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03/11/2017

SOPROS DE ESPERANÇA, BLOWS OF HOPE, SOUFFLES D'ÉSPOIR: Sabe ser assertivo? Quer ser assertivo? Ser assert...

SOPROS DE ESPERANÇA, BLOWS OF HOPE, SOUFFLES D'ÉSPOIR: Sabe ser assertivo? Quer ser assertivo? Ser assert...: Caro(a) visitante virtual, Escrevo hoje o meu post sobre um tema que achava que conhecia, mas que na realidade do qual pouco sabia ...

Sabe ser assertivo? Quer ser assertivo? Ser assertivo é uma fonte de esperança... Aposte em si



Caro(a) visitante virtual,

Escrevo hoje o meu post sobre um tema que achava que conhecia, mas que na realidade do qual pouco sabia e que gostei muito de descobrir em pormenor.
A autora deste livro, Olga Castanyer, apresenta a assertividade como forma de expressão de uma auto-estima saudável. Esta foi mais uma das leituras inspiradoras que tenho vindo a fazer na mais recente fase da minha vida em que tive que encontrar respostas para os desafios que em várias frentes a vida me foi colocando nos primeiros anos depois de cinco décadas a orientar-me por padrões de vida que tinha quase como irrefutáveis e que, supostamente, me trariam como resultado uma vida de harmonia social, familiar, estabilidade,  equilíbrio e realização pessoal. 
Na realidade não me posso queixar de durante mais de cinquenta anos me ter norteado por valores sólidos familiares, sociais e religiosos. Valores sobre os quais me auto-interroguei, como é natural, na minha adolescência e que saudavelmente me questionei por me terem sido transmitidos na minha educação familiar, tendo eu decidido assumi-los para mim já não apenas por mera transmissão direta, mas por consciente assimilação por me fazerem sentido. E, na realidade, foram muito positivos os resultados que fui obtendo nos meus primeiros cinquenta anos de vida, cujo corolário principal é o núcleo de fortes relações familiares, de sólidas amizades e de respeitabilidade social e profissional.
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Então porquê o sentido de vazio que tantes vezes sentia?









O que havia nesse vazio para o qual quantas mais eram as perguntas mais distante se encontrava a serenidade interior?


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Era como se quanto mais aprofundasse as minhas interrogações, mais me afundava numa reflexão circular que partia de mim para a mim voltar, sem no entanto encontrar qualquer resposta.
E por vezes as respostas mais simples são as que mais temos dificuldade em aceitar porque teimamos insistentemente em que tudo é complexo, o universo é complexo, o ser humano é complexo, as relações humanas são complexas.

No entanto, fugir de questionarmos a complexidade que nada mais é que a expressão da enorme riqueza que é o ser humano, é também evadirmo-nos da nossa própria essência, alhearmo-nos de nós próprios, ficarmos distantes do nosso próprio ser. E, qualquer um sabe que quanto mais longe estamos de nós e do que somos mais afastado e longínquo fica o nosso bem-estar e realização pessoal. Por isso aceitei ser corajosa, e enfrentar os meus desafios e dispus-me a tudo, menos a ficar longe dos meus próprios valores e da minha própria essência. E, assim, a pouco e pouco, em passos lentos mas consistentes reflecti muito, escutei muito, li muito e dediquei-me a aprofundar o que sabia de mim e o que ainda precisava de saber para me descobrir. Encetei uma viagem interior a solo, como nunca antes tinha feito. Com a segurança de ter a família nuclear e os amigos na retaguarda e dos lados a acompanhar-me no percurso que sabiam estar a fazer do meu auto-conhecimento.

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E foi nesse percurso que continua e onde me sinto confortável em continuar a caminhar que encontrei a Assertividade, que comecei a construir uma assertividade que assumi como minha referência. A assertividade de dizer Não àquilo e àquele(s) ou aquela(s) que me fizerem sentir desconfortável por serem desrespeitosos, prepotentes e desconsiderarem ou humilharem quem os rodeia, independentmente dos motivos porque o fazem.
A minha atitude anterior nestas circunstãncias da minha vida era procurar sempre ser compreensiva, entender o lado do outro e perdoar sempre. Hoje chego à conclusão que essa atitude era uma errada e não saudável interpretação dos valores religiosos da aceitação do outro na sua diferença e nas suas condicionantes próprias.
A minha atitude assertiva diz-me hoje com clareza que nenhuma atitude humana seja ela qual for e venha ela de quem vier, é aceitável se menoriza, inferioriza ou humilha outro ser humano. Não há tolerância nem compreensão para gestos que são em si nocivos para o outro.
Perdão é uma palavra que corresponde a um julgamento que não me compete fazer aos comportamentos daqueles com quem me cruzo no dia a dia. São eles próprios que devem julgar os comportamentos de que são autores, como eu julgo os meus próprios comportamentos e os avalio á luz dos meus valores e dos meus padrões sociais, morais, éticos e religiosos. cada um julgará ou não os seus como entender. Mas, em todo o caso, só vale a pena qualquer julgamento que contribua para um ser humano cada vez melhor e mais em harmonia consigo próprio e com os outros, qualquer outro tipo de julgamento ou é tóxico ou inútil.
Esquecer mágoas e desilusões é algo quase impossível de se pedir pois nós somos a nossa própria história e o nosso tempo. E, o tempo, o tempo de cada um, se encarrega de ir limpando o que não vale a pena que fique a amargurar-nos inutilmente o coração depois de termos aprendido o que temos a aprender com cada outra vida humana com quem nos cruzamos na aventura que percorremos em cada dia, desde o nosso nascimento.
No entanto, nas minhas mãos está ser assertivo. Está no momento próprio dizer "Não" ao que sabemos que não nos faz bem. E sabemos sempre. E sabemos com muita clareza. Mas a vontade de nada fazer com medo do que perdemos e de quem perdemos dá colorações ilusórias ao que já vimos que é escuridão no nosso percurso. Isso, e a ilusão de estarmos enganados, de não estarmos a ver bem, ou ainda a ilusão que irá mudar algo e por isso nada precisamos de fazer. Mas nada muda, nada muda enquanto não mudarmos nós... se não for de situação, pelo menos de atitude. E se de atitude não bastar, pois então, de situação. Os medos enfrentam-se e nunca são tão grandes nem tão arriscados comos nos parecem.
É sempre possível vencer obstáculos, se necessário com ajuda. Procurando sensatamente uma ajuda madura e esclarecida que nos ajude a avaliar riscos e potencialidades. O passo vale a pena quando o que vamos deixar para traz é o desconforto de não sermos reconhecidos e valorizados pelo que somos.
Porque todo o ser humano merece ser aceite pelo que é.
Porque todo o ser humano é uma pérola a descobrir.
E, sobretudo, depois de ser assertivo, não guardar rancor nem ressentimento, pois esses sentimentos envenenam os próprios seres humanos que os alimentam. Importa ser assertivo e seguir em frente, dando o privilégio da nossa companhia àqueles que entendemos que a valorizam e merecem pela sua autenticidade, genuinidade, lealdade, sensibilidade e disponibilidade para genuinamente celebrarem connosco os sucessos e elogios que recebemos ou nos reconfortarem nos nossos momentos menos risonhos da vida.
E é tão bom sabermos quem somos, o que queremos da vida e quem queremos na nossa vida nos seus vários planos... ou simplesmente que há planos onde podemos até deixar assim suspensos do que somos e sonhamos, porque a vida também é feita de sonhos e estes são saudáveis, as ilusões, não.
Boas leituras e muita esperança, caro(a) visitante virtual, que eu continuo com essa palavra forte no meu percurso mesmo quando a luz fica mais ténue.

C.C.

25/09/2017

Pregões de Esperança nas palavras e nos gestos



Caro(a) visitante virtual,

Tendo D. Manuel Martins, partido do nosso universo físico no passado domingo, depois de 90 anos de vida dedicados à Esperança e a suscitar esperança nos mais mais dela carenciados no plano espiritual, social e económico, não poderia deixar de lhe dedicar um post numa profunda gratidão por todo o conforto e alento, força e esperança que trouxe ao nosso país e, de forma muito em particular, às partes do nosso país mais carenciadas.
Nunca tive o privilégio de conhecer, nem sequer de ver alguma vez na minha vida D. Manuel Martins, mas este homem marcou profundamente a minha juventude com o contacto que tive com as suas palavras de esperança e de luta pelos mais necessitados, de luta pela liberdade e pela dignidade do ser humanos e das suas comunidades, pela igualdade de direitos políticos, económicos, sociais e culturais e pela promoção de valores tão nobres não apenas nas circunstâncias favoráveis, mas em circunstâncias em que não era politicamente correto defender estes valores, bem pelo contrário, em circunstâncias adversas. E fê-lo sempre com nobreza de caráter, verticalidade, frontalidade, eloquência, persistência, firmeza e muita coragem, tendo mesmo, por isso, não apenas sido apelidado de "Bispo Vermelho", numa expressão acusatória de insinuação a valores de esquerda, como se estes fossem de algum modo incompatíveis com os valores do Cristianismo que professou toda a sua vida e com que me identifico, uns e outros.
Foi justamente graças a pessoas de mente esclarecida, aberta, arejada e tolerante que continuei no meu percurso de fé, apesar de todas as poeiras e até às vezes lamas que têm coberto a imagem da Igreja Católica desde o seu surgimento até aos dias de hoje. É precisamente graças a vozes de esperança, coragem, liberdade, igualdade, tolerância e solidariedade universais que tantos por todo o mundo, como eu, continuam a acreditar que ainda hoje há quem genuinamente siga Jesus Cristo nas suas palavras e nos seus gestos corajosos pela dignidade do ser humano e da sociedade.
Esquecem-se ou querem esquecer-se aqueles que tanto o criticaram e até ostracizaram (porventura alguns dos que agora, após a sua morte o elogiarão. A vida tem destas ironias.), muitos deles dentro da Igreja, que o próprio Jesus Cristo era ele próprio um revolucionário, como, aliás, era próprio dos profetas. Mas, no caso concreto de Jesus Cristo, para além de revolucionário nas palavras este homem foi em tudo revolucionário nas palavras contra os poderosos e dominadores do seu tempo, revolucionário na aproximação e ternura para com os mais pobres, os mais doentes e os marginalizados; corajoso na determinação com que enfrentou reis, juízes, doutores da lei e todos quantos entendia que violavam os direitos humanos; e persistente na sua luta pela igualdade e dignidade do ser humano até ao limite de, conscientemente, colocar em risco a sua própria vida.


D. Manuel Martins, foi sem dúvida um bispo à altura deste património espiritual que eleva a dignidade do ser humano, contra ventos e marés, se estas se opuserem à liberdade e à dignidade humanas. É numa religião assim que acredito, é em homens com esta fibra, integridade, verticalidade, transparência, coerência e arejamento de ideias e valores que deposito a minha confiança e a minha esperança na construção de sociedades mais justas, mais equitativas e mais propiciadoras do pleno desenvolvimento de todos. Homens e mulheres sem poeira na alma, nas ideias ou no coração. Gente arrojada, sem se prender a deslumbramentos mundanos de poder; gente despojada e sem arrogâncias; gente que está pronta a chegar-se à frente em defesa dos indefesos mesmo que a maré esteja em recuo.
Diz quem o conheceu que, para além de um homem frontal e plural era ainda um homem divertido. Sem dúvida foi um homem que abanou instituições, mesmo a sua própria instituição de que foi ordenado padre em 1951 e bispo em 1975. Período quente em Portugal social e politicamente. Conheceu bem o seu povo nacional e as suas dores da ditadura e da afirmação de uma democracia. Em Setúbal, de que foi o primeiro bispo, durante os 23 anos do seu episcopado transformou as vidas de muita gente, tocou muitos corações e contagiou com a sua fé, as suas palavras e os seus atos não apenas a área do seu episcopado, mas todo o país e até o mundo. 
Foi um homem que teve uma participação cívica ativa e frontal nas sedes próprias no plano nacional e internacional. Foi um homem que ouviu e deu voz a muitas organizações não governamentais de promoção dos direitos humanos e da proteção do ambiente e do planeta, algumas das quais foi membro-fundador. Foi um homem que encorajou os portugueses para uma cidadania consciente e ativa, como um direito e um dever que lhes assiste.
Foi das primeiras vozes públicas a erguer-se, nomeadamente junto das Nações Unidas pela independência de Timor-Leste. 
Foi sempre uma voz bem audível contra toda a violência, nomeadamente política, social e económica de que tivesse público conhecimento.
E, apesar de conhecer profundamente o desespero do ser humano nas situações sociais e humanas mais adversas, foi também sempre um homem de alento e de esperança, reconfortador e retemperador de estados de alma e não apenas do corpo, ambos igualmente necessários ao bem-estar integral do ser humano.

As suas homilias, várias delas reunidas na obra "Cantar a vida!" refletem o seu "modo de estar", que também publicou. Um modo de estar na Fé, na Igreja, na Sociedade, no País e no Mundo.
Este homem, nascido em 1927 em Matosinhos, ficará para sempre na minha memória e na memória de milhões de Portugueses e de cidadãos do mundo como um homem de esperança e será sempre com um sorriso de gratidão que o lembrarei, reconhecida por me ter tocado desde a minha juventude com a sabedoria, força e esperança das suas palavras.
Para homens assim e mulheres assim... Com homens e mulheres assim... não há fronteiras, não há limites, há valores intemporais pelos quais vale a pena lutar para nos construirmos a nós próprios interiormente e nos nossos gestos de aproximação ao outro, mesmo àquele que é diferente de mim e, precisamente por o ser, eu não conheço tão bem e posso até recear indevidamente. 
São pessoas assim que constroem a Fé universal em Deus, num Poder Superior, sem condições de aceitação do ser humano, sempre com limitações, mas também com um apelo interior à perfeição, à serenidade, à beleza, à infinitude e à eternidade.
D. Manuel Martins será sempre um homem intemporal que deixou esperança semeada por onde passou ou onde a sua voz chegou e continua a chegar com todo o precioso legado de mensagens que nos deixou.

Uma boa viagem pelo conhecimento desta fonte de esperança, caro(a) visitante virtual.
Um abraço virtual

C.C.

30/08/2017

O sentido da vida é muito simples, é o Amor. A Esperança encontra-se facilmente, no Amor.


 
(Foto de Bruno Lai no surf, Cabo Verde, Agosto de 2017)
 
Caro(a) visitante virtual,
 
O meu post de hoje é inteiramente dedicado a um leitor deste blogue "Sopros de Esperança" desde o seu primeiro post quando o criei em 2011, mas sobretudo a um grande e muito querido amigo Bruno Lee Lai. É a ele que dedico este post sobre o sentido da vida e a fonte da esperança, ambos com a mesma resposta: o Amor.
 
Nesta foto recente do Bruno ele estava num contexto paradisíaco em Cabo Verde, com a mulher e a filha, os grandes amores da vida dele, para além do seu irmão-gémeo e família que adora, a fazer surf, a sua grande paixão, quando teve uma paragem cardiorrespiratória que o deixou em coma profundo. Foi evacuado para Tenerife onde teve que aguardar condição de saúde que na sua fronteira entre a vida e a morte permitisse que viesse num avião-ambulância para Portugal, ainda inconsciente, mas já sem risco cardíaco na deslocação. Foi a força do Amor que deu à Carla toda a coragem, determinação e esperança para ajudar como dito nas palavras dela no facebook  "o grande amor da minha vida" para o manter agarrado à vida. Agora o Bruno vai estando intermitentemente entre consciência e ausência, cada vez mais consciente e reativo a todos os muitos que gostam muito dele e, visitando-o, lhe transmitem a força das suas emoções e energias positivas, bem como fé quando a têm.
 
Muito tenho pensado sobre o sentido da vida por circunstâncias recentes da minha vida que, não sendo as que desejaria nem fáceis, nada têm de comparável a esta situação extrema que o meu querido amigo Bruno e sua família estão a viver. E, nas muitas reflexões que fiz sobre o assunto, apoiada em muitas leituras estimulantes de que falarei mais oportunamente, baseada ainda numas extraordinárias férias de encontro comigo própria e com os outros, como não tinha há muito tempo e que merecem também que lhes dedique um post bem como à minha amiga que mas proporcionou, cheguei à resposta simples que também esta situação-limite do Bruno veio confirmar. O sentido da vida é o Amor.
 
 
Li recentemente um livro muito interessante de Jorge Bucay e Sílvia Salinas, "Viver sem ti" que fala de um divórcio, da superação da perda de uma vida de casal e da procura de amor autêntico. Senti-me muito identificada porque também eu vivi por dentro a desilusão e a dolorosa decisão de se pôr termo a um casamento, e projeto de família, precisamente no ano em que completaria 25 anos de casamento e numa fase da vida, depois dos cinquenta anos, em que sentimos tudo menos que a vida está aberta a desenrolar-se em oportunidades de realização pessoal. E aprendi muito com este livro, muito sobre o Amor, sobre mim, sobre os outros e sobre a vida. Concordo inteiramente com a perspetiva dos autores que colocam no centro da obra o Amor e a existência ou ausência dele bem como a enorme pertinência do Amor nas nossas vidas. A começar pelo amor por nós próprios, sem o qual nunca conseguiremos ser bem sucedidos em amar seja quem for nem construir relações saudáveis, as únicas que nos proporcionam bem-estar e felicidade e aos outros.
 
É justamente o Amor o sentido da vida e também a fonte da esperança. Não apenas para mim, mas, na minha modesta perspetiva, para qualquer ser humano. Foi sempre o Amor ao longo da minha vida que me ancorou nos momentos difíceis que todos temos, uns mais violentos que outros, mas também que deu sentido às minhas alegrias, pequenas ou grandes.
 
Para começar, claramente o Amor dos meus pais e da minha irmã, e esse Amor destas três pessoas fundamentais na minha vida prevalece constante e forte em todos os momentos da minha vida, mesmo por parte da minha mãe há mais de duas décadas presente apenas nas minhas memórias, nas da família e espiritualmente. Depois o Amor de outras pessoas que foram surgindo na minha vida, em relações românticas, conjugal ou de amizade. Os meus dois filhos nasceram, e desde o nascimento de cada um, juntaram-se ao pilar inabalável da minha família nuclear que será sempre o meu porto de abrigo e o meu porto de alegria e de esperança. O meu Amor por essas pessoas é incondicional e sei que o Amor delas por mim é também incondicional, e este é o sentido da vida e a esperança que tenho. Qualquer que seja o ser humano, se for amado incondicionalmente, nem que seja só por outro ser humano, compreenderá, se o quiser ver, que é esse o sentido da sua vida, é essa a fonte da sua esperança. Eu acredito ainda no sentido da vida e na esperança que resultam do Amor de um Poder Superior a que aprendi a chamar Deus, mas ainda que não acreditasse e não tivesse Fé, é tão grande a força do Amor de quem me ama e que eu amo que só por eles tudo vale a pena.
 
Fazem ainda parte desta dimensão de Amor que dá sentido à minha vida e, creio que à vida de quem quiser estar aberto para assim sentir, as pessoas com quem já me cruzei e com quem me vou cruzando ou  me virei a cruzar na minha vida. Acredito firmemente que nenhuma das pessoas com quem nos cruzamos nas nossas vidas, seja em que plano for (familiar, afetivo, profissional, social, cultural, desportivo ou lúdico), surge por acaso nas nossas vidas, com cada um e em cada momento temos algo que aprender. E, se a mesma pessoa surge mais do que uma vez na nossa vida em momentos diferentes, acredito que é porque não tínhamos ainda percebido, ou não quisemos perceber, o que tínhamos a aprender com ela e ela voltará a aparecer nas nossas vidas em diferentes momentos até que compreendamos o que temos a aprender com ela ou permanecerá na nossa vida se for alguém com quem vamos dia a dia tendo algo a aprender. Não falo em aprendizagens sociais ou culturais, falo em aprendizagens do ser, aprendizagem de sermos mais nós próprios, mais autênticos, mais aceites por nós próprios, mais conscientes dos nossos medos e limitações e mais decididos a superá-los progressivamente ou a aceitá-los se são limitações que não conseguimos vencer. Assim, consequentemente, seremos mais felizes e faremos os outros mais felizes. Nenhum ser humano é feliz sozinho. O ser humano é um ser social por natureza e o universo está cheio de seres humanos maravilhosos com quem nos relacionarmos, de forma saudável e agradável, estimulando o crescimento recíproco uns dos outros, apoiando-nos nas quedas e frustrações e alegrando-se connosco nas alegrias e sucessos, ajudando-nos a compreender os nossos medos e ansiedades e a superá-los. A história nacional e universal está cheia de homens e mulheres carismáticos que viveram as suas vidas inspirando-nos no seu amor solidário aos outros, mesmo que aos outros seus desconhecidos, desde figuras religiosas e espirituais como Buda, Jesus Cristo, Maomé, S. Francisco, Madre Teresa de Calcutá, Papa Francisco, Dalai Lama (entre muitos outros líderes religiosos de mensagens de apelo à paz, ao respeito dos direitos humanos e a uma irmandade universal) a figuras políticas como Gandhi e Martin Luther King, a figuras da vida cívica, cultural e social de todos os tempos, épocas e lugares dos cinco continentes.
 
Claro que nesta dimensão de Amor global como o concebo e no qual considero que reside o sentido da vida e a esperança do ser humano, seremos tanto mais felizes quanto mais amarmos e mais nos sentirmos amados. Claro também, que mais magoaremos e mais seremos magoados por quem amamos, pois uma desilusão que provoquemos ou que sintamos causa sofrimento muito superior se vier de quem mais amamos porque essa pessoa é muito mais importante para nós e perdê-la ou o medo de a perder é superior. Mas magoar ou desiludir alguém é uma dimensão inevitável decorrente das humanas limitações que todos temos, baseadas sobretudo nas nossas experiências passadas da infância e não só, nos nossos medos enraizados, nas nossas ansiedades quando desmedidas e nas nossas expetativas infundadas.

Acredito firmemente que quanto mais formos capazes de trabalhar essas limitações, de nos consciencializarmos delas e de trabalhar para mudar o que entendermos que precisamos de mudar em nós mesmos e nos aceitarmos com o que não conseguimos mudar, pelo menos no momento em que estamos, mais livres nos sentimos, mais autênticos nos sentimos, mais disponíveis ficamos para nos aceitar e para aceitar os outros como são, mais disponíveis estamos para amar e para ser amados e, consequentemente, mais felizes seremos e mais faremos felizes os que nos  riodeiam e com quem interagimos em todos os planos das nossas vidas a título permanente ou meramente ocasional.

Com o trabalho de reflexão, leitura e meditação que tenho feito no último ano da minha vida sinto-me feliz, realizada e grata com o que sou, com o Amor que dou e que recebo em cada dia. Já não sinto vazios existenciais que me angustiavam e deprimiam, já não sinto que falta algo na minha vida que nem sabia o que era. Agora sei. Falava eu própria encontra-me, aceitar-me e amar-me porque Amar um poder superior e amar os outros eu aprendi muito cedo com os meus pais e por isso estou-lhes infinitamente grata, faltava-me a outra parte. Mas, tenho consciência que esta aprendizagem não acaba aqui. Considero que a aprendizagem do amor é uma aprendizagem constante e diária ao longo das nossas vidas e que, quanto mais estivermos abertos a ela mais realizados e felizes nos sentiremos e mais amor, alegria e esperança deixaremos como rasto no nosso caminho da vida.
 
(Foto de Bruno Lai, Cabo Verde, Agosto de 2017)
 
E, é neste meu percurso de vida, aprendendo em cada dia a caminhar ao lado dos outros e não à frente nem atrás, que recebi os fabulosos abraços do meu querido amigo Bruno. Dados numa cama de hospital, entre estados de inconsciência e de consciência, como o vi no domingo passado. Sem me conhecer a princípio, parecendo reconhecer o meu nome quando o proferi e, depois, numa explosão de abraços e risos sem som mas os olhos, os lábios e a cara toda iluminada quando, algum tempo depois de ouvir a minha voz e a sonoridade e cadência com que me identificou, me reconheceu. Foi enorme a alegria de ambos naquele inesperado encontro. Tocámo-nos muito em abraços, afagos de mãos e, da minha parte, carícias na face e nos cabelos dele, nunca o tínhamos feito porque nunca tinha sido necessário para mutuamente comunicarmos a forte amizade que nos unia. Não tenho palavras para descrever a emoção dessa comunicação intensa de afeto genuíno, puro e forte que muito nos une. Eu sabia bem o quanto ele era uma pessoa de quem eu gostava muito, sabia bem que era um amigo muito querido para mim e ele também sabia porque ao longo dos nossos anos de amizade essa amizade sempre foi muito saudável nos afetos, sem competições, orgulhos, invejas, ambições ou rivalidades a envenena-la por mais complexos e até agressivos que tenham sido os percursos profissionais que partilhámos como colegas. Nem da parte do Bruno nem da minha houve momento algum, fosse de tensão ou de descontração, de satisfação ou de frustração, em que deixássemos de nos respeitar em que deixássemos de nos valorizar mutuamente em que transferíssemos para o outro ciúmes, raivas ou desconfianças.
 
Considero que quando as relações são saudáveis as pessoas desenvolvem entre si afetos profundos em que cada um se sente confortável e seguro para ir partilhando com o outro aquilo que é. Assim, os abraços do Bruno para mim têm um valor imenso, intenso e profundo porque me foram dados por ele apenas por ele ser quem é e eu ser quem sou e ambos sermos verdadeiramente amigos. Também estou, como desde cedo  estive, convicta de que estas nossas expressões de afeto só tiveram o valor que têm porque ao longo da nossa amizade ambos transmitimos um ao outro, e ambos entendemos bem o quanto somos importantes e valorizados pelo outro. Não precisei deste momento nem o Bruno para saber o valor dele, a importância dele para mim e o quanto gosto dele. Nem ele precisou disso em relação a mim. E, justamente porque essa era uma comunicação já existente e bem compreendida por ambas as partes esteve presente nesses abraços. Cada um daqueles abraços que trocámos transportava a história dos nossos afetos e ambos nos reconhecemos nessa história e em conjunto, naquele momento tão especial para ambos, nos alegrámos com ela, uma vez mais, como em tantos dos nossos almoços e cafés partilhados, entre risos e por vezes lágrimas, entre êxitos e por vezes fracassos, entre alegria e por vezes tristeza, mas sempre, sempre sem exceção em nenhum momento, mérito dos dois, porque numa relação o mérito é igualmente partilhado, sempre com autenticidade, grande admiração, grande reconhecimento e, por tudo isso, grande afeto pelo outro e interesse na sua felicidade e alegria em todos os planos da vida.

Ao longo da minha amizade  com o Bruno ele tem-me transmitido os seus afetos pelas pessoas que lhe são mais queridas, a mulher, a filha, os pais, os irmãos e a paixão do surf e esses afetos dele, como os meus que partilhei com ele, passaram a fazer com que também essas pessoas passassem a fazer parte do património afetivo de ambos e, por isso, mesmo antes de os conhecer, eles já eram meus conhecidos e já me diziam muito.
 
O Bruno, como referi no início deste post, é leitor deste blogue "Sopros de Esperança" desde o seu primeiro post quando foi criado em 2011. E um leitor regular que comenta sempre cada um dos meus posts em mensagem privada para mim de uma forma giríssima, destacando sempre em cada post a frase que lhe diz mais. Muitas vezes achei que essa frase era uma frase banal que nada tinha de especial, simplesmente tinha-me "saído" enquanto escrevia. Era ele que a tornava especial com o valor que tinha decidido conferir-lhe.
 
Este blogue tem já mais de 56.000 visitas das várias partes do mundo e eu, neste momento, e em sinal da minha profunda amizade e gratidão ao meu muito querido amigo Bruno, dedico-lhe essas mais de 56.000 visitas vindas de visitantes virtuais portugueses e estrangeiros porque sem o seu encorajamento contínuo e o de outros amigos e visitantes virtuais eu não teria persistido neste projeto de escrever palavras de esperança que pudessem chegar a cada um de vós e também a mim própria.
 
O Bruno não lerá hoje este post diretamente no blogue, mas irei ler-lho eu, seja qual o nível de consciência em que o for encontrar hoje e com a força de tanto Amor da mulher, da filha, do irmão-gémeo, dos irmãos, cunhados, sobrinhos, amigos do surf, amigos e colegas de trabalho e, também e sobretudo, acredito, o Amor de Deus, o Bruno continuará a estar connosco e a recuperar tudo o que é de expressão do maravilhoso ser humano que é e sempre será e com quem tive o imenso privilégio de um dia, há vários anos, me cruzar na vida.
 
Caro visitante virtual, espero que este post lhe tenha dito algo sobre o sentido da vida, a esperança e as relações saudáveis que têm sempre por base o Amor no sentido global do termo. Eu aprendi que já só quero relações dessas na minha vida, seja em que plano for. E aprendi também que todas as relações são a dois porque mesmo entre família, amigas ou colegas a relação que se estabelece entre cada um de nós e o outro é única e a responsabilidade de que seja uma relação saudável e feliz é claro como água, é de metade para cada um, nem mais, nem menos (obviamente excluindo as situações de relações de opressão de um ser humano sobre o outro, violadoras dos direitos humanos em que um é vítima do outro e deve procurar ajuda das entidades competentes para ser ajudado a sair dessa relação). Eu assumo a minha responsabilidade pelos 50% de todas as relações que tive na minha vida e quero aprender em cada dia a continuar a estar consciente dessa responsabilidade, assumi-la e usá-la da forma que me fizer mais feliz e àqueles com quem a partilho, se quiserem, claro está.

Porque somos livres e adultos e devemos querer a partilhar das nossas vidas simplesmente quem nos faz sentir estimados e valorizados, quem aceita o nosso afeto como algo autêntico, único e precioso, porque o é verdadeiramente. É assim que reconheço quem quero em cada dia que partilhe a minha vida, esteja em minha casa, na vizinhança, no trabalho, no meu país ou no estrangeiro, perto ou longe, porque os afetos que são fortes permanecerão fortes se cultivados e sempre atuais, mesmo que a presença física nem sempre seja possível.
 
Boas viagens interiores e relacionais, caro visitante virtual, e dê aquele abraço com alma a quem entender que o merece porque reconhece o seu afeto e o valoriza e nutre por si afeto e lho comunica numa linguagem que ambos possam entender. Verá que nem que seja só uma pessoa a estar consigo nessa relação plena, a sua vida estará preenchida, com genuinidade, plenitude e esperança.
 
Até ao meu próximo post.
 
C.C.
 
 

03/08/2017

O poder das palavras e da ação como fonte de nova vida e de esperança


Caro(a) visitante virtual,

Escrevo-vos hoje sobre um livro de que terminei hoje a leitura e que considero muito positivo e útil para o meu autoconhecimento e para conduzir a minha vida nos seus vários planos com a dimensão de plenitude que considero que dá sentido à minha existência, na minha perspetiva, à do ser humano como ser vivo por excelência dotado de inteligência, criatividade, sensibilidade e capacidade de produzir valores éticos, religiosos, culturais, sociais e individuais.
Dos muitos livros que tenho lido desta natureza, uma vez que é um tema que me apaixona, o do autoconhecimento e do conhecimento do ser humano na sua individualidade e como ser social, recomendo "O poder da ação" do Professor Paulo Vieira, criados do método CIS (Coaching Integral Sistémico), presidente e chanceler da Florida Christian University nos Estados Unidos. 
Este professor para além de um reputado investigador e académico esteve desempregado, quase na falência, a braços com um divórcio e tudo parecia dar resultados errados na sua vida. Chegou à conclusão que assim era e dedicou-se a fundo a ver o que estava a fazer que conduzia a sua vida para resultados que não queria e o faziam infeliz. 
Muito pesquisou, muita gente ouviu e produziu um método de mudança da sua própria vida que resultou numa alteração profunda dos seus esquemas mentais, emocionais e de ação que lhe permitiram construir a vida com que sonhou nos vários planos. Atualmente continua a investigar, leccionar a fazer coaching, a escrever e realizar palestras sobre o assunto tendo modificado muitas vidas de gente desesperada ou simplesmente acomodada que o tem procurado ou lido.
Muito do que diz me faz sentido, sobretudo as perguntas que ensina a colocar sobre nós próprios nos vários planos da nossa vida. Como ele bem diz, se colocamos as perguntas erradas, não podemos ter as respostas de que precisamos. Então, porque não aprender com um método já investigado e testado com bons resultados? Foi o desafio que aceitei a partir da leitura deste livro. Resultados, como é lógico ainda não puderam aparecer se o acabei de ler só hoje, mas certo é que a leitura me fez muito sentido e me conheci melhor a mim própria, ao que quero e também ao que não quero, ao que estou disposta a dar aos outros (que eu já sabia), mas também o que não estou disposta a aceitar dos outros, sobretudo se for reiterado ( o que eu desconhecia de mim, entre várias outras descobertas interessantes, edificantes e motivadoras).
Sempre soube de mim que muito valorizava e valorizo os afetos dados e recebidos, os grandes e os pequenos afetos, as manifestações de amor, de amizade, de respeito e de consideração. E, descobri que não há nada de errado com isso, bem pelo contrário, é exatamente esse o registo das relações sociais saudáveis, sejam elas românticas, familiares, de amizade ou profissionais. Em qualquer dos planos, pode nem sempre haver aplauso ou nem sempre haver reconhecimento explícito, mas também em qualquer dos planos não deve haver palavras nem atos violentos, agressivos, ultrajantes, humilhantes ou reiteradamente indiferentes. Quando estes últimos sucedem, para além de magoar o outro, colidem com o sentimento de pertença e de conforto interior e social de que todo o ser humano necessita. 
Cada um de nós sabe exatamente quando age assim para com os outros e quando os outros, quem quando se se é reiterado, reagem assim connosco. Em qualquer destes dos processos, num em que somos agentes e no outro em que somos destinatários, o que importa não é nem procurar culpabilizações próprias ou de terceiros nem vitimizações ou auovitimizações. Há simplesmente que agir, como nos diz Paulo Videira neste precioso livro, todos temos o poder da ação, resta-nos decidir se estamos dispostos a empreendê-la. 
Se o seu comportamento, caro leitor virtual é agressivo em geral ou agressivo apenas em alguns planos ou com algumas pessoas será útil que se pergunte porquê e que depois dê os passos necessários. Não tenho dúvida que se tornará numa pessoa melhor, mais bem aceite por si próprio e pelos outros e mais feliz pois a essência do ser humano é gregária e, na minha perspetiva respeitando quem tem perspetivas diferentes, é também um ser por natureza espiritual, podendo ter ou não religião assumida ou mesmo assumindo-se ateu.
Se o seu comportamento, caro leitor virtual é indiferente ou inexpressivo nas suas emoções em geral, apenas em alguns planos ou com algumas pessoas será também útil que se pergunte porquê e que depois dê os passos necessários, também neste caso não tenho dúvida que se tornará numa pessoa melhor, mais bem aceite por si próprio e pelos outros e mais feliz pois a essência do ser humano é também o amor e o afeto e a dimensão emocional do ser humano é poderosa para curar dores, tristezas e tanta coisa pela qual a medicina por mais avançada que esteja ou venha a estar não conseguirá, na minha perspetiva, alcançar pois tem a ver com algo irrepetível e único que é cada um de nós, e aí só o amor chega, a amizade e dedicação genuínas chegam.
Se o seu comportamento, caro leitor virtual é passivo em geral, apenas em alguns planos ou com algumas pessoas,  se é (na generalidade ou nalguns planos ou por algumas pessoas) agredido física ou verbalmente, domesticamente vitimizado, sexualmente abusado, desprezado, humilhado, reiteradamente rebaixado ou desvalorizado ou mesmo se é pura e simplesmente sistematicamente ignorado, também nestes casos não tenho dúvida que será muito útil que se pergunte porquê e que depois dê os passos necessários. Nestes casos, creio que será muito útil recorrer a ajuda para o (a) ajudar a libertar-se destas situações (Basta uma delas) indignificantes, martirizadoras e destruidoras. Acredite, caro (a) visitante virtual, por mais que diga o contrário a si próprio (própria) ninguém merece ser tratado desse modo. Todo o ser humano merece, independentemente da sua idade, género, raça, etnia, nacionalidade, religião, cultura ou condição económica ou social ser tratado com respeito, dignidade e apreço. Sim, apreço. Sejamos quem formos, todos temos algo de bom e algo de mau. Cabe a cada um de nós o seu processo de se automelhorar e de se libertar de condições indignificantes. A internet está felizmente hoje muito disponível com linhas de email e telefónicas para apoio a todo o tipo de vítimas. Se não souber procurar basta ligar para autoridades policiais ou para a APAV (Associação de Apoio à Vítima), encontrará facilmente os contactos na internet, eu não os coloco aqui porque dependem do país ou região em que está a ler este post e o anonimato e confidencialidade do seu contacto é totalmente garantido. Do outro lodo haverá uma voz verdadeiramente disponível para ajudar e encaminhar para outras ajudas mais especializadas, se for o caso. Mesmo sem custos económicos para quem não pode pagar. São atos nobres de voluntariado que muitas vidas têm ajudado. Nada há de vergonhoso ou humilhante em pedir ajuda. Fará mal a si próprio e muito provavelmente a filhos ou dependentes seus se permanecer sozinho em situações humilhantes e que ferem a nossa autoestima constantemente ou mesmo que violentam e abusam da pessoa humana, seja ela você ou não. Se hoje é você, como sucede com frequência isso pode também já suceder ou vir a suceder aos seus filhos, pelo mesmo agressor ou outro qualquer porque estão a assimilar um modelo comportamental de agressor-vítima. Seja corajoso (corajosa) se precisar de pedir ajuda, faça-o, com a ação, um simples passo como este pode mudar a sua vida e quem sabe, também a dos seus filhos? Basta estender a mão para um telefone escrever um email ou falar com alguém da sua confiança que apoie neste pedido de ajuda.
Em qualquer dos casos, caro(a) visitante virtual, como nos diz o autor deste livro "Faça a sua vida ideal sair do papel". A mim deu-me esperança esta revigorante forma de ver a vida. Gosto de ser atora e encenadora da minha própria vida e gosto de saber como melhor viver e aprender com os outros atores que lá coloco bem como com aqueles que os meus percursos de vida vão colocando. Todos fazem sentido, todos me enriquecem porque com eles tenho sempre algo a aprender sobre eles, sobre o ser humano, sobre a vida, e, sobretudo, sobre mim própria.

Um abraço virtual,

C.C.


24/07/2017

O poder da esperança que reside no Amor




Caro(a) visitante virtual,

Escrevo hoje sobre o Amor inspirada por dois livros que li recentemente e sobre reflexões que gosto de fazer sobre o ser humano e as suas emoções porque creio firmemente que esse é o domínio mais rico e menos conhecido do conhecimento científico e mesmo filosófico e, portanto aquele onde mais temos ainda para descobrir e para aprender, para benefício da nossa própria felicidade e dos que nos rodeiam.
Sou ainda uma declarada entusiasta dos chamados livros de "autoajuda", que inspiram e nos leva a ter uma atuação consciente e determinada orientada por objetivos que nos propomos alcançar sejam eles de reestruturação da nossa personalidade, da forma de estar na vida, nas relações profissionais, nas relações familiares e nas relações amorosas. Entendo o autoconhecimento como um importante instrumento de mudança do ser humano para vencer os defeitos de caráter que todos temos e que constituem um obstáculo a pontes e laços sólidos e consistentes com os outros.
No livro "Psicologia do Amor" que li recentemente, o Professor Irvin Yalom, reputado psiquiatra, escreveu com autorização dos seus pacientes, de forma profunda e que muito interpela sobre o quanto estarmos perturbados emocionalmente nos faz ver o mundo e os outros de forma deformada pelos nossos medos, ansiedades e angústias, causando assim sofrimento aos próprios e aos que os rodeiam, ou simplesmente condenando-os à solidão por incapacidade de adaptação às funcionalidades sociais básicas do ser humano.
 
 
Há um provérbio popular que diz que "De poeta e de louco, todos temos um pouco". E, parafraseando, acho que todos temos um pouco quer do melhor do ser humano, a sua generosidade, quer do pior, o seu egoísmo. Por isso, as realidades de que nos fala o autor não são assim tão distantes de cada um de nós, basta termos a humildade de reconhecer que, certamente, em idênticas circunstâncias de vida dos protagonistas do livro muito possivelmente as nossas visões do mundo, de nós próprios e dos outros seriam porventura também distorcidas e os nossos percursos sociais, profissionais, familiares e amorosos ressentir-se-iam com isso. Mas tal como os protagonistas reais deste livro aceitaram pedir ajuda para reencontrar o seu equilíbrio e retomar o domínio das suas vidas, qualquer de nós seja em que circunstância de vida se encontre o pode fazer. E, uma coisa é garantida, vontade de fazer algo de bom por nós próprios, faz-nos sentir bem, e traz consigo a satisfação de ter tentado, ainda que os resultados possam vir a ser diferentes do esperado. Bem diferente esta atitude da de ficar passivamente a ver a vida acontecer como meros espetadores da nossa própria vida.
 
 
 
Outro livro que muito gostei de ler e me fez refletir muito foi "Ensaios de amor" de Alain de Botton". Para mim, que sou mulher, teve em acréscimo a mais-valia muito interessante de ler sobre o amor, os seus receios, perceções e emoções na perspetiva de um homem. A ficção que o autor constrói é extraordinariamente interessante na profundidade de análise dos sentimentos do homem e da mulher envolvidos numa relação amorosa, no como e porquê de se apaixonarem um pelo outro, na forma como cada um convive com as outras dimensões da vida do outro (sejam elas o presente ou o passado), a forma como perspetivam a sua relação no futuro e a forma como o futuro de facto acontece. É magistral a forma como escreve sobre as situações mais triviais, os pequenos dramas domésticos transformados em grandes catástrofes meramente pelas emoções envolvidas, bem como os mais simples gestos convertidos em grandiosidade pela mesma razão, o amor e/ou o medo de o perder.
 
É certo que não há fórmulas matemáticas para o Amor nem para uma relação amorosa feliz e bem-sucedida. Se as houvesse seriam porventura o bem mais procurado por todas as gerações da Humanidade pois ninguém é feliz sozinho, somos felizes em relação uns com os outros, não necessariamente numa relação amorosa, mas sempre numa relação familiar ou de amizade.
 
Tenho refletido muito sobre o Amor, porque nos apaixonamos por uma pessoa, como alimentamos ou não o Amor, sobre o papel do Amor nas nossas vidas. Na minha sempre foi central, foi sempre no Amor que encontrei a razão de ser da existência humana e a fonte das alegrias e momentos de felicidade que fui tendo ao longo da vida. Foi também sempre no amor que encontrei Força e Esperança no meu caminho, como qualquer outro, com altos e baixos, umas vezes mais plano, outras com declives, umas vezes verdejante e florido outras árido. E, foi justamente por nunca ter estado sozinha nesse caminho, que sempre tive alento para o continuar a percorrer. Foi precisamente por nesse caminho ter tido sempre quem me amasse: a minha família e os meus amigos.
 


 
Na minha perspetiva o Amor existe quando somos importantes para alguém e esse alguém é importante para nós. E é dessa sintonia sentida que nos vem a Força, a Esperança e o Bem-estar interior. Termos alguém, família e/ou amigos, para quem verdadeiramente sentimos que somos importantes é algo de muito forte e valioso. É sentirmos que na relação com essa(s) pessoa(s) cada uma das pessoas envolvidas se conhece bem, cada vez melhor à medida que o tempo passa, e quanto mais partilham juntos(a) a experiência de vida, mais sentem que a sua relação se fortalece, mais sentem a importância do outro(a) na sua vida.
No Amor não há lugar para o egoísmo, para o orgulho, para a indiferença nem para o comodismo, porque o Amor é em si mesmo a entrega ao outro, àquele a quem se ama, seja qual for a sua condição económica, social ou de saúde física ou psíquica.
O Amor, na minha perspetiva tem ainda outra dimensão, eleva-nos, faz-nos crescer interiormente, faz-nos ser melhores, puxa de nós o que melhor temos e estimula-nos e encoraja-nos a aplainar e limar as arestas de caráter que todos temos e que provocam danos individuais e sociais. Só quem nos ama se importa e tem a coragem de nos dizer o que deve ser dito, por muito que isso nos deixe desconfortáveis, a quem ouve mas também a quem diz. Como, também, só quem nos ama se importa em nos fazer sentir o quanto somos importantes  para si.
E, é muito clara a linguagem do Amor. Eu sei exatamente quem são as pessoas que me amam e as pessoas que amo e o(a) caro(a) leitor(a) também sabe. Se tem dúvidas, pense em quem o faz sentir bem, em quem acredita em si, em quem o acarinha esteja são ou doente, em quem se preocupa se está triste ou alegre, em quem lhe faz sentir que a sua presença na vida dessa pessoa é muito importante e que se faltasse à vida dessa pessoa deixaria um vazio só preenchido pela memória saudosa de si. É com essa(s) pessoa(s) que, na minha modesta perspetiva, tem uma relação de amor, seja ela na família, no seu círculo de amizade, de fé ou numa causa.
 
 
 
Não creio que haja nenhuma forma de Amor superior ou inferior, seja em qual destas dimensões se vivencie, podendo até ser vivenciado em várias. Em qualquer dos casos considero sempre o Amor uma riqueza, uma força e uma esperança valorizadoras do ser humano e da sua existência individual e social.
No que me diz respeito, estou em cada dia grata pelo Amor que encontro e pelo que dou, pois sei que é aí que reside a minha essência, razão de existir e fonte da felicidade que me é possível alcançar nesta minha dimensão humana limitada. A ilimitada dimensão que eventualmente virei a integrar, na qual acredito por ter Fé, deixa-me tranquila, crente que nessa dimensão espiritual e intemporal não mais precisarei de sentir manifestações de amor que me aconcheguem a existência e lhe tragam brilho e calor. Mas, enquanto estou por cá, como humana que sou, não só me fazem falta como me sabem muito bem essas manifestações de Amor, quer dá-las quer recebê-las, porque como bem diz Antoine de Saint-Exupéry:
 
 
E, com estas palavras de Amor, o(a) deixo, caro(a) visitante virtual. Até à sua próxima visita e, faço questão de o dizer, a sua visita é única para mim porque cada visitante faz deste blogue aquilo que ele é hoje pois sem cada visitante que compõe as visitas a este blogue eu não o manteria desde que em 2011 o criei para deixar o meu modesto contributo para a esperança neste espaço virtual que graças a si, caro visitante virtual conta já com mais de 53.000 visitas um pouco por todo o mundo. Juntos transmitimos pedaços de esperança que vamos experienciando nas nossas vidas e temos esperança de com eles aquecer um pouco dias menos alentados que todos temos em algum momento das nossas vidas.
 
Um abraço virtual,
 
C.C.
 

12/07/2017

Férias... Uma esperança sempre renovada pelas energias retemperadas




Caro(a) visitante virtual,
 
Possivelmente encontra-se perto de iniciar as suas férias anuais, ou tê-las-á já iniciado, mas parou já um pouco para pensar o enorme privilégio que tem por se encontrar nessa situação?
Quando penso em férias e sinto o imediato alívio da pressão dos horários quotidianos, das movimentações constantes em transportes sobrecarregados e em rotinas instaladas mais ou menos desgastantes. E não necessariamente que não goste do que faço. Considero um privilégio ter trabalho e viver numa sociedade com direitos cívicos, sociais, económicos e políticos respeitados que me permitem uma pausa para retemperar energias que vamos consumindo ao longo do ano nos afazeres familiares, e profissionais e sociais.
Não esqueço e faço questão de aqui reconhecer com gratidão que beneficio do usufruto do direito à férias graças a tantos homens e mulheres que antes de mim, um pouco por todo o mundo, em décadas sucessivas de história, lutaram pela defesa e promoção dos direitos e liberdades fundamentais do ser humano e continuam, continuamos, a lutar pois importa manter viva a consciência individual, social e política desses direitos e liberdades fundamentais à dignidade humana.
E é justamente porque trabalhamos e nos empenhamos na família, em casa, no trabalho e em atividades religiosas, cívicas ou culturais que sentimos esse anseio de uma paragem, uma suspensão das rotinas que, embora algumas delas sejam necessárias e até nos garantam uma perceção de segurança (mais ou menos ilusória), certo é que o ser humano é demasiado rico e diverso para ser contido em rotinas que mais ou menos comprimem a nossa natureza livre e não condicionada naturalmente a horários rígidos e a momentos fixos de tarefas mais ou menos repetitivas. Os nossos ancestrais e sociedades mais primitivas, algumas com modelos ainda existentes em algumas partes do globo, seguiam e seguem os ritmos da natureza e do ambiente natural em que se encontravam ou encontram integradas.
Dos textos antropológicos e sociológicos que fui lendo no meu já distante percurso académico e que me apaixonou muito pela descoberta que representou, não há registos de que houvesse stress constante nesses ambientes mais naturais, a não ser nos momentos da caça, de enfrentar feras ou tribos rivais. mas o desenvolvimento humano e social, trouxe o progresso tecnológico, científico, cultural, social, económico e político, mas também o reverso das suas medalhas: o stress constante, a ansiedade, a insegurança, a inquietação e muitas vezes também a depressão.
Compete ao homem contemporâneo aprender a viver de forma harmoniosa e integrada no seu meio sem deixar asfixiar o que de melhor tem tão antigo como a Humanidade: os seus apelos interiores, o espírito crítico, o espírito criativo, o espírito inventivo, o espírito gregário, o apelo ao infinito, o apelo à sua interioridade e à espiritualidade. É nessa dimensão que é possível construirmos pontes entre sociedades distintas, entre traços culturais que se permutam, entre ideias que se partilham, entre valores que se tocam no que de mais digno, humano e belo possuem. E, essa dimensão é intemporal e universal.
 
Assim, para estas férias, caro visitante virtual, partilho consigo o que tenciono fazer: o que me apetecer.
Tão simplesmente, o que me apetecer.
Naturalmente sem esquecer as minhas obrigações morais e sociais fundamentais, mas procurando esquecer planos e horários que possam ser dispensados. deixar-me ir ao sabor do que o meu corpo pede, seja atividade ou descanso, seja fazer algo lúdico ou simplesmente usufruir do prazer de contemplar a natureza e o silêncio. Procurar armazenar serenidade e tranquilidade para alimentar o meu equilíbrio interior.
E, sobretudo, depois não lamentar o que poderia ter feito e não fiz.
E, sobretudo, em cada dia estar grata por um dia de pausa que me é permitida e que foi bem merecida ao longo do ano.
E, também, sobretudo, não perder de vista que as férias só são boas porque são ocasionais e que sem o trabalho não seriam por nós valorizadas do mesmo modo.
Por isso, se se tem deixado estar pendurado sem procurar trabalho que não tem, caro visitante virtual, procure efetivamente trabalho, verá como depois lhe sabem bem as férias. Há sempre trabalho, se não for mais perto, é mais longe e qualquer trabalho nos valoriza e é igualmente digno seja ele qual for desde que não seja ilegal ou não regularizado socialmente pois nesses casos é sempre uma violação de direitos humanos. Nem sempre estará à altura das habilitações que possuímos, dos anseios que temos, das ambições que sonhámos? Pois não, mas será melhor ficar acomodado à espera do trabalho ideal que na realidade nunca surgirá? Ou será preferível ser corajoso e destemido e enfrentar os desafios que existem, porventura mudar para outros alcançáveis que nos realizem mais e, seja em que caso for, empenharmos-nos para, como nos ensina o Yoga, a dar o melhor de nós mesmos em cada mínimo que fazemos? Certamente que isso nos fará sentir melhor.
Conviver com as nossas melhores dimensões, energias e aptidões faz-nos sempre sentir mais saudáveis psíquica e socialmente e para quem acredita, como eu, também espiritualmente. Faz ainda apelo às nossas valências inventivas, criativas e inovativas que tão enriquecedoras são do indivíduo do ponto de vista individual, profissional e social.  Dessa dimensão beneficia o indivíduo, a entidade empregadora, a sociedade e a cultura. É essa dimensão combativa, motivada, estimulante, criativa, inovativas, flexível e aberta que traz desenvolvimento integrado e sustentado e sustentável ao indivíduo a à humanidade. É dessa dimensão que resulta a esperança de todos e cada um de nós consegue fazer melhor, se der o seu melhor em cada momento, por mais simples e insignificante que possa parecer, pois o grãozinho de areia que cada um de nós é contribui para o imenso areal da existência humana que tem milénios de história.
E, se trabalhou durante o ano e agora chega o seu momento de férias, usufrua dele plenamente.
 

 
Gostei de o(a) ter por aqui ao longo deste ano de trabalho e, acredite, que a(s) sua(s) visita(s) a este blogue em muito tem contribuído para que ele continue a existir desde que o criei em 2011, porque por si, vale a pena continuar a escrever.
Só há quem escreve porque há quem leia, por isso, quem lê muito contribui para o estímulo da escrita e porque não aventurar-se  estas férias por uma incursãozinha experimental na escrita ou em qualquer outra forma de expressão que lhe dê prazer e solte a sua asa criativa?
Todos temos uma asa criativa... delicie-se com a sua e seja audaz, partilhe-a, verá que irá ter momentos bonitos para recordar ou até divertidos que também sabem muito bem e fazem muito bem.
Boas férias e um abraço caro(a) visitante virtual.
 

14/05/2017

Quando os sonhos acontecem... a esperança e a alegria florescem ainda mais



Caros visitantes virtuais,

Como Portuguesa que sou estou naturalmente em festa pela vitória bem merecida da vitória de Portugal no Festival Eurovisão 2017 através da canção "Amar pelos dois" interpretada por Salvador Sobral e da autoria de sua irmã Luísa Sobral.
Fez história na sua vida e na história de um país e mostrou ao mundo que os sonhos acontecem quando se acredita e se luta por eles, mesmo em pequenos países e sem influência no plano económico e político internacional comparável à de qualquer grande  país. Portugal, que desde 1964 participa na Eurovisão da canção, vence pela primeira vez com uma belíssima canção que se afirma pela qualidade poética, musical e de interpretação. Uma vitória inquestionável dada tanto pelo júri da Eurovisão, composto pelos 26 países que nele participam, mas também pela votação muito expressiva dos cidadãos destes países que via televoto deram também a vitória ao intérprete português.



Com esta vitória, Salvador Sobral traz a Portugal a oportunidade da realização da Eurovisão 2018 em Portugal, trazendo assim para o nosso país o centro da música de 26 países, com uma comovente simplicidade, sem perder a genuinidade e graciosidade divertida de alguém que vive um sonho sem se deixar deslumbrar porque acredita que o valor está na música e, como ele próprio fez questão de referir, "no que se sente cá dentro". 
Aproveita a ocasião para deixar uma mensagem de esperança a todos os músicos que fazem desta arte sublime uma expressão de afetos, de emoções e de ideais que é o que notabiliza o homem pela sua sensibilidade, criatividade e interpretação do seu próprio interior e do mundo que o rodeia. Como bem referiu, num mundo que habitualmente tem priorizado o descartável e a satisfação imediata e superficial, prova-se que há lugar ao que de mais genuíno e sublime tem o ser humano, o que está no seu profundo interior e se revela de forma notável no talento artístico da música, da literatura, da pintura e de tantas e tão variadas formas de arte.
A mim deixam-me felizes momentos com o este, em que um jovem realiza os seus sonhos, para mim é destes momentos que vale a pena viver e são eles que constituem a esperança para tantos talentos escondidos, para tanto amor por exteriorizar. 
O que não deixa de ser também interessante é que o tema "Amar pelos dois" é um sentimento triste infelizmente vivido por muita gente e, curiosamente, a autora transforma este momento vivencial triste do ser humano numa canção belíssima que se converte em alegria enorme na realização de um sonho dela própria, do irmão que interpreta a canção, e de todo um país que os acompanha sentindo-se parte desta equipa que luta pelo sonho e o alcança. Obrigada a ambos pela vitória que trouxeram a Portugal mas sobretudo por nos mostrarem que os sonhos se podem tornar realidade.
Cada sonho é feito de uma matéria diferente ou de uma ideia.
Cada sonho tem uma dimensão diferente, mas não tenho qualquer dúvida, quando o realizamos sabemos que foi para aquele momento que vivemos e que nos faz sentido ter vivido. Eu realizei o meu sonho, ser mãe. E foram os dois momentos em que o fui os mais incomparavelmente plenos e felizes da minha vida, poderia ter outros, cada um tem os seus sonhos, mas eu sei que os meus foram aqueles porque a plenitude e felicidade daqueles momentos não me deixam qualquer margem de dúvida.
Outros sonhos? Ruíram. Causas? Não importam, importa apenas que para os tentar conseguir dei o meu melhor e quando damos o nosso melhor pelos nossos sonhos, nada temos a lamentar pois sabemos que não deixámos de tentar. Salvador Sobral teve o arrojo de lutar pelo seu sonho e mereceu a sua vitória, se o não tivesse feito, nunca saberia se o conseguiria.
E você, caro visitante virtual, já se interrogou sobre o seu, ou os seus sonhos? Ou talvez, como eu, só hoje, com esta vitória de um jovem que me fez refletir sobre o sonho chegou à consciência que até já o realizou e nem se deu conta? 
O sonho é sempre uma fonte de felicidade e de energia positiva que nos alimenta, os sonhos acontecem à nossa volta e aproveitar os momentos em que acontecem, mesmo que não a nós, se soubermos viver essa magia, é maravilhoso.
Acaricie as doces memórias dos sonhos que realizou, alegre-se com os sonhos que vê serem realizados à sua volta, por via de contacto pessoal, dos meios de comunicação social ou das redes sociais, e deixe-se contagiar por este calor que nos invade por dentro e nos dá alento para ver o sol mais radioso em cada dia.
Bons sonhos... e bons olhares para os reconhecer realizados ou por realizar e boas passadas para lá chegar, sozinho ou acompanhado, pois todas as formas são possíveis. Basta não desistir de sonhar e de acreditar que o sonho se pode tornar real se lutarmos para isso.
CC.

20/04/2017

O amor humano salva vidas, mesmo em situações-limite


Caros visitantes virtuais,
 
Escrevo-vos hoje sobre mais uma maravilha da natureza humana. São muitas as circunstâncias conhecidas de mães e pais que salvam os seus filhos. O amor de uma mãe e de um pai pelos seus filhos serão certamente o mais elevado tipo de amor de que o ser humano é capaz. O amor que temos por um filho é incondicional e permanente. Por um filho entregamo-nos totalmente e por ele damos se necessário for a própria vida. A existência humana está repleta de situações que nos ilustram com factos reais de situações-limite esta insuperável capacidade de amar que é das mais belas que possamos conhecer e experienciar, mas também a relação entre irmãos, tendencialmente a mais longa das nossas vidas. E, também da força desta última nos fala esta belíssima história real em que uma irmã nunca deixou de lutar por salvar a vida da outra. Este tema é para mim apaixonante porque tenho a felicidade de ter relações muito fortes nestes planos e de considerar qualquer tipo de força de amor e de esperança inspiradores.
Esta história real surge num ângulo muito incomum, o de um bebé  recém-nascido que salva a vida da sua mãe. Amelia Bannah, uma mulher-polícia argentina, estava grávida de seis meses quando sofreu um grave acidente de viação que a colocou em coma. A gravidez do seu filho Santino continuou a decorrer enquanto a mãe se encontrava hospitalizada nesse crítico estado de vida e foi a família, mas sobretudo a irmã, Nora , quem após o nascimento do bebé, em 24 de dezembro de 2016, o manteve em contacto regular com a mãe, nunca tendo desistido de lutar pela vida da irmã e pela ligação do filho à sua mãe.
A força desta esperança, deste amor, desta persistência e do poder imenso dessas energias vitais no passado dia 8 de abril converteram-se em vida e fizeram com que Amelia despertasse do coma em que se encontrava desde o acidente ocorrido em novembro de 2016.
Foi precisamente num dos momentos em que a família continuava a conversar com Amélia e a contar-lhe tudo como se estivesse desperta, apesar de a mesma se encontrar em coma, como explicou o seu irmão César, e de nunca terem desistido de acreditar e lutar por ela, que após vários meses nessa situação, ela respondeu afirmativamente, e com palavras à interpelação tantas vezes em vão repetida sobre se os estava a ouvir.
Muito se tem escrito sobre o tanto que ainda falta saber sobre os estados comatosos, mas os médicos são unânimes no encorajamento às famílias para continuarem a contactar com os seus entes queridos que se encontram nestas situações-limite pois bem conhecem grandes milagres de recuperação resultantes da força do amor que chega onde a medicina e a ciência ainda não conseguem chegar.
Certo é que as emoções e vivências do nascimento do seu filho, mesmo que não vindas ao consciente de Amélia, e as proporcionadas com o contacto regular com o seu filho e os estímulos daí resultantes e do amor permanente da sua irmã e dos seus familiares sempre empenhados em a manter ligada a eles pelo diálogo constante com ela a trouxeram de novo à vida. Desde então, Amélia mantém-se reativa a perguntas e estímulos e os médicos creem que em breve voltará a andar.
Momentos destes são esperançosos para a humanidade e para quem se encontra em situações de sofrimento que às vezes parecem ser inultrapassáveis, mas, como se vê, enquanto há vida nada é impossível. E, acrescentaria, sobretudo quando há Amor, entrega, dedicação e a força de acreditar que tudo queremos fazer por quem amamos e que não importa o que daí resultará porque o que importa é continuar a lutar e manter viva a esperança de uma alegria, por mais remota que possa parecer.
Todos os túneis, por mais negros que sejam, têm em comum ter um fim, ou não seriam túneis. Os túneis são sempre passagens, etapas para  outro lugar ou outro momento nas nossas vidas. Quando nos encontramos dentro deles ou nos paralisamos com medo e angústia deixando-nos vencer pelo pânico de não chegar ao fim, ou projetamo-nos na luz que teremos quando dele sairmos e, mesmo que com as pernas a tremer, vamos avançando possivelmente umas vezes mais determinados e confiantes de alcançar o fim outras mais lentamente mas, persistindo no caminho, não recuando nem paralisando, chegaremos ao fim do nosso túnel seja ele qual for e seja qual for a sua dimensão e duração.
Caro visitante virtual, se atravessa um túnel na sua vida ponha-se em movimento, avance e aprenda com essa travessia, assim não apenas sairá dele como sairá mais fortalecido e enriquecido. Depois, grato pela luz que reencontrou, ajude a sair de túneis quem neles se encontra e muito há quem precise dessa ajuda pois não há vidas humanas sem túneis, mas também não as há sem qualquer tipo de luz. A luz é desde o início da humanidade fonte de vida, de alento, de alegria e de esperança. E não falo aqui apenas da mais conhecida luz, a do sol. A luz da alma, essa encontra-se pela Fé e vale a pena procura-la, seja sob que forma for, pois a descoberta da revelação de um poder superior a nós próprios é transformadora, retemperante e pacificadora.
Bons percursos, caso visitante virtual. E na sua caminha pela vida, sorria. Se não encontra motivos para esse gesto energético tão positivo para si e para os que o rodeiam, sorria à mesma. Dizem os estudiosos da mente que também os gestos positivos nos fazem interiorizar pensamentos positivos e que esses nos transformam para nos tornarmos melhores e mais felizes.
Um abraço,
 
C.C.

07/04/2017

Páscoa e Primavera, os dois P que apelam ao renascimento e à renovação


Caros visitantes virtuais,
 
Vivemos um período propício ao renascimento e à renovação, tanto no plano das estações do ano como, para quem é católico, no período espiritual pois estamos na Primavera e aproximamo-nos da Páscoa.
A Primavera faz mesmo dos troncos secos brotar rebentos viçosos. A luz e a claridade desta estação do ano trazem alegria nascente consigo, cobrem de verde e multicores jardins e bermas de estradas num hino à vida que nos faz bem à alma. Os dias mais longos são propícios a um maior usufruto de espaços ao ar livre renovadores do ar e oxigenadores do nosso interior físico e psíquico. Um tempo que nos convida a deixar a interioridade dos espaços fechados e a usufruir da claridade e da luz, de cheiros e de espaços amplos.
A Páscoa é uma mensagem de força interior de renovação e renascimento para a vida com base na esperança da ressurreição, para quem acredita, que nos foi trazida por Jesus Cristo, figura não apenas em quem acredito mas por quem tenho enorme admiração pela verticalidade do seu caráter, profundidade espiritual, espírito de missão e cariz profundamente humanitário e libertador desafiando as tradições e poderosos opressores do seu tempo com mensagens de igualdade num tempo em que essa dimensão estava muito longe de ser considerada e respeitada. Páscoa significa passagem e, todos nós, de algum modo precisamos nas nossas vidas de fazer uma passagem para uma dimensão cada vez mais humanizada, solidária e próxima uns dos outros. É também um convite para sairmos da nossa própria interioridade e irmos ao encontro do outro.
Por isso considero Primavera e Páscoa dois momentos de esperança e de apelo a uma vida com sentido e com cor, simplesmente porque é bom e agradável para nós e para os outros com quem nos cruzamos.
São tempos de sorrisos abertos, de cabelos soltos ao vento, de deleite ante a natureza e de comunhão espiritual com a mesma, com os outros, connosco próprios, e com Deus, para quem nele acredita de algum modo.
Se algo dentro de nós nos não permite usufruir desta simplicidade suave que nos transmite tranquilidade é tempo de buscar dentro de nós o que nos perturba e soltar essas amarras, exorcizar o que nos coloca lentes escuras que nos impedem de ver o sol em toda a sua grandiosidade e calor. Quanto mais tempo permitirmos as nossas masmorras interiores mais desperdiçamos do que livre e gratuitamente está ao nosso alcance para que os dias sejam agradáveis neste período de vida que nos foi concedida nunca sabemos por quanto tempo.
Nesse aspeto, não tenho qualquer dúvida que não são as circunstâncias de vida que condicionam o nosso bem-estar mas sim a forma como as encaramos. A experiência mostra que somos muito diferentes uns dos outros nesse ponto pois perante circunstâncias muito idênticas para uns elas são vistas como desafios naturais da vida a superar e por outros como tormentos que nos derrotam. Assim, vale a pena aprender com quem nos pode ensinar a ser positivos e a seguir em frente sem carregar às costas o peso dos maus momentos que todos temos. esta postura mais leve perante a vida é não apenas saudável como contagiante no sentido mais positivo do termo. Deixemo-nos pois contagiar por quem nos transmite mensagens positivas, retemperadoras, renovadoras e libertadoras.
E, porque é Primavera e quase Páscoa, arejemos o nosso interior, atrevamo-nos a sair de dentro de nós, aspiremos o ar livre e o aroma das plantas e das flores que rebentam um pouco por todo o lado.
Uma boa Primavera e uma boa Páscoa caro visitante virtual e associe-se da forma que melhor entender a este hino à vida, nas coisas mais simples da vida.
 
C. C.