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13/01/2015

A esperança que resulta de uma sexualidade bem vivida


Caros visitantes virtuais,

A minha primeira mensagem deste ano é sobre uma sexualidade bem vivida pelo ser humano. E porquê? Porque a sexualidade é geradora de comunhão de amor e do maior e mais completo prazer que pode haver entre dois seres humanos e é geradora de vida.
A sexualidade é, também assim, fonte de esperança porque a esperança brota do amor, da felicidade, da comunhão, da plenitude e da vida.
A sexualidade é uma dimensão de todas e todos em todas as idades da vida. Para gerar genuíno prazer e felicidade esta deve ser à medida da idade e responsabilidade correspondente do ser humano, mas atravessa todas as idades. Nós, desde que gerados, somos seres sexuados. Tal marca vem já nos cromossomas da génese da nossa vida.
Daí decorre que, quando vemos a luz da vida somos já seres sexuados e a nossa sexualidade é, desde sempre, uma dimensão fundamental da nossa vida ao longo da mesma, nunca perdendo o seu valor e significado, mesmo com o avançar da idade. Assim, não posso deixar de lamentar um infeliz episódio ocorrido no ano anterior em que uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça Português, com a participação de uma mulher Juíza, reduziu o valor da indemnização relativo a uma mulher que, em consequência de uma cirurgia há 19 anos na Maternidade Alfredo da Costa,  ficou impedida de voltar a ter relações sexuais com normalidade por ter 50 anos e dois filhos, alegando que nessa idade a sexualidade da mulher já não tinha o mesmo valor e cito, lamentando a ignorância: "idade em que a sexualidade não tem a importância que assume em idades mais jovens, importância essa que vai diminuindo à medida que a idade avança". Felizmente que muitas vozes de instituições várias e da sociedade civil se levantaram oportunamente contra esta injusta e mal fundada decisão, demarcando-se assim deste ato isolado que, não crendo que tenha sido tomado de má-fé, apenas o entendo fundado no desconhecimento psicológico da mulher e numa distorcida e discriminatória visão da mulher que as várias sociedades do mundo contemporâneo vêm combatendo, mas de que ainda há muitos resquícios a remover. Quanto a esta matéria, entendo que a esperança decorre de todas e todos quantos elevaram vozes e palavras escritas contra esta situação ensinando assim as nossas e os nossos crianças e jovens que a sexualidade os acompanha sempre e nunca se desvaloriza, mesmo quando os níveis hormonais começam a baixar com a idade.
O ser humano tem uma riqueza interior enorme de que faz parte integrante a sua sexualidade e esta dimensão é essencial ser vivida de forma saudável para que o mesmo se sinta equilibrado, seja homem ou mulher e seja qual for a sua idade, raça, cultura, grupo social ou económico. Na minha perspetiva uma sexualidade saudável e gratificante é aquela que é vivida no contexto do amor responsável pelo seu próprio prazer e pelo do outro. Respeitados estes parâmetros a sexualidade é um vasto campo para a criatividade, imaginação, sedução e entrega mútua que quanto mais plena mais realiza o ser humano. É uma entrega ilimitada do que cada um tem de melhor àquele ou àquela que considera ser o ou a merecedor(a) do seu amor e da sua intimidade. Tal entrega pode produzir efeitos diversos seja no fogo da paixão que nos faz ver o fogo-de-artifício ou na plenitude da terna serenidade que nos cobre de bem-estar como uma corrente que nos percorre e sacia de vida, em todo o caso, deixa ambos os amantes ainda mais amorosos entre si e planta sempre uma semente de felicidade e de plenitude que nos faz brilhar os olhos e ver a vida a cores.
Caro(a) visitante virtual, vá ao encontro de quem ama e entregue-se a esse amor que o preenche. Ultrapasse barreiras e preconceitos, mergulhe na plenitude de um desejo que o(a) sacia e sacia quem o (a) ama. Se ainda não encontrou, empenhe-se em procurar quem o(a) merece, mas não esqueça: o(a) seu valor é único, por isso merece quem o(a) ame genuinamente e em exclusivo.

Votos de um ano feliz.

Um abraço virtual,

CC