lutar pelos sonhos apesar das nossas limitações e dedico este post também ao Fernando Ferreira, isto é, ao Fernandinho, também portador de Trissomia 21, desde que nasceu, em 1972.


Tenho cinquenta anos e conheço o Fernandinho desde os meus 15 anos. Conheci-o sempre rodeado do amor e dedicação da sua grande família. Acompanhei muitos momentos festivos e triviais da vida do Fernandinho ao longo destes anos e sempre o vi sorrir.
O Fernandinho sempre que o encontro abraça-me a sério, com os seus dois fortes braços apertando-me o tórax. Não é como aqueles abraços que em geral damos uns aos outros, abraços laços, que quase parecem convenções sem significado nenhum a não ser social. Abraços à pressa, não abraços como se o tempo não corresse e o que importa é duas pessoas que são amigas de longa data tomarem o tempo necessário para se abraçarem tanto mais quanto mais longa e forte é a sua amizade. Os abraços do Fernandinho, não tenho qualquer dúvida, quer me sejam dados a mim ou a outro amigo ou amiga e sobretudo a familiares são abraços verdadeiros, abraços dados com os braços, as mãos e o coração, e sempre com um sorriso de alegria estampado no rosto, porque o encontro entre duas pessoas que se querem bem é sempre razão para se ser feliz. (Nós os dois na foto abaixo).



Também os beijos do Fernandinho são especiais. Têm som. Sempre que me lembro de o Fernandinho me cumprimentar à chegada, à despedida, ou simplesmente porque lhe apetece manifestar o seu carinho, os seus beijos ouvem-se, no real sentido da palavra. São beijos depositados com todo o cuidado um de cada lado da face, beijos lentos e sonoros, beijos que duram o tempo necessário para transmitir o afeto real que representam, a alegria pelo reencontro ou a alegria por nos termos reencontrado e uma despedida até à próxima vez, como quem diz: "Fica bem, fica feliz, fica com o meu sorriso e o meu beijo, porque eles ficam contigo." E, garanto-vos, fico mesmo muito feliz sempre que o vejo. Parto sempre com o som dos beijo dele lentos e sonoros nas minhas faces, como uma marca de amizade indelével.
Querido Fernandinho, para ti que sei que uma das tuas irmãs irá ler-te o meu post, para si que sei que irás sorrir muito feliz por veres aqui o teu nome e a tua fotografia, escrevo-te agora aquilo que muitas vezes te disse ao longo destes tantos anos em que temos convivido: "Gosto muto de ti.", mas nunca te expliquei quanto, nem porquê. Falha minha. Explico agora. Gosto tanto de ti, como daqui até à lua, porque não têm medida os sentimentos grandes que temos pelas pessoas de quem muito gostamos, como não têm conta os beijos e abraços que me deste e eu te dei, porque valem demais para que perdêssemos tempo a contá-los, bem como os que ainda iremos dar. E porque gosto assim tanto de ti? Por uma razão tão simples como especial: Porque tu és o Fernandinho. O único. Não há mais ninguém como tu. Ah, esqueci-me, afinal há ainda outra razão e também muito importante: Porque me fazes feliz, sempre que estou contigo, sempre que me lembro de ti e agora mesmo quando estou a escrever sobre ti. Só tenho pena que não estejas aqui ao pé de mim para me dares um dos teus abraços e daqueles beijos que sei que vou receber quando te vir.
Querido Fernandinho e caros visitantes virtuais, deixo-vos com o vídeo da belíssima rumba dançada por Dário e Marta, a quem agradeço do fundo do coração terem-nos deixado este belíssimo momento de esperança, alegria, comoção e magia e boa sorte para eles nas próximas fases do concurso e ao longo da vida.


video
    
Para ti, Fernandinho, para o Dário e a Marta que não conheço, mas que ficaram no meu coração e, para si caro visitante virtual, um grande abraço que, apesar de sincero, não tem a capacidade de ser como os do Fernandinho porque não tenho esse dom especial que ele tem para abraçar com o coração de tal forma a que a presença dele fica connosco, mas fique com a esperança de soltar as amarras que o envolvem, de aceitar as suas limitações e se lançar em busca dos seus sonhos, da alegria, dos outros.
Até ao meu próximo post e seja feliz, faça por isso.

C.C.

14/02/2015

Dia dos Namorados - A esperança que resulta de uma palavra de amor



Caros visitantes virtuais,
Neste dia de S. Valentim, Dia dos Namorados, celebra-se sobretudo o Amor, o que são duas coisas de que sempre gostei: de celebrações e de Amor.
Vou dedicar este post a três situações bem diferentes, porque há muitas formas de Amor. Dedico este post às minhas amigas Teresa B., Fernanda P., e Nini M. e ainda a uma outra pessoa com quem não tive oportunidade de construir ainda uma relação de amizade mas por quem tenho muito carinho, Regina Q.L. Têm em comum a morte ter-lhes levado os respetivos maridos/companheiros que tanto as amavam e cuja perda certamente sentem como uma enorme injustiça da vida, sobretudo nos casos em que essa perda ocorreu em brutais situações. Para vós minhas queridas vai a minha mais profunda solidariedade e ternura. Senti o quanto foram amadas e o quanto isso vos fazia felizes. Tiveram o privilégio de ter a vosso lado e sentir no coração o amor que parece ter deixado um vazio, mas que estou certa não deixou, pois no seu lugar permanecem as palavras doces ditas, os sorrisos trocados, os gestos de ternura, os momentos de paixão ou a simples cumplicidade de partilhar a chuva a cair ou o sol a pôr-se no horizonte. Não esqueçam que eles que partiram gostariam de vos ver bem e, por isso, olhem para o vosso lado e descobrem tanta gente que vos ama porque vocês são especiais e merecem todo o amor dos vossos filhos, dos vossos familiares e das vossas e vossos amigos.
Quando penso em quem mais nos ama e nos primeiros gestos de amor que recebemos na vida, não posso deixar de me lembrar das nossas mães e dos nossos pais, desde crianças, aconchegando-nos os lençóis, enxugando-nos as lágrimas após uma queda, beijando-nos um corte num dedo que acreditávamos que assim ficaria curado, lendo-nos histórias ou compondo-nos o cabelo, enlaçando-nos com uma tal ternura que sentíamos naquele abraço que o mundo era perfeito e belo. Dedico este post também às minhas queridas amigas e amigos J.N., R.M, C.M., C.P. e R.M, que nuns casos viram partir as suas mães ou os seus pais que tive o privilégio de conhecer e tanto estimar. O calor do amor deles sei que permanece nos vossos corações.
O amor das nossas irmãos ou irmãos, trocado nas brincadeiras de crianças e nas confidências secretas, nas risadas sem razão aparente e na ternura do conforto nos momentos difíceis da vida. Para ti querida A.M. dedico este post também em memória do teu irmão que ainda hoje te acompanha e à tua irmã M. e que sempre celebram juntas o muito amor que vos transmitiu. Também a vós queridos amigos Z.N. e J.N. dedico este post com a lembrança do vosso querido irmão Luís que eu adorava e ainda hoje lembro com tanto carinho, e vosso primo queridas S. e S., J.I. e LI que sei que recordam também com muita saudade e ternura. A ti querida S.C. um beijinho muito especial em memória do teu irmão e meu grande amigo e amigo de tantos de nós, Ilídio, que nunca esqueceremos. Sei bem o quanto ele gostava de ti e tu dele. Permanecerão sempre juntos com laços na eternidade.
Não me esqueço de ti, querida I.P., a dor da partida da tua filha e a imensa fé e coragem que demonstraste e o amor que sei que ainda sentes por ela e dela por ti. De vós N.N. e N.M. De ti P. e marido, de si C. e mulher e de si C. e marido. Dedico-vos também este post com toda a minha admiração e ternura.
Lembro ainda o amor dos avôs e avós, partilhando histórias de heróis e de fadas, jogos de cartas e mesinhas caseiras, vendo-nos crescer com um brilho nos olhos e uma complacência que nunca tiveram com os próprios filhos. Como dizem os brasileiros, eles foram ou são os nossos pais com açúcar.
O amor de tios e tias, primos e primas, as partilhas de momentos familiares especiais e de confidências amorosas ou de histórias de família.
O amor de amigas e amigos que na hora certa nos enxugam as lágrimas com doces palavras que precisamos de ouvir para que o nosso coração bata novamente e nos abra um sorriso.
De modo especial dedico também este post às minhas queridas amigas C.F. e A.P., vítimas de violência doméstica e tantas mulheres e também homens que viveram ou vivem essa dor agravada com o sentimento de culpa próprio de qualquer vítima, com o sentimento de vergonha, com a destruição da sua autoestima. Para vós minhas queridas e para todos e todas que se sentem agredidos ou agredidas, não-amados, ou não amadas, afundadas na amargura da dor e no vazio da solidão, acreditem, vocês são especiais, são seres únicos maravilhosos que merecem ser amadas e amados com um amor saudável, um amor que vos respeite, valorize, estime e aqueça a autoestima, a alma e o coração. E sabem que mais? Vão encontrar esse amor, depois de enxugar as lágrimas, de sarar as feridas e de voltar a acreditar que o mundo está cheio de gente maravilhosa que tem amor para dar e que precisa de ser amado. O cupido anda por aí, lançando setas que desfazem a dor e a solidão e espero que ele vos atinja e os vossos corações voltem a pulsar ao ouvir de alguém que verdadeiramente vos mereça "Amo-te".

Dedico também este post a todas e todos quantos perderam amigos ou amigas que tanto vazio lhes deixaram no coração. Eles e elas estão connosco no tesouro das palavras que nos deixaram e nos grandes momentos de amizade que com eles vivemos.
Que ninguém esteja sozinho. O amor é demasiado valioso para ficar escondido no nosso coração. Um diamante numa arca não brilha, mas se for estendido a outra mão irradiará luz e cor. Por isso, aos meus amigos e amigas que têm a felicidade de ter convosco alguém que ontem, hoje ou amanhã vos sussurrar ou disser "Amo-te" e demais tantas palavras bonitas de ternura, vista-se de felicidade, celebre, porque tem uma bênção que não pode desperdiçar porque é demasiado valiosa para isso.
Seja arrojada, inventiva, sensual, sinta-se mulher pois tem toda a beleza que o amor confere seja qual for a idade ou o peso. Ouvir dizer que nos amam faz magia, acreditamos que temos poderes de sedução que nos tornam felizes e tornam a outra ou o outro felizes, numa partilha de paixão ou de ternura. O fogo do amor pode ser intenso ou sereno, mas aquece sempre o coração e a autoestima de quem o vive.

Para quem não encontrou ainda o amor, não desespere. Ele anda por aí. Será que está suficientemente desperta ou desperto para o ver? Olhou bem para as pessoas que conhece? E que óculos colocou, aqueles que só vêm os defeitos e excluem logo à partida pessoas que podem ser espetaculares?  Dê a si própria(o) o benefício da dúvida, não tenha medo de arriscar ou de se magoar pois o Amor é bonito e valioso demais para que não mereça vencer o desafio da sua descoberta.
E, sobretudo, não esqueça, o amor alimenta-se. É uma planta que deve ser bem cuidada, tal como as ondas do mar não podem deixar de dar à costa mostrando a sua espuma rendilhada, também o amor precisa de se deixar ver ao outro, à outra, pois à imensidão do que vai no nosso coração ninguém tem acesso, como não tem à riqueza de corais que estão no mar profundo. Como dizia Saint-Exupéry "O essencial é invisível aos olhos" e por isso se ama alguém tem que lhe dizer e fazer sentir esse tesouro que guarda dentro de si e que só tem valor se partilhado com quem ama.
Caro(a) visitante virtual, desejo-lhe que neste dia de modo especial, mas também em qualquer dia no ano, diga a quem ama, essas palavras mágicas, sinta o calor das memórias de tanta gente que o(a) amou ao longo da sua vida, e siga o seu caminho sempre na mesma linha, com o Amor a seu lado, dando e recebendo Amor a pessoas e amando a beleza e harmonia da natureza de que fazemos parte, pois como dizia S. Francisco de Assis, o meu santo preferido, deliciemo-nos com a beleza da nossa irmã-lua, do nosso irmão-sol, do nosso irmão-lobo e de todos os elementos da natureza e do universo que connosco comungam e partilham o nosso quotidiano.
Um abraço com amor fraternal para os meus caros e caras visitantes virtuais das várias partes do mundo. E obrigada pela vossa visita ao meu blogue, sempre que me visitam deixam um pozinho de alegria no meu coração e têm sido as vossas já mais de 14000 visitas que me estimulam a continuar a escrever sobre esperança.
CC


13/01/2015

A esperança que resulta de uma sexualidade bem vivida


Caros visitantes virtuais,

A minha primeira mensagem deste ano é sobre uma sexualidade bem vivida pelo ser humano. E porquê? Porque a sexualidade é geradora de comunhão de amor e do maior e mais completo prazer que pode haver entre dois seres humanos e é geradora de vida.
A sexualidade é, também assim, fonte de esperança porque a esperança brota do amor, da felicidade, da comunhão, da plenitude e da vida.
A sexualidade é uma dimensão de todas e todos em todas as idades da vida. Para gerar genuíno prazer e felicidade esta deve ser à medida da idade e responsabilidade correspondente do ser humano, mas atravessa todas as idades. Nós, desde que gerados, somos seres sexuados. Tal marca vem já nos cromossomas da génese da nossa vida.
Daí decorre que, quando vemos a luz da vida somos já seres sexuados e a nossa sexualidade é, desde sempre, uma dimensão fundamental da nossa vida ao longo da mesma, nunca perdendo o seu valor e significado, mesmo com o avançar da idade. Assim, não posso deixar de lamentar um infeliz episódio ocorrido no ano anterior em que uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça Português, com a participação de uma mulher Juíza, reduziu o valor da indemnização relativo a uma mulher que, em consequência de uma cirurgia há 19 anos na Maternidade Alfredo da Costa,  ficou impedida de voltar a ter relações sexuais com normalidade por ter 50 anos e dois filhos, alegando que nessa idade a sexualidade da mulher já não tinha o mesmo valor e cito, lamentando a ignorância: "idade em que a sexualidade não tem a importância que assume em idades mais jovens, importância essa que vai diminuindo à medida que a idade avança". Felizmente que muitas vozes de instituições várias e da sociedade civil se levantaram oportunamente contra esta injusta e mal fundada decisão, demarcando-se assim deste ato isolado que, não crendo que tenha sido tomado de má-fé, apenas o entendo fundado no desconhecimento psicológico da mulher e numa distorcida e discriminatória visão da mulher que as várias sociedades do mundo contemporâneo vêm combatendo, mas de que ainda há muitos resquícios a remover. Quanto a esta matéria, entendo que a esperança decorre de todas e todos quantos elevaram vozes e palavras escritas contra esta situação ensinando assim as nossas e os nossos crianças e jovens que a sexualidade os acompanha sempre e nunca se desvaloriza, mesmo quando os níveis hormonais começam a baixar com a idade.
O ser humano tem uma riqueza interior enorme de que faz parte integrante a sua sexualidade e esta dimensão é essencial ser vivida de forma saudável para que o mesmo se sinta equilibrado, seja homem ou mulher e seja qual for a sua idade, raça, cultura, grupo social ou económico. Na minha perspetiva uma sexualidade saudável e gratificante é aquela que é vivida no contexto do amor responsável pelo seu próprio prazer e pelo do outro. Respeitados estes parâmetros a sexualidade é um vasto campo para a criatividade, imaginação, sedução e entrega mútua que quanto mais plena mais realiza o ser humano. É uma entrega ilimitada do que cada um tem de melhor àquele ou àquela que considera ser o ou a merecedor(a) do seu amor e da sua intimidade. Tal entrega pode produzir efeitos diversos seja no fogo da paixão que nos faz ver o fogo-de-artifício ou na plenitude da terna serenidade que nos cobre de bem-estar como uma corrente que nos percorre e sacia de vida, em todo o caso, deixa ambos os amantes ainda mais amorosos entre si e planta sempre uma semente de felicidade e de plenitude que nos faz brilhar os olhos e ver a vida a cores.
Caro(a) visitante virtual, vá ao encontro de quem ama e entregue-se a esse amor que o preenche. Ultrapasse barreiras e preconceitos, mergulhe na plenitude de um desejo que o(a) sacia e sacia quem o (a) ama. Se ainda não encontrou, empenhe-se em procurar quem o(a) merece, mas não esqueça: o(a) seu valor é único, por isso merece quem o(a) ame genuinamente e em exclusivo.

Votos de um ano feliz.

Um abraço virtual,

CC