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31/03/2016

A esperança que resulta de ter conhecido alguém muito especial


 Post dedicado à memória de Joaninha e, como ela muito gostaria, à memória do seu mano Tiago

Caros visitantes,

Tenho a certeza que cada um de vós que agora me lê alguma vez na sua vida conheceu alguém ou algumas raras pessoas muito especiais. Eu também tive essa felicidade quando conheci a Joaninha, sorridente na foto acima, como sempre a conheci muito amada pelos seus pais Carlos e Filomena Pinto e por isso  muito, muito feliz.
A Joaninha deixou-nos subitamente na quinta-feira de Páscoa e a belíssima e profunda intensa celebração eucarística da sua reunião com Deus realizou-se precisamente no Dia de Páscoa que ocorreu há dias. Foi uma das mais intensas celebrações eucarísticas em que participei e em que mais intensamente senti a intensidade da Fé, e estou muito grata a Deus, ao Padre Rui Valério que presidiu a esta celebração e que nela nos deixou uma mensagem de Fé e de esperança e força do Espírito na nossa Vida que nunca esquecerei, muito grata também ao Carlos e à Mena Pinto, pais da Joaninha, à minha muito querida Joaninha e a todos os padres, acólitos, catequistas, jovens, crianças e todas as muitas pessoas da Paróquia da Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto que participaram com tanto empenho e entrega de presença espiritual e comunhão solidária com a família de Joaninha. Apesar da enorme tristeza do momento de grande dor de não mais podermos ver nem ouvir fisicamente a Joaninha, nem a beijar e abraçar como ela tanto gostava, e nós também, a verdade é que quem muito a amou e ama continua a sentir a forte presença dela, a vê-la, a ouvi-la e a lembrar os muitos momentos em que tivemos o privilégio de partilhar momentos das nossas vidas com ela e que sabem tão bem recordar, por tudo isso, para mim, Joaninha e também o Carlos e a Mena foram naquele dia, como em muitos outros dias para mim uma enorme mensagem de esperança que agora partilho com os meus visitantes virtuais. 
Eu acredito que, pelas mesmas razões, caro visitante virtual, pessoas assim tão especiais que conheceu na sua vida serão para si essa fonte de esperança. Se nunca as tinha visto nessa perspetiva, desperte para ela agora que vale muito a pena porque a vida é um lugar maravilhoso para amar e receber amor em cada dia, entregando-se aos outros e abrindo os braços para receber as dádivas de amor e de beleza que ela tem para nós, sejam os Alpes suíços que eu ontem estava a contemplar, seja o passarinho que eu, agora em Lisboa, estou a ouvir, seja o rosto dos meus filhos crescidos que admiro extasiada como qualquer mãe, e o rosto dos filhos de cada um de vós, mães e pais, que vos faz sentir a mesma intensa alegria e esperança.
A vós, caros visitantes virtuais, que nunca tiveste a alegria de conhecer ninguém tão especial, apresento-vos a Joaninha e deixo-vos com a memória da presença feliz e a mensagem de grande alegria a hino a tudo de belo na vida, para ela, sobretudo o mano dela, os pais dela, a família dela, os amigos dela, mas também, a missa e os seus belíssimos cantos, Jesus e Maria que ela referia a todo o instante, as flores que ela adorava, todas as flores, as guloseimas de que ela tanto gostava, sobretudo bolachinhas e chocolates, pulseiras coloridas (como a que uma vez lhe ofereci e a fez devolver-me um sorriso de tão grande alegria que ainda hoje me faz sorrir), mas sobretudo... as crianças e destas, acima de tudo, os bébés. A Joaninha deliciava-se com a existência de tudo isto e vivia a alegria de tudo isto em cada dia e contagiava-nos com a sua felicidade imensa e sem limites e agora eterna.
Há  maior esperança que esta? Se há ainda bem, porque pelo menos esta que conheço, que vivo e que me faz feliz estou profundamente grata a Deus por ela.
Um grande grande beijinho e obrigada por tudo minha querida e doce Joaninha.
Um grande beijinho Carlos e Mena por nos terem dado a Joaninha e por tudo o que vocês são e pela alegria contagiante do vosso amor e a força contagiante da vossa fé que me faz sentir pequenina e humilde, e por isso necessitada da proteção da imensidão de Deus a quem me confio inteiramente em cada dia e a quem confio os meus filhos e aqueles da minha família e amigos que tanto amo, mas também a quem confio quem nem sequer conheço, a quem confio toda a humanidade, e nela, em cada dia a quem confio os que mais precisam e nos momentos que mais precisam.
Um abraço muito feliz e cheio de esperança para si, caro visitante virtual que acabou de ler veste post e creia que embora não faça ideia de quem é, a sua vida para mim é valiosa e estou grata por ela e por ler as minhas simples e sinceras palavras neste blogue.
CC

16/10/2011

A secreta esperança



Caros visitantes virtuais,

É a primeira vez que vos falo de um livro. Não porque não goste de ler, bem pelo contrário. Ler é uma das minhas mais antigas e maiores paixões. Desta vez vou falar de um livro, e mais do que de um livro, de um autor e da esperança que traz com ele. Porque este blogue é um blogue de esperança, faz sentido trazê-lo a este post.

Não conheço o autor, mas conheço o que escreve.
Disse no livro cuja capa acima se replica: "A esperança era uma coisa muda e feita para ser um pouco secreta".
A beleza literária da escrita de Valter Hugo Mãe, o extraordinário enredo do livro e a densidade das personagens que nos enternecem e arrebatam fazem deste homem uma das grandes esperanças da literatura portuguesa contemporânea.


Valter Hugo Mãe nasceu em Angola em 1971 e venceu o Prémio José Saramago, na minha perspectiva com toda a justiça, e muitos mais vencerá a avaliar pela qualidade do que escreve.
Considerei este livro um fonte de esperança não apenas pelo promissor papel que atribuo a este escritor no panorama literário nacional e internacional, mas também porque o seu mais recente livro "O filho de mil homens" é, no meu entender, um manual de esperança. Ensina-nos que podemos ter problemas e ser felizes, se aceitarmos as nossas fragilidades e as dos outros e, com amor, as transformarmos em força.

Fala de personagens que carregam o fardo da desigualdade social, que por isso são ostracizados, mas fala também de personangens simples, com uma enorme sabedoria de vida que são capazes de genuinamente acolher, respeitar e amar a diferença. Ensinam-nos grandes lições sobre questões como a deficiência física, a homosexualidade e as diferenças sociais são tratadas e sentidas no dia-a-dia. Lendo é mais fácil tomar consciência das atitudes individuais e sociais que existem face à diferença e, assim, construir mentalidades mais respeitadoras do outro e da sua diferença.






"Um homem chegou aos quarenta anos e assumiu a tristeza de não ter um filho."
"Abriu a sua porta e arriscou sorrir."
"Pensava que quando se sonha tão grande a realidade aprende."

Valter Hugo Mãe fala-nos da tristeza de um homem que, chegando à chamada meia-idade, se sente vazio. Mas este homem tem uma enorme capacidade que vai conduzi-lo a preencher a sua vida e ajudar os que o rodeiam a preencher as suas vidas também: a capacidade de alimentar dentro de si a semente da esperança e do sonho que a ela está associado. Essa energia positiva que carrega consigo torna-o leve e capaz de amar porque não se perde nas buscas infrutíferas da perfeição que não encontraria nunca, nem ele nem ninguém. Porque a Perfeição, se existe, está na Eternidade.





O que não significa que não seja belo o que encontramos pela imensidão da terra.
Uma flor é bela e não nos interrogamos sobre a sua perfeição. Basta olhá-la e usufruir da sua beleza ou odor.
O protagonista deste romance de Valter Hugo Mãe sabe usufruir da beleza da vida e transformar o sofrimento com o poder do amor que é capaz de entender a limitação do outro e amá-lo com essa limitação, preenchendo-se assim as metades de cada um. Usando uma imagem do autor, deixam de cair para dentro do vazio de si próprios.

Caros visitantes virtuais, convido-vos a ler este romance de compreensão, humanidade e esperança.

Também eu quando cheguei aos quarenta anos repensei a minha existência, como se tivesse chegado ao cimo de uma colina e olhasse para o percurso já percorrido e precisasse de ficar a contemplar a paisagem antes de avançar para a segunda metade da minha vida. Já lá vão sete anos desta segunda metade e posso dizer-vos que retomei o percurso mais leve. A minha bagagem é muito ligeira, levo nela apenas os que muito amo: família, amigos e a minha Fé. Nenhum deles me pesa, embora me sinta responsável por todos, tornam-me mais leve porque me ajudam a suportar o peso do que na vida é menos agradável. Estou-lhes grata por isso e valorizo-os muito em cada segundo que vou vivendo porque são esses os meus tesouros e a fonte permanente da minha esperança e da minha alegria.

Cada um com sua bagagem, caros visitantes virtuais, convido-vos a mergulhar na esperança, vejamo-la como uma alegria pública e partilhada ou como um sopro secreto dentro de cada um de nós e que nos faça ter coragem de dar o passo que precisamos de dar para ir ao encontro de quem amamos e nos faz feliz.

Um abraço virtual,

C.C.