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24/09/2011

Finalmente uma mulher abriu a Assembleia Geral das Nações Unidas


Caros visitantes virtuais,
No passado dia 21 de Setembro, pelas 9h00 de Nova Iorque, pela primeira vez uma mulher fez o discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas. E fê-lo em Português. Considero memorável e de registo histórico incontornável. Uma vitória para as mulheres, para a Língua Portuguesa, para a igualdade de oportunidades e para a valorização da Língua Portuguesa que surge a abrir o mais relevante fórum mundial.
Parabéns, Presidente Dilma Roussef, Presidente da República do Brasil, por esta dupla vitória que projecta na história universal este momento glorioso e tão justo para as Mulheres e para a Língua Portuguesa.

Referindo o facto de pela primeira vez na história uma mulher abrir aquele importante debate mundial teve a grandiosidade de se reconhecer não apenas honrada, mas também com humildade diante de tão significativo momento histórico.




Se tivermos em atenção que a Organização das Nações Unidas (ONU) foi criada em 1945, após as duas guerras mundiais, e que só em 2011 uma voz de mulher abriu o debate da Assembleia Geral, mais precisamente a 66ª sessão deste que é o maior fórum mundial, mais valorizamos ainda o facto de Dilma Roussef ter feito o discurso de abertura deste órgão das Nações Unidas, e em Português. Disse palavras intensas que são memoráveis quando referiu ser "a voz da democracia e da igualdade falando do pódium mais representativo do mundo". Soube despojar-se de si própria e centrar o discurso no poder da palavra e da voz em Português, ecoando pelo mundo, onde tem tantas e tão intensas raízes.

O Brasil está, naturalmente, também de parabéns, pois foi quem proporcionou este momento de grande relevância histórica. Foi um dos 51 Estados Membros fundadores da Organização das Nações Unidas destinada a contribuir para manter a paz e segurança internacionais, desenvolver relações de amizade entre as nações, promover o progresso social e melhores padrões de vida, bem como o respeito pelos direitos humanos.

Portugal só se juntou à ONU dez anos mais tarde. Facto histórico que nos deve ajudar a desenvolver a atitude, felizmente cada vez mais presente, de que muito temos a aprender com o Brasil e com os outros Países de Língua Oficial Portuguesa e com a sua diversidade e riqueza cultural, para além de que muito temos também a partilhar de nós próprios, Portugal e Portugueses, com estes países e cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) a que nos unem laços históricos intensos.

Todos os países da CPLP, irmãos na Língua Portuguesa, tão rica e tão presente nos cinco continentes, estão certamente orgulhosos desta etapa histórica.

A voz de Dilma foi a voz da Língua Portuguesa a falar para 192 outros Chefes de Estado, num discurso bem elaborado, consistente e corajoso, sem escamotear as dificuldades sentidas no mundo e nas próprias instituições das Nações Unidas, e falando da necessidade de operar mudanças que permitam dar respostas mais eficazes e mais ágeis aos problemas do mundo actual.

Considero este momento ainda mais significativo pelo facto de a Assembleia Geral ser o mais democrático de todos órgãos das Nações Unidas, pois, nele todos os 193 Estados Membros, ricos ou pobres, grandes ou pequenos, têm direito a um voto. Acresce ainda enorme relevância o facto de ser o órgão deliberativo principal das Nações Unidas. É na Assembleia Geral que se tomam decisões sobre questões de paz e segurança, sobre admissão de novos Estados Membros e sobre questões financeiras.





Dilma fez ainda uma associação muito interessante entre a Mulher e a Língua Portuguesa quando referiu que em Português, palavras como "vida", "alma", "esperança", "coragem" e "sinceridade" são do género feminino. Claro que não são exclusivas das mulheres estas propriedades positivas tão valiosas para o ser humano, mas a sua raiz linguística no feminino tem certamente muito a ver com capacidades das mulheres evidenciadas ao longo de gerações, mas tantas vezes pouco ou nada reconhecidas às próprias.

O grandioso tributo que Dilma prestou às mulheres fica ainda registado nas suas palavras, quem sabe se visionárias, mas certamente de esperança para as mulheres do mundo inteiro que continuam a ser discriminadas ou mesmo oprimidas, quando afirmou "Eu estou certa que este será o século das mulheres".

Um sinal de esperança para as mulheres, para a igualdade de oportunidades e para a presença da Língua Portuguesa no mundo. Um sinal de esperança para todos nós que desejamos um mundo de igualdade de oportunidades, sem discriminações e de respeito pela riqueza da diversidade linguística e cultural dos povos.

Um abraço feminino e em Português para vocês, caras e caros visitantes virtuais,

CC