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23/12/2011

Celebremos a intimidade familiar do Natal



Caros visitantes virtuais,

Nesta aproximação à data em que os Cristãos de todo o mundo celebram o nascimento de Jesus Cristo, convido-vos a concelebrarmos juntos o Natal como uma mensagem de Amor e de Esperança que une os corações de toda a humanidade e a predispõe à solidariedade, à compreensão das diferenças do outro e à Paz.
Considero que a Fé que tenho é o principal património que os meus pais me transmitiram e de que eu me fui interiormente apropriando cada vez mais consciente e empenhadamente na minha vida individual e em comunidade. Seria outra pessoa diferente da que sou sem a minha Fé e, sem pretender fazer juízo nenhum de valor sobre quem não tem Fé e está no seu pleno direito e merece o meu total respeito, eu gosto de ser como sou, com a minha Fé.
Não que a minha Fé me torne de modo nenhum perfeita ou qualquer tipo de modelo de comportamento ou de vida. Sou tão falível e imperfeita como se não tivesse Fé porque tenho o mesmo grau de humanidade com ou sem a minha Fé.
Onde a minha Fé me torna diferente do que seria se a não tivesse é na forma de estar na vida.
O sentido da minha vida é em cada dia sair de dentro de mim própria e ir ao encontro do outro partilhando com ele o que tenho de melhor: a minha existência.
Para mim Jesus Cristo é aquele que em cada dia me faz nascer na minha própria gruta, como ele nasceu numa gruta em Belém, no aconchego humilde e sereno da sua família e visitado por quem quis celebrar a alegria do seu nascimento e a esperança de salvação que o mesmo representa. O Deus menino que cresceu e profetizou a salvação, sempre rodeando-se dos que mais necessitavam, acolhendo os excluídos, partilhando a mesa com os que o queriam acompanhar enquanto pregava parábolas que incendiavam de indignação os poderosos do seu tempo a ponto de o conduzirem à morte pela audácia com que os afrontava e a ameaça social e política que representava a sua mensagem de amor e igualdade de direitos sociais.
Para mim, o Natal é esse poder de Amor que nasce no interior de cada um de nós se estivermos disponíveis para o deixar emergir. Para isso temos que querer dispor-nos a olhar para dentro de nós mesmos e deixar crescer o que temos de mais profundo e genuíno. E o que brota do nosso interior é tão intenso que sentimos um forte impulso para o partilhar. Todos temos tesouros interiores escondidos, por mais modestos que nos possam parecer, eles são valorizados se os partilharmos. Se nada fizermos, ficam estéreis e sem luz, escondidos dentro de nós e sem brilho nem para nós próprios.
Em cada ano sinto o Natal com uma nova intensidade, uma força de Amor renovada, renascida, porque deixo que esta época venha arejar o meu interior espiritual mais entranhado e escondido pela superficialidade, o comodismo, o egoísmo e a correria do dia-a-dia.
Na minha gruta interior, e num lugar muito especial, estão todos os que muito amo quer estejam à minha mesa da ceia de Natal quer estejam já à mesa da ceia celeste junto do Pai Eterno.
Na minha gruta interior estão ainda num cantinho especial todos os amigos e companheiros de comunidade cristã, sem esquecer de modo especial os jovens e crianças que tenho acompanhado e vão crescendo e construindo as suas vidas, os que agora acompanho e os que vier a acompanhar.
Na minha gruta interior estão também os meus colegas de trabalho de todas as minhas fases da vida profissional, incluindo a actual e as que virão, estão ainda todos aqueles com quem me fui e vou cruzando na vida.
Na minha gruta interior há lugar para todos os que lá estão e para os que ainda nem sequer conheço porque a grande alegria que me vem da minha Fé é que com ela nunca estou só pois tenho semopre as portas abertas ao outro, seja ele quem for, venha de onde vier, acredite no que acreditar ou não acredite em nada.
Na minha gruta interior sorrio com todos os que estão felizes e sofro com todos os que sofrem.
Na minha gruta interior há sorrisos e tristezas. Há momentos comoventes e momentos apaixonantes. Há momentos de desânimo e desespero e momentos de euforia e de esperança. Há momentos de inércia e momentos de actividade. Há momentos de dor e angústia e momentos de alívio e alegria. Há momentos de desilusão e momentos de descoberta feliz. Mas sobretudo são momentos de vida, sempre de vida. E, mesmo nos momentos em que a morte me visitou tão perto, o mais perto que pode ser: levando-me aqueles que mais amei, ou quando rodeou ameaçando levá-los, foram sempre momentos de Fé. E dou graças a Deus por isso. Nele reside a minha força e a minha esperança, a esperança que alimenta este simples blogue porque é a esperança que nutre a minha vida em cada dia, mesmo nos mais cinzentos. Porque mesmo nesses, eu sei que a Luz vai surgir e é nela que reside a força, mesmo nos momentos em que
alegria possa estar ausente.
Na minha gruta interior vale a pena nascer em cada Natal, esquecer o que é supérfluo e nos separa do outro. Dar-se e aceitar a dádiva do outro são os únicos presentes de Natal que valem a pena e que ficam nos nossos corações. Os outros presentes são apenas símbolos de Amor e não Amor em si mesmo, e às vezes nem isso, meros bens materiais sem qualquer conteúdo que nes preencha o ser.
Caro visitante virtual, está na minha gruta interior este Natal, acolha também na sua gruta interior aqueles que estão consigo e que estima, os que estima e não estão consigo... e desafio-o ao arrojo de acolher na sua gruta interior também o outro, aquele que precisa de si e lhe está próximo.
Um Feliz Natal cheio de Amor e autenticidade,
C.C.