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12/07/2017

Férias... Uma esperança sempre renovada pelas energias retemperadas




Caro(a) visitante virtual,
 
Possivelmente encontra-se perto de iniciar as suas férias anuais, ou tê-las-á já iniciado, mas parou já um pouco para pensar o enorme privilégio que tem por se encontrar nessa situação?
Quando penso em férias e sinto o imediato alívio da pressão dos horários quotidianos, das movimentações constantes em transportes sobrecarregados e em rotinas instaladas mais ou menos desgastantes. E não necessariamente que não goste do que faço. Considero um privilégio ter trabalho e viver numa sociedade com direitos cívicos, sociais, económicos e políticos respeitados que me permitem uma pausa para retemperar energias que vamos consumindo ao longo do ano nos afazeres familiares, e profissionais e sociais.
Não esqueço e faço questão de aqui reconhecer com gratidão que beneficio do usufruto do direito à férias graças a tantos homens e mulheres que antes de mim, um pouco por todo o mundo, em décadas sucessivas de história, lutaram pela defesa e promoção dos direitos e liberdades fundamentais do ser humano e continuam, continuamos, a lutar pois importa manter viva a consciência individual, social e política desses direitos e liberdades fundamentais à dignidade humana.
E é justamente porque trabalhamos e nos empenhamos na família, em casa, no trabalho e em atividades religiosas, cívicas ou culturais que sentimos esse anseio de uma paragem, uma suspensão das rotinas que, embora algumas delas sejam necessárias e até nos garantam uma perceção de segurança (mais ou menos ilusória), certo é que o ser humano é demasiado rico e diverso para ser contido em rotinas que mais ou menos comprimem a nossa natureza livre e não condicionada naturalmente a horários rígidos e a momentos fixos de tarefas mais ou menos repetitivas. Os nossos ancestrais e sociedades mais primitivas, algumas com modelos ainda existentes em algumas partes do globo, seguiam e seguem os ritmos da natureza e do ambiente natural em que se encontravam ou encontram integradas.
Dos textos antropológicos e sociológicos que fui lendo no meu já distante percurso académico e que me apaixonou muito pela descoberta que representou, não há registos de que houvesse stress constante nesses ambientes mais naturais, a não ser nos momentos da caça, de enfrentar feras ou tribos rivais. mas o desenvolvimento humano e social, trouxe o progresso tecnológico, científico, cultural, social, económico e político, mas também o reverso das suas medalhas: o stress constante, a ansiedade, a insegurança, a inquietação e muitas vezes também a depressão.
Compete ao homem contemporâneo aprender a viver de forma harmoniosa e integrada no seu meio sem deixar asfixiar o que de melhor tem tão antigo como a Humanidade: os seus apelos interiores, o espírito crítico, o espírito criativo, o espírito inventivo, o espírito gregário, o apelo ao infinito, o apelo à sua interioridade e à espiritualidade. É nessa dimensão que é possível construirmos pontes entre sociedades distintas, entre traços culturais que se permutam, entre ideias que se partilham, entre valores que se tocam no que de mais digno, humano e belo possuem. E, essa dimensão é intemporal e universal.
 
Assim, para estas férias, caro visitante virtual, partilho consigo o que tenciono fazer: o que me apetecer.
Tão simplesmente, o que me apetecer.
Naturalmente sem esquecer as minhas obrigações morais e sociais fundamentais, mas procurando esquecer planos e horários que possam ser dispensados. deixar-me ir ao sabor do que o meu corpo pede, seja atividade ou descanso, seja fazer algo lúdico ou simplesmente usufruir do prazer de contemplar a natureza e o silêncio. Procurar armazenar serenidade e tranquilidade para alimentar o meu equilíbrio interior.
E, sobretudo, depois não lamentar o que poderia ter feito e não fiz.
E, sobretudo, em cada dia estar grata por um dia de pausa que me é permitida e que foi bem merecida ao longo do ano.
E, também, sobretudo, não perder de vista que as férias só são boas porque são ocasionais e que sem o trabalho não seriam por nós valorizadas do mesmo modo.
Por isso, se se tem deixado estar pendurado sem procurar trabalho que não tem, caro visitante virtual, procure efetivamente trabalho, verá como depois lhe sabem bem as férias. Há sempre trabalho, se não for mais perto, é mais longe e qualquer trabalho nos valoriza e é igualmente digno seja ele qual for desde que não seja ilegal ou não regularizado socialmente pois nesses casos é sempre uma violação de direitos humanos. Nem sempre estará à altura das habilitações que possuímos, dos anseios que temos, das ambições que sonhámos? Pois não, mas será melhor ficar acomodado à espera do trabalho ideal que na realidade nunca surgirá? Ou será preferível ser corajoso e destemido e enfrentar os desafios que existem, porventura mudar para outros alcançáveis que nos realizem mais e, seja em que caso for, empenharmos-nos para, como nos ensina o Yoga, a dar o melhor de nós mesmos em cada mínimo que fazemos? Certamente que isso nos fará sentir melhor.
Conviver com as nossas melhores dimensões, energias e aptidões faz-nos sempre sentir mais saudáveis psíquica e socialmente e para quem acredita, como eu, também espiritualmente. Faz ainda apelo às nossas valências inventivas, criativas e inovativas que tão enriquecedoras são do indivíduo do ponto de vista individual, profissional e social.  Dessa dimensão beneficia o indivíduo, a entidade empregadora, a sociedade e a cultura. É essa dimensão combativa, motivada, estimulante, criativa, inovativas, flexível e aberta que traz desenvolvimento integrado e sustentado e sustentável ao indivíduo a à humanidade. É dessa dimensão que resulta a esperança de todos e cada um de nós consegue fazer melhor, se der o seu melhor em cada momento, por mais simples e insignificante que possa parecer, pois o grãozinho de areia que cada um de nós é contribui para o imenso areal da existência humana que tem milénios de história.
E, se trabalhou durante o ano e agora chega o seu momento de férias, usufrua dele plenamente.
 

 
Gostei de o(a) ter por aqui ao longo deste ano de trabalho e, acredite, que a(s) sua(s) visita(s) a este blogue em muito tem contribuído para que ele continue a existir desde que o criei em 2011, porque por si, vale a pena continuar a escrever.
Só há quem escreve porque há quem leia, por isso, quem lê muito contribui para o estímulo da escrita e porque não aventurar-se  estas férias por uma incursãozinha experimental na escrita ou em qualquer outra forma de expressão que lhe dê prazer e solte a sua asa criativa?
Todos temos uma asa criativa... delicie-se com a sua e seja audaz, partilhe-a, verá que irá ter momentos bonitos para recordar ou até divertidos que também sabem muito bem e fazem muito bem.
Boas férias e um abraço caro(a) visitante virtual.