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20/04/2017

O amor humano salva vidas, mesmo em situações-limite


Caros visitantes virtuais,
 
Escrevo-vos hoje sobre mais uma maravilha da natureza humana. São muitas as circunstâncias conhecidas de mães e pais que salvam os seus filhos. O amor de uma mãe e de um pai pelos seus filhos serão certamente o mais elevado tipo de amor de que o ser humano é capaz. O amor que temos por um filho é incondicional e permanente. Por um filho entregamo-nos totalmente e por ele damos se necessário for a própria vida. A existência humana está repleta de situações que nos ilustram com factos reais de situações-limite esta insuperável capacidade de amar que é das mais belas que possamos conhecer e experienciar, mas também a relação entre irmãos, tendencialmente a mais longa das nossas vidas. E, também da força desta última nos fala esta belíssima história real em que uma irmã nunca deixou de lutar por salvar a vida da outra. Este tema é para mim apaixonante porque tenho a felicidade de ter relações muito fortes nestes planos e de considerar qualquer tipo de força de amor e de esperança inspiradores.
Esta história real surge num ângulo muito incomum, o de um bebé  recém-nascido que salva a vida da sua mãe. Amelia Bannah, uma mulher-polícia argentina, estava grávida de seis meses quando sofreu um grave acidente de viação que a colocou em coma. A gravidez do seu filho Santino continuou a decorrer enquanto a mãe se encontrava hospitalizada nesse crítico estado de vida e foi a família, mas sobretudo a irmã, Nora , quem após o nascimento do bebé, em 24 de dezembro de 2016, o manteve em contacto regular com a mãe, nunca tendo desistido de lutar pela vida da irmã e pela ligação do filho à sua mãe.
A força desta esperança, deste amor, desta persistência e do poder imenso dessas energias vitais no passado dia 8 de abril converteram-se em vida e fizeram com que Amelia despertasse do coma em que se encontrava desde o acidente ocorrido em novembro de 2016.
Foi precisamente num dos momentos em que a família continuava a conversar com Amélia e a contar-lhe tudo como se estivesse desperta, apesar de a mesma se encontrar em coma, como explicou o seu irmão César, e de nunca terem desistido de acreditar e lutar por ela, que após vários meses nessa situação, ela respondeu afirmativamente, e com palavras à interpelação tantas vezes em vão repetida sobre se os estava a ouvir.
Muito se tem escrito sobre o tanto que ainda falta saber sobre os estados comatosos, mas os médicos são unânimes no encorajamento às famílias para continuarem a contactar com os seus entes queridos que se encontram nestas situações-limite pois bem conhecem grandes milagres de recuperação resultantes da força do amor que chega onde a medicina e a ciência ainda não conseguem chegar.
Certo é que as emoções e vivências do nascimento do seu filho, mesmo que não vindas ao consciente de Amélia, e as proporcionadas com o contacto regular com o seu filho e os estímulos daí resultantes e do amor permanente da sua irmã e dos seus familiares sempre empenhados em a manter ligada a eles pelo diálogo constante com ela a trouxeram de novo à vida. Desde então, Amélia mantém-se reativa a perguntas e estímulos e os médicos creem que em breve voltará a andar.
Momentos destes são esperançosos para a humanidade e para quem se encontra em situações de sofrimento que às vezes parecem ser inultrapassáveis, mas, como se vê, enquanto há vida nada é impossível. E, acrescentaria, sobretudo quando há Amor, entrega, dedicação e a força de acreditar que tudo queremos fazer por quem amamos e que não importa o que daí resultará porque o que importa é continuar a lutar e manter viva a esperança de uma alegria, por mais remota que possa parecer.
Todos os túneis, por mais negros que sejam, têm em comum ter um fim, ou não seriam túneis. Os túneis são sempre passagens, etapas para  outro lugar ou outro momento nas nossas vidas. Quando nos encontramos dentro deles ou nos paralisamos com medo e angústia deixando-nos vencer pelo pânico de não chegar ao fim, ou projetamo-nos na luz que teremos quando dele sairmos e, mesmo que com as pernas a tremer, vamos avançando possivelmente umas vezes mais determinados e confiantes de alcançar o fim outras mais lentamente mas, persistindo no caminho, não recuando nem paralisando, chegaremos ao fim do nosso túnel seja ele qual for e seja qual for a sua dimensão e duração.
Caro visitante virtual, se atravessa um túnel na sua vida ponha-se em movimento, avance e aprenda com essa travessia, assim não apenas sairá dele como sairá mais fortalecido e enriquecido. Depois, grato pela luz que reencontrou, ajude a sair de túneis quem neles se encontra e muito há quem precise dessa ajuda pois não há vidas humanas sem túneis, mas também não as há sem qualquer tipo de luz. A luz é desde o início da humanidade fonte de vida, de alento, de alegria e de esperança. E não falo aqui apenas da mais conhecida luz, a do sol. A luz da alma, essa encontra-se pela Fé e vale a pena procura-la, seja sob que forma for, pois a descoberta da revelação de um poder superior a nós próprios é transformadora, retemperante e pacificadora.
Bons percursos, caso visitante virtual. E na sua caminha pela vida, sorria. Se não encontra motivos para esse gesto energético tão positivo para si e para os que o rodeiam, sorria à mesma. Dizem os estudiosos da mente que também os gestos positivos nos fazem interiorizar pensamentos positivos e que esses nos transformam para nos tornarmos melhores e mais felizes.
Um abraço,
 
C.C.

07/04/2017

Páscoa e Primavera, os dois P que apelam ao renascimento e à renovação


Caros visitantes virtuais,
 
Vivemos um período propício ao renascimento e à renovação, tanto no plano das estações do ano como, para quem é católico, no período espiritual pois estamos na Primavera e aproximamo-nos da Páscoa.
A Primavera faz mesmo dos troncos secos brotar rebentos viçosos. A luz e a claridade desta estação do ano trazem alegria nascente consigo, cobrem de verde e multicores jardins e bermas de estradas num hino à vida que nos faz bem à alma. Os dias mais longos são propícios a um maior usufruto de espaços ao ar livre renovadores do ar e oxigenadores do nosso interior físico e psíquico. Um tempo que nos convida a deixar a interioridade dos espaços fechados e a usufruir da claridade e da luz, de cheiros e de espaços amplos.
A Páscoa é uma mensagem de força interior de renovação e renascimento para a vida com base na esperança da ressurreição, para quem acredita, que nos foi trazida por Jesus Cristo, figura não apenas em quem acredito mas por quem tenho enorme admiração pela verticalidade do seu caráter, profundidade espiritual, espírito de missão e cariz profundamente humanitário e libertador desafiando as tradições e poderosos opressores do seu tempo com mensagens de igualdade num tempo em que essa dimensão estava muito longe de ser considerada e respeitada. Páscoa significa passagem e, todos nós, de algum modo precisamos nas nossas vidas de fazer uma passagem para uma dimensão cada vez mais humanizada, solidária e próxima uns dos outros. É também um convite para sairmos da nossa própria interioridade e irmos ao encontro do outro.
Por isso considero Primavera e Páscoa dois momentos de esperança e de apelo a uma vida com sentido e com cor, simplesmente porque é bom e agradável para nós e para os outros com quem nos cruzamos.
São tempos de sorrisos abertos, de cabelos soltos ao vento, de deleite ante a natureza e de comunhão espiritual com a mesma, com os outros, connosco próprios, e com Deus, para quem nele acredita de algum modo.
Se algo dentro de nós nos não permite usufruir desta simplicidade suave que nos transmite tranquilidade é tempo de buscar dentro de nós o que nos perturba e soltar essas amarras, exorcizar o que nos coloca lentes escuras que nos impedem de ver o sol em toda a sua grandiosidade e calor. Quanto mais tempo permitirmos as nossas masmorras interiores mais desperdiçamos do que livre e gratuitamente está ao nosso alcance para que os dias sejam agradáveis neste período de vida que nos foi concedida nunca sabemos por quanto tempo.
Nesse aspeto, não tenho qualquer dúvida que não são as circunstâncias de vida que condicionam o nosso bem-estar mas sim a forma como as encaramos. A experiência mostra que somos muito diferentes uns dos outros nesse ponto pois perante circunstâncias muito idênticas para uns elas são vistas como desafios naturais da vida a superar e por outros como tormentos que nos derrotam. Assim, vale a pena aprender com quem nos pode ensinar a ser positivos e a seguir em frente sem carregar às costas o peso dos maus momentos que todos temos. esta postura mais leve perante a vida é não apenas saudável como contagiante no sentido mais positivo do termo. Deixemo-nos pois contagiar por quem nos transmite mensagens positivas, retemperadoras, renovadoras e libertadoras.
E, porque é Primavera e quase Páscoa, arejemos o nosso interior, atrevamo-nos a sair de dentro de nós, aspiremos o ar livre e o aroma das plantas e das flores que rebentam um pouco por todo o lado.
Uma boa Primavera e uma boa Páscoa caro visitante virtual e associe-se da forma que melhor entender a este hino à vida, nas coisas mais simples da vida.
 
C. C.
 
 

30/03/2017

A esperança que resulta do sentido da vida


Caro visitante virtual,
 
Escrevo hoje sobre uma questão tão antiga como a Humanidade: qual o sentido da vida?
Desde que o ser humano surgiu sobre a terra e começou a ultrapassar as suas necessidades básicas de subsistência e sobrevivência que se tem colocado essa interrogação existencial fundamentadora da sua forma de estar na vida.
Os filósofos desde a antiguidade até aos contemporâneos têm encontrado múltiplas respostas, todas elas tendo em comum o centrar-se no que é fundamental para a razão da existência do ser humano. São verdades inspiradoras expressas de forma intemporal e que, no entanto, nunca serão o bastante para responder a esta questão pois o homem continuar-se-á a colocar esta interrogação.
Cada um de nós, em algum ou vários  momentos da nossa vida, precisa de fazer sua esta questão e de lhe dar uma resposta personalizada.
Eu considero que a busca do sentido da vida é algo de intrínseco ao ser humano e também algo que vai amadurecendo connosco ao longo da vida, talvez porque o sentido da vida seja algo tão simples como vivê-la em cada dia de forma consciente e moldando-a de acordo com os nossos valores sociais, culturais e religiosos, para quem os tem.
Para uns, o sentido da vida é o bem-estar e o conforto enquanto estamos nesta vida terrena, nada crendo haver para além dela, para outros, o sentido da vida é a nossa felicidade e a dos outros numa irmandade cósmica que envolve o ser humano e todos os seres vivos que o rodeiam, projetando-se ainda na eternidade. Esta última resposta é, no meu entender, comum a todas as religiões embora cada uma delas apresente esta dimensão solidária, integrante e espiritual de forma diferente, e é nesta que me situo.
 
 
A resposta que em cada momento dermos à questão do sentido da vida orienta os caminhos que vamos seguindo ao longo da mesma, sendo certo que, como dizem muitas linhas filosóficas, o passado é irrepetível, ou como dizia já Heráclito na antiguidade "Nunca nos banhamos duas vezes no mesmo rio", pois de facto, o rio corre e em cada segundo as suas águas já serão diferentes.
Também no meu entender, quando fazemos opções na vida que não estão em consonância com o sentido que entendemos que é o da nossa vida nos sentimos desconfortáveis, em desequilíbrio e angustiados. Por outro lado, caminharmos na linha daquilo em que acreditamos que é importante para a nossa existência faz-nos sentir serenos, seguros, tranquilos e bem connosco próprios, mesmo quando os dias nem sempre são radiosos.
 
 
Há momentos na vida em que a caminhada é pouco decidida e se torna difícil descobrir o rumo certo para cada um de nós, mas creio que se pararmos e procurarmos escutar a nossa voz interior, mesmo tendo andado em círculos ou tomado desvios, voltaremos à nossa rota, à rota que elegemos para nós próprios e que ninguém pode traçar por nós. Os pais traçam a sua rota e os filhos caminham na mesma até o seu crescimento lhes ditar que é tempo de decidir sobre o seu próprio rumo.
Decidir qual o nosso caminho e sermos responsáveis pelos passos que damos é um sinal de maturidade.
Ninguém pode ser responsabilizado pelas nossas passadas a não ser nós próprios e, quem nos ama, família e amigos, estará ao nosso lado para celebrar os passos que traçam sorrisos no nosso destino e no daqueles que connosco se cruzam e para nos enxugar as lágrimas ou mesmo pegar ao colo quando as sombras cobrem o nosso perfil existencial.
O meu diagnóstico para saber se estou no caminho orientado pelo sentido da minha vida é a serenidade e, sempre que a vida o permite, ter vontade de sorrir, sorrir por fora e por dentro, e um grande sentido de gratidão e hino à vida nas suas coisas e momentos simples.
Desde cedo que me lembro de apreciar e valorizar a vida, as pessoas com quem nela me cruzo, a natureza, as várias formas de expressão artística do ser humano e cada um dos pequenos momentos com a beleza que lhes é própria. Gosto muito desse sentimento e sinto-me grata por ele porque sei que a minha vida seria bem diferente se assim não fosse  e eu seria também outra pessoa e não o que sou, por isso o sentido da minha vida caracteriza também a minha identidade.
Gosto muito de festejar, de celebrar, de datas comemorativas e de tudo quanto possa ser usado para um gesto em relação a mim própria e aos que amo, família e amigos.
E também por isso gosto de, em momentos que nada têm de comemorativo, torná-los especiais com palavras ou gestos de amor, amizade e ternura. São essas as pérolas que constituem o meu tesouro e que me fazem sorrir quando acontecem e também quando as recordo. São essas pérolas que quero em cada dia continuar a acrescentar à minha existência para a enriquecer e valorizar.
Termino com um magnífico poema sobre "A vida" de Madre Teresa de Calcutá que acho de uma enorme sabedoria e sensibilidade, usufrua dele caro visitante virtual e, se ainda não encontrou o sentido da sua vida procure-o e valerá a pena.
 
 
Coleccionar sorrisos e ternura é mágico e uma poderosa energia positiva que nos envolve e fortalece. Descubra hoje a quem quer sorrir e quem quer fazer sorrir. Não deixe por dizer nenhuma palavra amável nem por fazer nenhuma carícia.
Uma boa caminhada e até á próxima visita

20/03/2017

A esperança que resulta de mentes saudáveis


Caros visitantes virtuais,
 
Escrevo-vos hoje sobre a esperança que resulta de mentes saudáveis, a propósito de um livro que li e recomendo do psiquiatra, professor, investigador e escritor brasileiro Augusto Cury. Trata-se de uma obra muito interessante que nos apresenta uma perspetiva muito rica e humanista de um dos traços fundamentais do ser humano: a inteligência.
Augusto Cury é o criador da teoria da inteligência multifocal que tem a interessante particularidade de integrar os traços genéticos e os traços da inteligência na perspetiva clássica cartesiana e a estes juntar o património de vida do ser humano e dos contextos sociais e existenciais em que se move. Nesta perspetiva, não só todos os seres humanos são inteligentes, como todos os tipos de inteligência são reconhecidos e valorizados e, ainda, a nossa inteligência pode ir sendo autoconstruída por nós próprios com uma educação mental construtiva da personalidade assente nos valores sociais, morais ou éticos em que cada uma acredita e pretende incorporar na sua forma de estar na vida.
O poder ativo e interventivo de cada um na sua própria história dá-nos a  esperança da não condenação a um destino, mas da responsabilidade de sermos nós próprios os responsáveis pela construção do nosso caminho de vida.
Revejo-me muito nesta teoria porque sempre achei, e experienciei ao longo da minha vida, que o ser humano é bem mais rico e criativo do que a própria escola reconhece.
Demasiado presa a padrões rígidos de mera aquisição e reprodução de conhecimentos, tarda em adaptar-se a uma sociedade da era da inovação e da tecnologia em que muitas outras dimensões do percecionar, do saber, do analisar, do concluir e do criar não só devem ser reconhecidas, como sobretudo, valorizadas.
Creio que todos teremos a valorizar se ensinarmos crianças e jovens a responsabilizar-se pela construção das suas personalidades e dos seus percursos de vida, a não temer arriscar  e cometer erros, sem que estes sejam tão graves que possam comprometer o seu bem-estar e  segurança e a dos outros, a aprender com os seus erros, a ter coragem para enfrentar desafios e  a procurar formas criativas e construtivas de lhes dar resposta.
 
 
 
Muitas vezes diante das dúvidas deixamos-nos abater porque fomos habituados ao refúgio dos paradigmas seguros, dos dogmas, das verdades absolutas. Mas, o ser humano é ele próprio desde que nasce resultado de uma misteriosa combinação de células e alguém único e insubstituível que constantemente surpreende os outros e se surpreende a si próprio.  A própria vida é ela própria uma constante fonte de inesperados, uns mais positivos outros menos, mas nunca é um percurso linear e previsível sejam quais forem as circunstâncias económicas, sociais e políticas do contexto em que vivemos. E cada circunstância nos obriga a tomar decisões ou a fazer opções.
O nosso percurso existencial resulta das nossas escolhas, e também a nossa aprendizagem que nos interrogarmos e quisermos aprender com as lições da vida.
Assim sendo, estranho é que não estejamos mais habituados a ver as interrogações e as dúvidas como um processo natural da nossa existência, um processo de crescimento interior e de caminho para a nossa valorização pessoal. Consideramos saudáveis as crianças que se interrogam e que nos interrogam e esquecemos que é assim que crescem e desenvolvem o seu pensamento e a sua personalidade de forma saudável para pensarem por elas próprias.
Claro que não me refiro aqui a uma posição doentiamente cética perante a vida em que se duvida de tudo e de todos, mas de uma posição de saudavelmente nos procurarmos conhecer e nos interrogarmos quanto ao que somos, ao que queremos e ao que podemos fazer para construir o que queremos, só assim podemos ter voz ativa na construção de nós próprios e contribuir para ir construindo a nossa caminhada de acordo com o que somos e aquilo em que acreditamos.
Só num percurso em que nos sintamos bem connosco próprios e com os outros poderemos encontrar serenidade e bem-estar, harmonia e tranquilidade, e genuína alegria e felicidade nas pequenas coisas que compõem o nosso dia.
Curiosamente o autor, que estudou várias personalidades célebres do mundo científico e cultural, identifica Jesus Cristo como uma inteligência multifocal, um homem profundamente conhecedor da natureza humana e social e com uma extraordinária capacidade de empatia com o seu semelhante.
Como nos diz Augusto Cury, o ser humano que não se educa mentalmente poderá ser o maior inimigo de si próprio, deixando-se vencer por angústias, temores, medos e frustrações.
Educarmo-nos mentalmente, para o autor, significa autoajudarmo-nos para nos compreendermos e compreendermos os outros visualizando-nos na sua própria pele, pois só assim os compreenderemos verdadeiramente.
Também nesta perspetiva me revejo. Considero que os sentimentos como o ódio, a raiva, a inveja, o ciúme e o rancor são sentimentos tóxicos que envenenam o ser humano por dentro, fazem mal a si próprio e aos outros. Por outro lado, termos a capacidade de empatizar, de nos colocar no lugar do outro, conduz sempre a caminhos de compreensão e de construção de relações gratificantes. É esse o caminho em que acredito que vale a pena caminhar, um caminho que vale por si próprio como já Gandhi nos transmitiu.


Uma boa caminhada caro visitante virtual,

C.C.
 

14/03/2017

Papa Francisco, uma fonte de esperança




Caros visitantes virtuais,
 
Tendo ontem o Papa Francisco comemorado quatro anos do seu Pontificado fiz questão de dedicar este post a este homem que assume a liderança da igreja católica de uma forma muito humana, simples, humilde e terna. A sua postura, no meu entender, é uma postura de esperança para a humanidade e as suas palavras são inspiradoras e os gestos tocantes.
Elegeu a bondade e a ternura para abrir o seu Pontificado e a sua proximidade de todos quantos tem visitado é tocante, mesmo para aqueles que como eu, o conhecem apenas à distância pelas palavras que transmite e a presença sempre próxima que faz questão de ter onde quer que vá um pouco por todo o mundo.
Uma das suas frases de que gosto muito é:

"Não deixe que ninguém tire a sua esperança".
No entanto, este conforto não é um apelo à passividade, pelo contrário, pois diz ainda:
"A nossa vida é um caminho, quando paramos, não vamos para frente.", para além da humildade da frase abaixo que o torna muito próximo de qualquer outro ser humano, apesar do seu papel de grande poder e de alta relevância na Igreja e no mundo:


 

Este Papa é o primeiro Papa oriundo da América Latina, o primeiro nascido no hemisfério sul (na Argentina, em Buenos Aires, em 17 de dezembro de 1936, e o primeiro da Ordem dos Franciscanos. Bem conhecedor da pobreza, da privação da liberdade e de outros direitos fundamentais do ser humano, o Cardeal Jorge Bergoglio ao ser eleito Papa adotou o nome de Francisco como sinal da linha deste fundador missionário de uma linha espiritual assente na humildade, na simplicidade e na proximidade dos seres humanos uns dos outros como irmãos, mas também do ser humano com os outro seres da natureza como irmãos. A forma simples como faz questão de se vestir, tendo prescindido do luxo e do fausto representativos do poder da igreja trazem, na minha perspetiva um poder ainda maior à sua mensagem, o poder do carisma da sua postura perante a vida e da sua mensagem.
Por estas várias razões vejo o Papa Francisco como um sinal de esperança entre nós. O sinal de que a humanidade há muito necessitava. A sua mensagem de simplicidade e autenticidade do amor, a alegria que é patente no seu rosto e nos seus gestos nos banhos de multidão de que se aproxima contra todas as recomendações da cúria romana e da sua segurança pessoal são o testemunho claro de um homem para quem o valor da vida está em vive-la de forma genuína e em ligação constante com os outros.
Escreve quem o conheceu pessoalmente que é ainda um homem com um grande sentido de amor e dotado de uma alegria contagiante que aliás transparece quando o vemos nas suas visitas a jovens, a crianças, a idosos, a doentes, a presos e a refugiados. Mantém sempre uma atitude de escuta atenta e profundo respeito, mas também uma atitude de conforto, de encorajamento e de esperança, enchendo-lhe o rosto de alegria com as mais simples manifestações de carinho que recebe de homens e mulheres que o esperam aos milhares onde quer que se desloque.
Sobre os jovens tem esta frase belíssima que é como Francisco os vê:


A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo
A sua disponibilidade e carinho para com bébés, crianças, idosos, doentes e presos são comoventes:
 






Li e recomendo o livro "Francisco-De Roma a Jerusalém" de Henrique Cymerman e Jorge Reis-Sá que acompanharam esta visita do Papa e nos descrevem um homem de uma profunda Fé, humanidade, simplicidade e proximidade ao outro, sem ele quem for e esteja onde estiver.




Mas também um homem de grande compaixão pela dor humana, como mostram as suas visitas a doentes profundos, a Auschvitz e a outros locais de desolação e sofrimento, tendo já referido que este ano pretende visitar o Sudão do Sul, país assolado pela guerra:
 

 
Francisco apela aos jovens que não sejam conformistas, fala da importância das mudanças fundamentais na igreja, na política, na sociedade, no mundo e no interior de cada um. A sua mensagem revolucionária constitui um regresso às origens do cristianismo, mais próxima que está esta sua forma de viver e anunciar a fé da que foi assumida pelo próprio Jesus Cristo.
E, apesar desse traço messiânico, a sua postura perante as outras religiões não é de afirmação, mas antes de ponte e abertura ao outro. O seu diálogo com lideres religiosos de outros credos espirituais é um diálogo entre iguais, um diálogo de profundo  respeito e aceitação, também aqui fonte de esperança e de construção da paz.
 
 
Creio que João Bénard da Costa e os seus companheiros do movimento catolicista que antes do 25 de abril se opôs à fechada e esclerosada ortodoxia da Igreja Católica ficariam muito felizes de conhecer este Papa que abriu as portas do Vaticano arejando as suas poeiras interiores e ele próprio referindo o que condena dentro da Igreja que precisa de mudar e que tentará mudar. Aproveito para aqui prestar a minha homenagem a este grande cineasta, escritor e vulto da nossa cultura que entre os preciosos contributos artísticos com que nos enriqueceu, contribuiu também para a mudança das mentalidades na sociedade e na igreja.
 
O livro de João Bénard da Costa, "Nós os vencidos do catolicismo" é uma leitura muito interessante e enriquecedora sobre o percurso da igreja católica em Portugal e o movimento de jovens universitários e pós-universitários que das várias áreas do conhecimento e das artes se revoltam contra uma postura de igreja que consideram não autêntica, fechada e castradora do ser humano e das suas liberdades e direitos fundamentais. Gente de fé que questionou de forma inteligente, corajosa e persistente a igreja do seu tempo incapaz de acompanhar a evolução do ser humano e das sociedades e de fazer uma leitura da mensagem de Cristo e da Bíblia atualizada aos nossos tempos.
No meu entender, o Papa Francisco vem precisamente fazer essa atualização compatibilizando-a com o que de mais genuíno e autêntico existe na mensagem de Cristo: Amor, espiritualidade, esperança, humildade, simplicidade, perdão, misericórdia e alegria. Emblemática é a forma como interpreta nos nossos dias o jejum da quaresma que prepara os cristãos para a Páscoa:
 
 
Destas palavras de generosidade pelos outros, de apelo à compreensão e à harmonia, à fraternidade e à alegria, resulta esperança, pois mais cedo ou mais tarde teremos o que semeámos. mas, como ele próprio refere, nada se constrói sozinho. Sempre a chamada de atenção para a nossa humildade e o reconhecimento da importância do papel dos outros na nossa vida e da nossa vida na dos outros.
Termino esta homenagem aos quatro primeiros anos do pontificado do Papa Francisco com as suas palavras de que gosto mais e que partilho neste blogue que não é meu, é nosso, meu e dos meus caros leitores virtuais:
"Sempre que possível, dê um sorriso a um estranho na rua. Pode ser o único gesto de amor que ele verá no dia."
Para mim, a Fé é esta postura alegre e partilhada que nos faz estar em comunhão e sintonia com os outros, aqueles que conhecemos e os que não conhecemos. E nada pode dar mais esperança que despertar um sorriso.
 
Ouse sorrir, caro visitante virtual. Sorrir a si próprio, sorrir aos outros e sorrir à vida.
Um abraço virtual
C.C.
 

06/03/2017

Ser feliz é fácil... Uma leitura que respira e inspira esperança



Caros visitantes virtuais,
 
Assumo-me como eterna admiradora e apaixonada pela felicidade. Sempre gostei de observar pessoas felizes, de contemplar coisas na natureza que me fazem sentir feliz, de ouvir músicas que me despertam felicidade e de apreciar arte que me inspira felicidade. Porque a felicidade é bela em si mesma e é contagiante. É uma dádiva preciosa de uns para os outros que é bom saborear, por isso não resisti a este livro de Clemente García Novella que encontrei por acaso à venda numa estação dos correios. Curiosamente comprei-o há mais de dois anos porque folheei o índice e achei muito interessante. Coloquei-o na estante porque as  circunstâncias da vida não eram propícias à leitura, atividade de que tanto gosto. Quando pude retomar a leitura, comecei por outras paragens e há dias fui dar com este livro entre os pouquíssimos que compro e ainda não tinha lido. Devorei-o em três dias.
É muito interessante esta viagem ao interior do ser humano, às suas angústias, medos, sonhos, expetativas e ilusões e à forma como as podemos viver e como nos podemos ir construindo interiormente face às inesperadas e nem sempre simpáticas reviravoltas da vida.
Para os orientais  as contrariedades são aceites com serenidade porque vistas como um caminho de mudança tão natural como respirar. Tudo assenta no equilíbrio interior, na harmonia com o todo universal que nos rodeia e na responsabilidade individual de cada um para com cada uma destas duas dimensões. Esta é a filosofia do yoga que pratico e de que gosto muito.
Para nós ocidentais, as contrariedades são a pedra em que tropeçamos e que nos irrita. É o borrão na pintura que não esperávamos acontecer. A segurança e a estabilidade são valores que aprendemos como fundamentais e, quando são abalados, sentimo-nos à deriva, como se não estivéssemos habituados a mudar desde que nascemos. Muito ancorados na parte material, estes valores que respirámos ainda que inconscientemente, se levados ao extremo conduzem o ser humano a viver numa comodidade nem sempre física, psíquica e, para quem como eu acredita, espiritualmente saudável.
Se quisesse escolher uma das muitas citações que o autor faz de inúmeros autores de todas as culturas e épocas que refletiram sobre a felicidade não seria capaz tal é a riqueza cultural e humanista desta preciosa recolha que o autor faz. A felicidade tem sido, como se pode constatar por tal diversidade de citações, uma constante procura do ser humano ao longo de milénios e em todas as latitudes. Esta dimensão universal e intemporal aproxima-nos no que de mais íntimo e identitário temos como seres humanos.
O autor disponibiliza-se para ser contactado sobre o livro através da sua conta no twitter @Clemente Novella e criou uma página de facebook sobre a temática da felicidade disponível em: www.facebook.com/LibroSerFelizEsFacil
Deixo aqui publicamente a minha gratidão ao autor pela dádiva deste fantástico livro que vos convido a ler. Deliciem-se com as reflexões e citações do autor e inspirem-se para respirar felicidade e esperança.
E porque nada melhor para a felicidade que partilhá-la, aqui fica este tributo e o convite a uma leitura que nos faz sorrir por fora, por dentro... e uns para os outros.
 
Um abraço para os meus estimados visitantes virtuais,
C.C.

22/02/2017

A Esperança que resulta da Espiritualidade


Caros visitantes virtuais,
 
Escrevo-vos hoje sobre a esperança que resulta da espiritualidade no seguimento da minha mais recente estada em Fátima no passado fim-de-semana. Para mim Fátima é um local de emoções fortes, mas também de serenidade, de recolhimento e sobretudo de espiritualidade.
Tenha-se ou não Fé, impressiona e toca aquele clima de profundo respeito que se sente quanto se entra no recinto do santuário de Fátima, como em qualquer outro recinto de um santuário ou local religioso, católico ou não, um pouco por todo o mundo. Eu tenho Fé, mas mesmo que não tivesse sentir-me-ia tocada pela espiritualidade que se sente nas pessoas de todas as idades, género, cultura, condição social ou económica que ali se dirigem.
Há mais de trinta anos li um livro que ainda hoje considero um dos melhores livros que li: "O sagrado e o profano" de Mircea Eliade.

 

 
É uma extraordinária análise das dimensões profana e espiritual do ser humano nas várias culturas, desde as ancestrais à contemporânea e que nos faz concluir que, no que diz respeito a estas dimensões, o ser humano não mudou ao longo de milénios, apenas mudam as suas manifestações dessas dimensões.
O que nos faz pensar, tendo Fé ou não, que há no ser humano um apelo que lhe é superior, que o ultrapassa na sua dimensão física de ser limitado e condicionado à mortalidade. Algo que o transcende e o faz comunicar com uma realidade de uma dimensão especial, chama-se-lhe Deus, Alá, Nirvana, poder superior, ou mesmo não se lhe chame nada, mas há uma consciência de algo de universal e intemporal que pela sua grandiosidade nos impressiona, causa respeito, ou no caso de quem tem Fé, que nos causa adesão a uma postura perante a vida de humildade e de sentimento de irmandade com o ser humano, o outro, a quem os cristãos chamam irmão, na sua ligação a um Pai comum.
Há a outra dimensão destes locais espirituais, é estarem rodeados de comércio religioso, alimentado por turismo religioso e que têm ambos uma dimensão de consumo que faz lembrar os vendilhões do templo que, conta a Bíblia, no Novo Testamento, Jesus Cristo expulsou do Templo insurgindo-se contra esta profana vertente tão próxima a um local sagrado. (Para quem não conhece a diferença, e em termos muito simplificados: a Bíblia é um conjunto de livros organizados em duas partes, uma correspondente ao Antigo Testamento - até ao nascimento de Jesus Cristo, e o Novo Testamento - a partir da preparação do nascimento de Cristo e depois do seu nascimento até à sua ressurreição).
Outra dimensão ainda, que me impressiona, e que já me revoltou, é a do cumprimento de promessas de muitos fiéis que de joelhos se arrastam por vezes com profundo sofrimento ao redor da capelinha em honra à Nossa Senhora de Fátima, nome que ali é dado a Maria, mãe de Jesus que um pouco por todo o país e um pouco por todo o mundo é identificada com muitos nomes diferentes resultantes da necessidade do ser humano de a tornar próxima de si, como uma grande Mãe universal.
Mais jovem revoltei-me com o facto de a Igreja não pôr termo a essa dimensão de sofrimento e de não transmitir a mensagem que Deus, o Deus em que acredito, não nos impõe sofrimentos nem os deseja, bem pelo contrário, é um Deus que apela ao respeito pela dignidade humana e o bem estar físico, psíquico e espiritual do ser humano.  Hoje compreendo que a Igreja, leia-se o Vaticano e toda a estrutura hierárquica da Igreja a nível mundial, Portugal incluído, demorou demasiados séculos a libertar os seus fiéis do peso da culpa do pecado, da humilhação do ser humano, do culto das promessas, do culto da penitência no seu pior sentido e, no fundo, no culto do sofrimento. A linguagem hoje felizmente é outra já bem diferente, mas serão ainda necessários muitos anos, ou talvez décadas para que os fiéis se libertem desse peso em que continuam a acreditar que os liberta das suas dores e do seu sofrimento. Há que continuar a lutar por uma evangelização positiva e dignificante, mas ela demorará a fazer os seus efeitos, e eu respeito quem continua a viver nessa dimensão humilhante de que ainda se não libertou e que de algum modo lhe traz alguma esperança nos momentos de maior dor.
Em todo o caso, o que prevalece é que os locais espirituais me inspiram uma profunda serenidade, respeito pelo intemporal, paz interior e uma força interior a que chamo Fé que se traduz numa gratidão à vida, numa comunhão de presença com toda aquela gente que ali se encontra e que não conheço mas com quem partilho algo que nos convoca a estar ali, naquele local que nos é especial.
Para mim, há uma esperança que resulta da espiritualidade, a esperança da dignificação cada vez maior do ser humano, da sua aproximação cada vez maior num amplo plano universal em que somos todos iguais em condição e com uma dimensão que nos transcende e que nos une inclusivamente à própria natureza. Esta minha forma de pensar e de sentir explica a minha predileção muito especial por São Francisco de Assis que de forma belíssima nos fala da irmã-lua e do irmão-lobo e uma das mais bonitas orações para mim é a de autoria dele, "O Cântico das criaturas" que abaixo vos deixo:

 

"Altíssimo, omnipotente, bom Senhor,
a ti o louvor, a glória,
a honra e toda a bênção.
A ti só, Altíssimo, se hão-de prestar
e nenhum homem é digno de te nomear.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
com todas as tuas criaturas,
especialmente o meu senhor irmão Sol,
o qual faz o dia e por ele nos alumias.
E ele é belo e radiante,
com grande esplendor:
de ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
pela irmã Lua e as Estrelas:
no céu as acendeste, claras, e preciosas e belas.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
pelo irmão Vento
e pelo Ar, e Nuvens, e Sereno,
e todo o tempo,
por quem dás às tuas criaturas o sustento.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Água,
que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
pelo irmão Fogo,
pelo qual alumias a noite:
e ele é belo, e jucundo, e robusto e forte.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
pela nossa irmã a mãe Terra,
que nos sustenta e governa,
e produz variados frutos,
com flores coloridas, e verduras.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
por aqueles que perdoam por teu amor
e suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados aqueles
que as suportam em paz,
pois por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
por nossa irmã a Morte corporal,
à qual nenhum homem vivente pode escapar.
Ai daqueles que morrem em pecado mortal!
Bem-aventurados aqueles
que cumpriram a tua santíssima vontade,
porque a segunda morte não lhes fará mal.
Louvai e bendizei a meu Senhor,
e dai-lhe graças
e servi-o com grande humildade."
São Francisco de Assis, "Cântico das Criaturas"

Se nunca visitou um santuário caro visitante virtual, convido-o a fazê-lo, seja em que parte de Portugal ou do mundo se encontre. Mas entre de mente aberta, descalce primeiro os sapatos da desconfiança e da crítica antecipada... e usufrua de serenidade, força e esperança.

C.C.

08/02/2017

A esperança que resulta de um abraço que salvou duas vidas


Caros visitantes virtuais,
 
Escrevo-vos hoje sobre uma maravilha da natureza que constitui uma enorme fonte de alegria e esperança: estes dois bebés gémeos que convivendo no útero materno durante uma gravidez difícil que colocou em risco as respetivas vidas resultou em que ambos se salvassem por se terem abraçado um ao outro.
É uma comovente história que me tocou muito e me fez pensar no quanto o amor e a solidariedade humana nos salva, mas também que são acontecimentos destes que nos ajudam a esquecer as más notícias que temos nas vidas individuais e do que ocorre no mundo que nos entristece e preocupa como as guerras, a violência, o terrorismo e as catástrofes naturais ou causadas pelo homem.
Quando criei este blogue em 2011 foi porque achei que fazia falta escrever sobre esperança e que quanto mais pessoas o fizerem, tanto melhor, para gerar energias positivas de que todos sempre e tanto necessitamos. Eu sou apenas mais uma delas, mas cada pessoa que escreve é única porque o faz na sua própria perspetiva, neste blogue "Sopros de Esperança", de que sou autora, escrevo a esperança que vou vendo nas muitas coisas que acontecem nas nossas vidas e no mundo e faço-o na minha perspetiva. Eu própria fui surpreendida por haver tanto sobre o que escrever, felizmente.
Quando criei o blogue achei que iria ter existência curta, que rapidamente não teria assuntos sobre os quais falar sobre esperança, que o tema rapidamente se esgotaria pois eu não queria cair em lugares-comuns nem em repetições, para feliz surpresa minha, aconteceu exatamente o contrário, descobri muito sobre o que escrever e muitas vezes não escrevo não por falta de temas de esperança e acontecimentos de esperança, mas porque o meu tempo disponível não o permitem.
Foi também outro factor de surpresa e encorajamento para continuar a escrever neste blogue, quando posso, o facto de o número de leitores me surpreender largamente ultrapassando as minhas espectativas, o que significa que muita gente precisa e gosta de ler sobre esperança. À data de hoje quase 35.000 pessoas em todo o mundo leem este blogue porque o tema lhes interessa e lhes diz algo e eu fico muito feliz com isso. Obrigada a todos vós leitores deste blogue pelas vossas visitas aos meus posts.
Quando ao assunto deste post e aos gémeos, Rowan e Blake, que se salvaram por se terem abraçado no útero materno durante a respetiva gestação, terão ouvido falar disso na comunicação social. Nasceram em Inglaterra e a mãe deles, Hayley Lampshire de 27 anos ficou destroçada quando na vigilância da sua gravidez foi informada que os filhos sofriam de uma condição rara que reduzia seriamente as suas hipóteses de sobrevivência se se mexessem. Ora todos nós sabemos que os bebés durante a sua gestação, se mexem muito e que isso, numa gravidez normal e em condições normais é até sinal de saúde e vitalidade dos bebés.
E quem já foi mãe, como foi o meu feliz caso, mãe de dois rapazes que são a fonte de felicidade da minha vida, sentiu os movimentos deles, enérgicos, e comunicou com eles com carícias no ventre em momentos mágicos que nunca mais se esquecem e nos enternece a sua lembrança para o resto da vida. E os que foram pais sabem-no também pelas suas carícias no ventre da mãe dos seus filhos lhes permitirem não apenas senti-los como comunicar com eles, o que acredito para os próprios pais é mágico e inesquecível.
O risco de vida que corriam os gémeos Rowan e Blake devia-se ao facto de ambos partilhares o saco amniótico e a placenta da mãe e, à medida que ia avançando a gravidez, reduziam-se cada vez mais as probabilidades de os dois meninos sobreviverem. Esta situação terrível, em termos técnicos chama-se uma gravidez monocoriónica e monoamniótica, que os condenava cada vez mais  à não sobrevivência à medida que a gravidez ia avançando. O problema de os bebés se mexerem partilhando no mesmo útero o saco amniótico e a placenta, era que poderiam vir a ficar com os respetivos cordões umbilicais entrelaçados e, assim, os seus movimentos cortariam o acesso a oxinénio e comida, o que seria fatal para um ou ambos.
No entanto, o momento mágico aconteceu, os bebés abraçaram-se um ao outro no ventre que partilhavam, parecendo mesmo estar a mão na ecografia que revelou esta maravilha da natureza, e permaneceram quietos, o que é extremamente difícil para bebés ou crianças, como todos sabemos, cuja tendência natural é moverem-se e com muita energia.
A ecografia tranquilizou mais a mãe que foi informada de que esta situação trazia a esperança de os seus filhos poderem sobreviver, ultrapassando assim a difícil condição física e biológica desta gestação.
A mãe, Hayley Lampshire, decidiu a conselho médico fazer uma cesariana às 34 semanas de gestação, para evitar correr mais riscos e os gémeos Rowan e Blake vieram a nascer no passado dia 25 de agosto, cada um deles com pouco mais de 2 Kilos e foram levados para a unidade de cuidados médicos especiais, quando nasceram tinham líquido nos pulmões e dificuldades em respirar sozinhos, mas após ajuda médica dedicada após três semanas de internamento puderam deixar o hospital.
Rowan e Blake têm presentemente quase meio ano de vida e a feliz mãe, aliviada de toda a angústia de uma gravidez em constante risco de perder um ou os dois filhos diz que ela e o pai quando eles forem crescidos lhes contarão o quão especial é a ligação entre eles, cujo abraço lhes salvou a vida.
Esta maravilhosa história, felizmente real, é não apenas belíssima e comovente, como uma grande fonte de esperança que para mim nos inspira a acreditar que, mesmo em situações muito difíceis, se tivermos coragem para lutar e fazer tudo para ultrapassar os problemas, por mais graves que sejam, poderemos vir a conhecer momentos de felicidade únicos. Foi o caso da jovem mãe de 27 anos, cujo amor pelos seus filhos e força interior contribuiu para ajudar a salvá-los prosseguindo com esta gravidez duríssima e com apenas 50% de probabilidades de sobrevivência para um ou os dois dos seus filhos.
Que este feliz e inspirador episódio de vida nos transmita a todos nós, a mim e a cada um de vós, caros leitores virtuais, a coragem e a força, bem como a esperança para acreditar que vale a pena lutar para ultrapassar os obstáculos que vamos encontrando todos ao longo das nossas vidas, por mais difíceis que sejam e mesmo que à partida tudo indique que têm poucas probabilidades de ser vencidos.
 
Um abraço virtual a todas e a todos os que leram este post e obrigada por terem voltado uma vez mais a este nosso blogue "Sopros de Esperança" que dada a dimensão que alcançou em termos de leitores, deixou de ser o meu blogue para passar a ser o nosso blogue, eu como autora e vós como leitores, também nós abraçados neste projeto comum sem cujo abraço este projeto há muito teria sido abandonado.
 
C. C.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 


27/12/2016

From Lisbon of the seven hills a warm hope hugg to my visitors of Blows of Hope





Caro visitante virtual,
Dear internet visitor,

Abro este post de 2016, em despedida do ano, com a melhor frase sobre esperança que li nos últimos anos, a de um grande amigo e poeta, Joaquim Silva Pereira, e que dedico aos quase 26.000 visitantes deste ponto de encontro virtual baseado na esperança e onde se partilha sobre esperança:

"Se a esperança não existisse, já teria sido inventada há muitos milénios!!!"

E porque um pouco por todo o mundo, para espanto meu, me seguem e lêem traduzida nos monitores de tradução automática, hoje escrevo diretamente umas breves linhas em outras línguas que melhor cheguem a ter eles tal como as expresso:

hello dear Russian readers, for you, that have red me by 2016, 1172 times, I share in Russian, English and French the hope words of a  portuguese friend and poethe published this year for the first time and thank you for reading my blogue: Надежда пуфы :

Если надежда не существует, то он был бы изобретен в течение многих тысячелетий !!!
If hope didn't exist already it would be invented milleniuns ago!!!
Si l'éspoir n'existait pas elle aurai été inventé il y a déjá beaucoup de miléniums!!!
(Author: Joaquim Silva Pereira, Portugal, Lisbon, 2016)

Os tempos não são fáceis e têm sido de enormes perdas em todo o mundo, desde causadas por catástrofes naturais a terrorismo ou acidentes aéreos, marítimos e terrestres. Mas não são de hoje apenas, são os que nos doem hoje porque mais perto. Por isso, talvez porque sou de relações internacionais e temos uma grande componente de história universal, estas minhas palavras não são catastrofistas, bem pelo contrário, o ser humano sempre soube lamentar as suas perdas e reerguer-se com coragem e bravura em gestos solidários admiráveis e empreendedores. E também nisso, os nossos tempos não são exeção. Desde os "We are the world" https://www.youtube.com/watch?v=Zi0RpNSELas
 onde cantores e músicos cederam as suas belíssimas vozes a causas solidárias, alguns deles já partidos de entre nós, mas que se eternizaram até gestos recentes de grandes empresários  que num hotel de cinco estrelas de Lisboa acolheram sem-abrigo num jantar inesquecível, à iniciativa Refill também para sem-abrigo, recentemente na Igreja de Fátima e à iniciativa de Natal solidário a sem-abrigo da Comunidade Vida e Paz:  http://www.cvidaepaz.pt/site/o-que-fazemos/festa-de-natal-com-as-pessoas-sem-abrigo/
Gestos estes que se têm multiplicado e replicado por vários pontos do país e do mundo num saudável e belíssimo contágio, mostrando que não apenas as doenças hoje em dia são virais à escala internacional, mas também a generosidade humana.

Temos todos pois, bastas razões para.
We have therefore strong reasons for
Надежда пуфы , Souffles d´Éspoir, Blows of Hope, Hoffnung Puffs, Speranza sbuffi
e mais perto de nós português geograficamente, Alientos de Esperanza, em 2017

Um grande abraço e muito obrigada pelas vossas visitas, da autora deste blogue, Célia Chamiça, para os vários leitores dos vários pontos do país continental e insular
A warm hugg from Celia Chamiça, author of this blogg, for their visitors in USA, more than 6000, Brasil, more than 2400, in Russia, more than 1100, almost 500 in Germany, plus de 300 en France, almost 200 in the United Kingdom, almost 200 in Ucrânia, almost 200 in Ireland and almost 100 in Itlay, to mention the most frequent sem esquecer os meus visitantes em Angola and also my visitors in Switzerland.

Espero continuar a ter o privilégio da vossa visita em 2016 e muito obrigada pelo estímulo que me têm transmitido para continuar em escrever.
I hope to remain having the priviledge of your virtual visits in 2017 and thank you for your estimulating visits to this blogue.

I leave you above with a symbolique expression of my gratitude for you visits from the several countries and continentes, I leave you na image of Lisbon of the seven hills


Até 2017
See you in 2017
C.C.

20/12/2016

Natal é o tempo de esperança por excelência



Caro visitante virtual,
 
Escrevo-lhe hoje sobre o Natal, estamos a poucos dias de celebrar a vida e a esperança, um pouco por todo o mundo.
Aproxima-se o dia de Natal, tempo de azáfama, de corridas para o último presente, de enfeites das casa e das mesas, de celebração em família e em comunidade. Até mesmo quem não é católico se converteu a este tempo de celebração familiar. É um tempo em que as pessoas procuram ser mais tolerantes, menos rigorosas e mais dispostas a pôr de lado o que as incomoda para não perturbar a tranquilidade e aproximação de mais um ou outro elemento da família que se tolera menos bem mas com quem se convive nesta época tão especial para todos que procura-se evitar o conflito.
A minha primeira lição sobre adultos e o Natal tive-a há muitos anos. Era eu uma jovenzinha idealista a tomar café no meu local habitual perto da casa dos meus pais quando vi que uma senhora com idade para ser avó transportava nas mãos uma carta e procurava timidamente obter a ajuda de alguém. Prontifiquei-me a ajudá-la. Pretendia escrever uma carta de Natal para o filho e os netos.
E naquela ainda minha idade dos vinte e poucos anos fui escrevendo a caneta o que os seus lábios ditavam em amor muito sentido. E enquanto ia escrevendo, ia-me espantando com o que escrevia.
Aquela não era uma simples mensagem de Natal.
Era uma carta da natal de uma mãe para o seu filho e para os netos que não via há já largos meses.
As lágrimas escorrendo enquanto me ditava a carta, atribuí-as à saudade e à emoção de naquele tempo de aconchego de famílias não poder ter a sua por perto para abraçar.
Terminei de escrever a carta. Reli-lha e ela disse que era aquilo mesmo, podia fechar a carta. E estendeu-me depois um envelope que andava dobrado na mala pois já por diversas vezes tentara arranjar quem lhe escrevesse a carta, mas tivera vergonha de pedir.
Expliquei-lhe que não tinha que ter vergonha de não saber escrever. Eu que sabia escrever não sabia muitas outras coisas que ela sabia. E ela sorriu.
Ela sorriu ante a minha candura de jovem que apenas aquela razão de vergonha vislumbrava. Para ela era outra a maior razão de vergonha e eu compreendi-a à medida que ia escrevendo no envelope o endereço que me ditava.
A morada do destinatário, o filho de quem ela tinha tantas saudades e por quem tinha tanto amor, os netinhos de que falava com a voz entrecortada e há muitos meses não tinha a alegria de ver crescer moravam na rua abaixo do café... A dois passos dali.
Fechei o envelope e estendi-lho. Agradeceu-me, desejou-me bom Natal e saiu.
Eu fiquei ali sentada. Pensativa. Absorvendo a minha primeira grande lição sobre o Natal dos adultos. Na memória bailava a explicação que me dera, um desentendimento com a nora, coisa pouca para ela, mas imperdoável para a nora, condenara-a aquele exílio.
E eu, na minha modesta candura dos vinte anos só conseguia pensar que não imaginava nada de tão imperdoável capaz de justificar uma tal condenação. Nada sabia de rancores alimentados e ressabiados, de mágoas acumuladas e ressentimentos irredutíveis, ano após ano. E, muito menos imaginava que tão negativos sentimentos pudessem estar ligados ao espaço da família que para mim era um espaço de amor, de compreensão, de afeto, de ternura e de tudo o que há de mais belo na vida. Ainda hoje assim penso, apesar das vicissitudes da vida.
Hoje, já ultrapassado um século de vida, com muitas mais experiências e vivências que à data estava longe de possuir, recordo esse momento no café como se fosse hoje. Lembro-me dele todos os Natais, pergunto-me com o correr do tempo o que terá sido feito da senhora que me procurou para escrever a carta. Terá voltado a ver o filho? Terá voltado a ver os netos? Ou terá sido eterna a sua condenação?
Não faço ideia. Nunca mais a encontrei.
Só sei que ainda hoje a lembro e que ainda hoje não imagino nada de tão imperdoável que justifique impedir uma mãe de ver um filho e uma avó de ver os netos.
Desejo muito que consigamos ser um pouco menos mesquinhos, menos orgulhosos, menos centrados em nós próprios. Essas atitudes não só não nos trazem nada de bom para nós como podem ser profundamente injustas e ferir os outros que também nada ganham com esses nossos sentimentos. E, se erraram, não será a nossa atitude de recusa que os fará entender e melhorar o seu comportamento. Para mim, só o diálogo franco e aberto permite esclarecer mal-entendidos e, se ambas as pessoas a isso estiverem genuinamente dispostas, superá-los e até crescer em conjunto, fortalecer laços.
Que o nosso natal, que o seu Natal, caro visitante virtual, seja um Natal de encontro com quem ama, de compreensão com quem não compreende ou que compreende menos bem, de aceitação da presença do outro no verdadeiro sentido da palavra, da alegria do convívio e da comunhão deste momento familiar por excelência. E, se como eu tem Fé, um momento de renovada Fé e esperança e fortalecimento também dos laços com a comunidade e dos laços espirituais.
Que este Natal possa ser, com a colaboração dedicada de cada um de nós, um Santo Natal. Santo porque dedicado a quem amamos. Santo porque é um espaço de bem e de esperança. Santo, de alegria.
Um Feliz Natal para todos,
 
C.C.