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03/12/2011

À descoberta da magia do outro - Voluntariar-se muda o mundo




Caros visitantes virtuais,





Vivemos numa era em que se pretende contabilizar tudo em termos financeiros. A frase "Tempo é dinheiro" intrometeu-se nas rotinas diárias e entranhou-se na pele do homem contemporâneo convertendo a existência numa necessidade de avaliação social contínua. Até os Estados estão à mercê de cotações que supostamente decidem o seu futuro. Recuso-me a aceitar a rendição do ser humano, das sociedades e dos países à suposta inevitabilidade do poder financeiro. Somos todos bem mais do que isso.



Quem já se esqueceu do valor incalculável de uma palavra de amor sussurrada? Não há cotação na bolsa capaz de a avaliar.



Quem já se esqueceu do sorriso de uma criança a enxugar com as costas da delicada mão a lágrima que secámos simplesmente com o poder do nosso carinho? Não há palavras para exprimir a ternura e imensidão desse sorriso.



Quem já se esqueceu do amigo que esteve ao seu lado quando mais precisou? Não há riqueza comparável a essa presença inestimável.


Vamos então dizer bem alto que o dinheiro não é tudo, e digamo-lo para fora, mas também para dentro de nós próprios.



No dia 5 de Dezembro irá concluir-se o Ano Europeu e também Internacional do Voluntariado-2011 sob o lema "Voluntariar-se muda o mundo". Celebramos o décimo aniversário desta partida gratuita à descoberta da magia do outro, onde acabamos por encontrar não apenas o outro, mas nós próprios e uma imensa satisfação pela alegria partilhada.


Encontrar alguém do outro lado da linha pode ser a fonte de esperança para muita gente que dela necessita. E, cada um de nós, tanto pode estar dum lado como do outro, dependendo das fases da vida. Por vezes basta uma palavra amiga, um encorajamento, um conselho que orienta ou simplesmente um ouvido que acolhe atento e guarda no silêncio a dor ouvida do outro lado que assim se escoa libertando o peito oprimido de quem a sentia.

Quem é o meu visitante virtual para fazer voluntariado? É tudo. Tem em si tudo o que é necessário para essa entrega generosa, basta acreditar em si próprio e partir à descoberta do que o outro necessita para o ajudar. Como diz a sabedoria popular: "A necessidade apura o engenho". E, sem saber como, ouvindo o outro com genuíno interesse, descobrimos como ajudá-lo, quanto mais não seja com a nossa presença e o nosso interesse reconfortantes.



Parta à descoberta, há todo um mundo à espera da magia do encontro consigo, caro visitante virtual e verá que a sua entrega faz a diferença, por minutos que seja que dá de si próprio ao outro. Verá a esperança renascer nos olhares de quem recolhe a dádiva da entrega do seu tempo, e não há maior alegria que ver sorrir alguém porque o ajudámos a sorrir. Nós próprios sorrimos também, e é uma cadeia de felicidade que se gera e tem efeitos gratificantes em todos os envolvidos.


O mundo é um lugar aprazível se o virmos na perspectiva de todos os valores culturais do ser humano. A diversidade cultural que percorre o planeta é imensa e exprime-se na música, na literatura, no teatro, no cinema, na pintura, na escultura e em tantas outras formas de arte mais ou menos tradicional, popular ou erudita.

O mundo é um lugar fantástico se o virmos na perspectiva de todos aqueles que gratuitamente partem à descoberta do outro e com ele renovam em cada dia a vontade de viver, mesmo junto dos que estavam à beira do precipício.



O voluntariado é uma forma de estar na vida que revela o que há de melhor em cada um de nós, e essa forma de estar na vida também se aprende. Nunca é tarde demais para o fazer: junto das igrejas ou no espaço da sociedade civil, dispondo de mais tempo ou menos tempo, cada segundo entregue ao outro converte-se em ânimo e em felicidade reencontrada.

Permitam-me que preste aqui a minha homenagem a todos os voluntários que em Portugal e no mundo inteiro entregam o seu tempo gratuitamente aos outros, sejam minutos, horas ou dias, o que importa é a generosidade e grandeza de alma com que o fazem.

Um abraço caro visitante virtual e boas descobertas,

C.C.