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15/01/2012

A amizade é eterna


Caros visitantes virtuais,

O facto de o meu filho mais velho fazer este ano dezoito anos transportou-me para a memória dos meus próprios dezoito anos. Já lá vão quase trinta anos e recordo-me dessa data com uma nitidez e uma ternura imensa pelos meus pais, a minha irmã e os meus amigos que contribuíram para que esse dia fosse memorável.
Para esse dia escrevi o poema abaixo que colei na porta da sala e dediquei aos meus amigos:

Amigos aos dezoito anos

Sois uma parte de mim,
O meu braço direito.

Sois o estímulo
De mil sorrisos brotando do coração.

Sois estrelas d’alvorada
De mil manhãs a despertar.

Sois flores
Da Primavera eterna da minha vida.

Sois espelhos
Transmitindo reflexos de juventude.

Sois vagas
De um oceano sempre pleno de vida.

Sois uma chama quente
Que dilui a espessa negridão da amargura.

Sois asas
Que me conduzem a céus abertos.

Sois aquele olhar sincero
Que não conhece desvios.

Sois almas belas e plenas
De cidadãos do infinito.

Sois notas
Que compõem a minha canção preferida.

Sois muito, muito
O que de belo tem a minha vida.

E ainda tudo isso sereis
Quando um dia terminarem nossos tempos.

Célia Chamiça


Passados quase trinta anos, continuo a dedicar-lhes estas palavras pois a amizade é uma das maiores riquezas que o ser humano pode cultivar.
A amizade é eterna, permanece mesmo quando algum de nós já partiu porque permanece no coração de quem muito estima. Presto aqui uma homenagem especial aos amigos que já partiram, mas que não estão de modo nenhum por nós esquecidos, como eu sei que não serei esquecida pelos que ficarem um dia que eu tiver partido.
A amizade é assim, feita de confiança, nos outros e em nós próprios.
Os amigos estendem-nos as mãos e aceitam que lhes estendamos as mãos para celebrar em conjunto alegrias ou ajudar a enxugar lágrimas.
Os amigos aceitam que lhes digamos que estão errados e dizem-nos que estamos errados porque querem o nosso bem e desejam a nossa genuína felicidade e nós queremos o seu bem e a sua genuína felicidade.
Todas as amizades têm altos e baixos porque são relações entre seres humanos e o ser humano é sensível e instável por condição natural pois tem inseguranças, receios, expectativas, e nem sempre consegue lidar de modo equilibrado e justo com esses sentimentos. A minha experiência tem-me revelado que vale muito a pena perdoar e ser perdoado. Se o não soubermos fazer, não conseguimos manter e deixar crescer as amizades. E elas valem bem que lutemos por elas e consigamos superar o nosso orgulho.
Quem não conseguir deixar de parte o seu orgulho ficará tristemente só. Não queiramos que isso suceda. Festejemos a alegria da amizade e deixemos de parte o que nem sempre nos agrada, pois nós também não agradamos sempre.
Que seria de nós se só nos aceitassem se fossemos perfeitos? Se nunca magoássemos ninguém?
Felizmente que os amigos estão prontos a apagar as nossas imperfeições e a valorizar o que verdadeiramente é importante: a confiança, o respeito, a dedicação, a estima e o reconhecimento das nossas qualidades e afectos. Felizmente que nós fazemos também tudo isso por eles. Só assim se alimenta e cresce a amizade. As raízes da amizade assentam no que há de melhor em cada um de nós e ajudam a crescer toda essa positividade, para nossa felicidade e dos que nos rodeiam.
Os amigos ajudam-nos a melhorar e a procurar ultrapassar as nossas limitações, mas aceitam-nos com as nossas fragilidades e nós aceitamo-los a eles também.
Na minha perspectiva, os amigos são sempre para nós fonte de esperança pois basta saber que não estamos sós para confiarmos que veremos o sol, mesmo que de momento o céu nos pareça toldado de nuvens.

Para mim não há falsos amigos, pois os amigos são sempre autênticos, os que o não são, não são amigos e é de amigos que vale a pena falar pois são eles que nos fazem sorrir pelo simples facto de existirem.
Caro visitante virtual, convido-o a redescobrir a intensidade e o valor da amizade. Sejam as mais antigas amizades sejam as mais recentes. Umas não se substituem às outras e cada novo amigo é mais uma pérola no seu tesouro pessoal. E esse tesouro valoriza-se cada vez mais há medida que o tempo passa e acrescenta confiança e momentos partilhados.
Dedico este post a todos os meus amigos, os que me acompanham desde a infância, os que se foram juntando a mim ao longo da minha vida, e de modo muito especial à minha maior amiga de todo o sempre: a minha irmã Aida Chamiça e o meu maior amigo de há duas décadas: o meu marido Jorge Paulo.

Caro visitante virtual, desejo-lhe uma boa semana e muita amizade,

C.C.