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15/08/2011

Remontar às origens para inovar




A sabedoria popular diz que a vida é um livro aberto. Esta frase é talvez das poucas que colhe unanimidade dos mais diversos tempos e culturas, seja qual for o espaço geopolítico em que surgem.
A vida de cada um de nós certamente que já nos surpreendeu muita vez e continua a surpreender. O que se passa actualmente no nosso país e no mundo talvez já fosse dando sinais de que algo estaria a eclodir no sistema ecoómico, social e político, mas não deixou de colher de surpresa os vários analistas e os cidadãos em geral.
Em momentos da história individual ou de um povo em que olhamos em redor e sentimos que o sentido é difícil de encontrar, talvez valha a pena regressar às origens, repensarmo-nos e ver onde perdemos o que realmente nos faz autenticamente felizes e realizados como seres humanos e como civilização europeia e mundial.
Que sabemos de nós como ser humano? Pertencemos à ordem dos primatas, e somos apenas uma das mais de cento e oitenta espécies desta ordem, da qual fazem parte doze famílias, entre as quais as do Hominidae, onde se incluem também o chimpanzé e o gorila.
Sabe-se que o fóssil mais antigo de homem moderno, Homo sapiens sapiens, de onde provimos, foi encontrado em França, na Dordogne, e tem 40.000 anos. No entanto, há ainda muito por descobrir quanto à origem dos sapiens e à forma como substituiram os seus antepassados.
Passados tantos anos, o homem, continua à descoberta da sua própria identidade, como não hão-de as sociedades e as culturas ter ainda tanto para aprender para respeitar a sua diversidade e autenticidade?



Tal como os golfinhos, pertencemos à classe dos mamíferos, a família de animais mais inteligente da terra. Os mamíferos são também seres vivos sensíveis e afectivos. Inteligência, sensibilidade e afecto são certamente valores genuínos que nos trazem felicidade e podem ajudar a encontrar um rumo quando como seres humanos ou povos parecemos ou andamos mesmo à deriva.




Convido-vos, caros visitantes virtuais, a partir à descoberta do vosso interior abandonado. Do canto mais escondido e menos visitado de cada um de vós.
Vamos sacudir as teias de aranha que nos impedem o arrojo de apreciar e fazer o que é bom e belo, o que nos torna felizes e faz os outros felizes. Alguns, como eu, encontram na fé em Deus um sentido e uma força que subsiste mesmo quando as outras forças nos abandonam nos momentos mais duros da vida que todas as vidas têm. Ante a perda da batalha contra a morte, contra a fome, contra a injustiça, contra a maldade que ainda existe por todo o mundo que resposta encontrar? Não tenho soluções, mas acredito que o caminho se faz andando e parando, mas que somos sempre mais felizes quando não nos afastamos de nós próprios nem dos que amamos e que nos amam.




Vamos ter coragem de dar aquele passo que é necessário em direcção ao outro, seja ele o que nos está mais próximo ou o que está distante mas que sentimos que seria importante que estivesse perto. Vamos, mas com simplicidade e despojamento, sem ostentar o que somos e até o que não somos. Vamos disponíveis para ver a beleza da pedra que o mar deixou na areia, simplesmente porque é única e, por isso, especial, como cada um de nós.





Vamos parar para pensar antes de nos lançarmos a voar só porque os outros voam.
As sociedades e as culturas valorizaram-se pelo que cada uma tem de específico e é na diversidade de artefactos, de músicas, de literatura, de pintura, de arquitectura, de gastronomia, de danças e de formas de estar de um povo que está a sua identidade e o seu valor próprio. E para estes valores genuínos, não há agências de rating, pois essas subsistem num registo de desequilíbrio de ecossistemas que temos que ajudar a equilibrar, desmistificando análises que se vistas por si só constituem atentados à imagem colectiva de um povo e se afastam dos valores fundamentais da humanidade.




A nossa capacidade de inteligência, criatividade, inovação, sensibilidade e afecto são a esperança que mora no nosso horizonte que é ilimitado de possibilidades a construir em cada dia.
Bom voo, caros visitantes virtuais... o céu, mais ou menos azul consoante as regiões e mesmo os dias, é património da humanidade, desde as suas origens. Vamos usufruir em pleno desta infinita beleza e potencial.
Um abraço, caros visitantes virtuais.
CC