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14/03/2017

Papa Francisco, uma fonte de esperança




Caros visitantes virtuais,
 
Tendo ontem o Papa Francisco comemorado quatro anos do seu Pontificado fiz questão de dedicar este post a este homem que assume a liderança da igreja católica de uma forma muito humana, simples, humilde e terna. A sua postura, no meu entender, é uma postura de esperança para a humanidade e as suas palavras são inspiradoras e os gestos tocantes.
Elegeu a bondade e a ternura para abrir o seu Pontificado e a sua proximidade de todos quantos tem visitado é tocante, mesmo para aqueles que como eu, o conhecem apenas à distância pelas palavras que transmite e a presença sempre próxima que faz questão de ter onde quer que vá um pouco por todo o mundo.
Uma das suas frases de que gosto muito é:

"Não deixe que ninguém tire a sua esperança".
No entanto, este conforto não é um apelo à passividade, pelo contrário, pois diz ainda:
"A nossa vida é um caminho, quando paramos, não vamos para frente.", para além da humildade da frase abaixo que o torna muito próximo de qualquer outro ser humano, apesar do seu papel de grande poder e de alta relevância na Igreja e no mundo:


 

Este Papa é o primeiro Papa oriundo da América Latina, o primeiro nascido no hemisfério sul (na Argentina, em Buenos Aires, em 17 de dezembro de 1936, e o primeiro da Ordem dos Franciscanos. Bem conhecedor da pobreza, da privação da liberdade e de outros direitos fundamentais do ser humano, o Cardeal Jorge Bergoglio ao ser eleito Papa adotou o nome de Francisco como sinal da linha deste fundador missionário de uma linha espiritual assente na humildade, na simplicidade e na proximidade dos seres humanos uns dos outros como irmãos, mas também do ser humano com os outro seres da natureza como irmãos. A forma simples como faz questão de se vestir, tendo prescindido do luxo e do fausto representativos do poder da igreja trazem, na minha perspetiva um poder ainda maior à sua mensagem, o poder do carisma da sua postura perante a vida e da sua mensagem.
Por estas várias razões vejo o Papa Francisco como um sinal de esperança entre nós. O sinal de que a humanidade há muito necessitava. A sua mensagem de simplicidade e autenticidade do amor, a alegria que é patente no seu rosto e nos seus gestos nos banhos de multidão de que se aproxima contra todas as recomendações da cúria romana e da sua segurança pessoal são o testemunho claro de um homem para quem o valor da vida está em vive-la de forma genuína e em ligação constante com os outros.
Escreve quem o conheceu pessoalmente que é ainda um homem com um grande sentido de amor e dotado de uma alegria contagiante que aliás transparece quando o vemos nas suas visitas a jovens, a crianças, a idosos, a doentes, a presos e a refugiados. Mantém sempre uma atitude de escuta atenta e profundo respeito, mas também uma atitude de conforto, de encorajamento e de esperança, enchendo-lhe o rosto de alegria com as mais simples manifestações de carinho que recebe de homens e mulheres que o esperam aos milhares onde quer que se desloque.
Sobre os jovens tem esta frase belíssima que é como Francisco os vê:


A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo
A sua disponibilidade e carinho para com bébés, crianças, idosos, doentes e presos são comoventes:
 






Li e recomendo o livro "Francisco-De Roma a Jerusalém" de Henrique Cymerman e Jorge Reis-Sá que acompanharam esta visita do Papa e nos descrevem um homem de uma profunda Fé, humanidade, simplicidade e proximidade ao outro, sem ele quem for e esteja onde estiver.




Mas também um homem de grande compaixão pela dor humana, como mostram as suas visitas a doentes profundos, a Auschvitz e a outros locais de desolação e sofrimento, tendo já referido que este ano pretende visitar o Sudão do Sul, país assolado pela guerra:
 

 
Francisco apela aos jovens que não sejam conformistas, fala da importância das mudanças fundamentais na igreja, na política, na sociedade, no mundo e no interior de cada um. A sua mensagem revolucionária constitui um regresso às origens do cristianismo, mais próxima que está esta sua forma de viver e anunciar a fé da que foi assumida pelo próprio Jesus Cristo.
E, apesar desse traço messiânico, a sua postura perante as outras religiões não é de afirmação, mas antes de ponte e abertura ao outro. O seu diálogo com lideres religiosos de outros credos espirituais é um diálogo entre iguais, um diálogo de profundo  respeito e aceitação, também aqui fonte de esperança e de construção da paz.
 
 
Creio que João Bénard da Costa e os seus companheiros do movimento catolicista que antes do 25 de abril se opôs à fechada e esclerosada ortodoxia da Igreja Católica ficariam muito felizes de conhecer este Papa que abriu as portas do Vaticano arejando as suas poeiras interiores e ele próprio referindo o que condena dentro da Igreja que precisa de mudar e que tentará mudar. Aproveito para aqui prestar a minha homenagem a este grande cineasta, escritor e vulto da nossa cultura que entre os preciosos contributos artísticos com que nos enriqueceu, contribuiu também para a mudança das mentalidades na sociedade e na igreja.
 
O livro de João Bénard da Costa, "Nós os vencidos do catolicismo" é uma leitura muito interessante e enriquecedora sobre o percurso da igreja católica em Portugal e o movimento de jovens universitários e pós-universitários que das várias áreas do conhecimento e das artes se revoltam contra uma postura de igreja que consideram não autêntica, fechada e castradora do ser humano e das suas liberdades e direitos fundamentais. Gente de fé que questionou de forma inteligente, corajosa e persistente a igreja do seu tempo incapaz de acompanhar a evolução do ser humano e das sociedades e de fazer uma leitura da mensagem de Cristo e da Bíblia atualizada aos nossos tempos.
No meu entender, o Papa Francisco vem precisamente fazer essa atualização compatibilizando-a com o que de mais genuíno e autêntico existe na mensagem de Cristo: Amor, espiritualidade, esperança, humildade, simplicidade, perdão, misericórdia e alegria. Emblemática é a forma como interpreta nos nossos dias o jejum da quaresma que prepara os cristãos para a Páscoa:
 
 
Destas palavras de generosidade pelos outros, de apelo à compreensão e à harmonia, à fraternidade e à alegria, resulta esperança, pois mais cedo ou mais tarde teremos o que semeámos. mas, como ele próprio refere, nada se constrói sozinho. Sempre a chamada de atenção para a nossa humildade e o reconhecimento da importância do papel dos outros na nossa vida e da nossa vida na dos outros.
Termino esta homenagem aos quatro primeiros anos do pontificado do Papa Francisco com as suas palavras de que gosto mais e que partilho neste blogue que não é meu, é nosso, meu e dos meus caros leitores virtuais:
"Sempre que possível, dê um sorriso a um estranho na rua. Pode ser o único gesto de amor que ele verá no dia."
Para mim, a Fé é esta postura alegre e partilhada que nos faz estar em comunhão e sintonia com os outros, aqueles que conhecemos e os que não conhecemos. E nada pode dar mais esperança que despertar um sorriso.
 
Ouse sorrir, caro visitante virtual. Sorrir a si próprio, sorrir aos outros e sorrir à vida.
Um abraço virtual
C.C.