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29/09/2013

A esperança que brota das palavras audazes do Papa Francisco


Caros visitantes virtuais,

Escrevo-vos hoje, pela primeira vez, sobre o novo Papa da Igreja Católica, o Papa Francisco. Desde que se iniciou o seu pontificado que eu tenho vindo a ver com agrado a atitude de simplicidade deste novo Papa que, como cristã que sou, me agrada muito por achar que é a atitude mais próxima de Jesus Cristo, figura em que acredito e que considero um modelo de Fé. 
A minha crença nos valores religiosos estão muito ancorados naturalmente na Bíblia, fonte da Palavra de Deus, que na minha perspetiva tem que ter uma leitura crítica contextualizada à época, e não uma leitura literal, mas sobretudo no exemplo vivo do seguimento do Amor fraterno, universal, incondicional e sem discriminações de qualquer tipo que nos foi dado por Jesus Cristo.
O que sempre me atraiu na vivência de Jesus Cristo foi a sua dedicação integral ao outro, num despojamento simples e numa entrega total da sua vida  a uma missão de amor em que Ele acreditava profundamente. Jesus Cristo foi um Profeta de Deus, como muitos outros de outras religiões que me merecem igual respeito e admiração. Mas, para mim, Jesus Cristo é a minha escolha pessoal como modelo e aderi profundamente à sua mensagem "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" porque essa forma de amor que ele viveu é sem dúvida aquela que considero mais construtora da genuína felicidade do ser humano, pois ele amou a todos por igual, sem discriminação de idade, género, estrato social, condição económica ou condição de saúde ou de doença. E, quando quis dedicar alguma atenção especial foi sempre aos mais pobres, aos excluídos e aos marginalizados do seu tempo: os pobres, as viúvas, os leprosos, as mulheres, as crianças e tantos outros que as suas bonitas parábolas nos revelam.
Este homem, profundamente revolucionário para o seu tempo, pagou com a própria vida ter lutado e vivido por um ideal. Mas, graças a ele, muita coisa foi mudando e muita coisa continua a mudar, pois ele continua a inspirar milhares de cidadãos do mundo há dois mil anos.
Escrevo-vos hoje sobre o Papa Francisco por considerar que este Papa traz novos sinais de esperança à Igreja Católica e ao mundo, não apenas pela sua atitude de simplicidade e de proximidade de cada um de nós, como pelas suas palavras recentemente proferidas pronunciarem uma abertura da Igreja que há muito tempo se aguarda.
Desde logo, e não apenas como mulher que sou, mas como católica e cidadã do mundo, creio que a Igreja Católica e o mundo têm perdido muito com a sua atitude de recusa e mesmo subalternização do papel da mulher nas suas estruturas, nomeadamente as mais elevadas. Assim, considero um sinal de esperança que o Papa Francisco tenha recentemente vindo dizer "Nos lugares onde se tomam as decisões da Igreja é necessário o génio feminino".
Considero ainda fundamental que o Papa Francisco tenha também recentemente abordado dois outros temas relativamente aos quais a Igreja Católica tem tido um discurso profundamente retrógrado e pouco ou nada sensível em termos humanos, trata-se da questão da utilização de contracetivos, do aborto e dos homossexuais. Sobre esta matéria o Papa Francisco apresenta uma atitude de maior humildade da Igreja.
Considero muito significativo que tenha dito: "A religião tem o direito de exprimir a própria opinião para serviço das pessoas, mas Deus, na criação, tornou-nos livres: a ingerência espiritual na vida pessoal não é possível." 
Assim, caros visitantes virtuais, acho que podemos ter esperança de que o Papa Francisco abra as janelas do Vaticano e faça correr ventos que venham arejar muitas das que são bafientas igrejas católicas espalhadas por todo o mundo, sacudindo-lhes as teias de aranha e conduzindo-as a ver cada vez mais em Jesus Cristo o modelo a seguir de acolhimento de todos em igualdade de circunstâncias. 
E, com esta atitude, o Papa terá seguramente uma voz mais firme e mais credível junto dos governantes de todas as nações instigando-os a que exerçam o poder ao serviço dos seus cidadãos e no pleno respeito pelos seus direitos e liberdades, sem discriminações de qualquer tipo, promovendo assim um desenvolvimento equilibrado e justo das sociedades.
Também com esta atitude melhor pode a Igreja contribuir para a construção da paz entre as nações, pois está a contribuir para a dignidade universal do ser humano e para a construção de pontes que conduzem ao diálogo entre nações, povo, culturas e religiões.
Uma boa semana caro visitante virtual.

C.C.