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15/09/2016

A força revigorante das memórias

 
 
Caros visitantes virtuais,
 
Partilho hoje convosco a minha visão das memórias. Hoje dia 15 de setembro.
Há vinte e dois anos partiu a minha mãe, mas não a perdi. Nesse dia senti que a tinha perdido e senti a dor profunda da perda de uma mãe que tanto nos amou e que eu tanto amo. Nesse dia e em muitos outros dias senti o desamparo que a falta incomensurável que a sua presença física me fazia, no entanto, ela nunca me faltou nem sequer nesse dia. A sua presença física é simplesmente diferente e é aí que reside a grande força revigorante e retemperadora das nossas memórias. Ela é a minha mais preciosa memória, qual é a sua? Encontre-a e descobrirá uma força e uma esperança únicas brotar dessa memória. Coloque essa foto para si na moldura que acima lhe deixo. A mais bonita foto do mais bonito momento que partilhou com quem tanto ama e por quem tanto foi amado. Coloque-a junto de si, em casa, no trabalho, não importa onde, onde a olhar. E verá que sempre que olhar essa foto dará por si a sorrir.
As nossas memórias felizes perduram e revigoram-nos e por isso acredito que fazemos bem em as cultivar e alimentar, não de forma mórbida, lamentando o que perdemos, mas com a firme consciência e convicção de que as ganhámos.
Nunca perdemos quem amamos, simplesmente porque o amor nunca se perde, é demasiado poderoso para se perder. Quando amamos, ganhamos sempre. Eu ganhei a minha mãe, não há vinte e dois anos mas há quase cinquenta e dois, ganhei a minha mãe e ela ganhou-me a mim, desde que dela nasci sem que sequer disso eu tenha memória consciente. E, claro que nesse momento como qualquer bebé saudável terei chorado.
Pensando bem, não só nunca perdi a minha mãe como nunca perdi ninguém que tivesse amado. Não é fantástica esta descoberta?
Quem amamos permanece sempre connosco, nas memórias felizes que juntos partilhámos, mesmo que já não esteja connosco. São belíssimas pegadas nas nossas vidas de onde se desprendem conversas, músicas, odores, sabores, risadas e mesmo lágrimas enxugadas.
Alimentar memórias negativas não é saudável, por isso o ser humano se auto-protege eliminando essas memórias, o tempo vai-as apagando porque só servem para nos fazer aprender e amadurecer, são alicerces que se deitam abaixo depois da obra construída. E, quando assim não sucede, é bom procurar ajuda para eliminar o que já não nos faz falta que lembremos, pelo contrário, só nos intoxica. Mas, as memórias positivas prevalecem e fazem-nos bem. E não apenas prevalecem como se lhes dermos atenção tornam-se mais fortes e mais vivas e trazem ao nosso consciente lembranças que nos deliciam, enternecem e fazem felizes.
Por isso, caro visitante virtual, sacuda o pó das suas memórias felizes se as tem esquecidas, deixe-as vir ao consciente e ocupe-se delas e descobrirá tesouros preciosos que o vão fazer sorrir.
Boas memórias e não esqueça, as boas memórias constroem-se em cada dia, sempre com quem amamos e que nos ama e não há ninguém no mundo que não ame nem seja amado.
CC


13/09/2016

A esperança que resulta de um caminho escolhido

 
 
Caros visitantes virtuais,
 
Falo-vos hoje de uma grande alegria. Chama-se Joana. para ser mais exata: Irmã Joana Carneiro.
Conheci Joana quando era catequista dela há uns bons anos. Tinha seis anos e frequentava o 1º volume da catequese na Paróquia de Póvoa de Santo Adrião. Era criança tímida e alegre. E aquela criança tímida e alegre foi vinte anos mais tarde uma médica no Hospital de Santa Maria, carreira profissional que trocou por uma vocação, um chamamento espiritual a que respondeu com toda a coragem: Ser Irmã Missionária. A criança tímida desabrochou numa jovem destemida e corajosa, uma jovem mulher que foi missionária na América Latina e agora se encontra de partida para a Jordânia.
A Irmã Joana, a minha Joana, a nossa Joana é deste há alguns anos Irmã Comboniana. Joana consagrou-se a este chamamento no dia 6 de agosto de 2016, em Quito, no Equador, onde foi noviça. Aí se consagrou a Deus para ser Missionária como muitas outras Irmãs que aderiram a esse chamamento e lhe quiseram responder segundo o Carisma do seu fundador, São Daniel Comboni. São chamadas a ser testemunhas da Misericórdia de Deus.
Joana respondeu a este chamamento de braço dado com a pessoa com quem a conheci entrar na igreja há muitos anos atrás... a sua mãe. Quando menina, em Portugal; quando jovem mulher no Equador.
 
 

Da menina tímida para a jovem mulher corajosa e determinada resta o sorriso. Um sorriso ainda mais luminoso porque segura do seu caminho. Foi com esse sorriso magnífico que esteve entre nós, na comunidade, na igreja e fora dela trazendo até nós outros lugares do mundo e levando-nos com ela para outros lugares do mundo.
Toda a gente queria falar com Joana, e ela na humildade e simplicidades de sempre, ali estava disponível para todos e contagiante na sua felicidade. Para todos era a nossa Joana, era a nossa Joana e um bocado de cada um de nós que com ela tinha ido para a América Latina, que ali estava com ela e as Irmãs Combonianas (Para que as quiser conhecer: https://irmascombonianas.wordpress.com/
) a rezar o terço missionário, cada cor evocando um continente e evocando onde se situava cada continente, que problemas enfrentava e fazendo-nos sentir parte desse mundo que as missionárias percorrem na sua dádiva de vida. Para todos é um bocadinho de cada um de nós que vai com a Joana para a sua nova missão na Jordânia e sabemos que quando regressar voltará com o mesmo sorriso para abraçar a comunidade que viu nascer a sua Fé e a viu amadurecer, ganhar asas e voar já por si mesma.
Para mim, é essa a universalidade da Igreja, é cada um de nós estar com aqueles que teve o privilégio de conhecer e com quem construiu percursos de vida e de fé e manter-se pela vida fora num novelo de laços afetivos e de espiritualidade ou humanidade comum que nos fazem estar um pouco por todo o lado no mundo, mesmo em sítios onde fisicamente nunca nos atrevemos a estar, mas alguém se atreveu por nós. E lá estamos todos, nessa alegre confraternização universal onde certamente cada um de nós fala dos outros, dos seus espaços comuns, das suas forças e fragilidades. E nesse diálogo de espaços e de afetos, ficamos mais ricos com o que aprendemos uns sobre os outros e ficamos mais fortes na sua humanidade e na nossa espiritualidade.
Obrigada, Joana, pela tua coragem missionária, porque também aqui tão perto levas a tua mensagem e reconhecemos a força e a esperança da tua fé. Diz-se que "santos ao pé da porta não fazem milagres". Fazem, claro que o fazem. Que maior milagre pode haver que a felicidade estampada num rosto que bem conhecemos falar-nos de gente tão diferente de nós e tão distante e fazer-nos sentir o mundo tão perto e tão nosso familiar que quase parecemos ter estado lá?
Era deste Amor universal que falava Jesus Cristo quando enviava os seus Apóstolos pelo mundo dizendo que onde eles estivessem, Ele estaria no meio deles. No entanto, esta viagem universal que transporta os outros consigo no meu entender é um dom, é um talento inato que requer a tal simplicidade e humildade a que Joana se consagrou.
Os governantes e políticos têm que por escrito ser mandatados para representar um país junto dos outros, mas na humanidade e na espiritualidade não se mandata, simplesmente se é o que se é e onde quer que se chegue perto ou longe se transporta consigo o abraço de afetos que o nosso ser pode congregar. Joana parte para a Jordânia carregada de afetos, muitas mensagens de força e de encorajamento, muitas palavras de conforto para os que vai encontrar, muitos sorrisos que leva no seu peito, muitas esperanças que com ela partem ao encontro daqueles que os seus olhos nunca conhecerão, mas que o seu coração abraça, através da nossa Joana.
A força das missões cedo fez parte da minha fé, uma fé muito marcada pelos Padres Monfortinos (Para quem quiser conhecê-los: http://www.monfortinos.com/sitenovo/ ) que há várias décadas estão responsáveis pelo crescimento espiritual, da fé e de tudo o que uma comunidade carece para viver dignamente em todas as suas dimensões. E atualmente, com mais de meio século de vida, sinto cada vez mais viva a minha gratidão por todos os que têm a coragem de abraçar uma missão consagrada.
E cada vez mais me convenço que quanto mais nos entregamos ao nosso caminho, mais nos sentimos nós próprios e mais nos encontramos com os outros.
 
Uma boa semana, caro visitante virtual.
 



04/09/2016

Santa Teresa de Calcutá



Caros visitantes virtuais,

Escrevo-vos hoje com muita alegria e esperança na canonização de Madre Teresa de Calcutá pelo Papa Francisco hoje anunciada. Foi com muita comoção e alegria que recebi esta notícia porque desde sempre me senti muito tocada por esta mulher extraordinária, de porte nobre, de uma nobreza interior e uma força que brota de dentro dela contrastando com o seu aspecto frágil.
Anjezë Gonxhe Bojaxhiu M.C., que cedo a sua vocação religiosa chamou a ser Madre Teresa de Calcutá era uma mulher albanesa de vida financeiramente muito confortável quando ainda muito jovem decidiu abandonar o conforto e uma vida estável para criar as Irmãs da Sabedoria numa entrega quotidiana aos mais pobres, aos doentes de lepra e aos mais marginalizados sociais e mais doentes.
Desde que me recordo de Madre Teresa que na televisão a via com toda a ligeireza e à vontade circular entre dejetos por onde vegetavam doentes abandonados à doença, à extrema pobreza e aos sofrimentos que todos esses bales profundos acarretam. E era lá, onde eles estavam que Madre Teresa, no seu sarai branco, achava que era o seu lugar no mundo e não no berço de conforto e segurança onde tinha nascido. Em risco permanente de contágio de doenças era aí que o seu chamamento interior a levava e foi junto dos mais infortunados de todos que encontrou a sua felicidade. E foi essa simplicidade, essa humildade e essa entrega que vi sempre acompanhadas de um sorriso de felicidade que tanto me tocaram. Para mim a vocação, seja para sacerdócio, seja para o casamento e a família, seja para se ser missionário só fazem sentido de forem também um sentido de vida, e sempre um sentido de vida feliz e Madre Teresa foi sem dúvida uma vocação feliz, para tantos milhares que confortou na doença, na pobreza e no sofrimento, mas também uma vocação feliz para ela própria que não tenho dúvida que partiu com o coração e a alma cheia de uma vida plena de sentido.
Creio que a grande lição de vida que nos deixa é que seremos felizes quando descobrirmos onde está a nossa própria vocação, o que faz sentido em cada dia para a vida de cada um de nós. E, não tenho dúvida que em grande parte das vezes nós somos não apenas os construtores da infelicidade dos outros, mas também da nossa própria infelicidade e que isso sucede quando nos desviamos da nossa rota de sentido, do que verdadeiramente nos faz felizes que muitas vezes não é o que nos faz felizes na aparência ou o que nos parece fazer felizes, mas sim o que nós se olharmos bem para dentro de nós, sem medo e com honestidade, vemos que nos fazer sentir em serenidade, em paz connosco próprios e com a nossa alma a sorrir por dentro.
Eu, no meu caso concreto sei bem qual é a minha maior fonte de felicidade: é ser mãe. Foi o meu apelo interior desde que me reconheço tendo algum tipo de apelo interior, as maiores alegrias da minha vida foram o nascimento dos meus filhos e cada etapa da vida dos meus filhos que tive a enorme felicidade de acompanhar e que agora, já noutra fase da vida, com eles crescidos, acompanho de forma diferente mas com o mesmo amor de sempre. E quem me conhece e me viu sorrir terá seguramente visto os meus mais rasgados sorrisos sempre relacionados com os meus filhos.
E Madre Teresa é uma mulher admirável porque o seu sorriso que vem de dentro mostra a coragem e determinação de uma mulher que nos tempos que correm nos transmite a todos a felicidade e a esperança da entrega aos outros com essa alegria que nos toca tão fundo e nos contagia com a sua felicidade interior tão cheia de sentido.
A enormíssima lição de caridade e entrega total em Amor ao próximo que Madre Teresa nos legou em cada um dos seus gestos de bondade singela, a troco de nada, sem medo de nada, nada procurando mas fazendo de si uma dádiva total são para mim o traço indelével que deixa na humanidade. Uma humanidade que tornou mais doce, mais misericordiosa, mais acarinhada, mais confortada e sem dúvida muito mais bela.
Ter-lhe sido atribuído o Prémio Nobel da Paz foi um ato justo e um merecidíssimo reconhecimento internacional que maior paz podemos fazer senão levar o conforto aos que mais sofrem? Quantos indigentes e miseráveis ajudou a partir em paz? E quanta paz interior não traz continuamente a cada um de nós que se sente tocado pela sua mensagem e pelo seu amor universal? A mim pessoalmente trouxe-me sempre muita alegria e muita paz, ela esteve lá onde eu gostaria de estar mas nunca tive a coragem de estar e eu estou-lhe grata por isso. Estou-lhe grata por cada leproso que confortou por cada pobre que ajudou por cada doente que consolou. Estou-lhe grata porque no meio de tanto infortúnio universal quando surgia o seu rosto era sempre com ar sereno de quem está em paz consigo própria e essa paz é contagiante. Estou-lhe grata pela sua imagem de mulher simples que nos transmite a esperança da beleza da simplicidade que pode estar ao alcance de todos, da alegria de estender uma mão ao outro, da alegria de se ser exatamente o que se é, sem necessidade de impressionar ninguém e sem receios de perfeccionismo porque no Amor o caminho é simples, é amar o outro tal como ele é e ir ao encontro do outro. Santa Teresa foi para mim a segunda Mestre do Amor a seguir à minha mãe Maria Eugénia. A minha mãe nunca foi nem será canonizada mas foi com ela que muito cedo aprendi os primeiros passos do Amor, do respeito do outro e da valorização do outro tal como ele é, e também a humildade e a honestidade e também de colocar os outros em primeiro lugar. Estarão certamente juntas numa dimensão maior que almejo um dia alcançar para me juntar a elas.
Estou muito grata ao Papa Francisco que acho também admirável por mais este gesto tão importante mostrando-nos que ser igreja é alegria, é ter sentido de vida e de entrega ao nosso próprio destino de felicidade que de algum modo constrói a felicidade dos que nos rodeiam e a nossa própria felicidade. É assim que acredito que vale a pena viver, nos dias de sol, mas também nos de chuva e nuvens cinzentas porque por dentro de nós está a luz e o calor que nos impelem a caminhar e a construir o percurso da nossa vida.
Caro visitante virtual, desejo-lhe que como Madre Teresa de Calcutá descubra o seu caminho, a sua rota de felicidade em cada dia. Se não sabe por onde ir recolha-se ao seu interior e ouça o que o seu coração e o seu chamamento interior lhe dizem e poderá descobrir alegrias que nunca encontrou, entretanto, deixo-o com as santas palavras de Madre Teresa que tanto interpelam e revigoram:

 (Madre Teresa de Calcutá)

Qual é...
 O dia mais belo? Hoje
...
 A coisa mais fácil? Errar
 O obstáculo maior? O medo
 O erro maior? Desistir
 A raiz de todos os males? O egoísmo
 A distração mais bela? O trabalho
 A pior derrota? O desalento
 Os melhores professores? As crianças
 A primeira necessidade? Comunicar
 O que mais faz feliz? Ser útil aos demais
 O mistério maior? A morte
 O pior defeito? O mau humor
 A coisa mais perigosa? A mentira
 O sentimento pior? O rancor
 O presente mais belo? O perdão
 O mais imprescindível? O lar
 A estrada mais rápida? O caminho correto
 A sensação mais grata? A paz interior
 O resguardo mais eficaz? O sorriso
 O melhor remédio? O optimismo
 A maior satisfação? O dever cumprido
 A força maior do mundo? A fé
 As pessoas mais necessárias? Os pais
 A coisa mais bela de todas? O amor"
 
Boa caminhada, caros visitantes virtuais e até ao próximo post.
 
Um abraço virtual
 
C.C.

Santa Teresa de Calcutá
Falecimento: 5 de setembro de 1997, Calcutá, Índia

Santa Teresa de Calcutá



Caros visitantes virtuais,

Escrevo-vos hoje com muita alegria e esperança na canonização de Madre Teresa de Calcutá pelo Papa Francisco hoje anunciada. Foi com muita comoção e alegria que recebi esta notícia porque desde sempre me senti muito tocada por esta mulher extraordinária, de porte nobre, de uma nobreza interior e uma força que brota de dentro dela contrastando com o seu aspecto frágil.
Anjezë Gonxhe Bojaxhiu M.C., que cedo a sua vocação religiosa chamou a ser Madre Teresa de Calcutá era uma mulher albanesa de vida financeiramente muito confortável quando ainda muito jovem decidiu abandonar o conforto e uma vida estável para criar as Irmãs da Sabedoria numa entrega quotidiana aos mais pobres, aos doentes de lepra e aos mais marginalizados sociais e mais doentes.
Desde que me recordo de Madre Teresa que na televisão a via com toda a ligeireza e à vontade circular entre dejetos por onde vegetavam doentes abandonados à doença, à extrema pobreza e aos sofrimentos que todos esses bales profundos acarretam. E era lá, onde eles estavam que Madre Teresa, no seu sarai branco, achava que era o seu lugar no mundo e não no berço de conforto e segurança onde tinha nascido. Em risco permanente de contágio de doenças era aí que o seu chamamento interior a levava e foi junto dos mais infortunados de todos que encontrou a sua felicidade. E foi essa simplicidade, essa humildade e essa entrega que vi sempre acompanhadas de um sorriso de felicidade que tanto me tocaram. Para mim a vocação, seja para sacerdócio, seja para o casamento e a família, seja para se ser missionário só fazem sentido de forem também um sentido de vida, e sempre um sentido de vida feliz e Madre Teresa foi sem dúvida uma vocação feliz, para tantos milhares que confortou na doença, na pobreza e no sofrimento, mas também uma vocação feliz para ela própria que não tenho dúvida que partiu com o coração e a alma cheia de uma vida plena de sentido.
Creio que a grande lição de vida que nos deixa é que seremos felizes quando descobrirmos onde está a nossa própria vocação, o que faz sentido em cada dia para a vida de cada um de nós. E, não tenho dúvida que em grande parte das vezes nós somos não apenas os construtores da infelicidade dos outros, mas também da nossa própria infelicidade e que isso sucede quando nos desviamos da nossa rota de sentido, do que verdadeiramente nos faz felizes que muitas vezes não é o que nos faz felizes na aparência ou o que nos parece fazer felizes, mas sim o que nós se olharmos bem para dentro de nós, sem medo e com honestidade, vemos que nos fazer sentir em serenidade, em paz connosco próprios e com a nossa alma a sorrir por dentro.
Eu, no meu caso concreto sei bem qual é a minha maior fonte de felicidade: é ser mãe. Foi o meu apelo interior desde que me reconheço tendo algum tipo de apelo interior, as maiores alegrias da minha vida foram o nascimento dos meus filhos e cada etapa da vida dos meus filhos que tive a enorme felicidade de acompanhar e que agora, já noutra fase da vida, com eles crescidos, acompanho de forma diferente mas com o mesmo amor de sempre. E quem me conhece e me viu sorrir terá seguramente visto os meus mais rasgados sorrisos sempre relacionados com os meus filhos.
E Madre Teresa é uma mulher admirável porque o seu sorriso que vem de dentro mostra a coragem e determinação de uma mulher que nos tempos que correm nos transmite a todos a felicidade e a esperança da entrega aos outros com essa alegria que nos toca tão fundo e nos contagia com a sua felicidade interior tão cheia de sentido.
A enormíssima lição de caridade e entrega total em Amor ao próximo que Madre Teresa nos legou em cada um dos seus gestos de bondade singela, a troco de nada, sem medo de nada, nada procurando mas fazendo de si uma dádiva total são para mim o traço indelével que deixa na humanidade. Uma humanidade que tornou mais doce, mais misericordiosa, mais acarinhada, mais confortada e sem dúvida muito mais bela.
Ter-lhe sido atribuído o Prémio Nobel da Paz foi um ato justo e um merecidíssimo reconhecimento internacional que maior paz podemos fazer senão levar o conforto aos que mais sofrem? Quantos indigentes e miseráveis ajudou a partir em paz? E quanta paz interior não traz continuamente a cada um de nós que se sente tocado pela sua mensagem e pelo seu amor universal? A mim pessoalmente trouxe-me sempre muita alegria e muita paz, ela esteve lá onde eu gostaria de estar mas nunca tive a coragem de estar e eu estou-lhe grata por isso. Estou-lhe grata por cada leproso que confortou por cada pobre que ajudou por cada doente que consolou. Estou-lhe grata porque no meio de tanto infortúnio universal quando surgia o seu rosto era sempre com ar sereno de quem está em paz consigo própria e essa paz é contagiante. Estou-lhe grata pela sua imagem de mulher simples que nos transmite a esperança da beleza da simplicidade que pode estar ao alcance de todos, da alegria de estender uma mão ao outro, da alegria de se ser exatamente o que se é, sem necessidade de impressionar ninguém e sem receios de perfeccionismo porque no Amor o caminho é simples, é amar o outro tal como ele é e ir ao encontro do outro. Santa Teresa foi para mim a segunda Mestre do Amor a seguir à minha mãe Maria Eugénia. A minha mãe nunca foi nem será canonizada mas foi com ela que muito cedo aprendi os primeiros passos do Amor, do respeito do outro e da valorização do outro tal como ele é, e também a humildade e a honestidade e também de colocar os outros em primeiro lugar. Estarão certamente juntas numa dimensão maior que almejo um dia alcançar para me juntar a elas.
Estou muito grata ao Papa Francisco que acho também admirável por mais este gesto tão importante mostrando-nos que ser igreja é alegria, é ter sentido de vida e de entrega ao nosso próprio destino de felicidade que de algum modo constrói a felicidade dos que nos rodeiam e a nossa própria felicidade. É assim que acredito que vale a pena viver, nos dias de sol, mas também nos de chuva e nuvens cinzentas porque por dentro de nós está a luz e o calor que nos impelem a caminhar e a construir o percurso da nossa vida.
Caro visitante virtual, desejo-lhe que como Madre Teresa de Calcutá descubra o seu caminho, a sua rota de felicidade em cada dia. Se não sabe por onde ir recolha-se ao seu interior e ouça o que o seu coração e o seu chamamento interior lhe dizem e poderá descobrir alegrias que nunca encontrou.
Boa caminhada, caros visitantes virtuais e até ao próximo post.
Um abraço virtual
C.C.



Falecimento: 5 de setembro de 1997, Calcutá, Índia

28/08/2016

A esperança que resulta da renovação de todas as marés da vida


Caros visitantes virtuais,

Há longo tempo sem escrever neste blogue. Força das marés da vida. Tal como as marés, recolhi e agora regressei de novo a este vosso, nosso blogue.
Como em tudo nos marés, também as nossas vidas têm marés. As marés são uma força da natureza que se impõe, queiramos ou não, sejam para nós agradáveis ou não. O tempo, fonte de sabedoria reconhecida por todas as civilizações, religiões e culturas ensinou-me a respeitá-las.
Há marés que nos trazem brilho, energia, juventude, vivacidade e muita alegria. Outras, pelo contrário, trazem-nos melancolia ou mesmo tristeza. Algumas transportam para junto de nós nascimentos, gente nova que conhecemos, novas paragens, novos destinos, outras levam-nos gente querida, arrebatam-nos sonhos, desmancham-nos projetos. Todas, se as aceitarmos como inevitáveis e partes integrantes que são das nossas vidas trazem-nos amadurecimento, aprendizagem, sabedoria para distinguir o que é e o que não é importante na vida, quem está e quem não está sempre ao nosso lado quer choremos ou demos uma boa gargalhada quer estejamos bons conversadores ou estejamos melancólicos ou pensativos.
Por essas razões eu respeito e aceito as marés da vida.
Por essas razões eu estou grata pelas marés da vida, e não apenas pelas belíssimas e coloridas mas também pelas que não consigo ver com cor nem com alegria ou mesmo que vejo com reconhecida tristeza porque acima de tudo todas me provam que estive viva até hoje e estou viva hoje e a vida que tenho com todas as pessoas que me são queridas, as que ainda comigo prevalecem e as que já partiram é uma bênção para mim. Essas pessoas são o meu património existencial único e insubstituível, todas elas, todas, mesmo aquelas que me fizeram tombar lágrimas fizeram de mim o que sou hoje e o que eu sou hoje ninguém mais é senão eu. E o que o meu visitante virtual é hoje ninguém mais é: único, precioso e insubstituível. Mais do que as marés que se nos impõem somos importantes nesta harmonia da natureza, nesta vida que hoje vivemos e que se prolonga desde ontem e ontem e ontem com toda a riqueza do património emocional, psicológico e físico que cada um de nós é.
Somos esculturas vivas da vida. E eu, crente que sou num poder superior a quem chamo Deus, acredito-me escultura viva de um projeto maior de Vida humana para o qual tenho dado o meu modesto mas certamente insubstituível contributo como creio sucede para qualquer ser humano.
Há vários anos as minhas marés têm sido baixas, mesmo vazantes, parecendo nunca mudar e muitas vezes me desalentando com a falta de mudança que eu tanto sentia necessitar. Não mudaram ainda as minhas marés mas mudou a minha maré interior que me ensinou a ver que eu estava precisada sem o saber dessas marés que tanto me custaram aceitar, precisei delas para aprender sobre mim, sobre a vida e sobre todos e tudo o que me rodeia lições que me recusava obstinadamente a aprender de outro modo, a principal delas a da humildade.
Sou agora com essas marés uma pessoa mais rica, mais humilde perante os meus próprios sonhos e projetos de vida. Valeram a pena as marés? Sem dúvida que sim, de que outro modo eu teria os olhos que hoje tenho sobre a vida, sobre mim própria e sobre os meus sonhos e projetos?
Anunciam-se para todos nós em cada dia renovação de marés, que eu saiba sempre respeitá-las e  aprender com  elas e, sobretudo, como hoje, sejam quais forem as marés por estar grata por poder senti-las mais este dia em que o sol para todos nasce igual e se põe com igual beleza repousando sobre o horizonte seja do mar, de uma vasta planície, de um doirado deserto ou de uma majestosa montanha.
Até breve caro visitante virtual e acolha serenamente as suas marés.
C.C.

11/04/2016

Amar o outro é fonte de esperança

(Caravana cigana pintada por Vincent Van Gogh)


Chama-se Irina e é uma cigana búlgara que pede esmola à porta das igrejas. Escondem as suas formas femininas farrapos de andrajos mal cheirosos e os traços do seu rosto estão encobertos por uma falta de higiene que nem imaginamos possível.
Está frio e a pedra gelada da calçada é o seu único assento com que convive com familiaridade. Começo de pé a falar com ela, mas em breve me curvo sentada sobre os meus joelhos rendida ao fascínio do seu destino errante. Passa por nós um carro preto desportivo que ascende a somas que sustentariam e dariam futuros prósperos a todas as crianças de uma caravana, mas a indiferença de quem o conduz é total.
Transeuntes voltam-se curiosos ante a contemplação de duas mulheres diferentes que somos animadas numa conversa que visivelmente nos faz a ambas felizes. Ela, orgulhosa, exibe-me o seu tesouro mais precioso, a fotografia dela com os seus filhos, quatro rapazes, dois entre os 12 e os 10 anos, um mais novinho de cerca de 6 anos e Christine com cerca de dois anos. Conta-me que partiu de Sófia para deixar um marido incapaz de dar futuro aos filhos.
Entregou-se em Espanha em troca de um melhor destino para os filhos. Tudo lhe parece  normal para dar aos seus filhos um melhor do que o seu e certamente, na sua perspetiva, melhor que o que teriam no seu país-Natal. Essa entrega depositou-lhe no colo mais um filho e a certeza de que não era ainda ali o seu lugar. Chegada a Portimão achou que talvez um africano fosse a resposta ao seu anseio protetor e dessa nova entrega nasceu a bela Christine, uma belíssima cigana loira de tez morena e olhos grandes evocando os grandes espaços da pátria de seu pai que nunca conhecerá.
Irina nem se lembra dos nomes dos pais dos seus filhos da diáspora, mas o rosto ilumina-se-lhe num brilho de felicidade quando fala de cada um deles. Aquele amor incondicional é quanto lhe basta para ser feliz e confia à divina providência o sustento para eles em cada dia, por ela passa bem com pouca coisa, ou mesmo nada.
Disse-lhe o meu nome e ela riu. Para mim chamas-te "Bonita", respondeu-me.
Há semanas no lugar onde ondem encontrei Irina estava Andrei, um polaco tímido que em segredo juntava dinheiro para depois de vários anos em Portugal regressar ao seu país de origem. O rosto cobriu-lhe de lágrimas de felicidade ao contar-me que ia regressar aos seus após esse fim-de-semana em que sabia já que recolheria o suficiente que lhe faltava para comprar o seu bilhete só de ida. Deixara a Polónia com a ilusão de um futuro melhor, de onde pudesse mandar dinheiro para a mãe  e os irmãos mais pequenos, mesmo passando a dura provação de passar sem a ternura de os abraçar.
"Não aguento mais", dissera-me. E fazia esta íntima confissão num estado de comoção que nos unia na mesma humana condição. "Parto já segunda-feira, senhora". Adverti-o para que tivesse cuidado para que no abrigo onde ia dormir lhe não roubassem o dinheiro que juntara e os documentos necessários para a viagem porque tal sucedera a um amigo sem-abrigo. Agradeceu-me porque não pensara no assunto. A sua alma límpida não o alertava para que nem sempre o ser humano nos surpreende pelo seu melhor. "Vou dormir em cima de tudo", tranquilizou-me. E repetiu várias vezes esta cautela que era mais para ele que para mim.
"Senhora". Chamou-me já depois de me ter despedido dele e desejado boa sorte para o regresso.
Voltei para trás e Andrei sorria com um brilho nos olhos que me comoveu quando vi que de entre os andrajos retirara uma fotografia. Debrucei-me sobre a fotografia e deixei que me explicasse em detalhe cada espaço dos campos onde regressaria e os seus amados familiares que lá iria encontrar.
Nos dias seguintes sempre que via um avião levantar voo lembrava-me de Andrei e sabia que não nos esqueceríamos um ao outo, porque não se esquecem as pessoas que verdadeiramente nos ouvem e com quem verdadeiramente falamos de coração aberto. Passamos pelas vidas uns dos outros enriquecendo-nos mutuamente.
Para mim, é no amor incondicional que temos pelos filhos, pais e irmãos que radica a fonte da felicidade que nos faz ver que cada dia vale a pena ser vivido em plenitude, usufruindo da alegria de os ter bem, com saúde, mais perto ou mais longe de nós, mas sempre no centro do nosso coração.
E se a esses que nos merecem a nossa entrega incondicional em cada dia juntarmos os nossos amigos, que escolhemos e criamos com profundos laços de afeto que perduram no tempo, a nossa felicidade é ainda maior.
No fim-de-semana passado quando estava sentada de cócoras conversando com Irina, senti-me plenamente feliz pela bênção que Deus me deu de me aproximar de tanta gente desconhecida e de com a minha proximidade genuinamente humana e solidária ter a capacidade para com as minhas palavras de compreensão e o meu sorriso afetuoso fazer brotar, dos seus rostos carpidos pela solidão, a dor, o desespero ou a miséria, os sorrisos mais radiosos que tenho visto.
E quando tanta vez ao longo destes cinquenta anos de vida me tenho interrogado sobre quem sou, durante essa conversa com Irina senti a resposta no interior de mim mesma e aprendi-a de Jesus Cristo, cuja Fé sustenta os meus dias.
Como diz a Bíblia, Cristo quando interrogado pelos apóstolos sobre quem era ele, para poderem esclarecer as multidões que o seguiam respondeu prontamente. "Eu sou Aquele que Sou."
E eu compreendi que sou aquela pessoa que fica feliz por poder amar aqueles que muito ama, pelas grandes e longas amizades que preserva e alimenta e todos os desconhecidos e desconhecidas com quem partilha momentos de tantas vidas que vale a pena escutar e acarinhar. Compreendi que sou essa pessoa que dentro de si tem uma alma que a torna feliz quando está só, a contemplar as belezas interiores, mas também quando só ou acompanhada se delicia com as pequenas e grandes maravilhas da natureza e da cultura.
É bom ter o privilégio de descobrirmos quem somos, vale a pena partir nessa viagem interior à descoberta de si mesmo, caro visitante virtual e verá que quando se encontrar chegará à mesma resposta que eu: Cada um de nós é exatamente aquele que é.
E quando isso nos basta para nos aceitarmos e encontramos a humildade de nos reconhecermos como um grão de areia numa praia maior, mas em que cada um de nós se não estivesse lá, não haveria praia. E quando isso ao mesmo tempo que nos faz sentir essa humildade nos faz sentir a grandiosidade da nossa diferença, porque cada um é apenas igual a si próprio, sendo cada um de nós indispensável e insubstituível, temos o que basta para nos reconhecermos como únicos e nos valorizarmos como tal aos nossos próprios olhos.
Nesta minha conceção de vida, não há lugar à competição, palavra e estímulo tão caros às nossas sociedades contemporâneas. Nenhum de nós é melhor que seja quem for, nem seja quem for é melhor que nós. Desgastar-se na competição é um desperdício e infértil desperdício de energias.
Não olhe mais para o lado para se comparar, caro visitante virtual. Não perca tempo com valores que nada valem. Olhe para si, encontre-se e siga por aí, por onde a sua alma lhe diz que se sente limpo, leve e confortável.
Não tenha pressa, vá usufruindo dos aromas que lhe chegarem às narinas, sejam de mar ou montanhas floridas. Sinta nos dedos a suavidade das pétalas ou as formas da areia do deserto escorrendo por entre os dedos até formar pequenas dunas, ou a frescura das águas de um riacho cujo curso é saltitante entre seixos brancos. Sinta na pele o calor a aquecer-lhe cada célula descoberta do seu corpo ou o frio a avisá-lo que se proteja enquanto vislumbra a neve que em flocos o salpica de branco.
E se nesse suave e doce percurso encontrar seja quem for, só ou em comunidade, ao ar livre ou numa tenda ou edifício de qualquer forma, a entoar cânticos, preces ou louvores a Deus, seja qual for o nome que lhe dado e a língua em que é comunicado, interrompa a sua viagem, junte-se a eles e, sendo crente ou não num poder superior, deixe-se invadir pela espiritualidade e descobrir a força mística que esse momento de encontro com o divino proporciona a quem a ele se abre.
Seja quem é, caro visitante virtual, siga sereno e confiante o seu caminho, sem pressas, entregue unicamente ao amor incondicional e à esperança que dele brota em cada dia.
Um abraço fraterno.
CC

31/03/2016

A esperança que resulta de ter conhecido alguém muito especial


 Post dedicado à memória de Joaninha e, como ela muito gostaria, à memória do seu mano Tiago

Caros visitantes,

Tenho a certeza que cada um de vós que agora me lê alguma vez na sua vida conheceu alguém ou algumas raras pessoas muito especiais. Eu também tive essa felicidade quando conheci a Joaninha, sorridente na foto acima, como sempre a conheci muito amada pelos seus pais Carlos e Filomena Pinto e por isso  muito, muito feliz.
A Joaninha deixou-nos subitamente na quinta-feira de Páscoa e a belíssima e profunda intensa celebração eucarística da sua reunião com Deus realizou-se precisamente no Dia de Páscoa que ocorreu há dias. Foi uma das mais intensas celebrações eucarísticas em que participei e em que mais intensamente senti a intensidade da Fé, e estou muito grata a Deus, ao Padre Rui Valério que presidiu a esta celebração e que nela nos deixou uma mensagem de Fé e de esperança e força do Espírito na nossa Vida que nunca esquecerei, muito grata também ao Carlos e à Mena Pinto, pais da Joaninha, à minha muito querida Joaninha e a todos os padres, acólitos, catequistas, jovens, crianças e todas as muitas pessoas da Paróquia da Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto que participaram com tanto empenho e entrega de presença espiritual e comunhão solidária com a família de Joaninha. Apesar da enorme tristeza do momento de grande dor de não mais podermos ver nem ouvir fisicamente a Joaninha, nem a beijar e abraçar como ela tanto gostava, e nós também, a verdade é que quem muito a amou e ama continua a sentir a forte presença dela, a vê-la, a ouvi-la e a lembrar os muitos momentos em que tivemos o privilégio de partilhar momentos das nossas vidas com ela e que sabem tão bem recordar, por tudo isso, para mim, Joaninha e também o Carlos e a Mena foram naquele dia, como em muitos outros dias para mim uma enorme mensagem de esperança que agora partilho com os meus visitantes virtuais. 
Eu acredito que, pelas mesmas razões, caro visitante virtual, pessoas assim tão especiais que conheceu na sua vida serão para si essa fonte de esperança. Se nunca as tinha visto nessa perspetiva, desperte para ela agora que vale muito a pena porque a vida é um lugar maravilhoso para amar e receber amor em cada dia, entregando-se aos outros e abrindo os braços para receber as dádivas de amor e de beleza que ela tem para nós, sejam os Alpes suíços que eu ontem estava a contemplar, seja o passarinho que eu, agora em Lisboa, estou a ouvir, seja o rosto dos meus filhos crescidos que admiro extasiada como qualquer mãe, e o rosto dos filhos de cada um de vós, mães e pais, que vos faz sentir a mesma intensa alegria e esperança.
A vós, caros visitantes virtuais, que nunca tiveste a alegria de conhecer ninguém tão especial, apresento-vos a Joaninha e deixo-vos com a memória da presença feliz e a mensagem de grande alegria a hino a tudo de belo na vida, para ela, sobretudo o mano dela, os pais dela, a família dela, os amigos dela, mas também, a missa e os seus belíssimos cantos, Jesus e Maria que ela referia a todo o instante, as flores que ela adorava, todas as flores, as guloseimas de que ela tanto gostava, sobretudo bolachinhas e chocolates, pulseiras coloridas (como a que uma vez lhe ofereci e a fez devolver-me um sorriso de tão grande alegria que ainda hoje me faz sorrir), mas sobretudo... as crianças e destas, acima de tudo, os bébés. A Joaninha deliciava-se com a existência de tudo isto e vivia a alegria de tudo isto em cada dia e contagiava-nos com a sua felicidade imensa e sem limites e agora eterna.
Há  maior esperança que esta? Se há ainda bem, porque pelo menos esta que conheço, que vivo e que me faz feliz estou profundamente grata a Deus por ela.
Um grande grande beijinho e obrigada por tudo minha querida e doce Joaninha.
Um grande beijinho Carlos e Mena por nos terem dado a Joaninha e por tudo o que vocês são e pela alegria contagiante do vosso amor e a força contagiante da vossa fé que me faz sentir pequenina e humilde, e por isso necessitada da proteção da imensidão de Deus a quem me confio inteiramente em cada dia e a quem confio os meus filhos e aqueles da minha família e amigos que tanto amo, mas também a quem confio quem nem sequer conheço, a quem confio toda a humanidade, e nela, em cada dia a quem confio os que mais precisam e nos momentos que mais precisam.
Um abraço muito feliz e cheio de esperança para si, caro visitante virtual que acabou de ler veste post e creia que embora não faça ideia de quem é, a sua vida para mim é valiosa e estou grata por ela e por ler as minhas simples e sinceras palavras neste blogue.
CC

11/02/2016

Uma mão entre os cabelos... Amor e fonte de esperança


Caros visitantes virtuais,
 
Escrevo-vos hoje sobre a esperança que resulta do amor entre jovens casais. O que me motivou a escrever este post foi um belíssimo gesto de ternura que tive a felicidade de testemunhar. E este post é dedicado por mim com todo o carinho à Marta e ao Rafael Maslinkiewicz, pais de três deliciosas crianças. Pedi autorização ao jovem casal para escrever sobre eles no meu post, pelo que é com muito gosto que o faço. A foto acima é deles, no dia do feliz enlace.
Estávamos numa celebração eucarística e a Marta e o Rafael estavam com os seus dois filhos numa atitude de atenção constante uns aos outros e das próprias crianças de atenção e troca de mimos entre irmãos, sendo o mais pequenino, ainda de colo o mais traquina. Eu deliciei-me com ele e no momento pensei que era ali que estava toda a fonte da esperança. Concentrada que estava nos meus pensamentos esqueci-me que estava de olhar fixo neles, estando eu sentada atrás e com o pequenito frequentemente virado para trás e um sorriso de felicidade que contagiava.
E foi assim que vi o gesto mais belo de poucos que tenho visto: o Rafael enternecido a olhar para os cabelos da Marta, estender delicadamente a mão e começar a brincar com os caracóis da sua jovem mulher que acariciava o bebé ao colo.
Logo ali decidi que escreveria este post pois acho absolutamente maravilhosa a ternura entre casais e acho que é dessa fonte de amor que se expressa nos pequenos gestos do dia a dia que brota muita da esperança sobretudo para os jovens da nossa sociedade que frequentemente contactam com mensagens que os confundem e distanciam do que é verdadeiramente importante na vida: o Amor, o respeito pelo outro, a singeleza da ternura, a atenção a quem se ama, o gesto de expressão do amor, o nosso olhar sobre o outro aquecendo-lhe a alma e a felicidade de constituir e construir uma família. São momentos como estes da Marta e do Rafael que são mensagens de esperança no amor, no compromisso, na fidelidade, na entrega ao outro, no compromisso sem que ele represente nem um peso nem uma prisão, mas a felicidade da constância e da harmonia.
Esperança também nas famílias de hoje sim, porque hoje, no passado ou no futuro o Amor é, foi e será sempre o Amor, seja qual for a  língua ou forma em que é expresso, sejam quais forem as etnias, nacionalidades, idades, origens sociais ou culturais ou mesmo a fé que professam ou não professam os membros do casal, porque o AMOR é universal.
 
 
Obrigada Marta e Rafael pelo vosso testemunho de vida tão inspirador.
 
Não vos dedico a vós este post, mas à D. Gina, avó da Marta, já não presente entre nós fisicamente mas que bem conheci durante muitos anos e que tanto testemunho deu de Fé, de amor, de entrega à paróquia porque ela o merece e porque sei que onde acredito que está terá ficado ainda mais feliz que eu com este vosso gesto.
Caro visitante virtual, espero tê-lo também feito sorrir enternecido com o gesto da Marta e do Rafael, e com isso talvez lembrado gestos de ternura que recebeu ou deu. Certamente que tal já sucedeu na sua vida e convido-o a que continue a entregar-se a essa ternura em relação a seja quem for que achar que a merece.
Obrigada uma vez mais pela visita a este blogue e votos de muitos e ternos momentos.
 
CC
 

02/01/2016

A GRATIDÃO A ABRIR UM NOVO ANO - FELIZ 2016 PARA TODOS OS LEITORES DESTE BLOGUE


Caros visitantes virtuais,

Pessoalmente encerro um ciclo de três anos de planície na minha vida. Chamo assim este ciclo porque é a primeira vez que vivi um período deste tipo e porque na planície não conseguimos ver mais longe do que o horizonte circunscrito, torna-se difícil encontrar novos objetivos para a vida e sonhar novas paisagens. Não é um período colorido, como felizmente os restantes que tenho tido ao longo da vida, mas mesmo tudo o que é menos positivo na vida tem lados bons, o primeiro é que também esses períodos têm um fim e nós sabemos quando terminaram.
É o caso do meu ciclo de três anos que fechou em 2015. Depois porque esses períodos em que nos fechamos mais e não vemos saídas nem queremos socializar como habitualmente nos fazem navegar na nossa introspecção, aprender mais sobre nós próprios, descobrir arestas que temos que limar para ficarmos ainda mais autênticos e mais próximos dos outros e descobrir também o que em nós merece ser valorizado e, sobretudo, aprendemos a ser humildes, amadurecemos e aprendemos a definir as prioridades da vida em função do que é verdadeiramente importante para sermos genuinamente felizes. Apesar de reconhecer que foi um período difícil, reconheço também que foi importante na minha vida porque a tornou ainda mais genuína e aberta à vida e à esperança.
Assim, saúdo 2016 com muita alegria e esperança, empenhada que estou em mais este troço da vida cujo percurso há muito pouco começou e onde tenciono permanecer com todas as pessoas com quem tive a felicidade de me cruzar ao longo da vida e que de uns ou outros modos permanecem sempre comigo, fisicamente mais próximos ou mais distantes ou até já na eternidade, mas isso não importa porque todos eles estão muito vivos no meu coração onde não há espaço nem distância geográfica ou temporal. Simplesmente estão lá, todos, porque são muito importantes para mim.
No início deste meu novo ciclo, no início do ano que começa faço questão de manifestar a minha gratidão pelas pessoas com que tive a felicidade de me cruzar e que marcaram a minha vida e faço ainda questão de fazer uma homenagem a uma grande mulher que o país e os cidadãos portugueses perderam em 2016 e considero também uma pessoa marcante na minha vida, a Dra Maria Barroso.
Começo por esta homenagem e gratidão como cidadã e como pessoa.
Tinha vinte e oito anos quando conheci a Dra Maria Barroso. Passámos juntas dois dias que constituíram a ocasião de uma conferência em que ela participava como oradora e em que eu participava envolvida na minha vida profissional na Educação e cujo tema, ao tempo, era e continua a ser muito atual: "O valor não remunerado do trabalho das mulheres". A conferência reunia ilustres oradores e oradoras em torno desta polémica temática que incendiou oradores e participantes. Recordo-me que na primeira manhã fiz uma intervenção na linha das minhas convicções que ainda mantenho sobre a matéria e que quando encerraram os trabalhos dessa primeira sessão veio ter comigo uma grande senhora da Educação que eu não conhecia pessoalmente e fiquei a conhecer nessa ocasião e por quem ainda hoje mantenho uma enorme admiração profissional e pessoal, a Professora Doutora Anne Marie Fontaine. Aqui lhe presto a minha genuína homenagem. Reputada professora da Universidade do Porto, esta grande senhora veio ter comigo para me felicitar pela minha intervenção, começámos a conversar e ela convidou-me a ficar na sua mesa de almoço para continuarmos a nossa partilha de ideias.
Ao longo da vida não voltei a conhecer ninguém que tivesse a simplicidade deste gesto, a não ser exatamente no mesmo dia e ocasião, a Dra Maria Barroso, que havia sido oradora durante essa manhã e que, ainda no momento em que as pessoas se encontravam a organizar-se em grupos para o almoço veio ter comigo, me disse também que tinha gostado muito da minha intervenção e que me convidava para a sua mesa de almoço para podermos conversar. Fiquei impressionada com essa grande mulher e conhecida figura pública que convidava uma anónima e muito nova mulher para com ela debater ideias e almoçar. Assim, a Dra Maria Barroso, a Professora Anne Marie Fontaine e eu almoçámos juntas não apenas nesse dia, como no seguinte e depois ela convidou-nos na tarde do segundo dia a ir com ela conhecer o Colégio Moderno que nos apresentou pessoalmente explicando-nos a valiosa história do mesmo. Nunca mais esqueci nem uma nem a outra destas duas mulheres. Com a Professora Anne Marie Fontaine, por voltas engraçadas que a vida dá, acabei por manter laços que ainda hoje permanecem; com a Dra Maria Barroso nunca mais tive qualquer contacto pessoal, mas ficou-me a marcante impressão que me deixou e as conversas que trocámos em que transparecia uma mulher que quem a ouve e com ela tem o privilégio de se cruzar sente que é uma mulher que arrebata multidões, marca gerações e se torna um símbolo nacional, pela sua enorme sabedoria, força de personalidade, retidão de caráter, impressionante humildade e simplicidade e perfil ético exemplar. Claramente uma mulher de valores e de princípios onde as pessoas não são julgadas nem pela idade, nem pela condição económica ou social, mas valorizadas pelo simples facto de serem pessoas e pelas suas ideias e a convicção com as apresentam e debatem. Faço, pois, questão, de aqui deixar registada a minha gratidão por esses dois dias e as conversas tocadas com a Professora Anne Marie Fontaine e a Dra Maria Barroso.
Passo agora à segunda parte do meu post, a da minha gratidão às pessoas que marcaram os meus primeiros cinquenta anos de vida. Quis fazê-lo por ter há um ano completado o meu cinquentenário e por estar em 2016 a entrar num novo ciclo de vida.
As primeiras e mais importantes pessoas que marcaram a minha vida foram desde logo os meus pais Maria Eugénia e Adelino Chamiça que me transmitiram os valores estruturantes de toda a minha vida e o amor incondicional que só os pais e os irmãos sentem por nós, no meu caso, a minha irmã, Aida Chamiça, sem dúvida uma das pessoas mais marcantes da minha vida pelo seu extraordinário companheirismo de sempre, cumplicidade e frontalidade com que sempre me defronta comigo própria, o que é altamente valioso e enriquecedor.
Seguem-se o meu marido, Jorge Paulo, cujo amor e extraordinariamente rica companhia diária de há quase vinte cinco anos, tem marcado a minha vida desde o nosso namoro, desde que por ele me apaixonei em 1990 e que me deu os dois maiores presentes da minha vida, os meus filhos Francisco e João Chamiça Pereira. Também os meus filhos têm sido pessoas profundamente marcantes da minha vida, desde a gravidez que vivi intensa e muitíssimo feliz de cada um deles, como pela incomparável alegria que senti com os seus nascimentos, e ainda com a alegria diária de os ver desabrochar e crescer e, atualmente pelos preciosos companheiros que são de tão interessantes conversas familiares.
Uma enorme gratidão para as minhas amigas e amigos de infância e cujos fortes laços continuam a unir-nos: Ilda Dias, Cecília, Zé Relvas, Cláudia Malhão, Ilda Lopes, Paulina, Tininha e Cristina Pimparel e amigos de adolescência e juventude: Paulo Cunha Alves, Zezinha Rosa, Fernanda Vidal, Rita Evangelista, Elisabete Luís, Leonor, Beta Simões, Ilídio, Paulo Santos, Rui Mota, Sónia Costa, Paula Cristina Saruga, Luís Madruga, Rui Brito, Tininha Ferreira, Hipólito, Zé Inês, João, Luís, Fernando Costa, Zito, Rogério, Paulo Dias, Jorge Santos, Miguel Santos, Eunice, Miguel Ferreira, Tony, Dinho, Sandra, Carlos, Faty Lauriac e Anabela Santos e amigos de há quase trinta anos: Teresa Pedroso, Jorge Leonardo, Madalena Martins, Janine Costa, Filomena Matos, Carmo Gregório, Amélia Godinho, Fernanda Sales, Lourdes Neto e Emília Tavares e ainda sem que os anos contem: João Sérgio Rodrigues, Teresa Brito, Fátima Lico, Hugo Sena, Fernanda Pina, Ana Mateus, Albina Santos Silva, Professora Maria do Céu Roldão, Professor Natércio Afonso, Professor Jorge Pedreira, Vasco Alves, Joaquim Silva Pereira, Dulcinea Gil, Filipe Teixeira, Bruno Lai, José Manuel Batista, António Marçal Grilo, Ana Paula Varela, Artur Galvão Teles, Mário Sanches, Isabel, Judite Nozes, Borges Palma, José Manuel Batista, Mário Pereira, Alexandra Marques e Cristina Saragoça e as muito saudosas Lurdes Costa, Nelas e Júlia Freire.
Quero aqui também lembrar o Euclides Ferreira, meu coordenador de grupo de jovens durante vários anos na Paróquia da Póvoa de Santo Adrião, sempre acompanhado da sua extraordinária mulher, Joana e os meus amigos do grupo de jovens cuja amizade prevalece ainda desde o início dos anos oitenta e com quem partilhei tantas discussões interessantes, gargalhadas, desabafos, saídas à praia, noitadas. A eles estou profundamente grata, ao Euclides pela abertura de mente na fé que me transmitiu e o prazer de descoberta da fé de forma amadurecida que mantenho e aos amigos de grupo de jovens por tantos anos de alegria e saudável convívio recheado de música e grandes e empolgantes conversas sobre tantos temas tão diferentes.
Não quero também deixar de manifestar a minha gratidão aos padres que marcaram a minha fé ao longo dos meus cinquenta anos, por ordem de épocas, o Padre Manuel Peixoto, o Padre Luís Ferreira e o meu atual pároco, o Padre Rui Valério, todos Padres Monfortinos. Pela importância que a fé desde sempre teve na minha vida, eles têm-na enriquecido no plano espiritual porque foi com eles que vivi os momentos mais marcantes da minha vida religiosa, muito em especial o meu casamento e o batismo dos meus dois filhos. Com eles a minha gratidão vai também para as largas dezenas de grupos de jovens que eu tenho coordenado na Paróquia da Póvoa de Santo Adrião e de quem ainda hoje sou grande amiga, bem como todas as pessoas da Paróquia com quem ao longo destes cinquenta anos tenho partilhado a minha vida religiosa laical e por quem nutro um grande carinho quer dos que me conhecem desde os 7 anos quer dos mais recentes.
Manifesto também a minha gratidão aos Padres e Frades Dominicanos: Frei Bento Domingues, que muito admiro pelas suas tão abertas posições religiosas e que não esqueço por há mais de trinta anos, numa conferência sobre matéria religiosa e ética ter defendido uma posição altamente polémica que eu assumi e que deixou horrorizadas a maioria das pessoas que a ouviram e em que o Frei Bento, não me conhecendo de lado nenhum, se levantou da assistência para assumir a defesa das minhas arrojadas ideias sobre a matéria, convicção que ainda hoje partilho. Mais recentemente, o Frei Filipe Rodrigues, que comigo partilhou muito enriquecedores momentos de fé.
A minha enorme gratidão vai também para a melhor professora que tive em todo o ensino básico e secundário a professora e escritora Eduarda Dionísio do Liceu Camões e os professores do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas: Professor Doutor Adriano Moreira, Professor Doutor António de Sousa Lara, Professor Doutor João Mota de Campos e já saudosos Professor Doutor Políbio Valente de Almeida e Professor Silva Cunha e ainda o então ainda jovem mas excelente professor Dr. João Bernardo Weinstein, de quem tive depois o prazer de ser colega nos anos que leccionei nessa instituição que tanto acarinho, de que guardo blíssimas e ricas memórias académicas e pessoais e onde tanto aprendi sobre relações internacionais, geopolítica, ciência política e as várias ciências humanas e sociais. Deixo também uma muito especial gratidão e o meu abraço iscspiano aos muitos colegas, professores e alunos dos meus tempos de aluna e depois de professora no ISCSP.
Na minha entrada na vida profissional quero deixar registada a minha gratidão e profunda admiração e estima pelo já saudoso Dr. João Amado, Diretor do Instituto Superior de Novas Profissões onde leccionei vários anos e a minha estima e amizade por ele e pelos muitos colegas e alunos que tive nessa instituição de ensino superior privado que me enriqueceu o percurso profissional e de vida.
Já à entrada profissional a minha maior gratidão é devida ao Professor Bártolo Paiva Campos com quem ao longo da vida trabalhei cerca de vinte anos na área da educação e que acreditou e confiou nas minhas capacidades e assim me proporcionou desafios profissionais que muito me enriqueceram e que tenho muito presentes, bem como o tanto que com ele aprendi formando-me para ser a profissional que ainda hoje sou e com quem fiquei ligada por uma sólida e grande amizade. Também no plano profissional, a minha gratidão ao Professor Alexandre Ventura é enorme. Também com ele vivi desafios profissionais importantes, um dos quais o maior desafio profissional que tive até hoje e a quem hoje me une uma enorme amizade intemporal apesar do oceano que agora nos separa fisicamente. Fico também muito grata aos muitos colegas e amigos que ainda hoje mantenho da minha passagem de mais de vinte anos de vida profissional na educação, com eles muito aprendi e com quem gostei muito e continuo a gostar muito de conviver quando temos oportunidade.
Mais recentemente gostaria de deixar registada a minha gratidão ao Coronel Paulo Soares, que foi responsável pela minha viragem profissional para a área da segurança, onde desde há quase cinco anos pertenço e que se tornou numa paixão profissional para mim a seguir a que tive mais de vinte anos, a educação, pois acredito veementemente que estas duas áreas são fulcrais para a vida da sociedade portuguesa e bem-estar do nosso país, uma garantindo a formação das nossas crianças e jovens e outra garantindo a estabilidade e segurança das nossas instituições, das pessoas e do nosso país. Com o Coronel Paulo Soares e os vários colegas, militares, polícias e inspetores descobri uma nova forma de vida profissional, mas também com eles tenho aprendido muito e vivido momentos de amizade muito valiosos e de enriquecimento pessoas e profissional.

A concluir a minha gratidão vai para todas as outras pessoas aqui não referidas mas com quem tenho tido a felicidade de me cruzar nos vários grupos onde tenho participado de natureza religiosa, desportiva, cultural ou recreativa, mas também para os muitos cidadãos anónimos com quem me tenho cruzado ao longo da vida e que, sem nos conhecermos, têm travado conversa comigo ou eu com eles e que também eles têm enriquecido muito a minha vida pois para mim, o maior valor da vida e o que mais prezo são as pessoas.

FELIZ ANO NOVO PARA TODAS ESTAS PESSOAS E TAMBÉM PARA SI, CARO VISITANTE VIRTUAL e para todos um grande abraço festivo, de celebração à vida e de ESPERANÇA.

CC

22/11/2015

A esperança que resulta do desprendimento de nós próprios




Caros visitantes virtuais,

Desta vez escrevo-vos sobre desprendimento. Poderia também escrever sobre humildade, sobre autenticidade, sobre veracidade, sobre entrega, sobre libertação, sobre altruísmo ou sobre vários outros caminhos similares que nos conduzem a uma leveza interior que nos torna mais disponíveis para os outros e, sempre mais felizes.
Ontem fui ver o filme "O Estagiário" protagonizado por Robert de Niro e Anne Hathaway, ambos de idades muitos diferentes e excecionais, um já com grande história de sucesso cinematográfico e ela com história recente de já alguns sucessos acumulados. Este filme magistralmente mostra-nos a grande riqueza de termos alguém experiente na vida com toda a aprendizagem e que os muitos anos já passados permitiram fazer, alguém que já não precisa de provar nada aos outros nem a si próprio, alguém que entre os outros fala uma linguagem diferente, a linguagem da senioridade ou poderíamos simplesmente dizer, a linguagem do desprendimento de carreira, de ambições, de reconhecimento ou de sucesso. Alguém que justamente por nada procurar encontrou tudo o que precisava e pelo caminho deu tudo o que os outros precisavam de receber: autenticidade e força para caminhar e lutar por um sonho, pelas suas vidas, pela relação com os outros. 
E que mais importa verdadeiramente senão a relação com os outros? 
De onde nos vem a verdadeira felicidade senão na relação com os outros e no verdadeiro e genuíno encontro com eles?
O filme é fabuloso e recomendo-o vivamente, é uma grande lição de aprendizagem em que reconheci coisas muito bonitas que a idade nos traz e que nos gratificam muito. Uma delas que constitui grande fonte de felicidade é o desprendimento. Essa grande lição vem-nos também dos místicos que por carisma próprio e profunda fé e dedicação total à mesma descobriram esse caminho libertador das ansiedades humanas de perseguição do reconhecimento pessoal e profissional, da admiração humana, do aplauso social. Não, não são loucos, embora muitos assim o considerem, são pessoas que despertaram para valores que descobriram que os tornavam mais leves com esse desprendimento de si próprios, de atitudes egoisticamente auto-centradas e, por isso mesmo, redutoras, conducentes a visões parcelares e limitadas da beleza da vida, fontes de pressão e ansiedades pessoais, e também frequentemente de desilusões e frustrações porque se descobre sempre alguém que consideramos melhor que nós. A futilidade e inutilidade da comparação humana aprende-se com a idade. É a idade que nos ajuda a abrir os olhos para os outros e a descobrir a sua riqueza e beleza tão diversificada que há lugar para todos. E, nessa descoberta da grandiosidade da variedade, diversidade e amplitude de talentos e riquezas humanas abrem-se os olhos da alma e do espírito para admirar O OUTRO, A OUTRA.
Caro visitante virtual, hoje convido-o à aventura de arriscar soltar-se do seu narcisismo que habita em todos nós e nos escraviza e condena à infrutífera comparação com os outros à nossa volta e nos convida à competição e ao aplauso de nós próprios e condenação do outro em amargas conversas connosco próprios e com os outros que só destilam má-língua, fel, incompreensão, injustiça, mentira e desvalorização de quem profere palavras destruidoras em relação ao seu semelhante até descobrirmos que quando destruímos o nosso semelhante estamos primeiro que tudo a destruir-nos a nós próprios.
Onde nos conduz a ambição desmedida, a conquista a todo o preço do sucesso?
Onde nos conduz a exibição da nossa própria imagem seja ela física, cultural, artística ou intelectual de qualquer natureza?
Onde nos conduz a procura do pedestal profissional e das medalhas e méritos que depois apenas se destinam a emoldurar paredes para onde ninguém olha, guardar em gavetas que ninguém abre ou gravar em ficheiros que ninguém lê?
Quanto tempo duram o sucesso, a fama, os aplausos?
A todas estas perguntas já respondi em diferentes fases da minha vida dizendo a mim própria que caminhar e enfrentar desafios nos torna grandes como pessoas e valiosas. No meu caso, nunca me deixei vencer pela ambição do dinheiro, mas sucumbi a muitas outras destas humanas ambições de que, apesar de já me encontrar em fase madura da vida, ainda não me disciplinei a ignorar completamente. Mas já vivi o suficiente para aprender que é no desprendimento, na libertação dessas metas todas elas efémeras que se chega à grandiosidade que é cada um de nós.
Como o descobri?
A partir da fé que desde cedo me ensinou, como Jesus Cristo, ao desprendimento de nós e à entrega ao outro. Mas para eu colocar verdadeiramente em prática essa enorme lição de vida não me bastou conhecer e acreditar  que esta belíssima mensagem que foi toda a vida de Jesus Cristo conduz verdadeiramente à felicidade do ser humanos, mas não apenas na ressurreição, para quem nela acredita, já aqui, em cada dia que aprendemos a viver no caminho da humildade e da simplicidade. Com Jesus Cristo e os ensinamentos bíblicos aprendi o profundo desprendimento dos valores humanos e total entrega à espiritualidade e ao respeito do outro e entrega aos outros, sobretudo dos menos reconhecidos e até sobretudo dos marginalizados do seu tempo, mas precisei de caminhar por mim própria para aprender que este é o único caminho que nos traz verdadeiramente a felicidade, o outro traz abraços efémeros de reconhecimento, aplausos que se calam quando se ergue uma outra voz, olhares que se desviam para outros rostos, amizades que se afastam quando o nosso pedestal é mais pequeno, amores que caem quando chegam as rugas. São simples exemplos de tantos outros da minha e de outras vidas com quem todos contactamos, e diria, e também da sua vida, visitante virtual que não conheço, pois afinal, no fundo de nós, não somos assim tão diferentes uns dos outros, apenas os traços físicos nos dão diferentes fisionomias, mas as nossas almas, nos nossos anseios, os nossos medos e os nossos pequenos prazeres são comuns.
Pois bem, quanto tempo dura o sorriso fresco de uma criança?
Quanto tempo dura a sábia palavra na voz de um ancião?
Quanto temo dura o bater de asas de uma pomba?
Quanto tempo dura a cor de uma flor que nos encanta?
Quanto tempo dura uma música que nos extasia?
Quanto tempo dura a beleza de um quadro que nos fascina?
Quanto tempo dura a emoção que nos causa um poema?
Quanto tempo dura um gesto que nos comove?
Quanto tempo dura um abraço que nos conforta?
Quanto tempo dura uma atitude que nos enternece?
Quanto tempo dura uma oração que nos fortalece?
A resposta a todas essas questões é que, ao contrário do sucesso, dos aplausos, das medalhas, dos méritos e dos prémios, todas as outras coisas que evoquei duram o tempo quisermos, duram o tempo em que o nosso coração e a nossa alma quiserem que dure, pois estão todas lá para nós e a nossa felicidade será tanto maior quanto mais as virmos não apenas com os nossos olhos negros, castanhos, azuis ou verdes, mas com os olhos do espírito.
Eu gosto que essas coisas durem... que durem muito... que durem tempo que não me canso a contar, pois não importa, o que importa é que quando contacto com essas coisas sei e sinto que estou a contactar com a riqueza universal, com a intensidade de comunicação que me enriquece e valoriza se eu deixar. E eu deixo, e eu quero.
Caro visitante virtual, aceite este desafio, faça o esforço que eu prometo acompanhá-lo, não estará sozinho nesta caminhada, eu e tantos outros que conheço e desconheço procuramos o mesmo, descobrir o melhor de nós próprios em cada momento, auto-conhecermo-nos e reconstruirmos-nos após cada queda, Limpar o lixo que há dentro de cada um de nós e nos impede de caminhar e ver à nossa volta com verdadeira honestidade interior, reconhecendo o valor dos outros e do que nos rodeia.
Vamos lá, caminho consigo... boas passadas e até ao meu próximo post, caro visitante virtual. Como dizem os Moçambicanos "Estamos juntos", é assim que se despedem dos amigos, porque na verdade, de um bom e verdadeiro amigo nunca nos despedimos, estamos sempre com ele. É um espírito muito comum aos cristãos na sua relação com Deus, sentimos que estamos sempre com Deus e que Ele está sempre connosco.
Boa caminhada.
CC