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18/09/2011

Paz e democracia


Caros visitantes virtuais,

No passado dia 15 de Setembro a Organização das Nações Unidas comemorou o Dia Mundial da Democracia (Mais informação em: http://www.un.org/en/events/democracyday/ )
e no próximo dia 21 de Setembro comemora o Dia Mundial da Paz, este ano dedicado ao tema "Paz e Democracia" (Mais informação em: http://www.internationaldayofpeace.org/ ). Por esta feliz associação temática dedico este post a ambos os assuntos, pois, no meu entender existe uma ligação intrínseca entre ambos: considero que sem democracia qualquer paz que exista é falsa porque não assenta no respeito de um dos direitos fundamentais do ser humano: a Liberdade.

A vantagem que têm estas iniciativas internacionais é a de congregar atenções e actividades no mundo inteiro para, nesse dia em especial, darmos espaço ao debate sobre temas tão fundamentais para a existência e felicidade do ser humano e da sociedade como são, neste caso, a Paz e a Democracia.




Valorizemos a democracia, como diz o slogan das Nações Unidas para este dia "Faça ouvir a sua voz". Mantenhamos os olhos abertos e o espírito crítico necessários para denunciar vícios de abuso de poder ou de má gestão dos dinheiros públicos. É esse o dever de uma cidadania consciente e activa.

Valorizemos o facto de termos quebrado as cadeias de uma ditadura, graças aos que a combateram e aos que lutaram e ainda hoje lutam pela democracia em cada dia. É por vivermos em democracia que podemos dizer e escrever o que pensamos sem ter que temer represálias e torturas como sucedeu antes da Revolução de Abril, em Portugal e felizmente sucede sempre que cai uma ditadura no mundo. Ajudemos a derrubar as ditaduras que ainda existem, através da pressão da política externa nacional, dos organismos internacionais e das organizações não governamentais. A voz da sociedade civil no mundo tem hoje já um grande poder de conforto e encorajamento dos oprimidos e é dissuasora de maiores atrocidades que, sem este efeito mundial, mais aterradoras seriam.
Ensinemos aos nossos jovens que a política é responsabilidade de todos, através do exercício do direito e dever de votar, para que nos devemos manter sempre informados e preparados para uma escolha consciente.
Apelemos a um jornalismo isento e responsável, centrado não em mexeriquices, mas no que de facto é importante para a vida política e cívica de um país.
Mostremos aos nossos políticos (governantes e deputados) que têm que ser dignos e estar ao serviço do povo e, quando isso não sucede, façamos ouvir a nossa voz com elevação e dignidade.
A Democracia é o poder de eleger e ser eleito, não é um privilégio, é uma responsabilidade e um serviço público que constrói o destino de um povo em cada dia.
Saibamos valorizar esse direito que já temos, saibamos reconhecê-lo e exercê-lo, pois ele constitui ainda uma esperança a alcançar por muitos, que devemos ajudar a obter pelas vias competentes.
A imagem abaixo expressa a alegria pelo simples registo de identificação digital que permite a um povo poder exprimir o seu direito eleitoral pelo qual gerações lutaram.




Quando na próxima quarta-feira, dia 21, acordarmos, não deixemos de acordar a nossa consciência para que é o Dia Mundial da Paz. Desencadeemos uma corrente de energias positivas, como nos convida a Organização das Nações Unidas para construir a paz em ligação com a democracia. Isso implica não apenas o cessar-fogo entre beligerantes no mundo nesse dia. Implica, da parte de cada um de nós, cessar as hostilidades e desconfianças em relação ao outro: em casa, na vizinhança, na escola, no trabalho, etc.
Tentemos, pelo menos por um dia, olhar o outro procurando vê-lo numa perspectiva positiva e talvez isso nos ajude, certamente em muitos casos, a descobrir valores que não tinhamos visto e a relativizar as fragilidades que todos temos.
Fazer a paz é estender as mãos e acolher. Sem limites de género, idade, religião, etnia ou cultura. A paz é um bem universal e a maior semente de esperança que podemos lançar no nosso mundo.
O Vaticano celebra o Dia Mundial da Paz no dia 1 de Janeiro de 2012. O Papa Bento XVI já anunciou que o tema será "Educar os jovens para a justiça e a paz".
(Mais informação em: http://www.radiovaticana.org/en1/articolo.asp?c=488495 )

Segue na linha do Papa João Paulo II que, pela primeira vez em 1985, associou os jovens ao Dia Mundial da Paz. Chamar os jovens a esta responsabilidade fundamental de aprenderem uns com os outros e com as gerações anteriores a construir a justiça e a paz é, no meu entender, um reforçado sinal de esperança na sua inovação e criatividade postas ao serviço de um bem universal comum: a Paz.

Como cristã e católica que sou, associo-me também a esta mensagem Papal, mas não deixo de ter o sentido crítico que em nada me reduz a Fé de apelar a que a Igreja faça também esse exercício de educar para a justiça e a paz no século XXI e vindouros dentro do seu próprio espaço, limpando as teias de aranha que tem que limpar, acusando justamente quem tem que justamente acusar e condenar por crimes de pedofilia ou outros. A Igreja somos todos nós, os que nos dizemos e sentimos crentes, por isso falível, naturalmente. No meu entender, a Igreja quanto mais autêntica for, mais próxima estará do Homem que foi Jesus Cristo, profeta que no seu tempo levantou a voz contra os excessos de poder, contra a opressão dos mais fracos, contra a pobreza, contra a humilhação das mulheres, contra os comportamentos e as palavras de ostentação e falsidade. Por isso o aceito verdadeiramente como um símbolo da Paz e do Amor universal.

A razão da existência de dois Dias Mundiais da Paz é simples, um foi instituído pela Igreja Católica, decorrente da mensagem de Cristo, "Príncipe da Paz", para os que, como eu, n'Ele acreditam. Foi instituído há 45 anos e foi atribuído o primeiro dia do ano a este tema tão importante que ainda hoje mantém toda a actualidade. A Organização das Nações Unidas, há 30 anos instituiu também o Dia Mundial da Paz, por considerar também fulcral este valor fundamental da vida dos homens e das sociedades. A Carta das Nações Unidas, criadas após duas guerras mundiais que devastaram o mundo, no seu Preâmbulo refere expressamente que esta organização internacional de vocação universal foi criada para ajudar a prevenir e resolver conflitos e contribuir para a paz mundial.








O Comité Norueguês dos Prémios Nobel há mais de cem anos instituiu o Prémio Nobel da Paz. Desde 1901 que este Comité dedica uma atenção especial aos indivíduos e instituições que se distinguem pela promoção da paz.


Certamente muitos de nós se recordam de muitas individualidades e instituições que receberam esta importante distinção, pessoas a quem o mundo tanto deve pela sua exemplar coragem e dedicação em terem uma voz activa e determinada ajudando a fazer cessar conflitos em momentos históricos dolorosos, pondo em risco a sua própria vida.
(Mais informação em: http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/peace/ )

Assim, queiramos celebrar a Paz de forma religiosa, ou não-religiosa, ou de ambos os modos, façamo-lo, pois a PAZ em cada dia depende de cada um de nós. Lancemos a semente da esperança e depois podemos sorrir ao vê-la florescer ou ao saber que as gerações dos nossos filhos e netos contaram com a nosso gesto em cada dia para poder viver em democracia, liberdade e paz.

Um abraço fraterno, caros visitantes virtuais,

CC