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19/04/2015

A esperança que resulta da dança de dois jovens com Trissomia 21


Resultado de imagem para fotos de  Dário e Marta

Caros Visitantes virtuais,

Dário e Marta, dois jovens com Trissomia 21, deram-nos recentemente com a sua belíssima exibição de dança uma grande lição de alegria e esperança. A forma belíssima como dançaram a Rumba tocou-me profundamente e certamente a muitos dos que direta ou indiretamente assistiam ao "Dança com Estrelas" emitido pela TVI.
Foi comovente ver a alegria, a beleza daquela dança. A magia daqueles dois jovens que sem vergonha das limitações impostas pela sua doença, a Trissomia 21, mostraram a todos nós que, independentemente da nossa condição e limitações físicas, podemos sempre ter motivos para lutar pela vida com dignidade, com sonhos e com alegria. Para eles os meus parabéns e votos de continuação de muitas mais danças e alegrias. Parabéns aos Apolo do Porto que os ensinaram a dançar e parabéns à TVI por dar esta oportunidade de realizar sonhos e de os partilhar com o público.
Estes jovens ajudaram a desmistificar a Trissomia 21, o chamado Mongolismo, sempre referido em tom depreciativo ou redutor da condição de menoridade em geral atribuída aos seus portadores.
Nunca partilhei dessa visão, sempre achei que não são as limitações físicas com que nascemos ou que acidentes da vida, ou doenças, nos trazem que condicionam a nossa dignidade, a nossa forma de enfrentar a vida, o nosso valor pessoal, o nosso relacionamento com os outros nem a nossa alegria. É o que vai na nossa mente que nos limita ou não a ser felizes e a partilhar a nossa felicidade com os outros, a ter ou não esperança e alegria de viver.
Quantas pessoas não conhecemos sem nenhuma doença, limitação física, social e económica que as permitam viver felizes, mas que contudo não encontram razões para sorrir, se enterram numa existência para a qual não encontram sentido?
É com jovens como estes que aprendemos grandes lições de esperança, mas temos que estar despertos para isso, não podemos estar fechados na nossa concha ou no nosso orgulho que nos isolam dos outros e nos condenam cada vez mais à solidão e à infelicidade.
Dedico este post ao Dário e à Marta, por terem com a sua belíssima dança, com a sua coragem para dançar em público e ter concorrido a este programa de grandes audiências, por terem mostrado como se pode ser feliz e lutar pelos sonhos apesar das nossas limitações e dedico este post também ao Fernando Ferreira, isto é, ao Fernandinho, também portador de Trissomia 21, desde que nasceu, em 1972.


Tenho cinquenta anos e conheço o Fernandinho desde os meus 15 anos. Conheci-o sempre rodeado do amor e dedicação da sua grande família. Acompanhei muitos momentos festivos e triviais da vida do Fernandinho ao longo destes anos e sempre o vi sorrir.
O Fernandinho sempre que o encontro abraça-me a sério, com os seus dois fortes braços apertando-me o tórax. Não é como aqueles abraços que em geral damos uns aos outros, abraços laços, que quase parecem convenções sem significado nenhum a não ser social. Abraços à pressa, não abraços como se o tempo não corresse e o que importa é duas pessoas que são amigas de longa data tomarem o tempo necessário para se abraçarem tanto mais quanto mais longa e forte é a sua amizade. Os abraços do Fernandinho, não tenho qualquer dúvida, quer me sejam dados a mim ou a outro amigo ou amiga e sobretudo a familiares são abraços verdadeiros, abraços dados com os braços, as mãos e o coração, e sempre com um sorriso de alegria estampado no rosto, porque o encontro entre duas pessoas que se querem bem é sempre razão para se ser feliz. (Nós os dois na foto abaixo).



Também os beijos do Fernandinho são especiais. Têm som. Sempre que me lembro de o Fernandinho me cumprimentar à chegada, à despedida, ou simplesmente porque lhe apetece manifestar o seu carinho, os seus beijos ouvem-se, no real sentido da palavra. São beijos depositados com todo o cuidado um de cada lado da face, beijos lentos e sonoros, beijos que duram o tempo necessário para transmitir o afeto real que representam, a alegria pelo reencontro ou a alegria por nos termos reencontrado e uma despedida até à próxima vez, como quem diz: "Fica bem, fica feliz, fica com o meu sorriso e o meu beijo, porque eles ficam contigo." E, garanto-vos, fico mesmo muito feliz sempre que o vejo. Parto sempre com o som dos beijo dele lentos e sonoros nas minhas faces, como uma marca de amizade indelével.
Querido Fernandinho, para ti que sei que uma das tuas irmãs irá ler-te o meu post, para si que sei que irás sorrir muito feliz por veres aqui o teu nome e a tua fotografia, escrevo-te agora aquilo que muitas vezes te disse ao longo destes tantos anos em que temos convivido: "Gosto muto de ti.", mas nunca te expliquei quanto, nem porquê. Falha minha. Explico agora. Gosto tanto de ti, como daqui até à lua, porque não têm medida os sentimentos grandes que temos pelas pessoas de quem muito gostamos, como não têm conta os beijos e abraços que me deste e eu te dei, porque valem demais para que perdêssemos tempo a contá-los, bem como os que ainda iremos dar. E porque gosto assim tanto de ti? Por uma razão tão simples como especial: Porque tu és o Fernandinho. O único. Não há mais ninguém como tu. Ah, esqueci-me, afinal há ainda outra razão e também muito importante: Porque me fazes feliz, sempre que estou contigo, sempre que me lembro de ti e agora mesmo quando estou a escrever sobre ti. Só tenho pena que não estejas aqui ao pé de mim para me dares um dos teus abraços e daqueles beijos que sei que vou receber quando te vir.
Querido Fernandinho e caros visitantes virtuais, deixo-vos com o vídeo da belíssima rumba dançada por Dário e Marta, a quem agradeço do fundo do coração terem-nos deixado este belíssimo momento de esperança, alegria, comoção e magia e boa sorte para eles nas próximas fases do concurso e ao longo da vida.


    
Para ti, Fernandinho, para o Dário e a Marta que não conheço, mas que ficaram no meu coração e, para si caro visitante virtual, um grande abraço que, apesar de sincero, não tem a capacidade de ser como os do Fernandinho porque não tenho esse dom especial que ele tem para abraçar com o coração de tal forma a que a presença dele fica connosco, mas fique com a esperança de soltar as amarras que o envolvem, de aceitar as suas limitações e se lançar em busca dos seus sonhos, da alegria, dos outros.
Até ao meu próximo post e seja feliz, faça por isso.

C.C.