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07/07/2012

Procuremos a felicidade...porque ela existe


Caros visitantes virtuais,

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou recentemente, por unanimidade dos seus 193 Estados-Membros, o Dia Internacional da Felicidade. Ficou decidido que esse dia seria o dia 20 de março de cada ano, dado nesse dia ocorrer um fenómeno natural universal em que o dia tem uma duração igual à noite. Essa simbologia de equidade e harmonia do universo evoca o espírito que, em cada ano, o Dia Internacional da Felicidade contribua para que políticos, organizações governamentais e não governamentais, sociedade civil e cada cidadão pense no que pode fazer para contribuir para a sua própria felicidade e para a felicidade dos outros.
Colocar na agenda política internacional a questão da felicidade é, no meu entender, uma necessidade fundamental dos tempos que vivemos, excessivamente centrados na dimensão económica das sociedades. A Resolução das Nações Unidas sobre a Felicidade reconhece a procura da felicidade como um objetivo fundamental do ser humano.
Em 2 de abril passado, tinha sido apresentado nas Nações Unidas o "Primeiro relatório mundial sobre a felicidade", cuja leitura recomendo e que se encontra disponível no seguinte endereço eletrónico: http://www.earth.columbia.edu/sitefiles/file/Sachs%20Writing/2012/World%20Happiness%20Report.pdf

Trata-se de uma interessante reflexão sobre a procura da felicidade pelo ser humano e pelas comunidades das várias partes do globo e, consideram-se reunidas as condições para a felicidade de uma sociedade quando os três pilares do desenvolvimento sustentável são colocados em paridade: o bem-estar social, económico e ambiental. Nesse contexto, que convoca um paradigma económico bem diferente do que atualmente vigora nas sociedades contemporâneas, há margem para a felicidade individual do ser humano, que passa, pelo seu direito à liberdade,  pela sua saúde física e mental, por ter alguém com quem contar, por ter estabilidade familiar e por ter estabilidade no emprego.

Pessoalmente considero que é muito difícil ao ser humano ser feliz quando vive em países e comunidades onde os seus direitos essenciais são violados por ação ou por omissão. Razão pela qual responsabilizo os políticos desses países e comunidades por condenarem à infelicidade aqueles a quem deveriam proporcionar bem-estar e felicidade, pois o exercício do poder é um serviço público de excelência que deve ser usado com honra, justiça, equidade e respeito pelos cidadãos quer tenham ou não contribuído para a respetiva eleição política. No entanto, ainda assim, tem havido homens e mulheres de grande craveira humana que nos têm provado ser possível a felicidade mesmo nas circunstâncias mais adversas: nunca desistindo de acreditar e de lutar por um mundo melhor, senão para nós, para os nossos filhos ou netos.

Por outro lado, quantas pessoas não têm grandes fortunas e ainda assim não conseguem encontrar a felicidade? Quantas pessoas não tendo grandes fortunas têm vidas economicamente confortáveis e não se sentem felizes? A felicidade, embora dependendo da satisfação das condições básicas de subsistência, cada vez mais exigentes em função da qualidade de vida que o ser humano vem requerendo cada vez mais, milénio após milénio, não encontra aí a sua fundação estruturante.

O que é a felicidade? Cada sociedade, religião, tempo, cultura, grupo, comunidade ou indivíduo terá certamente uma resposta diferente. Mas, no fundo, creio que todas entroncam no que nos permite sentir preenchidos por dentro: uma riqueza interior que nos dá esperança e alento para ir ao encontro dos outros em cada dia, seja essa riqueza a Fé em Deus (seja qual for o nome que lhe dermos), seja a crença em algo imaterial, o amor, o sonho e porque não, o próprio ser humano? 

Eu acredito na felicidade, mesmo sendo ela como o sol, que por vezes parece desaparecer, oculto pelas nuvens. No entanto, apesar das mais temíveis tempestades, o sol continua a nascer no nosso horizonte, atingindo pontos mais altos ou mais baixos em cada época, mas nunca tendo deixado de acompanhar a evolução da humanidade.

Acredito ainda que a chave da felicidade está nas mãos de cada um de nós, que em cada dia, temos que ousar abrir a porta do nosso coração para nos acolhermos a nós próprios e aceitar as nossas imperfeições, procurando melhorá-las, mas sobretudo para acolhermos os outros e aceitarmos as suas imperfeições que o nosso orgulho em regra faz parecer maiores que as nossas.

Ame, ame muito e muita gente, ame com muitas formas de amor, ame com exclusividade aquele ou aquela que é único(a) para si, ame a arte nas suas várias formas: literatura, música, pintura, escultura, artes performativas, etc. Verá que amando encontrou felicidade para si e para os outros. 

E a felicidade não se gasta quando se encontra, quanto melhor a conhecemos maior capacidade temos para a sentir e partilhar.

Felicidades para si, caro visitante virtual. E, confesso-lhe uma coisa, a sua visita a este post contribuiu já para a minha felicidade, pois ele foi escrito para ser lido, a sua razão de ser reside aí. Obrigada pela sua visita e votos de uma boa semana, em cada semana que começa na sua vida.

CC