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28/08/2011

Educar para integrar

Caros visitantes virtuais,

Este post que escrevo é dedicado à Luísa Vicente Pereira, educadora social e leitora deste blogue, que me enviou uma mensagem solicitando-me que reflectisse sobre a temática que hoje aqui abordo e escrevesse sobre a mesma, o que fiz com o maior gosto. Presto homenagem ao trabalho que desenvolve e ao trabalho de todas e de todos as (os) educadoras(es) sociais que em Portugal e no mundo são um sinal de esperança para crianças, jovens, idosos e famílias ou solitários em risco, marginalizados ou em situações de exclusão social.





A imagem acima entristece-nos pelo que traduz de solidão e exclusão de uma criança a quem a legislação internacional e nacional de vários países, entre os quais o nosso, garante que devem ser-lhe assegurados todos os direitos. O rosto não engana e comove quem se deixa tocar pela falta de felicidade dos outros. Exercer uma profissão que é também uma dedicação a ajudar a arrancar à solidão, à pobreza e à exclusão social é um acto de coragem, pois em cada dia se contacta com a dor dos outros e fica-se com ela no pensamento e no coração, mesmo quando estamos no aconchego da nossa família e dos nossos amigos.
Convidou-me a Luísa a reflectir sobre o facto de a nossa sociedade dar mais importância a projectos de design e de moda do que a projectos de intervenção social, traçados para cada família, encaminhando os seus membros para as respostas sociais disponíveis e para que encontrem um caminho útil a si próprios, à sua família e à sociedade, podendo assim sentir-se integrados e com o melhor bem-estar possível.
Os projectos de design e de moda contribuem para desenvolver a concepção do belo e contribuem para a vertente estética de uma cultura. Têm o seu papel e esse papel é muito visívil porque a arte é exuberante e comunica-se facilmente. Basta pensar no pavão que transporta a sua beleza de uma forma natural, mesmo quando surge à sombra e sem nos exibir a belíssima cauda em leque aberto.




Já os projectos de integração e qualquer actividade de educação, seja ela social, ou outra, é morosa e a sua beleza, duradoura no moldar das pessoas e das sociedades, só se vê a médio e longo prazo. Por isso é tão difícil de ser reconhecida e apreciada.
Alfredo Bruto da Costa fala-nos em "sociedade do espectáculo" e "sociedade da integração", o que acho que exprime bem a diferença entre essas duas realidades, no meu entender, ambas necessárias à felicidade do ser humano, desde que o espectáculo não sirva para nos afastarmos do que somos como ser humano.
Muito se tem escrito e continua a escrever sobre o papel da educação, mas Joseph Addison, quando escreveu que "A educação é para a alma o que a escultura é para o bloco de mármore", conseguiu, no meu entender, de forma magistral, revelar bem a importância fulcral do educador e do seu papel na construção da personalidade e do futuro dos indivíduos, das famílias e das sociedades.





Há maior beleza do que ver sorrir uma criança e esse sorriso resultar do nosso empenho, das nossas palavras, do nosso gesto? Essa beleza é ainda maior se soubermos que contribuímos para que o sorriso dessa criança possa perdurar no seu rosto porque arrancámos à marginalidade e à exclusão social a sua família.
Os educadores sociais são sinais de esperança porque são agentes de mudança. Os projectos sociais que desenvolvem são uma forma de arte, e uma arte que perdura. São analistas e criativos, estudam um indivíduo ou família e ajudam-no(s) a ultrapassar as vulnerabilidades que os arrastaram para a marginalidade e para a exclusão social. Ajudam-nos a construir um projecto de vida, a encontrar vias de integração na escola e/ou na profissão, a aproveitar as suas potencialidades naturais e enriquecê-las, e assim, melhoram a respectiva auto-estima, valorização individual e valorização social. Quebram-se assim as cadeias da inadaptação e liberta-se o indivíduo e a família do seu estigma social. Eles e nós agradecemos, pois o mundo é só um e seremos todos mais felizes quanto mais integrados e valorizados nos sentirmos.

A sociedade deve reconhecer o papel fundamental dos educadores sociais e valorizar os seus projectos. É importante que estes profissionais divulguem as suas actividades, partilhem dúvidas e angústias, que assim se tornam mais leves. Na partilha encontram-se respostas ainda mais criativas e enriquecedoras para a integração dos indivíduos na sociedade.


Para essa partilha, recomendo visitas a sítios electrónicos que já existem como, por exemplo, o Conselho Nacional de Educadores Sociais (em http://www.createphpbb.com/cnes/).
Há ainda a Fundação do Educador Social, uma organização não governamental criada no Brasil que ilustra bem o papel da educação social no mundo quando escreve: "Um Educador Social acredita e atua com alternativas que promovam a emancipação do educando, tornando-o autor da sua própria história". O sítio electrónico da Fundação é: http://www.cdi.org.br/ e certamente que todas estas entidades gostarão de receber visitas e contributos de educadores sociais de Portugal e do mundo. Também os educadores sociais verão mais valorizados os seus projectos se os divulgarem e promoverem assim o intercâmbio de boas práticas, sempre útil para todos os envolvidos, bem como para os respectivos destinatários.
Há também blogues de educadores sociais que contribuem para este intercâmbio fecundo de questões, saberes e práticas e há lugar para criar muitos mais, pois cada um tem a sua forma de exprimir e muito a partilhar. A título de exemplo refiro o blogue da Presidente da Associação dos Profissionais Técnicos Superiores de Educação Social, cujo endereço é: http://educacaosocial1.blogspot.com/
Vamos comunicar esse empenho e essa alegria de transformar a solidão e a exclusão numa esperança.





Caros visitantes virtuais, obrigada pela vossa visita, e como a Luísa, a quem aqui agradeço a sugestão da temática para este post, sintam-se à vontade para me sugerir assuntos sobre os quais gostariam que eu reflectisse, investigasse e escrevesse.
O único código deste blogue é: sermos vozes de esperança para podermos sorrir e construir um mundo melhor em conjunto.

Agradeço todas as sugestões que me quiserem fazer chegar porque este blogue, a partir do dia em que comecei a escrevê-lo, deixou de ser meu, é nosso... de quem o escreve e de quem o lê, quer diga algo ou nada diga sobre o mesmo.
Um abraço,
CC