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23/05/2019

Um amor inspirador: Snu Abecassis e Francisco Sá Carneiro



Caro(a) visitante virtual,

Vi recentemente o filme "Snu". 
Não poderia deixar de o ver. Esta história de amor marcou a minha adolescência e juventude vividas na transição da ditadura, de que ainda na infância, pouco me apercebi, mas cujo drama de um país e de um povo me fui apercebendo, já na democracia, com idade para ter já consciência crítica formada e o privilégio da convivência com as gerações anteriores que haviam sofrido na pele a ditadura a todos os níveis.
Sou uma filha da liberdade, pois embora com raízes da infância na ditadura, delas apenas me restam a memória de um ensino primário em que Pátria, Nação e Religião se misturavam num país ainda tão analfabeto e atrasado em termos culturais, económicos e sociais, atrofiado que fora no mofo enclasurador da ditadura, e do estupidifiante "Orgulhosamente sós".
Emboa muito jovem, lembro-me bem da diferença que sentia entre os discursos fechados e limitadores dos lideres da ditadura e dos discursos abertos e estimulantes dos lideres dos vários partidos políticos que foram saindo da clandestinidade. lembro-me da abertura das portas das prisões e da saída dos presos políticos, lembro-me do país em festa num 25 de abril em que se misturavam carros militares, fardas, povo, cravos vermelhos, abraços, slogans gritados em euforia coletiva e discursos inflamados pela esperança que nascia num país apodrecido que aforrava nas masmorras da PIDE e de prisões em Portugal e no desterro de provínias ultramarinas que clamava serem suas ultrajando o direito à liberdade e à autodeterminação dos povos, violando direitos humanos fundamentais dentro das suas próprias fronteiras e em espaços além-mar que nunca lhe pertenceram por direito.
Lembro-me das poesias e das canções de rutura de sistema e de rasgos de liberdade dentro do próprio ser humano que também as suas almas eram oprimidas, os seus pensamentos atrofiados, os seus gestos condenados e as suas palavras ditas ou escritas amordaçadas. Tudo a bem do regime que uma minoria no poder queria conservar à força, escorraçando mentes pensantes e esvaindo o país do seu intelecto, valores culturais e homens e mulheres corajosos que nem à força da intimidação se deixavam vencer.
O filme em nada me desiludiu, bem pelo contrário, trouxe à superfície com a cor e o cheiro do momento uma realidade que fez parte da minha vida mesmo tanto em momentos em que ainda não tinha consciência do que vivia como em momentos em que pude também já vibrar com um país a florescer para a liberdade, a democracia e o respeito dos direitos humanos. 
Está de parabéns Patrícia Sequeira que co-escreveu e realizou de forma belíssima o filme Snu, com inesquecíveis passagens dos sonhos de Snu apresentados de forma absolutamente magnífica em termos de jogo de cor e som, os protagonistas Inês Castel-Branco, no papel de Snu e Pedro Almendra, no papel de Francisco Sá Carneiro, o casting para estes e outros atores que tão bem protagonizaram os seus personagens e a reprodução dos locais num ambiente próprio da época, como "O Botequim" da Natália Correia com os famosos saraus onde tantos intelectuais e artistas puderam respirar um ar apesar de tudo mais liberto e aberto num país contido em amarras para não respirar, exprimir e deixar crescer qualquer semente de diferença ou contestação que ameaçasse o poder da ditadura.
Lembro-me bem de muito ver e ouvir na RTP e imprensa escrita sobre a controversa história de amor entre Francisco Sá Carneiro, então Primeiro Ministro de Portugal, casado e com filhos, e Snu Abecassis, da D. Quixote, estrangeira, também ela casada e com filhos. A palavra "amantes" era uma palavra que se colava à história pessoal destas duas figuras públicas, cada um deles com respeitáveis laços familiares que a sociedade reconhecia e valorizava. A todo o momento se esperando que a normalidade esperada se repusesse, que o devaneio terminasse e que, passado o fogo da paixão, as elites políticas pudessem sossegar os seus medos de perda de força de liderança de um homem carismático de quem o país tanto precisava, pouco ou nada se falando sobre o importantíssimo papel da Snu à frente das publicações D. Quixote e o quanto ela havia sido corajosa e aberto espaço, apesar das visitas constantes e ameaças pessoais da PIDE, para publicar vozes arejadas e corajosas como a do homem por quem acabou por se vir a apaixonar e também ele por ela, com igual determinação.
Nunca me esqueci do quanto me impressionou já na altura a coragem de ambos por, apesar de tudo e apesar de todos, com toda a transparência, assumirem o seu amor publicamente, com toda a dignidade. a forma corajosa como ambos, cada um com as respetivas famílias, assumiu abertamente o amor vivido e lamentou o sofrimento que isso causava inevitavelmente às mesmas. Poderíam não o ter feito. Poderiam ter vivido o seu amor na clandestinidade e com todo o apoio social e popularidade sem serem questionadas, mantendo a aparência dos seus casamentos sólidos, como moldura perfeita para o aplauso religioso, social e político. Não o quiseram fazer.
E, não o quiseram fazer porque o amor que sentiam um pelo outro era genuíno e demasiado belo para ser vivido escondido, como se de um mal se tratasse que importa encobrir. Um amor a cores não se deixa viver na penumbra porque não é essa a sua natureza, precisa de sair para fora, andar ao ar livre, interagir sem esperar horas tardias ou espaços vedados. Um amor que aceita não se mostrar aos outros é um amor frágil, passageiro, que sabe que pode viver contido e limitado porque não será por muito tempo. Será o que for, certamente não será amor. E o amor de Snu e Francisco era amor, e por isso digo que era um amor inspirador e continua a ser um amor inspirador.
Também inspirador porque um e o outro o puseram à frente de qualquer outro objetivo: sucesso político, reconhecimento social, popularidade e até paz pessoal. É este o amor que vale a pena ser vivido, um amor em que o outro (a outra) importa de tal maneira pelo que é que o resto se torna secundário.
Lembro-me de quando vi o filme, de ter pensado que só uma mulher tão bonita poderia inspirar a um homem tão grande paixão e amor.
Foi uma reação de pele, de imediato, de alguém que nunca sentiu o privilégio de um amor assim, apesar de já tudo ter dado para que isso acontecesse em mais de meio século de vida.
É provavelmente uma reação que muitas mulheres e muitos homens que como eu não tiveram ainda esse privilégio de pensar que só a pessoas absolutamente extraordinárias é possível vir a experienciar um amor assim.
Assumo que no momento fugaz em que fiz esse juízo, distorcido pela minha história pessoal, fui injusta na minha avaliação, ainda que por segundos, mas partilho-a porque muitas vezes pelas mesmas razões se fazem juízos deste tipo que perduram injustamente e ferem também quem os faz. Snu Abecassis era de facto uma mulher lindíssima, mas era muito mais do que isso, era a mulher que era e foi pela mulher que ela era que mereceu todo o amor que teve. O mesmo tendo sucedido com Francisco Sá Carneiro. E tiveram ambos a felicidade de coincidirem no sentimento genuído de amor um pelo outro. E é aqui que está a chave da beleza desse amor.
Sempre gostei de ver relações amorosas felizes, sempre as achei inspiradoras e continuo a achar.
Não falo de relações postiças, de relações de parasitismo ou de manipulação, de acomodação de mortos-vivos, chame-se-lhes casamento, união de facto ou não se lhes chame nada. Não falo dessas relações porque não importa desperdiçar o meu tempo e a minha atenção com elas, cada um dos que neles vive saberá se nelas quer permanecer, não é da minha conta.
Falo de relações genuínas, não importa há quanto tempo durem, mas que existem, em que cada um se sente feliz com o outro como é, e apesar do que é; em que cada um sente que a sua vida é mais feliz por ter o outro ao seu lado em cada dia; em que cada um sente que no fim do dia, num bom ou num mau momento quer que seja aquela pessoa e não outra o seu ombro de apoio, a sua voz ao ouvido, a sua carícia no rosto, a palmadinha nas costas, o afagar dos cabelos, o olhar que serana o espírito... o porto de chegada.
Muitos e muitas de vós queridos amigos e amigas, e visitantes virtuais que me lêm, já encontraram o vosso porto de chegada, e isso sente-se, e é inspirador. Estou a escrever estas linhas e a lembrar-me de casais amigos que conheço que estão casados alguns há mais de 30 anos, outros menos, casados, em uniões de facto ou simplesmente juntos, não importa, o que importa é o quanto o vosso amor é inspirador, não apenas para vós, mas também para quem não teve ainda a felicidade de encontrar esse porto de chegada mas que continua a acreditar que ele existe, também para si. Poderá é nunca o vir a encontrar porque o ruído de tantas outras coisas nos passa mensagens erradas que não é fácil descodificar o caminho, as emoções erradas que se fazem passar por certas, os afetos destrutivos que fazem ruir a esperança que cada dia temos que reconstruir para continuar a acreditar que talvez para quem ainda não chegou a esse porto, um dia lá consiga chegar e valerá certamente a pena.
A quem já encontrou esse amor, desejo que olhe bem para ele e o valorize se nunca o fez. Que o valorize todos os dias, pois cada dia ao lado de quem o amo como é e que também ama como é, apesar dos pequenos nadas que todos temos, é um dia precioso, duplamente valioso, porque é partilhado com quem merece e com quem o faz feliz.
A quem ainda já encontrou esse amor e o perdeu. Se o perdeu verdadeiramente foi apenas para a morte, pois uma amor deste tipo não se deixa vencer pelos obstáculos da vida do dia a dia, cresce com eles e apesar deles; não se escoa na banalidade do tempo a passar, porque cada dia acrescenta história comum, reforça laços e descobre a necessidade de se manifestar porque o amor é em si mesmo expressão de afeto e de emoções pelo outro. Se não foi isto que perdeu, se o que perdeu não foi para a morte, não perdeu amor, perdeu qualquer outro sentimento, emoção ou confusão, mas não amor. O amor não acaba. Pode é nunca ter sido amor. Correspondido, naturalmente, pois não o sendo, também não é amor, é seja o que for, talvez nem importe saber o que foi, pois certamente já deu nesse caminho tudo o que era de si e não bastou, talvez tenha mesmo dado mais de si do que devia ter dado e deixou passar o tempo que era seu e não viveu, vegetou.
Seja qual tiver sido a circunstância, não importa agora se não encontrou ainda o amor inspirador que vale a pena viver, aquele que é leve todos os dias, porque o vive como se respirasse, naturalmente. Porque quem caminha consigo vai ao seu lado, não atrás, nem à frente, mas a seu lado.
Porque quem caminha consigo o olha nos olhos e lhe sorri grato por o ter a seu lado, seja quem for, o que faz, seja qual for a sua beleza ou a falta dela, a alegria ou a falta dela, a saúde ou a falta dela, será sempre bom sentir o calor da sua mão ou a frescura da sua mão.
É esta, no meu entender, a única forma de amor romântico que vale a pena. E é aquela em que sempre acreditei. ter lá chegado ou não, não importa.
O que importa é a genuinidade com que vivi o que acreditei que fosse.
O que me importa é em cada dia ser eu própria e sentir-me bem com quem sou, apesar dos meus pequenas nadas que não são comparáveis aos de nenhuma outra pessoa porque não têm que ser. Isso é um exercício inútil e eu não gosto de coisas inúteis porque há tanto de útil e agradável para fazer que nem um segundo vale a pena desperdiçar com o que não merece a nossa atenção.
O que importa é que escrevo este post independentemente de vir a ser lido por 1 pessoa, 1000 ou 10000.
O que importa é que ao escrevê-lo, já foi bom para mim e será tanto melhor quanto mais ele for útil nem que seja a apenas 1 visitante virtual que o leia porque estamos juntos nesta caminhada de auto-conhecimento e auto-descoberta e todos  procuramos o mesmo, embora lhe demos nomes e formas diferentes: sentir-nos bem connosco e com os outros, chame-se-lhe equilíbrio, felicidade, amor ou realização, ou simplesmente: VIDA.

Um abraço, caro visitante virtual, e boa caminhada, que vá encontrando pistas para o que procura e, quando encontrar, continue a caminhar ao lado de quem o merecer.

C.C.

25/09/2017

Pregões de Esperança nas palavras e nos gestos



Caro(a) visitante virtual,

Tendo D. Manuel Martins, partido do nosso universo físico no passado domingo, depois de 90 anos de vida dedicados à Esperança e a suscitar esperança nos mais mais dela carenciados no plano espiritual, social e económico, não poderia deixar de lhe dedicar um post numa profunda gratidão por todo o conforto e alento, força e esperança que trouxe ao nosso país e, de forma muito em particular, às partes do nosso país mais carenciadas.
Nunca tive o privilégio de conhecer, nem sequer de ver alguma vez na minha vida D. Manuel Martins, mas este homem marcou profundamente a minha juventude com o contacto que tive com as suas palavras de esperança e de luta pelos mais necessitados, de luta pela liberdade e pela dignidade do ser humanos e das suas comunidades, pela igualdade de direitos políticos, económicos, sociais e culturais e pela promoção de valores tão nobres não apenas nas circunstâncias favoráveis, mas em circunstâncias em que não era politicamente correto defender estes valores, bem pelo contrário, em circunstâncias adversas. E fê-lo sempre com nobreza de caráter, verticalidade, frontalidade, eloquência, persistência, firmeza e muita coragem, tendo mesmo, por isso, não apenas sido apelidado de "Bispo Vermelho", numa expressão acusatória de insinuação a valores de esquerda, como se estes fossem de algum modo incompatíveis com os valores do Cristianismo que professou toda a sua vida e com que me identifico, uns e outros.
Foi justamente graças a pessoas de mente esclarecida, aberta, arejada e tolerante que continuei no meu percurso de fé, apesar de todas as poeiras e até às vezes lamas que têm coberto a imagem da Igreja Católica desde o seu surgimento até aos dias de hoje. É precisamente graças a vozes de esperança, coragem, liberdade, igualdade, tolerância e solidariedade universais que tantos por todo o mundo, como eu, continuam a acreditar que ainda hoje há quem genuinamente siga Jesus Cristo nas suas palavras e nos seus gestos corajosos pela dignidade do ser humano e da sociedade.
Esquecem-se ou querem esquecer-se aqueles que tanto o criticaram e até ostracizaram (porventura alguns dos que agora, após a sua morte o elogiarão. A vida tem destas ironias.), muitos deles dentro da Igreja, que o próprio Jesus Cristo era ele próprio um revolucionário, como, aliás, era próprio dos profetas. Mas, no caso concreto de Jesus Cristo, para além de revolucionário nas palavras este homem foi em tudo revolucionário nas palavras contra os poderosos e dominadores do seu tempo, revolucionário na aproximação e ternura para com os mais pobres, os mais doentes e os marginalizados; corajoso na determinação com que enfrentou reis, juízes, doutores da lei e todos quantos entendia que violavam os direitos humanos; e persistente na sua luta pela igualdade e dignidade do ser humano até ao limite de, conscientemente, colocar em risco a sua própria vida.


D. Manuel Martins, foi sem dúvida um bispo à altura deste património espiritual que eleva a dignidade do ser humano, contra ventos e marés, se estas se opuserem à liberdade e à dignidade humanas. É numa religião assim que acredito, é em homens com esta fibra, integridade, verticalidade, transparência, coerência e arejamento de ideias e valores que deposito a minha confiança e a minha esperança na construção de sociedades mais justas, mais equitativas e mais propiciadoras do pleno desenvolvimento de todos. Homens e mulheres sem poeira na alma, nas ideias ou no coração. Gente arrojada, sem se prender a deslumbramentos mundanos de poder; gente despojada e sem arrogâncias; gente que está pronta a chegar-se à frente em defesa dos indefesos mesmo que a maré esteja em recuo.
Diz quem o conheceu que, para além de um homem frontal e plural era ainda um homem divertido. Sem dúvida foi um homem que abanou instituições, mesmo a sua própria instituição de que foi ordenado padre em 1951 e bispo em 1975. Período quente em Portugal social e politicamente. Conheceu bem o seu povo nacional e as suas dores da ditadura e da afirmação de uma democracia. Em Setúbal, de que foi o primeiro bispo, durante os 23 anos do seu episcopado transformou as vidas de muita gente, tocou muitos corações e contagiou com a sua fé, as suas palavras e os seus atos não apenas a área do seu episcopado, mas todo o país e até o mundo. 
Foi um homem que teve uma participação cívica ativa e frontal nas sedes próprias no plano nacional e internacional. Foi um homem que ouviu e deu voz a muitas organizações não governamentais de promoção dos direitos humanos e da proteção do ambiente e do planeta, algumas das quais foi membro-fundador. Foi um homem que encorajou os portugueses para uma cidadania consciente e ativa, como um direito e um dever que lhes assiste.
Foi das primeiras vozes públicas a erguer-se, nomeadamente junto das Nações Unidas pela independência de Timor-Leste. 
Foi sempre uma voz bem audível contra toda a violência, nomeadamente política, social e económica de que tivesse público conhecimento.
E, apesar de conhecer profundamente o desespero do ser humano nas situações sociais e humanas mais adversas, foi também sempre um homem de alento e de esperança, reconfortador e retemperador de estados de alma e não apenas do corpo, ambos igualmente necessários ao bem-estar integral do ser humano.

As suas homilias, várias delas reunidas na obra "Cantar a vida!" refletem o seu "modo de estar", que também publicou. Um modo de estar na Fé, na Igreja, na Sociedade, no País e no Mundo.
Este homem, nascido em 1927 em Matosinhos, ficará para sempre na minha memória e na memória de milhões de Portugueses e de cidadãos do mundo como um homem de esperança e será sempre com um sorriso de gratidão que o lembrarei, reconhecida por me ter tocado desde a minha juventude com a sabedoria, força e esperança das suas palavras.
Para homens assim e mulheres assim... Com homens e mulheres assim... não há fronteiras, não há limites, há valores intemporais pelos quais vale a pena lutar para nos construirmos a nós próprios interiormente e nos nossos gestos de aproximação ao outro, mesmo àquele que é diferente de mim e, precisamente por o ser, eu não conheço tão bem e posso até recear indevidamente. 
São pessoas assim que constroem a Fé universal em Deus, num Poder Superior, sem condições de aceitação do ser humano, sempre com limitações, mas também com um apelo interior à perfeição, à serenidade, à beleza, à infinitude e à eternidade.
D. Manuel Martins será sempre um homem intemporal que deixou esperança semeada por onde passou ou onde a sua voz chegou e continua a chegar com todo o precioso legado de mensagens que nos deixou.

Uma boa viagem pelo conhecimento desta fonte de esperança, caro(a) visitante virtual.
Um abraço virtual

C.C.

25/04/2013

A liberdade é o campo da esperança


Caros visitantes virtuais,

Portugal e os Portugueses comemoram hoje 39 anos de liberdade após terem vivido sob a opressão da ditadura de Salazar. 
Quase quarenta anos de regime democrático, apesar das suas vicissitudes e crises é um sinal de esperança que não devemos subestimar. 
O povo provou que é capaz de se revoltar e de se unir, de quebrar cadeias e isolamento e lutar pela construção do seu próprio destino, nada pode ser maior razão de esperança do que a capacidade de tomar o destino nas nossas próprias mãos, de ter audazes e corajosos, de ter confiança nas nossas capacidades, de dar voz à nossa revolta e de cantar a liberdade. 
O cântico " E depois do adeus", senha da revolução e o cântico "Grândola, Vila Morena", símbolo da luta pela liberdade provam que uma revolução se pode fazer pelas palavras associadas à determinação e à união.
Creio ser importante mantermos bem viva a memória desta capacidade extraordinária que como povo tivemos e continuamos a ter, é importante que as gerações mais novas aprendam com os seus avós e pais que estes conquistaram a liberdade e ajudaram os seus netos e filhos a poder nascer e crescer num país que respeita as liberdades e direitos fundamentais do ser humano. É importante para que eles valorizem a nossa história, o património que lhes legamos e que eles compreendam que eles próprios são responsáveis por todos os dias continuar a lutar pela afirmação da liberdade e pelo respeito pelos direitos sociais, económicos e políticos sem os quais não pode haver verdadeira democracia e equidade.
Hoje, 25 de abril de 2013, sintamos orgulho de ser Portugueses e partilhemos a esperança de um povo que mostrou que sabe lutar pelo seu próprio destino e de afirmar a sua vontade perante os seus governantes.
A liberdade é de todos nós e, com ela, também a esperança.
Um abraço virtual.
C.C.

17/06/2012

A ternura toca até o mais pesado coração


Caro visitante virtual,
Esta semana é a semana da esperança e da ternura. É a semana da paz e da liberdade. É a semana da vitória de uma grande mulher e do seu povo oprimido. A mulher é AUNG SUU KYI, conhecida como a "Dama de Rangun".
Aung Suu Kyi, atualmente com sessenta e seis anos, viveu e estudou na Índia, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Recebeu este sábado, dia 17 de novembro, o Prémio Nobel da Paz que a Academia Sueca lhe havia atribuído em 1991, mas que não pode receber por razões políticas, tendo ficado retida no seu próprio país: a Birmânia (atual Mianmar). O honroso prémio foi então recebido pelo seu marido e pelos dois filhos, enquanto a laureada seguia a cerimónia pela rádio.
Foi também agraciada com o Prémio Rafto dos Direitos Humanos (em 1990) e com o Prémio Sakharov dos Direitos Humanos, que lhe foi atribuído pelo Parlamento Europeu, em 1991.
Esta mulher de uma bravura inquestionável, nunca deixou de lutar pelos direitos humanos e pela liberdade do seu povo, apesar de ter vivido as últimas duas décadas da sua vida privada de liberdade. Estudou, publicou, fez voluntariado em hospitais, fez greve de fome pela melhoria das condições dos jovens soldados detidos, venceu eleições que a teriam conduzido legitimamente a que fosse a Primeira-Ministra da Birmânia, apesar de ter sido impedida de se candidatar, mas foi detida antes de poder assumir o cargo.
Nada deteve a luta de Suu Kyi pela liberdade e construção da democracia no seu país, nem o facto de o seu próprio pai ter sido assassinado por lutar pelas mesmas causas.
O poder desta mulher residiu sempre na sua coragem, na sua genuinidade e na sua palavra. Assim, cativou o seu povo e a comunidade internacional,e pode finalmente vir a Oslo receber o Prémio Nobel da Paz que tão justamente lhe havia sido atribuído há 21 anos.
Do seu discurso de aceitação deste prémio ressalto a força da ternura que, como se vê na mensagem abaixo, Suu Kyi não apenas invoca, como pratica.



Seleccionei estas frases do  discurso de Aung Suu Kyi de aceitação do Prémio Nobel da Paz, ontem proferidas diretamente da Noruega para todo o mundo e que considero de uma força de esperança e renovação do mundo magistral:

"Toda a ternura que recebi, pequena ou grande, me convenceu que nunca a ternura será demais no mundo. Ser terno, carinhoso ou gentil é responder com sensibilidade e calor humano às necessidades e esperanças dos outros. Até o mais breve toque de ternura pode iluminar um coração pesado".

Caro visitante virtual, deixo-o com o calor e a luz da ternura de Aung Suu Kyi que toca o mundo e cada homem e mulher que escutam a sua forte mensagem de Paz.

Votos de uma boa semana e um abraço virtual,

C.C.


18/03/2012

Esperança… uma vez mais por Timor Lorosae


Caros visitantes virtuais,
Nunca fui a Timor Leste, mas trago este país no coração há muito tempo. É um país que sinto de algum modo que faz parte do meu património humano, talvez por me ter afetivamente associado à causa da libertação do povo timorense, como tantos portugueses.
No sábado passado realizaram-se eleições presidenciais neste que é um dos mais jovens países da comunidade internacional. Pela primeira vez Timor se aproxima do momento em que deixará de ter o apoio permanente da missão da Organização das Nações Unidas, pois terá atingido a estabilidade que permite garantir por si mesmo uma vivência democrática, em clima de segurança e respeito da ordem pública que assegure aos seus cidadãos que estes podem viver em liberdade e gerir, por si mesmos, o país por cuja independência tanto lutaram.
E, se não constitui para mim nenhum orgulho, mas antes vergonha a forma como Portugal salazarista se recusou obstinadamente e contra o direito à autodeterminação dos povos a deixar as suas províncias ultramarinas em África, já o mesmo se não pode dizer da atitude que tomou em plena democracia relativamente a Timor Leste. Com Timor, Portugal soube não apenas aceitar a independência daquele território, como ajudá-lo a libertar-se da sua anexação pela Indonésia, que o considerou a sua 27ª Província, 3 dias após a saída dos Portugueses de Timor, em 1975.
A coragem do povo timorense é comovente. Estão certamente na memória de todos as terríveis imagens do massacre, ocorrido em 12 de novembro de 1991, no Cemitério de Santa Cruz, onde o povo se tinha reunido para homenagear um jovem assassinado pelas autoridades ocupantes e que terminou num banho de sangue de 200 timorenses, abatidos a sangue frio sobre as campas brancas dos seus mortos.
Portugal em peso se levantou com indignação, por diversas ocasiões e com diversos gestos abanou a comunidade internacional para que não deixasse sucumbir aquele povo irmão sob a opressão bárbara da Indonésia que lançando napalm em doses maciças dizimou um terço da população timorense e destruiu o seu património geográfico e florestal nas zonas onde caiu.
Rui Marques, fundador e diretor da Revista “Fórum Estudante”, em 1992, congregou em torno desta nobre causa 120 estudantes de 23 países que, com o apoio do Presidente da República Portuguesa, Ramalho Eanes, e a ajuda de patrocínios, partiram no navio Lusitânia Expresso em direção a Díli para depositarem uma coroa de flores em homenagem aos mortos no massacre de Santa Cruz, chamando assim a atenção da comunidade internacional para a defesa indispensável da autodeterminação do povo de Timor. A missão chamava-se “Por Timor” e, após 3 meses de viagem, em 9 de março desse ano, partindo de Darwin foi sobrevoada por aviões militares indonésios e travada no dia 11 do mesmo mês por 4 vasos de guerra indonésios antes de entrar em águas timorenses.
Foram necessários 4 navios de guerra para afastar 120 estudantes… que lançaram a coroa de flores ao mar, prestando assim a sua homenagem e deixando ainda mais claro perante o mundo que este teria que tomar posição em favor da libertação do povo timorense.
Em Timor destacaram-se 3 figuras emblemáticas que para sempre marcarão a história daquele país: José Ramos Horta, jurista e porta-voz do povo timorense no exílio durante a ocupação da Indonésia, tendo depois vindo a ser Ministro dos Negócios Estrangeiros e depois Presidente da República de Timor Leste e D. Ximenes Belo, bispo de Díli, que elevaram com audácia e persistência as suas vozes a favor da construção da liberdade e da paz para o povo de Timor, ambos agraciados com o Prémio Nobel da Paz em 1996, por esses feitos heroicos. E, ainda, Xanana Gusmão, que foi chefe da resistência timorense contra a opressão indonésia e que teve depois a alegria de ver o seu povo libertado e de se tornar o seu primeiro Presidente da República e depois seu Primeiro-Ministro.
O poema de Xanana Gusmão sobre a realidade do povo timorense contra cuja opressão lutou é das peças mais bonitas que já li: “Esperanças Rasgadas”. Pode ouvir-se este poema declamado pelo próprio numa gravação disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=FZNk-Ztf_G4
Timor continuava oprimido, mas Portugal não o deixou cair no esquecimento. Em 1999, os Trovante gravaram uma comovente canção, “Timor”, com letra de João Muge e música de João Gil, ambas de intensa beleza, enriquecida com a fabulosa interpretação vocal de Luís Represas. A gravação que nunca me canso de ouvir está disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=EFtYyv9F3jw

A letra ainda hoje me toca profundamente numa comoção intensa pelo povo de Timor, símbolo também de outros povos que foram e continuam a ser oprimidos no mundo e que carecem do nosso apoio para encontrar a liberdade e a paz:

“Lavam-se os olhos nega-se o beijo
do labirinto escolhe-se o mar
no cais deserto fica o desejo
da terra quente por conquistar

Nobre soldado que vens senhor
por sobre as asas do teu dragão
beijas os corpos no chão queimado
nunca serás o nosso perdão

Ai Timor
calam-se as vozes
dos teus avós
Ai Timor
se outros calam
cantemos nós

Salgas de ventres que não tiveste
ceifando os filhos que não são teus
nobre soldado nunca sonhaste
ver uma espada na mão de Deus

Da cruz se faz uma lança em chamas
que sangra o céu no sol do meio dia
do meio dos corpos a mesma lama
leito final onde o amor nascia

Ai Timor
calam-se as vozes
dos teus avós
Ai Timor
se outros calam
cantemos nós.”

Em 8 de setembro de 1999 Portugal foi convidado a cobrir-se de branco em sinal de luto e paz em solidariedade com o povo de Timor Lorosae. Fizeram-se ainda três minutos de silêncio e um cordão humano de 10 km que ficaram na memória de Lisboa, de Timor e do mundo. A iniciativa chamou-se “Dia branco – Solidariedade por Timor” e foi uma iniciativa do Diário de Notícias, do Jornal de Notícias e da TSF que tiveram profunda adesão do povo português e que foi seguida pela comunicação social nacional e internacional.
Foi, pois, com grande emoção, que os portugueses assistiram ao nascimento da República de Timor Leste, em 20 de maio de 2002.
Agora, quase dez anos depois, o povo timorense prepara-se para eleger o seu próximo Presidente da República e consolidar uma democracia que vai amadurecendo e uma liberdade que vai saboreando.
A esperança reside nas suas crianças timorenses que felizes comemoram a liberdade e no povo de Timor que nos mostra o entusiasmo da participação cívica, porque poder votar é um direito inestimável e um dever de cada cidadão na construção do seu país. Nunca esqueçamos nas nossas democracias o imenso valor da esperança que representa essa liberdade, esse direito-dever de sermos senhores do destino do nosso país, com o poder do nosso voto.

Uma boa semana, caro visitante virtual,

C.C.

26/02/2012

A esperança que brota da liberdade


Caros visitantes virtuais,
Faz este ano um quarto de século que Zeca Afonso soltou o seu último sopro de vida. O seu corpo foi acompanhado por mais de trinta mil pessoas. Pediu que a sua urna fosse coberta com um simples pano vermelho, tão vermelho como os cravos da liberdade que ajudou a semear no país e um pouco por todo o mundo onde foi cantando em vida e onde ainda hoje os seus discos e as suas músicas e letras continuam a contagiar e a interpelar-nos.
Quero, também eu com este simples post, associar-me às comemorações que percorrem o país evocando essa figura forte, íntegra, genuína e coerente de homem que lutou por valores de liberdade, igualdade e fraternidade. Homem este com quem espero que os nossos homens e mulheres de hoje e do futuro aprendam, sejam eles e elas governantes, políticos dos mais variados quadrantes e cidadãos deste país e do mundo.
Zeca nasceu em Aveiro, em 1929, fez a sua licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras, da Universidade de Coimbra, tendo nesse contexto académico apresentado uma tese sobre o grande filósofo existencialista Jean-Paul Sartre. No entanto, não foi à Filosofia que Zeca Afonso se dedicou, mas sim à preocupação constante da denúncia da ditadura salazarista e sua opressão sobre os direitos e liberdades dos cidadãos. A sua paixão foi viver no meio do povo e ajudá-lo a construir a liberdade.
O facto de passados 25 anos após a sua partida continuar tão vivo entre nós constitui, na minha perspetiva, um sinal de esperança de que, apesar do materialismo, da quase ditadura da economia em que hoje vivemos, algo dentro de nós continua a gritar-nos o que é realmente importante para o ser humano: que vivamos livres, que procuremos construir a igualdade de dignidade e de direitos, que vivamos em fraternidade, que sejamos solidários, que não vivamos sob o culto do consumismo e do individualismo e que não deixemos nunca de lutar por uma sociedade mais igualitária e dignificante para o ser humano.
Zeca Afonso foi não apenas um homem que lutou pela liberdade e fraternidade, como fez da sua vida um exemplo dos valores que tanto propagou como autor, intérprete e cidadão civicamente activo e empenhado na promoção da liberdade e da democracia. Teve sessões artísticas impedidas de se concretizar pela PIDE/DGS (Polícia Política ao serviço da ditadura), foi preso, foi afastado da sua função de professor, viveu com dificuldades financeiras e lutou com a doença. Mas, mesmo com essas limitações, a sua vida foi uma ação constante de entrega à causa da liberdade.
Foi de tal modo coerente consigo próprio que não aceitou integrar o Partido Comunista Português, por entender que por questão de classe o não deveria fazer, pois não pertencia ao proletariado: o pai era juíz, a mãe era professora primária e ele próprio professor.
O então Presidente da República Ramalho Eanes quis, justamente, condecorá-lo com a Ordem da Liberdade e ele recusou porque não era um homem que, como ele disse um dia “se quisesse tornar numa instituição”. Outro Presidente da República, Mário Soares, quis também justamente, a título póstumo condecorá-lo, mas a mulher de Zeca, respeitando o que bem conhecia serem os valores do marido, recusou também essa elevada condecoração.
Zeca Afonso é um homem exemplar para nós, despojado de vaidades, que não precisa de condecorações para ser lembrado e constituir para nós a esperança e a inspiração que nos é trazida pelos grandes homens carismáticos da história de Portugal. As suas palavras, neste caso escritas, musicadas e interpretadas por ele e por tantos outros que com ele partilharam vida e valores e outros que lhe deram continuidade dão-nos o alento de não esquecer a Fraternidade, a Igualdade e a Liberdade.
Quem quiser conhecer mais sobre Zeca Afonso e suas obras, poderá visitar a Associação Zeca Afonso em: http://www.aja.pt/

Coloco neste post uma das suas letras e músicas mais célebres de Zeca e que é profundamente significativa para a história da democracia em Portugal: Grândola, vila morena:

“Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira.”

Esta canção foi a senha política para que o Movimento das Forças Armadas (MFA), no dia 25 de Abril de 1974, derrotasse a ditadura de Salazar.
Nunca a deixemos cair no esquecimento:

Uma boa semana, caro visitante virtual,
C.C.



22/01/2012

A cultura como fonte de esperança

Caros visitantes virtuais,

Na semana em que Guimarães abriu as suas portas ao mundo como capital europeia da cultura 2012 (foto acima), papel que partilha com Maribor (foto abaixo), cidade da Eslovénia, ambas escolhidas pelo Conselho de Ministros da União Europeia para serem as capitais europeias da cultura em 2012.

Apreciei de modo especial a frase escolhida por Guimarães sobre a matéria: " O património somos todos nós". É bom que tenhamos presente esta grande verdade e nos valorizemos a cada passo, constituindo essa valorização um estímulo diário para a criatividade e inovação cujo potencial possuimos e que se vai revelando em tantos traços da cultura portuguesa seja ela erudita ou popular.

A cultura, para além de valorizadora do país e do mundo, é também valorizadora de cada comunidade onde se insere, tornando-se assim um factor de desenvolvimento regional, mas é ainda valorizadora do próprio ser humano.

A cultura, na minha perspectiva é um alimento imprescindível que constitui uma forma de nos entregarmos aos outros e também uma forma de absorvermos em nós as dádivas de sensibilidade dos outros.

Apreciar o que é feito pelo outro é também fonte de compreensão e de diálogo intersocial e intercultural.

A cultura liberta-nos dos sentimentos que nos oprimem quando os partilhamos através da escrita, da encenação, da pintura, da escultura, da música, do cinema e de tantas formas de arte performativa. Partilhados esses sentimentos passam a pertencer também a quem nos vê ou nos escuta e a luta contra essa dor é assim mais forte e mais capaz de ser superada e de transformar o mundo para o melhorar. A cultura por esta via constitui também uma terapia contra a angústia e a tristeza, uma fonte de alegria e uma fonte de esperança.

Por esta razão, sejam quais forem os tempos que se vivem, um povo não pode nunca deixar de desenvolver e promover a sua cultura.

Os Governantes não podem esquecer que a cultura de um povo é a sua mais preciosa fonte de riqueza porque representa a sua essência. Compete-nos também a nós, cidadãos atentos, ir lembrando a quem está no poder que a gestão financeira não pode deixar de ser feita para o povo português e em função dele. A "troika" não tem essa sensibilidade porque não está enraízada em valores humanos e culturais, é uma entidade abstracta que visa contribuir para apoiar uma gestão equilibrada, o que não se deve menosprezar, mas também não nos podemos deixar submergir no que é apenas uma vertente da realidade de um país, ainda que estruturante.

Valores fundamentais como a educação, a cultura, a saúde, a justiça e a segurança de um povo têm que estar garantidos e ser promovidos, pois não pretendemos apenas sobreviver a uma crise económica, mas é nossa obrigação democrática manter e até mesmo elevar quando necessário a dignidade humana e social de todos e não apenas de camadas mais favorecidas.

Os cidadãos da Croácia estão hoje a realizar um referendo para decidir a sua entrada na União Europeia. Já escrevi sobre esse assunto e o meu post encontra-se em: http://celiachamica.blogspot.com/2011/12/vale-pena-crescer-em-conjunto.html
Não pretendendo repetir ideias, quero apenas aqui assinalar que a Croácia, se tiver decidido a favor da sua adesão a este projecto europeu, será muito bem-vinda pois será mais um enriquecimento histórico e cultural a acrescer ao precioso património cultural da União Europeia.
Não queria encerrar este post sobre cultura e esperança sem vos falar de um grande homem que marcou a cultura portuguesa e me marcou também a mim, que modestamente me incluo entre os seus leitores que se sentiram profundamente tocados pela sua mensagem literária e social: Alves Redol, cujo centenário do nascimento foi celebrado durante 2011, encerrando com a conferência internacional realizada na semana passada em Lisboa.


Contactei com a literatura de Alves Redol enquanto aluna do ensino básico. O que uma vez mais me faz evocar a enorme importância da educação e o seu elo profundo com a atracção das nossas crianças e jovens para a cultura portuguesa e mundial.
O primeiro livro que li de Alves Redol foi "Constantino guardador de vacas e de sonhos", escrito pelo autor em 1962. Este livro, escrito dois anos antes do meu nascimento, marcou-me profundamente porque fala com uma sensibilidade extraordinária sobre um rapaz que sonhava alcançar Lisboa através do rio. Falava de dores e de sonhos e eu nunca mais esqueci Constantino que passou a pertencer ao meu património pessoal. Ainda hoje recordo a expressão do pai, assente na tradição duramente machista do tempo: "meu filho, um homem não chora nem que veja as tripas do outro na mão".


Reencontrei a literatura de Alves Redol há alguns anos quando li "O Muro Branco" que publicou em 1966. Deslumbrei-me uma vez mais e ainda mais. A extraordinária sensibilidade humana que transparece em cada linha é comovente e arrebatadora. Considero este livro uma pérola imperdível da literatura portuguesa.
Alves Redol nasceu em Vila Franca de Xira e esta Câmara Municipal está de parabéns porque o tem sabido homenagear. Criou um concurso literário com o nome do escritor, o que constitui um importantíssimo incentivo a novos autores ou a autores que não sendo novos não encontram forma de ver acolhidas as suas obras para publicação, o que sabemos é muito difícil que suceda. E, em 2011 dedicou todo o ano do centenário de nascimento de Alves Redol a actividades diversas de evocação deste grande escritor português que lutou contra o fascismo, foi preso pela PIDE (Polícia política da ditadura de Salazar) duas vezes, uma em 1944 e outra em 1963, viu os seus livros serem censurados, mas nunca desistiu de escrever a realidade de um país pobre e oprimido que tinha que se libertar. Escreveu romances, contos, teatro, literatura infantil, estudos e conferências. E sobre si próprio, numa entrevista dada em 27 de Março de 1963 ao jornal "Republical" disse: "Vocês, os mais novos, vão encontrar coisas belas para fazer... nessa altura, se o merecer, lembrem-se de mim".
Como poderia eu e tantos outros que o leram e lêem esquecê-lo? Esquecer este homem corajoso e esperançoso cuja poderosa arma foi a literatura? Nunca.
Caros visitantes virtuais, convido-vos a visitar a nossa cultura, em Guimarães ou qualquer outro ponto do país e do mundo onde Portugueses traçam rastos da magia de Ser Português.
Convido-vos a conhecer Alves Redol, convido-vos a conhecer escritores, pintores, cineastas, compositores, arquitectos, actores, encenadores, cantores, escultores, todo o tipo de artistas da cultura portuguesa, bem como tradições culturais de um povo que nunca deixou de exprimir o que lhe vai na alma, nessa grande e quente alma lusa que somos todos nós.
Um abraço caro visitante virtual e uma boa semana,


C.C.

22/10/2011

Ventos de esperança no mundo árabe


Caros visitantes virtuais,

Esta semana tomámos conhecimento de três notícias que considero serem ventos de esperança a soprar a favor do mundo árabe.

Obama anunciou a retirada de tropas do Iraque pondo assim fim a uma guerra de nove anos entre os Estados Unidos da América e aquele país. A invasão do Iraque pelas tropas americanas teve início em 2003, por ordem do então Presidente Americano George Bush, e actualmente permanecem ainda 39.000 soldados americanos em território iraquiano que irão regressar ao seu país e deixar o Iraque construir soberanamente o seu destino nacional e internacional.
Este anúncio de paz está bem simbolizado na imagem acima, do soldado americano conduzindo pela mão uma criança iraquiana cujos passos acompanha zelosamente como se nenhum deles tivesse nacionalidade diferente ou fossem ambos da mesma nação, a comunidade universal.




Também esta semana o povo Líbio declara-se feliz e regozija-se com o fim de 42 anos de ditadura iniciada em 1969 com um golpe militar, tinha então Muamar Kadafi 27 anos.
A morte do ditador, humilhante e degradante da condição humana a que qualquer ser humano tem direito, está a ser investigada pelas Nações Unidas.
E o homem que parecia todo-poderoso e invencível está agora numa câmara-frigorífica como qualquer pedaço de carne. Isto deve ajudar-nos a reflectir sobre o fenómeno do poder, do seu abuso e da sua volatilidade.
Deve ajudar-nos a reflectir sobre venerarmos o que não deve ser venerado. Sobre o culto que tomba num vazio porque é o culto do homem endeusado, o que em si é já um contrasenso.




Deve ajudar os ditadores ainda vivos e no poder a pensar o que é morrer deixando atrás de si um tão grande rasto de dor e opressão que leva a que filas intermináveis de cidadãos aguardem para ter com os seus olhos a certeza de ter morrido quem tanta gente oprimiu. Que o digam os familiares dos mártires do Massacre de Abu Salim, ocorrido em 1996, e gravado no coração de tantos líbios e da humanidade que testemunhou horrorizada a brutal violação de direitos humanos aí ocorrida.
À Líbia abre-se agora a possibilidade de eleições e a escolha de uma nova Constituição e um poder político eleito pelos cidadãos que exerça o poder assegurando a liberdade e procurando construir segurança e desenvolvimento harmonioso e justo, no pleno respeito pela liberdade e direitos humanos.




Amanhã, domingo, a Tunísia terá eleições pela primeira vez após 23 anos de governo absoluto exercido por Zine El Abidine Ben Ali, expulso pelo povo tunisino que conseguiu após mais de duas décadas libertar-se de um regime em que sentia oprimidas as suas liberdades e os seus direitos.
Na foto acima o povo Tunisino agita bandeiras e vive a campanha eleitoral que conduzirá à escolha dos destinos daquele país, mesmo que não sejam os que os Estados Unidos da América e as potências ocidentais acham mais desejáveis para a paz mundial. Há o direito dos povos à sua opção e a comunidade internacional deve respeitar esse direito e estar atenda a qualquer eventual tentativa de violação da paz, da segurança, da liberdade e dos direitos humanos.

Estas três situações, congregadas esta semana em situações de libertação dos povos que ganham a força de tomar nas suas mãos os seus próprios destinos, trazem ventos de esperança que alimentam a chamada Primavera Árabe, em que os países do Norte de África e do Médio Oriente se vêm libertando de décadas de violência e de opressão dos direitos humanos. Foi a comunidade internacional, sobretudo a sociedade civil e as redes sociais que deram um estímulo importante para esta libertação.

Continuemos, pois, a indignar-nos com as ditaduras, continuemos a indignar-nos com as violações da liberdade e dos direitos humanos. As nossas palavras, a nossa voz, os gestos culturais que exprimem a luta por esses valores fundamentais... todo o empenho é fundamental e lança sementes de esperança para os que ainda não alcançaram esse patamar de dignidade humana, pois com a nossa ajuda também eles podem aspirar a libertar-se. Como vimos, ninguém, por mais poder que tenha, é invencível. E, o poder da palavra e da Paz já muitas vezes na história da humanidade mostrou vencer as armas.

Um abraço caros visitantes virtuais, e votos de uma boa semana,

C.C.

08/10/2011

A esperança renasce na vitória das Mulheres pela PAZ


Caros visitantes virtuais,

Escrevo novamente sobre a Mulher no mundo porque mais uma vez foram mulheres que nos trouxeram sementes de esperança. Não que os homens as não tragam também, mas é tempo de falar das mulheres depois de tantos séculos a fazer silêncio sobre o seu papel empenhado e activo na família, na sociedade e no mundo.
Esta semana o Comité dos Prémios Nobel anunciou que, em 2011, o Prémio Nobel da Paz seria atribuído a três mulheres (na foto acima) pelo papel que desempenharam na luta não violenta pela segurança e os direitos das mulheres e pela sua participação plena na construção da paz.
Como bem reconhece aquele Comité de sábios, "Não se pode alcançar a democracia e a paz duradouras enquanto as mulheres não obtiverem no mundo as mesmas oportunidades que os homens para participarem no desenvolvimento social a todos os níveis."
Não faço aqui mais desenvolvimentos sobre a história dos Prémios Nobel da Paz, pois já a ela me referi oportunamente noutro post anterior deste blogue, bem como fiz referências aos sítios electrónicos oficiais deste relevante Prémio que a Academia Nobel da Noruega atribui e que tanto significado mundial tem.







O diagrama acima representa o complexo circuito que é seguido para a atribuição dos Prémios Nobel, incluindo o da Paz. Desde 1901 são atribuídos Prémios Nobel, sendo que de um total de 851 prémios atribuídos, apenas 44 foram concedidos a mulheres. E, no que ao Prémio Nobel da Paz se refere, dos 97 indivíduos que foram agraciados com este prémio, apenas 12 foram mulheres. Nove são as que surgem na foto abaixo e três as que este ano foram agraciadas com este Prémio.








Todas merecem a nossa homenagem e gratidão pois todas se empenharam em ser voz activa e construtora de paz lembrando sempre que as mulheres têm um papel fulcral e insubstituível na construção dos destinos das sociedades e da Humanidade. Todo o ser humano é único e insubstituível, seja homem ou mulher. A sua identidade é írrepetível e o seu contributo único no universo. Só assim podemos viver em paz, solidariedade e respeito pela diversidade da humanidade.

Que fizeram estas três mulheres para ser agraciadas com o Prémio Nobel da Paz 2011?
Eu diria que viveram a sua vida com base em valores que foram reconhecidos pelos frutos de paz que desencadearam nas sociedades onde estão integradas.
Aceitaram o desafio de lutar pela paz com determinação, mas sem usar a violência.
Reconheceram nas suas sociedades sinais de guerra ou de opressão de direitos humanos que quiseram e conseguiram vencer com a sua palavra, o seu empenhamento, a sua coragem e a sua entrega total a esta causa tão nobre porque tanto contribui para a dignificação das pessoas e das sociedades.
Foi esta situação comum que as fez ser reconhecidas pela Academia Nobel. São elas:








Ellen Johnson-Sirleaf, Economista de formação académica e actual Presidente da Libéria. Teve o mérito de, em 2006, ter sido eleita para esse elevado cargo político, tornando-se na primeira Presidente de uma República que é a mais antiga da África Subsaariana. É também interessante constatar que a Líbéria foi fundada em 1822 por escravos americanos libertos, o que justifica o seu nome associado à ideia de liberdade que lhe esteve na raiz.
Ellen tem exercido o seu mandato com elevado sentido de serviço aos cidadãos do seu país e empenhando-se muito activamente no incentivo e apoio a que as mulheres exerçam um papel activo no trabalho de construção da paz. Tem ajudado a construir o reconhecimento dos seus direitos e a segurança das mulheres e da sociedade em geral.









Tawakul Karman, jornalista do Iémen. Em 2005 criou o movimento "Mulheres jornalistas sem correntes", afirmando a liberdade de expressão das mulheres jornalistas, apesar do ambiente de opressão de direitos da sociedade em que estavam inseridas.
Em Janeiro deste ano liderou o movimento popular que se manifestou contra o Presidente do Iémen requerendo o respeito pelos direitos sociais e políticos.
Foi detida pelas suas convicções e afirmações públicas de luta pela paz e a liberdade.
É uma das principais activistas da chamada "Primavera Árabe" que pretende construir sociedades mais justas e livres nos países árabes.








Leymah Gbowee é também da Libéria. É uma activista-pacifista que contribuiu para o fim, em 2003, das sucessivas guerras civis que tantas vítimas fizeram na Libéria.
Criou um movimento de oração que uniu e fortaleceu a fé na perseverança e persistência da não-violência na construção da paz estimulando o diálogo e a compreensão mútuas.
O seu papel de reforço espiritual foi reconhecido e valorizado pelo importante contributo que deu para terminar a guerra civil no seu país.







Qualquer destas mulheres, cada uma a seu modo, não apenas construiu a paz como semeou a esperança. O mundo deve-lhes, pois, um tributo de gratidão a que me associo desde já e vos convido a fazê-lo também.

Um abraço, uma vez mais no feminino, caros visitantes virtuais,

C.C.

18/09/2011

Paz e democracia


Caros visitantes virtuais,

No passado dia 15 de Setembro a Organização das Nações Unidas comemorou o Dia Mundial da Democracia (Mais informação em: http://www.un.org/en/events/democracyday/ )
e no próximo dia 21 de Setembro comemora o Dia Mundial da Paz, este ano dedicado ao tema "Paz e Democracia" (Mais informação em: http://www.internationaldayofpeace.org/ ). Por esta feliz associação temática dedico este post a ambos os assuntos, pois, no meu entender existe uma ligação intrínseca entre ambos: considero que sem democracia qualquer paz que exista é falsa porque não assenta no respeito de um dos direitos fundamentais do ser humano: a Liberdade.

A vantagem que têm estas iniciativas internacionais é a de congregar atenções e actividades no mundo inteiro para, nesse dia em especial, darmos espaço ao debate sobre temas tão fundamentais para a existência e felicidade do ser humano e da sociedade como são, neste caso, a Paz e a Democracia.




Valorizemos a democracia, como diz o slogan das Nações Unidas para este dia "Faça ouvir a sua voz". Mantenhamos os olhos abertos e o espírito crítico necessários para denunciar vícios de abuso de poder ou de má gestão dos dinheiros públicos. É esse o dever de uma cidadania consciente e activa.

Valorizemos o facto de termos quebrado as cadeias de uma ditadura, graças aos que a combateram e aos que lutaram e ainda hoje lutam pela democracia em cada dia. É por vivermos em democracia que podemos dizer e escrever o que pensamos sem ter que temer represálias e torturas como sucedeu antes da Revolução de Abril, em Portugal e felizmente sucede sempre que cai uma ditadura no mundo. Ajudemos a derrubar as ditaduras que ainda existem, através da pressão da política externa nacional, dos organismos internacionais e das organizações não governamentais. A voz da sociedade civil no mundo tem hoje já um grande poder de conforto e encorajamento dos oprimidos e é dissuasora de maiores atrocidades que, sem este efeito mundial, mais aterradoras seriam.
Ensinemos aos nossos jovens que a política é responsabilidade de todos, através do exercício do direito e dever de votar, para que nos devemos manter sempre informados e preparados para uma escolha consciente.
Apelemos a um jornalismo isento e responsável, centrado não em mexeriquices, mas no que de facto é importante para a vida política e cívica de um país.
Mostremos aos nossos políticos (governantes e deputados) que têm que ser dignos e estar ao serviço do povo e, quando isso não sucede, façamos ouvir a nossa voz com elevação e dignidade.
A Democracia é o poder de eleger e ser eleito, não é um privilégio, é uma responsabilidade e um serviço público que constrói o destino de um povo em cada dia.
Saibamos valorizar esse direito que já temos, saibamos reconhecê-lo e exercê-lo, pois ele constitui ainda uma esperança a alcançar por muitos, que devemos ajudar a obter pelas vias competentes.
A imagem abaixo expressa a alegria pelo simples registo de identificação digital que permite a um povo poder exprimir o seu direito eleitoral pelo qual gerações lutaram.




Quando na próxima quarta-feira, dia 21, acordarmos, não deixemos de acordar a nossa consciência para que é o Dia Mundial da Paz. Desencadeemos uma corrente de energias positivas, como nos convida a Organização das Nações Unidas para construir a paz em ligação com a democracia. Isso implica não apenas o cessar-fogo entre beligerantes no mundo nesse dia. Implica, da parte de cada um de nós, cessar as hostilidades e desconfianças em relação ao outro: em casa, na vizinhança, na escola, no trabalho, etc.
Tentemos, pelo menos por um dia, olhar o outro procurando vê-lo numa perspectiva positiva e talvez isso nos ajude, certamente em muitos casos, a descobrir valores que não tinhamos visto e a relativizar as fragilidades que todos temos.
Fazer a paz é estender as mãos e acolher. Sem limites de género, idade, religião, etnia ou cultura. A paz é um bem universal e a maior semente de esperança que podemos lançar no nosso mundo.
O Vaticano celebra o Dia Mundial da Paz no dia 1 de Janeiro de 2012. O Papa Bento XVI já anunciou que o tema será "Educar os jovens para a justiça e a paz".
(Mais informação em: http://www.radiovaticana.org/en1/articolo.asp?c=488495 )

Segue na linha do Papa João Paulo II que, pela primeira vez em 1985, associou os jovens ao Dia Mundial da Paz. Chamar os jovens a esta responsabilidade fundamental de aprenderem uns com os outros e com as gerações anteriores a construir a justiça e a paz é, no meu entender, um reforçado sinal de esperança na sua inovação e criatividade postas ao serviço de um bem universal comum: a Paz.

Como cristã e católica que sou, associo-me também a esta mensagem Papal, mas não deixo de ter o sentido crítico que em nada me reduz a Fé de apelar a que a Igreja faça também esse exercício de educar para a justiça e a paz no século XXI e vindouros dentro do seu próprio espaço, limpando as teias de aranha que tem que limpar, acusando justamente quem tem que justamente acusar e condenar por crimes de pedofilia ou outros. A Igreja somos todos nós, os que nos dizemos e sentimos crentes, por isso falível, naturalmente. No meu entender, a Igreja quanto mais autêntica for, mais próxima estará do Homem que foi Jesus Cristo, profeta que no seu tempo levantou a voz contra os excessos de poder, contra a opressão dos mais fracos, contra a pobreza, contra a humilhação das mulheres, contra os comportamentos e as palavras de ostentação e falsidade. Por isso o aceito verdadeiramente como um símbolo da Paz e do Amor universal.

A razão da existência de dois Dias Mundiais da Paz é simples, um foi instituído pela Igreja Católica, decorrente da mensagem de Cristo, "Príncipe da Paz", para os que, como eu, n'Ele acreditam. Foi instituído há 45 anos e foi atribuído o primeiro dia do ano a este tema tão importante que ainda hoje mantém toda a actualidade. A Organização das Nações Unidas, há 30 anos instituiu também o Dia Mundial da Paz, por considerar também fulcral este valor fundamental da vida dos homens e das sociedades. A Carta das Nações Unidas, criadas após duas guerras mundiais que devastaram o mundo, no seu Preâmbulo refere expressamente que esta organização internacional de vocação universal foi criada para ajudar a prevenir e resolver conflitos e contribuir para a paz mundial.








O Comité Norueguês dos Prémios Nobel há mais de cem anos instituiu o Prémio Nobel da Paz. Desde 1901 que este Comité dedica uma atenção especial aos indivíduos e instituições que se distinguem pela promoção da paz.


Certamente muitos de nós se recordam de muitas individualidades e instituições que receberam esta importante distinção, pessoas a quem o mundo tanto deve pela sua exemplar coragem e dedicação em terem uma voz activa e determinada ajudando a fazer cessar conflitos em momentos históricos dolorosos, pondo em risco a sua própria vida.
(Mais informação em: http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/peace/ )

Assim, queiramos celebrar a Paz de forma religiosa, ou não-religiosa, ou de ambos os modos, façamo-lo, pois a PAZ em cada dia depende de cada um de nós. Lancemos a semente da esperança e depois podemos sorrir ao vê-la florescer ou ao saber que as gerações dos nossos filhos e netos contaram com a nosso gesto em cada dia para poder viver em democracia, liberdade e paz.

Um abraço fraterno, caros visitantes virtuais,

CC