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17/03/2013

Quando todos decidem ser iguais para que a diferença não pese no caminho da vida


Caros visitantes virtuais,

Não quero deixar de partilhar convosco uma situação comovente de que tive conhecimento e que foi veiculada numa notícia de jornal. 
Uma militar da GNR que se encontra num momento difícil da sua vida por razões de saúde foi agraciada com um belíssimo gesto de solidariedade dos seus colegas de pelotão. Preparando-se para enfrentar a quimioterapia necessária não foi a única a rapar o cabelo, os seus companheiros, num ímpar gesto de união e solidariedade, raparam todos eles o cabelo na véspera da sua ida para o hospital, deste modo a sua camarada não teria que enfrentar a diferença do seu aspecto visual transformado em razão da doença. 
A militar, do Centro de Formação da Figueira da Foz, ficou muito sensibilizada com esse gesto de camaradagem dos seus companheiros de pelotão e reconheceu que o mesmo lhe trouxe ainda mais razões para travar a sua difícil luta contra a doença. É do conhecimento geral, e não apenas médico, que a atitude psicológica perante a doença é um factor fundamental para lhe resistir, pelo que este gesto, para além de humanamente belíssimo, é também, em si, um ato que contribui para que alguém que está doente tenha mais possibilidades de vencer a doença.
Foi também de grande sensibilidade o gesto do Comando do referido Centro de Formação da GNR por ter compreendido o gesto de solidariedade do pelotão da militar e ter acolhido este comportamento de grupo com a humanidade que o mesmo plenamente justifica, não penalizando os militares por um comportamento que não é conforme aos regulamentos disciplinares estritos dos militares que não admitem que estes rapem o cabelo. Muitas das vezes a inflexibilidade e o excesso de rigorismo prejudicam que brote a criação de espírito de grupo e de solidariedade, felizmente não foi o caso pois mais do que cumprir a regra importa valorizar a nobreza do comportamento humano quando ele se revela em valores tão importantes como foi o caso.
A capacidade de partilhar os momentos difíceis da vida de alguém, não apenas escutando, mas agindo, mostrando com atitudes que não só não somos indiferentes a esses momentos como nos queremos colocar ao lado de quem sofre entregando-lhe algo de nós próprios torna mais leve o sofrimento, desperta alento e é uma fonte de encorajamento no caminho a percorrer que, acompanhado, se torna menos penoso.
Considero um sinal de esperança este gesto que revela o que de melhor existe no ser humano, a capacidade de ir ao encontro do outro e de lhe provar que é importante para nós e que permanecemos ao seu lado, não apenas na alegria, mas também nas dificuldades. 
Numa sociedade tão centrada em bens materiais, muitas das vezes supérfluos, nas aparências, no culto do sucesso e da vaidade, no culto do eu e do orgulho, o gesto dos militares deste pelotão desperta a esperança de sabermos que há muita nobreza de carácter, altruísmo, sensibilidade, compreensão, bondade e a generosidade de estender a mão a um companheiro, por exemplo num gesto de rapar o cabelo para que o outro não se sinta diferente por ter que o fazer em razão do seu infortúnio contra o qual luta. Saber-se acompanhado nessa luta acresce a vontade e a força para lutar e aumenta as possibilidades de vencer. Além disso, aquece sempre a alma sentir-se destinatário de afectos tão genuínos e carinhosos.
Uma frase de que gosto muito diz "Mãos que oferecem flores, ficam perfumadas". Também a prática de um gesto solidário fortalece o espírito de quem é destinatário desse gesto e simultaneamente deixa o seu rasto de força e de nobreza em quem o pratica. Flores que se dão, sorrisos que se trocam, olhares que se cruzam, palavras que se partilham são laços que unem e aquecem o interior do ser humano seja qual for o seu género ou idade.
Caro visitante virtual, sinta-se interpelado a perfumar as suas mãos partilhando gestos, sorrisos e palavras. E, acredite, o dia de quem os recebe fica mais brilhante com eles, e o seu dia também.
Um abraço virtual,

C.C.