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20/03/2017

A esperança que resulta de mentes saudáveis


Caros visitantes virtuais,
 
Escrevo-vos hoje sobre a esperança que resulta de mentes saudáveis, a propósito de um livro que li e recomendo do psiquiatra, professor, investigador e escritor brasileiro Augusto Cury. Trata-se de uma obra muito interessante que nos apresenta uma perspetiva muito rica e humanista de um dos traços fundamentais do ser humano: a inteligência.
Augusto Cury é o criador da teoria da inteligência multifocal que tem a interessante particularidade de integrar os traços genéticos e os traços da inteligência na perspetiva clássica cartesiana e a estes juntar o património de vida do ser humano e dos contextos sociais e existenciais em que se move. Nesta perspetiva, não só todos os seres humanos são inteligentes, como todos os tipos de inteligência são reconhecidos e valorizados e, ainda, a nossa inteligência pode ir sendo autoconstruída por nós próprios com uma educação mental construtiva da personalidade assente nos valores sociais, morais ou éticos em que cada uma acredita e pretende incorporar na sua forma de estar na vida.
O poder ativo e interventivo de cada um na sua própria história dá-nos a  esperança da não condenação a um destino, mas da responsabilidade de sermos nós próprios os responsáveis pela construção do nosso caminho de vida.
Revejo-me muito nesta teoria porque sempre achei, e experienciei ao longo da minha vida, que o ser humano é bem mais rico e criativo do que a própria escola reconhece.
Demasiado presa a padrões rígidos de mera aquisição e reprodução de conhecimentos, tarda em adaptar-se a uma sociedade da era da inovação e da tecnologia em que muitas outras dimensões do percecionar, do saber, do analisar, do concluir e do criar não só devem ser reconhecidas, como sobretudo, valorizadas.
Creio que todos teremos a valorizar se ensinarmos crianças e jovens a responsabilizar-se pela construção das suas personalidades e dos seus percursos de vida, a não temer arriscar  e cometer erros, sem que estes sejam tão graves que possam comprometer o seu bem-estar e  segurança e a dos outros, a aprender com os seus erros, a ter coragem para enfrentar desafios e  a procurar formas criativas e construtivas de lhes dar resposta.
 
 
 
Muitas vezes diante das dúvidas deixamos-nos abater porque fomos habituados ao refúgio dos paradigmas seguros, dos dogmas, das verdades absolutas. Mas, o ser humano é ele próprio desde que nasce resultado de uma misteriosa combinação de células e alguém único e insubstituível que constantemente surpreende os outros e se surpreende a si próprio.  A própria vida é ela própria uma constante fonte de inesperados, uns mais positivos outros menos, mas nunca é um percurso linear e previsível sejam quais forem as circunstâncias económicas, sociais e políticas do contexto em que vivemos. E cada circunstância nos obriga a tomar decisões ou a fazer opções.
O nosso percurso existencial resulta das nossas escolhas, e também a nossa aprendizagem que nos interrogarmos e quisermos aprender com as lições da vida.
Assim sendo, estranho é que não estejamos mais habituados a ver as interrogações e as dúvidas como um processo natural da nossa existência, um processo de crescimento interior e de caminho para a nossa valorização pessoal. Consideramos saudáveis as crianças que se interrogam e que nos interrogam e esquecemos que é assim que crescem e desenvolvem o seu pensamento e a sua personalidade de forma saudável para pensarem por elas próprias.
Claro que não me refiro aqui a uma posição doentiamente cética perante a vida em que se duvida de tudo e de todos, mas de uma posição de saudavelmente nos procurarmos conhecer e nos interrogarmos quanto ao que somos, ao que queremos e ao que podemos fazer para construir o que queremos, só assim podemos ter voz ativa na construção de nós próprios e contribuir para ir construindo a nossa caminhada de acordo com o que somos e aquilo em que acreditamos.
Só num percurso em que nos sintamos bem connosco próprios e com os outros poderemos encontrar serenidade e bem-estar, harmonia e tranquilidade, e genuína alegria e felicidade nas pequenas coisas que compõem o nosso dia.
Curiosamente o autor, que estudou várias personalidades célebres do mundo científico e cultural, identifica Jesus Cristo como uma inteligência multifocal, um homem profundamente conhecedor da natureza humana e social e com uma extraordinária capacidade de empatia com o seu semelhante.
Como nos diz Augusto Cury, o ser humano que não se educa mentalmente poderá ser o maior inimigo de si próprio, deixando-se vencer por angústias, temores, medos e frustrações.
Educarmo-nos mentalmente, para o autor, significa autoajudarmo-nos para nos compreendermos e compreendermos os outros visualizando-nos na sua própria pele, pois só assim os compreenderemos verdadeiramente.
Também nesta perspetiva me revejo. Considero que os sentimentos como o ódio, a raiva, a inveja, o ciúme e o rancor são sentimentos tóxicos que envenenam o ser humano por dentro, fazem mal a si próprio e aos outros. Por outro lado, termos a capacidade de empatizar, de nos colocar no lugar do outro, conduz sempre a caminhos de compreensão e de construção de relações gratificantes. É esse o caminho em que acredito que vale a pena caminhar, um caminho que vale por si próprio como já Gandhi nos transmitiu.


Uma boa caminhada caro visitante virtual,

C.C.