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30/10/2011

Sinais de abertura na Monarquia Britânica







Caros visitantes virtuais,



Esta semana a Monarquia Britânica deu dois importantes passos na democratização política daquele país e dos países da Commonwealth que têm como soberana a Rainha de Inglaterra. Como anunciou o Primeiro-Ministro Britânico, David Cameron no final da XXI Cimeira desta Comunidade de Países, reunida em Perth (Austrália) na semana passada, de 28 a 30 de Outubro, foi aprovada uma lei que introduz duas novas regras:


(i) O herdeiro do trono britânico passou a poder ser herdado por uma mulher nas mesmas circunstâncias de nascimento que de um homem se tratasse, deixando assim de haver primazia masculina na herança do trono britânico. Isto é, a lei da sucessão ao trono que vigorava desde 1969 determinava que o herdeiro do trono teria que ser um rapaz, fosse ou não o primeiro filho do casal, podendo apenas ser do sexo feminino se o casal real não concebesse nenhum filho do sexo masculino, situação esta específica que permitiu à actual Rainha Isabel II herdar o trono por morte de seu pai, Jorge VI.



(ii) Deixou de ser proibido ao (à) herdeiro (a) casar com alguém que professasse a região Católica. O não respeito desta condição fundamental retirava ao herdeiro na linha da sucessão a legitimidade para se tornar soberano (a) dos seus súbditos ingleses e da Commonwealt que têm como seu Chefe de Estado o rei ou a rainha de Inglaterra: Austrália, Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Canadá, Granada, Jamaica, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, São Cristóvão e Nevis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Ilhas Salomão e Tuvalu.
Curiosamente, o consorte poderia ter qualquer outra religião, mas não a Católica.

Esta alteração legislativa a uma tradição jurídica e histórica com mais de trezentos anos surge perto do Jubileu da Rainha Isabel II (que comemora 60 anos de reinado em 2012) e representa uma abertura democrática que considero ser um sinal de esperança numa maior igualdade de direitos no acesso aos mais elevados poderes de representação do Estado porque acabam com uma discriminação em função do género e em função da religião.

Em Perth Isabel II discursava dizendo que as mulheres deverão ter um maior papel na sociedade. Não posso estar mais de acordo, mas...







... ainda muito recentemente Kate, por ser Duquesa de Cambridge, através do seu porta-voz oficial, teve que vir explicar ao povo britânico a razão da cicatriz que tem junto à orelha esquerda. Tratou-se de uma cirurgia que teve que fazer em criança e, ficou bem clarificado, que foi inevitável. Onde está o homem, da realeza ou não, que tem que vir a público explicar as suas eventuais cicatrizes?

Considero este acto uma violação de direitos fundamentais da mulher, e de algum modo um roçar valores de pureza física e étnica que já trouxeram grandes horrores à história da humanidade. Revolta-me, indigna-me e acho que uma Monarquia moderna deveria ante o caso ter outra atitude e não sentir a necessidade de explicar a situação.






Sou por convicção republicana porque considero justos os regimes políticos em que os Chefes de Estado e de Governo são escolhidos pelo seu povo em eleições livres e directas, e em que os seus mandatos políticos são limitados a um número de anos considerado razoável para permitir alternância no poder, o que considero essencial para garantia dos princípios e valores democráticos.

Condicionar as escolhas à hereditariedade, no meu entender viola um princípio básico da democracia: a igualdade de direitos dos indivíduos.

Sei que nem todas as monarquias são hereditárias (em que a sucessão dos monarcas resulta de uma herança familiar), mas estas são as situações mais comuns, tradicionalmente conferindo a lei da sucessão a primazia do direito de realeza ao filho primogénito varão do soberano, e apenas à filha mais velha se este não existirem filhos do sexo masculino. Graças a esta regra, por exemplo, Henrique VIII, pode ser Rei e fundar a Igreja Anglicana dado a Igreja Católica não lhe ter consentido satisfazer os seus caprichos pessoais. Tal não sucederia com a revisão agora aprovada na Cimeira de Perth já que ele tinha uma irmã mais velha.

As poucas monarquias não hereditárias, as electivas (Andorra, Cambodja, Emiratos Árabes Unidos, Kuwait, Malásia e Suazilândia), no meu entender aproximam-se mais do princípio democrático de escolha de quem representa e governa uma Nação. No entando, nestes casos o rei é eleito por um Conselho composto por Príncipes ou grandes responsáveis. Não há uma eleição directa pelo povo, o que preconizo como princípio fundamental da legitimidade democrática de uma Nação.






O Vaticano, constitui um regime sui generis dado o Papa ser eleito apenas por um Cônclave de Cardeais e a sua escolha ser, acreditam os Católicos, inspirada por Deus.
Católica que sou, e convicta, a minha Fé radica na figura de Jesus Cristo e no seu exemplo ímpar para a Humanidade.
Acredito que Deus inspira a História e os homens quando eles se deixam inspirar, pois Deus não nos impõe a Fé, nós somos livres de a abarcar ou não. Mas não creio que o direito canónico seja uma ocupação divina, mas antes uma necessidade de a Igreja regular o seu funcionamento e manter o exercício do seu poder que procura exercer para bem dos cristãos e do mundo.

Há ainda monarquias sub-nacionais, como por exemplo o Dubai, que existem dentro de outras Nações, neste caso os Emiratos Árabes Unidos, onde vigora o princípio da submissão dos súbditos aos seus reais soberanos que a genética lhes impôs, e não o voto de todo o povo escolheu, bem ou mal, mas exercendo o direito e o dever de cidadania activa e co-responsável.

Platão, em "A República" apresenta de forma ímpar a natureza da res publica ("a coisa pública"), tratando-se este de um autêntico tratado de Ciência Política que merece ser revisitado.







É verdade que as Repúblicas não nos têm dado só motivos de orgulho, sobretudo quando se afastam dos princípios democráticos porque se devem reger, mas eu quero ser cidadã de um país em que os meus filhos e os filhos de qualquer meu concidadão não apenas podem eleger o seu Chefe de Estado e de Governo como podem, por direito e reunidas as condições legais para o efeito, vir a exercer esse papel. Não se trata aqui de desde o berço uns estarem destinados a ser monarcas e venerados pelos seus súbditos apenas porque lhes corre nas veias sangue de Avis, dos Hohenzollern, de Hanôver, etc; enquanto outros estão condenados a ser apenas súbditos e leais servidores de suas Majestades.






De qualquer modo, respeito naturalmente os que pensam de modo diferente, os monárquicos, bem como as Monarquias vigentes (actualmente 44 no Mundo). Já as Monarquias Absolutas que ainda continuam a existir (Arábia Saúdita, Brunei, Omã, Suazilândia e Quatar) me deixam muitas interrogações quanto à sua legitimidade política, pois o poder absoluto, por uma questão de princípio político, é por natureza anti-democrático.

Após estas breves reflexões em que partilhei convosco as minhas convicções, respeitando as diferentes das minhas, naturalmente, não deixo no entanto de terminar como comecei, regozijando-me com a abertura da Monarquia Britânica ao fim da primazia da sucessão hereditária ao trono por herdeiro do sexo masculino (acto que a Monarquia Sueca inaugurou em 1980, tendo depois sido seguida por outras Monarquias Europeias: a Belga, a Dinamarquesa, a Holandesa, a Luxemburguesa e a Norueguesa) e ao fim da perda do direito à herança do trono resultante de um casamento com alguém que professe a religião Católia.

Acabar com discriminações, de género, religião ou quais quer outras é sempre construir um mundo mais justo e melhor.

Uma boa semana caros visitantes virtuais,

C.C.












18/09/2011

Paz e democracia


Caros visitantes virtuais,

No passado dia 15 de Setembro a Organização das Nações Unidas comemorou o Dia Mundial da Democracia (Mais informação em: http://www.un.org/en/events/democracyday/ )
e no próximo dia 21 de Setembro comemora o Dia Mundial da Paz, este ano dedicado ao tema "Paz e Democracia" (Mais informação em: http://www.internationaldayofpeace.org/ ). Por esta feliz associação temática dedico este post a ambos os assuntos, pois, no meu entender existe uma ligação intrínseca entre ambos: considero que sem democracia qualquer paz que exista é falsa porque não assenta no respeito de um dos direitos fundamentais do ser humano: a Liberdade.

A vantagem que têm estas iniciativas internacionais é a de congregar atenções e actividades no mundo inteiro para, nesse dia em especial, darmos espaço ao debate sobre temas tão fundamentais para a existência e felicidade do ser humano e da sociedade como são, neste caso, a Paz e a Democracia.




Valorizemos a democracia, como diz o slogan das Nações Unidas para este dia "Faça ouvir a sua voz". Mantenhamos os olhos abertos e o espírito crítico necessários para denunciar vícios de abuso de poder ou de má gestão dos dinheiros públicos. É esse o dever de uma cidadania consciente e activa.

Valorizemos o facto de termos quebrado as cadeias de uma ditadura, graças aos que a combateram e aos que lutaram e ainda hoje lutam pela democracia em cada dia. É por vivermos em democracia que podemos dizer e escrever o que pensamos sem ter que temer represálias e torturas como sucedeu antes da Revolução de Abril, em Portugal e felizmente sucede sempre que cai uma ditadura no mundo. Ajudemos a derrubar as ditaduras que ainda existem, através da pressão da política externa nacional, dos organismos internacionais e das organizações não governamentais. A voz da sociedade civil no mundo tem hoje já um grande poder de conforto e encorajamento dos oprimidos e é dissuasora de maiores atrocidades que, sem este efeito mundial, mais aterradoras seriam.
Ensinemos aos nossos jovens que a política é responsabilidade de todos, através do exercício do direito e dever de votar, para que nos devemos manter sempre informados e preparados para uma escolha consciente.
Apelemos a um jornalismo isento e responsável, centrado não em mexeriquices, mas no que de facto é importante para a vida política e cívica de um país.
Mostremos aos nossos políticos (governantes e deputados) que têm que ser dignos e estar ao serviço do povo e, quando isso não sucede, façamos ouvir a nossa voz com elevação e dignidade.
A Democracia é o poder de eleger e ser eleito, não é um privilégio, é uma responsabilidade e um serviço público que constrói o destino de um povo em cada dia.
Saibamos valorizar esse direito que já temos, saibamos reconhecê-lo e exercê-lo, pois ele constitui ainda uma esperança a alcançar por muitos, que devemos ajudar a obter pelas vias competentes.
A imagem abaixo expressa a alegria pelo simples registo de identificação digital que permite a um povo poder exprimir o seu direito eleitoral pelo qual gerações lutaram.




Quando na próxima quarta-feira, dia 21, acordarmos, não deixemos de acordar a nossa consciência para que é o Dia Mundial da Paz. Desencadeemos uma corrente de energias positivas, como nos convida a Organização das Nações Unidas para construir a paz em ligação com a democracia. Isso implica não apenas o cessar-fogo entre beligerantes no mundo nesse dia. Implica, da parte de cada um de nós, cessar as hostilidades e desconfianças em relação ao outro: em casa, na vizinhança, na escola, no trabalho, etc.
Tentemos, pelo menos por um dia, olhar o outro procurando vê-lo numa perspectiva positiva e talvez isso nos ajude, certamente em muitos casos, a descobrir valores que não tinhamos visto e a relativizar as fragilidades que todos temos.
Fazer a paz é estender as mãos e acolher. Sem limites de género, idade, religião, etnia ou cultura. A paz é um bem universal e a maior semente de esperança que podemos lançar no nosso mundo.
O Vaticano celebra o Dia Mundial da Paz no dia 1 de Janeiro de 2012. O Papa Bento XVI já anunciou que o tema será "Educar os jovens para a justiça e a paz".
(Mais informação em: http://www.radiovaticana.org/en1/articolo.asp?c=488495 )

Segue na linha do Papa João Paulo II que, pela primeira vez em 1985, associou os jovens ao Dia Mundial da Paz. Chamar os jovens a esta responsabilidade fundamental de aprenderem uns com os outros e com as gerações anteriores a construir a justiça e a paz é, no meu entender, um reforçado sinal de esperança na sua inovação e criatividade postas ao serviço de um bem universal comum: a Paz.

Como cristã e católica que sou, associo-me também a esta mensagem Papal, mas não deixo de ter o sentido crítico que em nada me reduz a Fé de apelar a que a Igreja faça também esse exercício de educar para a justiça e a paz no século XXI e vindouros dentro do seu próprio espaço, limpando as teias de aranha que tem que limpar, acusando justamente quem tem que justamente acusar e condenar por crimes de pedofilia ou outros. A Igreja somos todos nós, os que nos dizemos e sentimos crentes, por isso falível, naturalmente. No meu entender, a Igreja quanto mais autêntica for, mais próxima estará do Homem que foi Jesus Cristo, profeta que no seu tempo levantou a voz contra os excessos de poder, contra a opressão dos mais fracos, contra a pobreza, contra a humilhação das mulheres, contra os comportamentos e as palavras de ostentação e falsidade. Por isso o aceito verdadeiramente como um símbolo da Paz e do Amor universal.

A razão da existência de dois Dias Mundiais da Paz é simples, um foi instituído pela Igreja Católica, decorrente da mensagem de Cristo, "Príncipe da Paz", para os que, como eu, n'Ele acreditam. Foi instituído há 45 anos e foi atribuído o primeiro dia do ano a este tema tão importante que ainda hoje mantém toda a actualidade. A Organização das Nações Unidas, há 30 anos instituiu também o Dia Mundial da Paz, por considerar também fulcral este valor fundamental da vida dos homens e das sociedades. A Carta das Nações Unidas, criadas após duas guerras mundiais que devastaram o mundo, no seu Preâmbulo refere expressamente que esta organização internacional de vocação universal foi criada para ajudar a prevenir e resolver conflitos e contribuir para a paz mundial.








O Comité Norueguês dos Prémios Nobel há mais de cem anos instituiu o Prémio Nobel da Paz. Desde 1901 que este Comité dedica uma atenção especial aos indivíduos e instituições que se distinguem pela promoção da paz.


Certamente muitos de nós se recordam de muitas individualidades e instituições que receberam esta importante distinção, pessoas a quem o mundo tanto deve pela sua exemplar coragem e dedicação em terem uma voz activa e determinada ajudando a fazer cessar conflitos em momentos históricos dolorosos, pondo em risco a sua própria vida.
(Mais informação em: http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/peace/ )

Assim, queiramos celebrar a Paz de forma religiosa, ou não-religiosa, ou de ambos os modos, façamo-lo, pois a PAZ em cada dia depende de cada um de nós. Lancemos a semente da esperança e depois podemos sorrir ao vê-la florescer ou ao saber que as gerações dos nossos filhos e netos contaram com a nosso gesto em cada dia para poder viver em democracia, liberdade e paz.

Um abraço fraterno, caros visitantes virtuais,

CC